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MENINGITES EM GERAL
DOENÇA MENINGOCÓCICA
OBJETIVOS GERAIS
- RECONHECER AS CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E
EPIDEMIOLÓGICAS DAS MENINGITES
- ENTENDER E EFETUAR AÇÕES DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA COM
RELAÇÃO À DOENÇA
Elaboração:
Rubens C.B. Puricelli - SGCM/DIVE
Naura Inez B. G. Gandin - SGCM/DIVE
A. MENIGITES EM GERAL
1. DESCRIÇÃO DA DOENÇA
- MENINGITE é uma doença que compromete as membranas que envolvem o
SNC (cérebro e medula espinal).
- Pode ser causada por uma multiplicidade de agentes.
- Caracteriza-se por febre, cefaléia, náuseas, vômitos, sinais de irritação
meníngea e alterações do LCR (líquido céfalorraquidiano).
São doenças graves, cujo prognóstico depende fundamentalmente
do DIAGNÓSTICO PRECOCE e da INSTITUIÇÃO IMEDIATA DE TRATAMENTO ADEQUADO.
2. PRINCIPAIS ETIOLOGIAS
VÍRUS BACTÉRIAS OUTROS
Enterovírus Neisséria meningitidis Fungos
Poliovírus Mycobacterium tuberculosis Cryptococos
Coxsackie Streptococcus pneumoniae Blastomicose
Echo Haemophilus influenzae Protozoários
Arbovírus Escherichia coli Toxoplasma gondii
Herpes simples Salmonela sp Helmintos
Varicela Zoster Klebsiella sp Cisticercose
Vírus da Caxumba Staphylococcus aureus Taenia
Vírus do Sarampo Leptospira sp Amebas
IMPORTÂNCIA EM SAÚDE PÚBLICA
- Doença Meningocócica
- Meningite por Hemófilos
- Meningite Tuberculosa
- Outras etiologias
3. ASPECTOS CLÍNICOS
- Início súbito, com febre, cefaléia intensa, náuseas, vômitos, acompanhada
em alguns casos por manifestações cutâneas tipo petéquias, e sinais
de irritação meníngea.
- São características de Irritação Meníngea:
- Rigidez de nuca;
- Sinal de Kerning (flexão da perna sobre a coxa e desta sobre a bacia
ao se elevar o tronco, quando em decúbito dorsal);
- Sinal de Brudzinski ( mesmo movimento de flexão, ao se antefletir
a cabeça);
- Dependendo do grau de comprometimento encefálico, podem aparecer também
convulsões, paralisias, tremores, transtornos pupilares, hipoacusia
e ptose palpebral;
- Delírio e coma podem surgir no início da doença e casos fulminantes
com sinais de choque.
- Crianças abaixo de 9 meses, raramente apresentam sinais de irritação
meníngea. Outros sinais permitem a suspeita: febre, irritabilidade,
grito meníngeo, recusa alimentar, vômitos, convulsões, abaulamento da
fontanela.
4. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
- É imprescindível para a identificação precisa do agente agressor.
- A confirmação laboratorial pode ter diferentes graus de refinamento.
- O principal material utilizado é o líquido cefalo-raquidiano (LCR)
ou LÍQUOR, como também sangue e esfregaço de pele.
- O aspecto normal do LCR é LÍMPIDO E INCOLOR como "água de rocha
".
- Quando alterado (dependendo do agente agressor e do n.º. de células)
pode se apresentar:
TURVO - 200 a 300 células/mm3
OPALESCENTE - 500 células/mm3
PURULENTO - 700 células/mm3
XANTOCRÔMICO - proteínas = ou + 200 mg/100 ml
HEMORRÁGICO - grande quantidade de hemácias.
- Deve-se esgotar todas as possibilidades de exame: físico, citológico,
bioquímico (glicose, proteínas, cloretos) , bacteriológico e imunológico.
- As técnicas laboratoriais utilizadas são a BACTERIOSCOPIA, CULTURA,
CIEF e AGLUTINACÃO PELO LATEX.
- O LACEN distribui gratuitamente KITS para semeadura do LCR e Sangue.
5. TRATAMENTO
- Deve ser instituído a medicação antibiótica antes de se identificar
o agente agressor. Extrair antes o LCR, para não dificultar o diagnóstico.
- Antibióticos mais utilizados: PENICILINA, AMPICILINA, CLORANFENICOL,
CEFTRIAXONA (Rocefin).
-
6. PROGNÓSTICO
Depende:
- do agente etiológico;
- das condições clínicas do paciente;
- da faixa etária;
- da precocidade do diagnóstico e tratamento.
7. VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
É realizada através da coleta sistemática:
- das Notificações;
- das investigações dos casos;
- das investigações dos óbitos
- da análise dos dados obtidos
- da adoção de medidas de controle oportunos
Fontes:
- Hospitais
- Laboratórios
- Cartórios de Registro Civil
- FLUXO
Fluxo dos Dados de Meningites em Geral
A rotina de notificação, investigação, digitação e fluxo
dos dados referentes aos casos de Meningite em geral, deverá seguir os
seguinte passos (fluxograma 1):
1- O processo é desencadeado pela notificação de um caso
suspeito de Meningite, feita geralmente pelo hospital, ao Serviço de Saúde
do Município;
2- O Serviço de Saúde local faz a investigação imediata
do caso, preenchendo a Ficha Individual de Investigação de Meningite (FIM),-
através dos dados coletados no hospital e junto à família. A coleta dos
dados completos, referentes à evolução dos casos, deverão ser feitas até
15 dias após a notificação;
3- O preenchimento dessas fichas deverá ser feito por
pessoal devidamente treinado (geralmente enfermeiros, ou técnicos de enfermagem)
dos Serviços Municipais de saúde. As Declarações de Óbitos, cuja causa
básica ou contribuinte foi Meningite, não notificados, também geram investigação;
4- Os dados contidos nas FIM são digitados no âmbito
local, quando o município já dispõe do SINAN implantado. Caso contrário,
essas FIM são encaminhadas para digitação nas Regionais de Saúde;
5- Esse encaminhamento deverá ser feito semanalmente,
dos municípios às Regionais de Saúde, via disquete ou modem, e destas,
ao nível central, via modem;
6- As FIM seguem o mesmo fluxo, sendo encaminhadas dos
municípios às Regionais de Saúde, onde passam por revisão, e destas ao
nível central (DIVE -SES), onde são avaliadas por médicos lotados no Programa
de Controle das Meningites, o que implica em possíveis alterações;
7- Essas FIM são posteriormente devolvidas, do nível
central ao nível regional, e deste ao municipal, onde eventuais alterações
decorrentes daquela avaliação, devem ser retificadas de imediato no SINAN.
8- A notificação/investigação dos casos compete ao município
em cujo hospital ocorreu a internação, independente do município de residência
do doente, devendo encaminhar os formulários devidamente preenchidos à
sede da Regional de Saúde .
9. MEDIDAS DE CONTROLE
- Medidas gerais de prevenção de doenças infecciosas (higiene, boa alimentação,
ventilação/insolação dos ambientes, dormitórios adequados).
-
- Doença de PREVENÇÃO SECUNDÁRIA ( evita-se maiores complicações através
do DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO PRECOCES).
B. MENINGITE MENINGOCÓCICA
1.0- ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS
1.1- AGENTE ETIOLÓGICONeisséria meningitidis (diplococo gram negativo)
Vários sorogrupos: A, B, C, D, X, Y, Z,W135,29E ,H,I,K,L.
1.2- RESERVATÓRIO: Homem doente ou portador
(único reservatório do meningococo).
1.3- MODO DE TRANSMISSÃO: através do contato direto com
gotículas e secreções nasofaríngeas.
Contato indireto: questionável (sensibilidade do meningococo).
1.4-PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 2 a 10 dias
(geralmente 3 a 4).
1.5- PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE
- Persiste até o desaparecimento do meningococo das secreções nasofaríngeas
do doente ou portador.
- Em geral, os meningococos desaparecem da nasofaringe 24 h após início
do tratamento específico (quimioprofilaxia)
- Estado de portador pode ser longo (até 10 meses)
1.6- SUSCEPTIBILIDADE E IMUNIDADE
- a susceptibilidade é geral, porém baixa
- a proporção de portadores é elevada em relação ao número de casos
(até 25%)
- a imunidade conferida pela doença é específica para cada sorogrupo
- se desconhece o grau e duração dessa imunidade
1.7- DISTRIBUIÇÃO DA DOENÇA
- Tempo: o ano todo, mais freqüente nos meses mais frios. Em intervalos
irregulares, surgem epidemias;
- Espaço:- universal. Tanto em zonas urbanas como rurais . Aglomeração
intra-domiciliar favorece a transmissão.
- Características pessoais; - Doença de crianças e adultos jovens;
- Ligação com fatores econômicos ( inversamente proporcional a renda
e diretamente proporcional ao número de pessoas residentes no domicílio).
2.0- FORMAS CLÍNICAS PRINCIPAIS
2.1- Meningite
Meningocócica: presença do meningococo entre as meninges.
2.2- Meningococcemia: presença do meningococo
na corrente sangüínea. As vezes não se propaga às meninges, portanto,
não apresenta sinais de irritação meníngea. Febre e petéquias, nesse caso,
são indicativos.
QUANTO À LOCALIZACÃO , A INFECCÃO PODE SER:
- limitada à nasofaringe: manifestações locais ou assintomática;
- forma meningítica: restrita às meninges;
- forma septicêmica grave: caracterizada por início súbito, calafrio,
febre alta, dores no corpo, prostração, mal-estar e petéquias ( meningococcemia
).
3.0-COMPLICAÇÕES
GERALMENTE GRAVES E COM SEQUELAS, sendo as mais freqüentes:
- necroses profundas com perdas de substância
- surdez parcial ou completa
- miocardite, pericardite
- complicações da área neurológica: paralisias, paresias, abcesso cerebral,
hidrocefalia, artrite
4.0- DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
4.1- LCR : Aspecto físico, Bacterioscopia
(cocos e bacilos), Cultura (isolamento de bactérias e fungos), CIEF e
aglutinacão pelo látex (identificam o antígeno específico).
4.2- Sangue : pesquisa do agente etiológico na hemocultura
e CIEF
4.3- Pele: raspado da lesão (meningococcemia) pode
evidenciar o agente.
OBS: Os exames laboratoriais devem ser feitos mesmo em
caso de óbito, visando a identificação do agente etiológico.
C. COMO PROCEDER NO ÂMBITO DO MUNICÍPIO
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
1 - Objetivo principal: descoberta precoce de
surtos
Forma: acompanhamento do seu comportamento no município
(Número de casos semanal, mensal, por idade ,por diagnóstico, incidência,
taxa de letalidade, etc.)
2 - COMO ATINGIR OS OBJETIVOS DA VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
- Notificação e Investigação dos Casos Suspeitos (Busca ativa)
- Apoio laboratorial para definição do diagnóstico
- Tratamento hospitalar imediato
- Controle dos comunicantes
3 - SURTOS
- são aumentos repentinos do número de casos;
- não existe definição precisa que indique a partir de que taxas considera-se
surtos;
- depende: da virulência das cepas prevalentes, da proporção de susceptíveis
na população, da existência de condições que favoreçam a transmissão;
- procurar comparar com dados anteriores ( série histórica ).
4 - MEDIDAS DE CONTROLE
- Esclarecimento da comunidade
- Evitar medidas drásticas (fechamento de escolas, queima de colchões,
etc)
- Controle de contatos somente após confirmação.
- Refere-se a Contatos Domiciliares e/ou íntimos (o que propicia o contato
direto com a bactéria); Internatos, quartéis, creches (restrito às pessoas
que compartilham o mesmo quarto).
5 - QUIMIOPROFILAXIA
- A droga de escolha é a RIFAMPICINA;
- A Aplicação da Rifampicina deve ser feita somente nos casos de DOENÇA
MENINGOCÓCICA E MENINGITE POR HAEMOPHILUS INFLUENZAE,
- COMPROVADOS LABORATORIALMENTE, ou na PRESENÇA DE PETÉQUIAS, pois estas
estão geralmente associadas a presença do meningococo.
- No caso da DM, a aplicação da Rifampicina deve ser feita de imediato,
no máximo até 10 dias após.
- No caso da Meningite por Haemophilus, o prazo para aplicação da Rifampicina,
é de trinta dias.
- A quimioprofilaxia não assegura efeito protetor absoluto, tendo também
como objetivo, eliminar uma possível condição de portador;
- Adotado na falta de meios mais eficazes;
- A proporção de casos secundários no meio domiciliar é maior;
- Gestantes podem usar a Rifampicina, sem restrições. Médicos e enfermeiros
,só no caso de exposição às secreções, como no caso de respiração boca
a boca e/ou entubação.
- É importante que por 30 dias sejam observados todos os comunicantes
de 1 caso de DM visando diagnosticar e tratar precocemente outros casos
que possam vir a correr.
- Devem ser considerados contatos íntimos, pessoas que freqüentemente
comem e dormem no mesmo ambiente que o doente , compartilham o mesmo
domicílio ou tenham tido relações íntimas e prolongadas com o paciente.
6-ISOLAMENTO HOSPITALAR:
É indicado somente nas primeiras 24 horas após o início
do tratamento antimicrobiano adequado , em quarto privativo , com isolamento
respiratório e luvas (em casos de lesões cutâneas ).
7- DESINFECCÃO CONCORRENTE E/OU TERMINAL:
Normalmente não é necessária , devido à vulnerabilidade
do meningococo no meio ambiente.
8-TRATAMENTO NA ALTA:
Com a alta os pacientes devem receber Rifampicina , uma
vez que as drogas indicadas para o tratamento da DM não atingem a nasofaringe
e não são indicados como quimioprofilaticas, com exceção do CEFTRIAXONA
(Rocefin).
9- VACINAS
- Não são indicadas como medidas de rotina.
- São específicas para cada sorogrupo
- Disponíveis: A, C, AC, BC , ACYW 135.
- Grau e duração da imunidade: Variável
- :Uso restrito (só em caso de epidemias)
- Eficazes em escolares e adultos , resposta sorológica pequena e de
curta duração em crianças de baixa idade (menor de 2 anos).
10- OBRIGATORIEDADE DA NOTIFICAÇÃO:
Toda pessoa tem o dever de comunicar à autoridade de
saúde a ocorrência de qualquer caso ou óbito, suspeito ou confirmado de
doenças de notificação compulsória, de que tenha conhecimento.
A notificação deverá ser feita, o mais rápidamente possível
e prioritariamente pelo:
- médico que prestar atendimento ao doente;
- responsáveis por hospitais ou clínicas;
- pessoas que exerçam profissões da ciência da saúde;
- outras pessoas.
O descumprimento desta norma implicará em penalidades
na forma do Decreto n.º. 23.663, de 16/10/84. Artigos 24,25,26 e 33 do
Decreto n.º. 24.983, de 14/03/85, regulamentado pela Lei Estadual n.º.
6.320 de 20/12/83. Lei Federal n.º. 6.259,
de 30/10/75, regualmentada pela portaria n.º. 1.100,
de 24/05/96.
11- SEPULTAMENTO:
Lei n.º. 6.320, capítulo IV, artigo 26, parágrafo
1º. :
"Para o transporte de pessoas vitimadas por doença
transmissível, as urnas funerárias devem ser de madeira, trabalhada ou
não, herméticas e revestidas internamente de zinco".
Observação: É nosso entendimento que o transporte a que
se refere a Lei é quando há a necessidade de translado do corpo de um
Estado para outro e somente nestes casos ela deve ser aplicada.
D. COMO PREENCHER A FICHA DE INVESTIGAÇÃO
1- PRINCÍPIOS BÁSICOS:
- Preencher todos os campos;
- Todas as caselas devem ser preenchidas com os números (1 = sim), (2
= não), ou (9 = ignorado). Portanto nunca usar a letra "X";
- A ficha de investigação deverá ser encaminhada à Regional de Saúde
e desta ao Nível Central, após estar devidamente preenchida, incluindo
a evolução do caso (1 = alta; 2 = óbito; 9 = ignorado e a data da evolução).
2- INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
De todos os campos da ficha de investigação, alguns se
revestem de grande importância, pois contribuem para a definição do diagnóstico
etiológico da meningite. Outros, por sua vez, geram diferentes interpretacões.
Esses principais campos são:
CAMPO 33 - MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:
- Preencher com os números (1 = sim; 2 = não ou 9 = ignorado)
indicando ou não a presença de sinais clínicos específicos;
CAMPO 38 - PUNÇÃO LOMBAR
- Preencher com os números (1 = sim; 2 = não ou 9 = ignorado)
CAMPO 39 - DATA DA PUNÇÃO
- Preencher sempre a data da punção.
CAMPO 40 - ASPÉCTO DO LIQUOR
- Preencher a casela utilizando o número correspondente
ao aspecto do líquor no momento da punção ;
CAMPO 41 - CITOQUÍMICA
É a análise citológica e bioquímica do líquor. Portanto
é um dos campos mais importantes da ficha de investigação.
1 = Hemácias: anotar o número de hemácias (ou glóbulos
vermelhos)
2 = Leucócitos: anotar o número de leucócitos ( glóbulos
brancos ou celularidade ou número de células ou contagem global de células)
Valores normais esperados: crianças < menores de 1
ano até 5 células/mm3
crianças com + de 1 ano até 4 células/mm3
3; 4; 6 e 8 = anotar o número (em termos percentuais
%) que registra a proporção maior ou menor das células sangüíneas encontradas
no líquor (monócitos, neutrófilos, linfócitos e eosinófilos).
Quando a meningite está presente, a relação proporcional
entre neutrófilos (também chamados polimorfonucleares ou segmentados)
e linfócitos (também chamados linfomonocitários ou mononucleares) será
muito importante para estabelecer o diagnóstico etiológico (tipo) de meningite.
Quando houver predomínio (+ de 50%) de neutrófilos a
suspeita recai sobre origem bacteriana, quando houver predomínio de linfócitos
a suspeita recai sobre origem viral.
Assim, essa proporção de neutrófilos e linfócitos tende
à fechar em 100%. Se o primeiro apresenta em proporção de 70% a proporção
de linfócitos provavelmente será de 30% (ou seja 70% + 30% = 100%)
Dosagem de glicose e proteínas do líquor.
Os valores normais esperados são:
Glicose (glicorraquia) = de 50 a 80mg/100ml
Proteínas = 15 a 40mg/100ml
Assim na meningite de origem bacteriana há:
Aumento das proteínas : maior de 100mg/100ml e
Redução da glicose: menor do que 50mg/100ml.
Na meningite de origem viral:
Proteínas : valores normais ou próximos do normal
Glicose : valores normais ou próximas do normal
CAMPO 42 = transcrever o resultado dos
exames laboratoriais; o líquor é o material mais utilizado. A bacterioscopia
é o exame laboratorial mais simples, que pode ser:
Não realizado
Negativo: ausência de germes
Positivo: nesse caso a bacterioscopia revela somente
a forma da bactéria ou como se agrupam (cocos, bacilos, estreptococos,
estafilococos e espiroquetas) e a coloração pelo Gram, em azul (positivo)
ou vermelho (negativo).
O segundo exame microbiológico do líquor mais freqüente
é a cultura e o seu resultado deve estar sempre associado ao resultado
da bacterioscopia. Portanto os resultados mais freqüentes são:
BACTERIOSCOPIA CULTURA
Cocos Gram Positivos..................................................
Streptococcus do tipo B; S. áureus
Diplococos Gram Positivos..........................................
Streptococcus pneumoniae
Diplococos Gram Negativos........................................
Neisseria meningitidis
Cocobacilos Gram (-) / Bacilos Gram (-) Pleomórficos
Haemophilus influenzae b
Bacilos Gram Negativos..............................................
Enterobactérias ( Salmonella sp.,
Klebsiella sp., Proteus sp., etc)
Bacilos Gram Positivos.................................................
Listeria monocytogenes
Baar..............................................................................
Mycobacterium tuberculosis
CAMPO 48 - O objetivo desse campo é
saber se o paciente recebeu Rifampicina antes de adoecer, como decorrência
de possível contato com outro doente. Portanto, esse campo não se refere
ao uso do quimioprofilático antes da alta hospitalar.
CAMPO 62 - Critérios para definição
diagnóstica:
(1) Meningococcemia = Clínico
(2) Meningite Meningocócica = Bacterioscopia e Cultura
ou Látex ou CIEF
(3) Meningite Meningocócica com Meningococcemia = Bacterioscopia
e Cultura ou Látex ou CIEF ou Clínico ( somente quando houver petéquias
).
(4) Meningite Tuberculosa = Bacteriocopia e Clínico ou
Epidemiológico
(5) Meningite Bacteriana Não Especificada = Citoquímica
(6) Meningite Não Especificada = Citoquímica
(7) Meningite Viral = Citoquímica
(8) Meningite de Outra Etiologia = Bacterioscopia e Cultura
ou CIEF ou Látex..
(9) Meningite por Hemófilos = Bacterioscopia e Cultura
ou Látex ou CIEF
(10) Meningite por Pneumococos = Bacterioscopia e Cultura
ou Látex
QUIMIOPROFILAXIA
DOENÇA MENINGOCÓCICA:
É indicada exclusivamente para os contatos domiciliares
do doente, inclusive em domicílios coletivos, como internatos, quartéis
e creches. Nestes casos, limita-se a pessoas que compartilham o dormitório
com o doente. Consequentemente, excluem-se da quimioprofilaxia os colegas
de trabalho, de sala de aula e outros contatos. A quimioprofilaxia não
assegura efeito protetor absoluto e prolongado, mas tem sido adotada na
falta de meios disponíveis mais eficazes de proteção.
A droga de escolha é a Rifampicina.
CÁPSULAS com 300 mg e SUSPENSÃO (frascos com 50 ml contendo
100 mg de Rifampicina para cada 5 ml)
ADULTOS: 600 mg de 12/12 horas, em 4 tomadas , durante
dois dias.
CRIANÇAS:
- menores de um mês de idade: 5 mg/Kg de peso, de 12/12 horas, em 4
tomadas ,durante dois dias.
- de 1 mês até 12 anos de idade: 10 mg/Kg de peso, de 12/12 horas, em
4 tomadas, durante
dois dias, na dose máxima de 600 mg por dose.
Deve-se evitar o uso de medicamento logo após as refeições.
Para uso prático, observar a seguinte orientação, desprezando
o excedente do medicamento, quando for o caso:
| PESO
(Quilos) |
1
DOSE a cada
12 horas |
TOTAL
POR DIA |
TOTAL 2 DIAS |
N.º
VIDROS |
40 Kg |
20 ml |
40 ml |
80 ml |
2 vidros |
35 Kg |
17.5 ml |
35 ml |
70 ml |
2 vidros |
30 Kg |
15 ml |
30 ml |
60 ml |
2 vidros |
25 Kg |
12.5 ml |
25 ml |
50 ml |
1 vidro |
20 Kg |
10 ml |
20 ml |
40 ml |
1 vidro |
15 Kg |
7.5 ml |
15 ml |
30 ml |
1 vidro |
10 Kg |
5 ml |
10 ml |
20 ml |
1 vidro |
5 Kg |
2.5 ml |
5 ml |
10 ml |
1 vidro |
4 Kg (<1 mês) |
1 ml |
2 ml |
4 ml |
1 vidro |
GESTANTES: recomenda-se o uso de Rifampicina em gestantes,
baseada nos seguintes itens:
- não há provas de que a Rifampicina possa apresentar efeitos teratogênicos:
- a longa experiência no Brasil, com seu uso, desde 1980, tem trazido
contribuição em relação a esse aspecto, não havendo qualquer notificação
de efeitos colaterais nas gestantes ou teratogênicos, o mesmo acontecendo
com a experiência internacional:
- na revisão da literatura nacional e internacional, não se verifica
nada de importância que contra-indique o uso da Rifampicina em gestantes,
tanto nos trabalhos experimentais como nos trabalhos clínicos.
A Rifampicina deve ser administrada precocemente, após
a confirmação do caso, em dose adequada, simultaneamente a todos os contatos,
no prazo máximo de 10 dias após o início dos sintomas do caso. O uso restrito
da Rifampicina visa evitar o aparecimento de cepas resistentes de meningococos
e bacilos da tuberculose.
MENINGITE POR HAEMOPHILUS INFLUENZAE
A quimioprofilaxia da Meninigite por Haemophilus, é indicada
para:
- todos os contatos domiciliares( inclusive adultos), desde que existam
crianças menores de 4 anos de idade, além do caso índice;
- para creches ou escolas onde existam crianças expostas com idade inferior
a 24 meses e diante da ocorrência de um segundo caso confirmado. Indica-se,
então, para os contatos íntimos incluindo os adultos;
- por ocasião da alta hospitalar, para aqueles pacientes que possuam,
entre seus contatos domiciliares, crianças menores de 48 meses de idade.
POSOLOGIA: Rifampicina.
- ADULTOS: 600 mg/dose, 1 vez ao dia, durante 4 dias.
- CRIANÇAS: 20 mg/kg/dia até uma dose máxima de 600mg, uma vez ao dia,
durante 4 dias. ( crianças menores de 1 mês de idade a dose será de
10mg/kg/peso)
Para uso prático, observar a seguinte orientação, desprezando
o excedente do medicamento quando for o caso:
| PESO |
DOSE DIÁRIA |
TOTAL |
N.º VIDROS |
40 Kg |
30 ml |
120 ml |
3 vidros |
35 Kg |
30 ml |
120 ml |
3 vidros |
30 Kg |
30 ml |
120 ml |
3 vidros |
25 Kg |
25 ml |
100 ml |
2 vidros |
20 Kg |
20 ml |
80 ml |
2 vidros |
15 Kg |
15 ml |
60 ml |
2 vidros |
10 Kg |
10 ml |
40 ml |
1 vidro |
5 Kg |
5 ml |
20 ml |
1 vidro |
4 Kg (< 1 mês) |
2 ml |
8 ml |
1 vidro |
Observação: deve ser considerado caso de meningite por
Haemophilus aquele que tiver exame laboratorial comprobatório.
- considera-se contato íntimo aquele contato próximo
e prolongado que permita a transmissão direta do microorganismo, especialmente
os indivíduos que compartilhem o mesmo quarto;
- a quimioprofilaxia deve ser instituída o mais precocemente
possível, podendo ser iniciada até 30 dias após a ocorrência do caso índice.
VACINA CONTRA HAEMOPHILUS B
Esquema Básico de Vacinação:
IDADE |
NÚMERO DE DOSES |
INTERVALO |
IDEAL
|
MÍNIMO |
< 1 ANO
12 MESES A 23 MESES |
03 ( 2 -
4 - 6 MESES)
01 |
60
DIAS 30 DIAS
Não há intervalo máximo
|
- Crianças (12 a 23 meses) que não completaram o esquema de 3 doses
no primeiro ano de vida deverão fazer apenas 01 dose complementar (mesmo
aquelas que fizeram só uma dose no primeiro ano de vida).
- Crianças (12 a 23 meses) com esquema completo de 3 doses no 1º ano
de vida não precisam de dose complementar.
OBS: A vacina Hib pode ser dada simultaneamente com outras vacinas do calendário,
PORÉM, não misturar na mesma seringa.
MENSAGEM FINAL: Há uma palavra chave no controle das Meningites.
Essa palavra é RAPIDEZ.
RAPIDEZ: NA NOTIFICAÇÃO
NA INVESTIGAÇÃO
NO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
NA QUIMIOPROFILAXIA
BIBLIOGRAFIA
1 - Código Sanitário do Estado de Santa Catarina - 1996
2 - Doenças Infecciosas - Conduta Diagnóstica e Terapêutica
- Schechter, Mauro e Marangoni, Denise V. - Guanabara Koogan, 1994
3 - Guia de Vigilância Epidemiológica - Ministério da
Saúde - Fundação Nacional de Saúde - Brasília, 1994
4 - Imunizações - Atualização - Secretaria de Estado
da Saúde de São Paulo - Fundo das Nações Unidas para a Infância - Organização
Panamericana de Saúde - Vol.4 - n.º 1, 1991
5 - Normas Técnicas para o Diagnóstico das Meningites
Bacterianas - Ministério da Saúde Brasília, 1996
6 - Tratado de Medicina Interna - Volume 2 , 18ª Ed.
- Editora Guanabara, 1985
|