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Mais do que melhorar a visão turva, acabar com a coceira ou diminuir a ardência dos olhos, milhares de pessoas estão voltando a enxergar graças ao Projeto Ver, um mutirão de cirurgias do Governo do Estado. São R$ 20 milhões investidos na saúde dos catarinenses que beneficiaram mais de 18,5 mil pacientes - até dezembro deste ano serão 20 mil cirurgias.

“É libertador voltar a enxergar e poder retornar para minha vida normalmente com as ocupações que me deixam feliz”, revelou a aposentada Maria Casaril, de 73 anos, de São Lourenço do Oeste, que ficou por dois anos na fila de espera para fazer a cirurgia de catarata.

“Minha missão é cuidar dos catarinenses, e por isso escolhi a saúde e a segurança como prioridades de governo. E saber que mais de 18 mil pessoas mudaram suas vidas voltando a enxergar nos motiva a trabalhar ainda mais. Além de melhorar a qualidade de vida da população, o Projeto Ver faz parte da nossa bandeira de regionalizar a saúde, atingindo mais pessoas e dando melhores condições de atendimento em todas as regiões de Santa Catarina”, comentou o governador Eduardo Pinho Moreira.

O Projeto Ver atende pacientes que estão na fila de espera por cirurgias de cataratas, pterígio, glaucoma e descolamento de retina, doenças que atingem o globo ocular e danificam a visão podendo culminar até na cegueira. De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Acélio Casagrande, o mutirão de cirurgias oftalmológicas vai reduzir a fila nesta especialidade em 90%. “O Projeto Ver está tirando muitas pessoas da fila. Pessoas que esperavam há anos para voltar a enxergar estão realizando um sonho de vida”, ressaltou.

 Aproximadamente três mil pessoas ainda estão na espera, porém, a fila por cirurgia de catarata, por exemplo, tem um crescimento contínuo, visto que é uma doença comum entre os idosos, que chega com o avançar da idade.

Cirurgias devolvem qualidade de vida aos pacientes

Para Lucineia Aparecida Mouro de Campos, de 44 anos, a cirurgia para retirada do pterígio foi essencial para sua profissão, técnica de Enfermagem. “Estava me atrapalhando na hora de retirar pontos e aferir a pressão. Além de coçar e arder o olho, havia uma sombra, que atrapalhava muito”, explicou.

Já para o motorista José Maria Soares Mota, de Lages, o pterígio causava risco grave na sua ocupação. “Me prejudicava muito para dirigir durante a madrugada ou no sol quente. Me ardia muito. Quando entrei com o pedido, em 2012, o médico disse que eu precisava fazer a cirurgia. Não pude operar porque não tinha dinheiro. A expectativa é melhorar e não usar mais colírio. Estou muito feliz”, comemorou.

Regionalização desafoga hospitais e leva produção para hospitais do interior

Dentro do projeto de Regionalização da Saúde, o mutirão de cirurgias do Projeto Ver está levando recursos a hospitais menores, desafogando as filas das grandes unidades e diminuindo o percentual de inatividade de instituições que são altamente capacidades para a realização de diversas especialidades, como a oftalmológica. “Antes tínhamos uma ociosidade de até 70% nos hospitais menores, agora estamos ocupando e tirando as pessoas da fila. É um case de sucesso. Apresentei o projeto da Regionalização em Brasília e este é o futuro. O vazio que existe em cada região precisa ser preenchido por profissionais, gerando conforto e qualidade no atendimento de Saúde”, explicou o secretário Acélio Casagrande.

Para Fernão Bittencourt Cardozo, diretor clínico do Hospital São Francisco de Assis, de Santo Amaro da Imperatriz, além de ser importante para as pessoas que esperam há anos por uma cirurgia, o Projeto Ver tem relevância também para os hospitais. “Recebemos muito bem este projeto e vimos com bons olhos. O hospital vai cumprir com o contrato que precisamos mensalmente e até extrapolar a produção e, com isso, conseguimos manter uma estrutura boa. É importante para todos”, enaltece.

Para este mutirão, o hospital de Santo Amaro de Imperatriz já recebeu 1.139 pacientes em consultas, 875 cirurgias de cataratas e 120 cirurgias de pterígio. “Nós estamos recebendo pacientes da Grande Florianópolis e da região Serrana. A ideia é desafogar os grandes hospitais e dar oportunidade para outras regiões do Estado”, comentou o diretor clínico, que afirma que o São Francisco de Assis está realizando também cirurgia geral, de ortopedia, de cabeça e de pescoço.

 Até agora, o mutirão já realizou cerca de 18,5 mil cirurgias em 12 hospitais nos municípios de São Lourenço do Oeste, Iporã do Oeste, Campo Alegre, Joinville, Penha, Pouso Redondo, Rio dos Cedros, Caçador, Santo Amaro da Imperatriz, Içara, Araranguá e Praia Grande. As cirurgias seguem até final do ano para chegar à marca de 20 mil procedimentos em toda Santa Catarina. “A Secretaria de Estado da Saúde levantou ainda um remanescente de pacientes de regiões em que o Projeto Ver já passou. Vamos começar agora uma segunda leva de cirurgias, iniciando por Iporã do Oeste e São Lourenço do Oeste”, complementa Casagrande.

“A partir da transparência das filas, o Estado conseguiu identificar as demandas reprimidas em cada Região de Saúde. No caso das cirurgias eletivas, as oftalmológicas lideravam as filas, sendo mais que o dobro da segunda colocada. Foi nesse intuito que o Projeto Ver foi criado, devolvendo a visão a mais de 18 mil catarinenses somente até agosto de 2018. E isso só foi possível em parceria com hospitais que já fazem parte da nossa rede, por meio dos contratos firmados na Superintendência de Planejamento e Gestão, na busca do fortalecimento da vocação de cada instituição hospitalar. Com a publicação da nova portaria do Ministério da Saúde, outras especialidades também serão reforçadas com enfoque na regionalização”, afirmou a superintendente de Planejamento e Gestão do SUS da SES/SC, Grace Ella Berenhauser.

Reportagem Paula Daros Darolt (SECOM)

Imagens Maurício Vieira (SECOM)