INTRODUÇÃO

Este manual tem como objetivo fornecer subsídios para a tomada de decisões aos profissionais de saúde responsáveis pela gerência de serviços de saúde e, mais especificamente, aos encarregados pela implementação dos sistemas de informação em saúde, isto é, de seus desenhos e operacionalização.
Assim, pretende-se oferecer um conjunto de conceitos básicos sobre Sistemas de Informação (SI), Sistemas de Informação em Saúde (SIS) e Tecnologia da Informação (TI), que, aplicados na construção ou reorganização de sistemas de informação mais eficientes, possam subsidiar o gerenciamento local.
Define-se informação como o significado que o homem atribui a um determinado dado, por meio de convenções e representações. Um clássico exemplo é o do semáforo para regular o trânsito, que utiliza as cores verde, amarelo e vermelho. O significado de cada um desses dados foi convencionalmente assim atribuído: verde - seguir, amarelo - atenção, vermelho - parar. Toda informação, portanto, deve gerar uma decisão, que, por sua vez, desencadeará uma ação.
Vale dizer que a informação constitui-se em suporte básico para toda atividade humana e que todo o nosso cotidiano é um processo permanente de informação. E, no caso de instituições, empresas, organizações, conhecer seus problemas, buscar alternativas para solucioná-los, atingir metas e cumprir objetivos requerem conhecimento e, portanto, informação. Por isso, pode-se dizer que há um consenso de que não é possível exercer gerência em nenhum setor se não houver um sistema de apoio à decisão que se sustente na informação.
Da mesma forma, a informação em saúde deve ser entendida como um instrumento de apoio decisório para o conhecimento da realidade sócio-econômica, demográfica e epidemiológica, para o planejamento, gestão, organização e avaliação nos vários níveis que constituem o Sistema Único de Saúde.
As teorias sobre planejamento em saúde, visando aprimorar as técnicas de reordenação das instituições de saúde e racionalização de suas atividades, incorporam as noções sobre sistemas de saúde e sistemas de informação, com base na "Teoria de Sistemas". Segundo essa teoria, a constituição de um sistema implica uma interação entre todos os componentes da realidade que deverá ser captada por ele. Busca-se, através do sistema, a recomposição de um todo, que será possível mediante o conhecimento e a comunicação (fluxos) entre as partes.
Na gerência de serviços de saúde, é básica a necessidade de cadastros de pacientes, cadastro da população, cadastros de estabelecimentos, produção das atividades de saúde, conhecimento do perfil de doenças atendidas, da mortalidade, número de profissionais de saúde, número de consultórios, leitos, medicamentos utilizados, gastos efetuados e tantas outras informações. Além disso, essas informações necessitam ser cruzadas para se conhecer o modus operandt dos serviços, o alcance de suas metas, objetivos e impactos. Esse conhecimento pode ser expressado através de um conjunto de indicadores, que, dentro de metodologias apropriadas, informam sobre o desempenho (indicadores de performance) da instituição ou de seus programas de saúde específicos e constituem as ferramentas de monitoração das atividades e do alcance dos objetivos e metas. Com certeza, as informações poderiam ser processadas manualmente, mas dificilmente de forma integrada e em tempo oportuno para a tomada de decisão, mesmo em municípios pequenos.
A informática, ciência do tratamento racional da informação, surge como uma resposta às complexidades diferentes dos sistemas de informação, às necessidades de informações integradas para a gerência e a tantas outras demandas da sociedade atual. Passa a representar uma forma de suporte à administração para o alcance de seus objetivos, permitindo agilizar os fluxos de informações e seu acesso nas áreas prioritárias da organização. É por esse motivo que, no estágio atual de desenvolvimento tecnológico, que interfere nas atividades mais simples do cidadão e até nas mais simples e menores formas de aglomerações humanas, torna-se difícil falar em sistemas de informação para a gerência sem se referir, como seu suporte, à informática.
No processo de tomada de decisões, torna-se essencial conhecer a origem das informações para garantir sua fidedignidade, bem como sua relevância, isto é, a importância delas no processo decisório. E, sobretudo, devem estar oportunamente disponíveis, ou seja, facilmente acessíveis ou recuperáveis, para possibilitar uma resposta adequada, em tempo ideal, que permita subsidiar uma tomada de decisão. Em decorrência da evolução técnica da organização das bases de dados e dos recursos computacionais surge a internet, a interligação das redes de computadores no mundo, que disponibiliza, em todos os campos, informações rápidas, atuais, trocas de experiências e serviços, contribuindo de forma substancial para a gerência em saúde.
Dessa perspectiva é que se desenvolveu este manual, que deverá servir de guia prático aos profissionais que lidam com a informação, seja no seu desenho, na instrumentação e operacionalização de sistemas, seja na avaliação das informações e gerência dos sistemas locais de saúde.
Busca-se também como objetivo, ao apresentar a conceituação básica e metodológica, facilitar as relações entre os profissionais de saúde e especialistas em sistemas e computação, condição necessária para a implementação dos sistemas de informação em saúde.
Este manual compreende cinco partes. A primeira refere-se a esta introdução, onde se explicitam os objetivos e princípios seguidos. Na segunda, são apresentados os conceitos sobre Sistemas de Informação (SI), classificação, contexto e ferramentas para o seu desenho, implementação e avaliação. Na terceira, apresentam-se as especificidades dos Sistemas de Informação em Saúde (SIS), os enfoques epidemiológicos essenciais em sua construção e para a avaliação das práticas de saúde, relacionando-se os sistemas necessários e as fontes dos principais sistemas de informação em saúde, em nível nacional. Na quarta, são delineados os conceitos sobre Tecnologia da Informação (TI), terminologia utilizada para designar as técnicas relativas ao processamento das informações, através da informática e suas ferramentas, e discutidas as questões sobre sua aquisição e implantação. E, finalmente, na quinta parte, exemplos práticos são sugeridos como exercício de desenho de sistemas para o município. Há também um glossário, com as definições das principais terminologias utilizadas.
Vários trabalhos foram consultados e integrados na confecção deste manual, os quais não estão referenciados no corpo do texto, mas relacionados ao final do trabalho, como bibliografia consultada ou recomendada.
Espera-se, além de tudo, estimular a gerência e demais profissionais de saúde a utilizar as informações produzidas, a produzi-las com fidedignidade e qualidade, para que cumpram os propósitos pelos quais foram concebidas.