AVALIAÇÃO

PERSPECTIVAS DA AVALIAÇÃO

Para Worthen, Sanders e Fitzpatrick, qualquer discussão a respeito de qualidade traz, implícita ou explícita, a noção de avaliação. Trata-se de um processo por meio do qual se determina o valor de algo. Ou seja, trata-se de determinar se um certo objeto, descrito e especificado, ao qual se apõe uma definição prévia sobre como deveria ser, é bom, mau, correto, incorreto, vale ou não a pena, está sendo realizado da maneira mais eficiente ou mais eficaz. A descoberta de novos procedimentos, a geração de conhecimentos e o relacionamento entre partes têm mais a ver com o que se chama de "investigação".
Esse tipo de julgamento aumenta sua legitimidade frente à explicitação dos critérios utilizados, uma vez que a avaliação não necessariamente deve ser partilhada por todos os que dela tomam conhecimento. Ter ciência dos critérios permite saber se o julgamento pode ou não ser considerado válido pelo observador. Apenas dizer "gosto" ou "não gosto" é emitir juízos de valor, caracterizando um julgamento, porém não uma avaliação.
A avaliação de determinado programa de saúde pode ser feita à luz da visibilidade por ele obtida, de quanto custou, da satisfação dos usuários, da mudança nos indicadores, de quem são seus "padrinhos". Valorizar a satisfação dos usuários pode ser secundário frente à exposição na imprensa, dependendo de quem olha. A avaliação não é neutra: o avaliador influi na avaliação e o mesmo pode ser dito, com ainda maior peso, de quem a encomendou. No entanto, a mera apresentação do resultado da avaliação não permite saber o que foi valorizado. Por outro lado, apenas explicitar o critério não significa avaliar. Assim, avaliação implica dizer o que está sob avaliação (ou que parte do todo), com que critérios, por quem, a pedido de quem e qual foi o resultado.
Cada vez mais, com esse tipo de esclarecimento, deve ficar patente o que vem sendo escrito há anos, pelo menos na área de saúde: que se trata de um processo, sem começo nem fim claramente identificados, que passa por diversos momentos. A emissão dos julgamentos é apenas um deles.
Faz parte dos momentos desse processo a definição do objeto: está sendo avaliado um programa, um projeto ou sua execução numa determinada unidade? Possivelmente a avaliação de um projeto de combate à desnutrição será feita de maneira diferente dependendo do município em que ocorrer. A existência de um banco de dados anterior já permite compreender a diferença das modalidades utilizadas, sem mencionar as pessoas envolvidas. Outra das características a considerar na identificação a priori das diferenças é o tempo de evolução do projeto: algo que vem há três gestões municipais deve ser analisado de maneira distinta de uma primeira idéia cuja implantação está sendo testada por uma equipe.
Por isso, um manual de avaliação pode definir grandes perguntas a fazer, mas não especificar os itens. Uma das grandes perguntas seria se o programa está ou não fazendo o que se espera dele. Nos diferentes municípios pode-se observar que as expectativas dos atores envolvidos (governantes, técnicos, população e outros) são diferentes.
Trata-se também de diferenciar entre o desempenho e o mérito de um projeto. Mais uma vez, combate à desnutrição parece, a qualquer observador, um programa altamente meritório, por definição. No entanto, os resultados obtidos, observando as mudanças nos indicadores, se o trabalho for realizado apenas pelo setor saúde, tendem a ser mais limitados do que se houver uma abordagem intersetorial, ligando geração de empregos, renda mínima, incentivo a hortas comunitárias, merenda escolar, educação familiar e comunitária e diversas outras alternativas.
Um projeto de alto mérito não necessariamente deve ter um desempenho ótimo. Pode-se dizer que ele se justifica por si próprio (o que, dependendo dos critérios utilizados, pode ser visto como verdadeiro ou não). Além disso, há áreas nas quais se trabalha com valores intrínsecos, e saúde é uma delas.