Maus tratos, falta de remédios e instalações precárias foram algumas das irregularidades encontradas
JEFERSON
RIBEIRO (Especial para A Notícia) / BRASÍLIA - A Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) sugeriu, ontem, a intervenção imediata por parte
do Ministério da Saúde dos estabelecimentos psiquiátricos
brasileiros em que forem constatadas condições de funcionamento
incompatíveis com a garantia dos direitos humanos. "Alguns desses
estabelecimentos são verdadeiros depósitos de seres humanos",
afirmou o presidente das Comissões Nacionais de Direitos Humanos da OAB,
Edísio Souto. Num trabalho inédito, membros da Ordem e do Conselho
Federal de Psicologia visitaram 38 instituições que cuidam de
pacientes com distúrbios psiquiátricos em 16 estados brasileiros
mais o Distrito Federal no último dia 22 de julho. Da auditoria, surgiu
o documento "Inspeção Nacional em Unidades Psiquiátricas",
apresentado ontem na sede da Ordem, em Brasília.
Em alguns deles, segundo o relatório dos advogados, os maus tratos são
costumeiros. Na maioria dos hospitais, a falta de medicamentos e instalações
adequadas são comuns. Portadores de doenças infecto-contagiosas
quase nunca estão em alas separadas. Mesmo em regiões frias do
País, os doentes costumavam andar de chinelos de dedo. Os dormitórios
contavam com travesseiros e lençóis improvisados e ambientes bastante
insalubres.
"A saúde do Brasil é coisa de louco", ironizou Souto.
"Encontramos estabelecimentos em que os pacientes vivem nus, em regiões
muito frias. Encontramos hospitais tratando doentes mentais como presidiários,
com enfermarias trancadas a grades e cadeados. Encontramos hospitais que não
têm plantão médico no final de semana, que não têm
terapeutas ocupacionais, que não têm medicamentos fundamentais
e indispensáveis ao tratamento. Ou seja, faz-se de conta que se trata
quando, de fato, sem condições, sem profissionais e sem medicamentos
não se está tratando ninguém", detalha o coordenador
dos trabalhos. O Ministério da Saúde informou que não vai
admitir abusos contra os pacientes portadores de transtornos mentais assistidos
pelo SUS. Ao contrário, para garantir o atendimento eficaz e humanizado
a esses pacientes, está fazendo uma rigorosa inspeção nas
unidades psiquiátricas do País.
Colônia Santana
No Sul do País, foram analisadas três instituições. Duas no Rio Grande do Sul, uma delas listada entre as piores do País, o Instituto Psiquiátrico Forense ("uma síntese entre o pior manicômio e o pior presídio", como cita o relatório) e uma em Santa Catarina, a conhecida Colônia Santana. Entre os principais problemas encontrados no Hospital Psiquiátrico de Santa Catarina, estão a ociosidade dos pacientes e seu forte odor de medicamentos. Segundo os auditores, apesar de ser uma instituição mantida apenas com recursos do SUS, não foi constatada falta de remédios e nem de recursos. As alas estão bem divididas, ao contrário de outros hospitais no País, mas mesmo assim não há uma ala específica para pacientes com doenças infecto-contagiosas. Prova disso é que a auditoria encontrou um paciente portador de HIV juntamente com outros pacientes, sem que houvesse qualquer cuidado específico.
Hospital de SC busca melhorias
FLORIANÓPOLIS
- O diretor do Instituto Psiquiátrico de Santa Catarina (IPSC), médico
João Ernani Leal, afirmou que nos próximos meses será inaugurado
um ambulatório para atender aos pacientes que comparecem ao setor de
emergência da unidade. "Queremos atender 30 pacientes por dia, já
que os hospitais municipais não conseguem prestar um atendimento adequado",
afirma. De acordo com Ernani, ainda serão viabilizados no ambulatório
programas de tratamento de esquizofrenia, dependência química e
de tratamento contra a depressão.
Outra constatação divulgada no relatório é que uma
das três unidades de residência do complexo hospitalar "é
antiga e de arquitetura precária". O diretor do hospital discorda.
"As residências são melhores do que muitas casas boas de São
José e a considerada antiga foi tombada pelo patrimônio público",
destaca Ernani. Outro ponto ressaltado foi a afirmação de que
"vários pacientes estavam impregnados por uso excessivo de medicamentos".
De acordo com o diretor da unidade, esse diagnóstico não foi feito
por um psiquiatra. "Eles não tinham como saber sobre os medicamentos
e as doses dos pacientes. Nós obecedemos os padrões internacionais
de doses medicinais".
Sobre a informação de que havia um paciente portador de HIV positivo
juntamente com outros pacientes, sem que houvesse qualquer cuidado específico,
Ernani fez questão de frisar: "Não existe apenas um, mas
vários portadores de HIV que convivem com os outros pacientes como em
qualquer lugar do mundo, afinal, tratamos eles como seres humanos". Segundo
o relatório, também foi constatada "a presença de
uma paciente de nacionalidade francesa, que demonstrava não dominar o
português, permanecendo totalmente isolada". Para este caso, o diretor
afirma: "Temos dois médicos que falam francês e que são
os responsáveis pela paciente". Cerca de 520 pacientes estão
abrigados na unidade hospitalar, onde trabalham 572 servidores e 24 profissionais
terceirizados.(Carla Kempinski)
Saúde na Família de Imbituba promove a inclusão social
por meio da fitoterapia
IMBITUBA
- Integrantes do Programa da Saúde da Família (PSF) do bairro
Campo de Aviação, em Imbituba, Sul do Estado, estão implantando
o Projeto Cultivando Plantas Medicinais na Comunidade Um desafio para
aumentar a auto estima e resgatar a cidadania, onde a comunidade doa e cultiva
ervas medicinais nativas da região.
O horto fitoterápico criado pelo posto já conta com mais de 40
variedades de plantas medicinais e um das metas, segundo a enfermeira da equipe,
Rosana Madeira Speck, é criar uma farmácia natural, fabricando
chás, pomadas e outros remédios. "Frisamos o cunho social
do projeto, que além da fitoterapia - método de tratamento por
uso de plantas medicinais - trabalha também o indivíduo como cidadão
e sua importância para a sociedade", explicou.
Segundo a enfermeira, a idéia é fazer com que as pessoas participem
ativamente, usando a cultura popular de cultivo de ervas medicinais no combate
a doenças. "Cremos que ao valorizar os conhecimentos destas pessoas
estaremos estimulando o aumento da auto-estima e em decorrência disto,
o fortalecimento do sistema imune. Com isso, mais alegria, mais bem estar, menos
doenças e menos casos de depressão", comenta Rosana.
Hospital de Chapecó deve alcançar credenciamento para realizar cirurgias de alta complexidade
LUCIANO
ALVES / CHAPECÓ - O Ministério da Saúde já publicou
a portaria que permite o Hospital Regional do Oeste, de Chapecó, a se
credenciar para a realização de cirurgias de alta complexidade
em ortopedia. Para o credenciamento, o HRO precisa se adequar às normas
de humanização estabelecidas pelo Ministério da Saúde,
realizar 16 procedimentos cirúrgicos (ortopedia) mensais, atender 500
consultas mês (em qualquer serviço) e totalizar um grupo populacional
de 700 mil pessoas. "O hospital tem interesse no credenciamento, mas vai
precisar declarar o acesso dos usuários do SUS. Hoje, esses atendimentos
não são totalmente claros. Parte dos serviços é
prestado de maneira particular", disse a secretária municipal de
Saúde, Ângela Domingues.
O projeto encaminhado pela Secretaria Municipal de Saúde de Chapecó,
há um ano e meio, recebeu a aprovação da Comissão
Bipartite. Atualmente, o HRO realiza somente procedimentos de baixa complexidade
em ortopedia. Os casos mais graves são encaminhados para o centro de
referência em Florianópolis. Com o credenciamento, o hospital passa
a atender os pacientes da região Oeste que necessitam deste tipo de atendimento.
"Além da economia de despesas ao município, o paciente terá
mais conforto no atendimento", completou.
Esse atendimento no HRO deve ampliar também o teto de recursos repassados
pelo governo federal. Serão R$ 30 mil mensais apenas para a cobertura
da produção cirúrgica. O diretor do HRO, Paulo Winckler,
disse que metade do processo de credenciamento já ocorreu. "Nosso
único problema no momento é a estrutura física. Algumas
exigências serão difíceis de ser atendidas plenamente",
comentou Winckler. Mesmo assim, ele acredita que o credenciamento pode estar
concretizado até o final do ano.
Fundado em Chapecó há 18 anos, o Hospital Regional do Oeste conta
hoje com 314 leitos e vários outros serviços de alta complexidade
nas áreas de radioterapia, quimioterapia, neurocirurgia, gestação
de alto risco, entre outros. É referência de atendimento em saúde
para uma população de aproximadamente 1 milhão de habitantes
do Meio-oeste, Oeste e Extremo-oeste do Estado.
Sindicato deve entrar na Justiça para cobrar dívida
de hospital
SOMBRIO
- O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde pode entrar na Justiça
ainda esta semana para cobrar da empresa Porto Brasil Seguros, que desde o início
do ano administra o Hospital Dom Joaquim de Sombrio, o pagamento de mais de
R$ 400 mil em dívidas. Segundo o presidente da entidade, Carlos Magno,
a empresa já confirmou que não pretende mais administrar o hospital,
mas também não quer assumir a dívida. "Queremos que
eles paguem o débito e não deixem o hospital quebrado como está
hoje. Estamos preocupados com a viabilidade da instituição e também
com a situação dos trabalhadores", revela.
Para Magno, o martírio dos servidores e, principalmente da população,
que há oito dias está sem hospital, está longe de terminar.
Ela acredita que a formação dessa comissão comunitária
que deve assumir o Dom Joaquim irá demorar e, enquanto isso, as portas
devem continuar fechadas. "Enquanto todos os problemas não forem
solucionados e as dívidas do hospital pagas ele deve continuar de portas
fechadas", ressalta.
Os responsáveis pela empresa foram procurados, mas não foram localizados
para falar sobre o problema. Os 70 funcionários do Dom Joaquim resolveram
cruzar os braços em função no atraso dos salários,
que não são pagos desde de junho e pelo não recolhimento
do FGTS e do INSS. A paralisação serviu para detonar a crise da
instituição, que desde o início do ano enfrenta um déficit
mensal de R$ 70 mil e que já cogitou paralisar o atendimento através
do SUS.
OAB diz que aborto de fetos sem cérebro é
legal
BRASÍLIA
- O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu ontem, por
maioria de votos, que a interrupção da gravidez de fetos anencefálicos
(sem cérebro) é legal e não significa aborto. O relator
da matéria, Arx Tourinho, disse que só há aborto se houver
vida. "Não é aceitável que se saiba, previamente,
que o feto não possui qualquer condição de sobrevida e
ainda assim se tenha como aborto a interrupção da gravidez, que
pressupõe a existência de outro ser que tenha possibilidade de
vida própria", afirma no voto.
Para a OAB, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal
(STF), analisou de forma correta o pedido de liminar da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) e permitiu que o Sistema Único
de Saúde (SUS) faça as interrupções de gravidez
nesses casos. A liminar concedida por ele está valendo até que
o STF julgue o mérito da ação, o que deve ocorrer só
no mês que vem.
"Não podemos trazer para um tema, que possui consistência
técnica, princípios religiosos ou fundamentos jusnaturalistas,
que brigam com a realidade e descambam para a irracionalidade", afirmou
Tourinho. Dentro dessa ótica, o jurista diz que a eficácia do
princípio da dignidade humana fica garantida quando há o reconhecimento
da necessidade de interrupção da gravidez, que é marcada
pela patologia, que "constrange e perturba a ciência e os homens".
Em 100% dos casos desse tipo de gestação, os bebês morrem
antes do fim da gravidez ou horas depois do nascimento, afinal não tem
o principal meio da vida, o cérebro.
Na íntegra do voto, Tourinho ainda ataca os defensores da continuidade
da gravidez. "A polêmica é causada por aqueles que, desatentos
aos princípios jurídico-constitucionais, insistem na concepção
medieval de que a mulher deve fingir tratar-se de uma gravidez normal".
Hospital de Criciúma coleta células-tronco
de bebê
CRICIÚMA
- Médicos do Hospital São João Batista, em Criciúma,
no Sul do Estado, fizeram, na última sexta-feira, a primeira coleta de
células-tronco de um recém-nascido. O procedimento foi realizado
à pedido de um casal, que resolveu investir na nova técnica, prevenindo-se
para um eventual transplante de medula ou para a possível cura de outra
doença.
O procedimento foi feito após o parto, realizado pelo obstetra Filemon
Ribeiro Filho. "Esse procedimento é novo e não traz prejuízo
à mãe ou ao bebê", observa Ribeiro. O pai da pequena
Amanda Vargas de Oliveira, Ricardo Remor de Oliveira, explica que a decisão
foi tomada depois que ele descobriu a técnica. "É um legado
dos pais para o filho", conta Oliveira. Logo após o nascimento,
o sangue do interior do cordão umbilical é retirado e colocado
em uma bolsa para ser criogenado (congelado a 196 graus negativos) para preservação.
O sangue foi enviado para uma empresa de São Paulo, onde vai ser processado
para obter o maior número de células-tronco. O sangue do cordão
umbilical é precioso porque é rico em células-tronco, que
dão origem a todas as células que formam o sangue e sistema imunológico.
Por isso, têm um grande valor na regeneração desses tecidos.
O tratamento com células-tronco já é realizado com sucesso
em vários tipos de câncer, como leucemias. A expectativa é
que no futuro poderão ser utilizadas para tratamento de doenças
comuns como diabetes e problemas cardíacos.
Baixa procura por vacinação
No primeiro dia da campanha, movimento nos postos foi fraco
FLORIANÓPOLIS
/ JARAGUÁ DO SUL - Os postos de saúde do Estado não registraram
a movimentação esperada pela Secretaria de Saúde
para o primeiro dia da Campanha de Vacinação contra a Poliomielite
(paralisia infantil) e a Tríplice Viral (caxumba, rubéola e sarampo)
entre crianças de até cinco anos de idade. Segundo a gerente de
Vigilância de Doenças Imunopreveníveis e Imunização
da Secretaria de Saúde, Leonor Proença, apesar
de não existir uma avaliação diária em todos os
postos, calcula-se que a pouca procura pela prevenção das doenças
se deve à fraca divulgação da campanha nos municípios
e a falta de conscientização da população sobre
a importância da vacinação. "Como a campanha começou
agora, ainda não calculamos quantas pessoas já foram vacinadas,
mas acreditamos que os pais ainda não estão levando seus filhos
aos postos como gostaríamos", afirma Leonor.
De acordo com ela, a meta é atingir 80% dos municípios catarinenses
e mais de 4 mil crianças em todo o Estado. A gerente explica que, apesar
das vacinas contra a pólio e a tríplice viral estarem dentro da
rotina de vacinação dos postos, a campanha é necessária
para que as imunizações sejam reforçadas. "A campanha
serve para reforçar a imunização das crianças que
já tomaram as gotinhas e a injeção e para prevenir as que
ainda estão sujeitas às doenças", destaca Leonor.
Ela também ressalta que a campanha foi antecipada em cinco dias para
que nenhuma criança abaixo de cinco anos deixe de ser vacinada. "No
ano passado, os postos não registraram filas porque a vacina era de gotinha,
mas como neste ano também têm as injetáveis, o processo
demora mais e, por isso, começamos a nos mobilizar antes da campanha
nacional", afirma. A campanha também permite que os pais que trabalham
durante a semana tenham chance de vacinar seus filhos aos sábados. A
mobilização segue até o dia 3 de setembro em todos os postos
de imunização do Estado. O horário de funcionamento das
unidades de vacinação começa às 8 e encerra às
17 horas.
Em Jaraguá do Sul, o tempo bom ajudou a campanha. Até o meio-dia
de ontem, cerca de 40 crianças haviam sido vacinadas. O objetivo da Secretaria
Municipal de Saúde é imunizar 9.721 crianças contra a poliomielite
e outras 7.905 contra a tríplice. No Itapocu, a gerência de Saúde
espera imunizar 16.726 crianças apenas contra a paralisia infantil.
"Sem medo de errar, digo que com 300 cargos comissionados eu faço o melhor secretariado que essa prefeitura já teve, valorizando o servidor de carreira"
A Notícia
- Por que a nova tentativa de chegar à Prefeitura?
Carlito Merss Me sinto preparado, acho que tenho condições
de dar muito de mim no Executivo. É uma experiência que eu sei
que me darei bem porque sou trabalhador, muito criterioso, honesto e ético.
Também estou preparado porque tenho modelos a seguir, que são
os modelos onde o PT e os partidos da frente governam, como o orçamento
participativo.
AN
Mas é possível prever efeito imediato do orçamento participativo,
em caso de vitória do PT?
Carlito Sim. Já no orçamento de 2005, que o atual prefeito
vai mandar para Câmara - dizem que vai mandar um bilhão e não
sei quanto - , quero saber de onde virá essa receita. Essa é uma
grande contradição: ou ele vai aumentar os impostos e teremos
que rediscutir isso, ou virá muito dinheiro do Governo Federal, que nós
sabemos que vem, como já veio. Em 18 meses, foram quase 200 milhões
de reais que chegaram a Joinville, entre Banco do Brasil, Caixa Econômica
Federal, BNDES, orçamento, emendas individuais e coletivas, transferências
constitucionais.
AN
Mas esses recursos não fazem parte do fluxo normal da União para
os municípios?
Carlito Não. Por exemplo, foram R$ 9 milhões a mais para
a saúde e quase R$ 9 milhões a mais na educação
em 2003, valores que poderiam ter sido iguais a 2002. Mas nós estamos
descentralizando. O governo Lula, em 18 meses, fez mais pelos municípios
do que os anteriores fizeram em 50 anos. É só verificar.
AN
Mas orçamento participativo é "cuidar das pessoas"?
Carlito Você permite que as pessoas discutam de forma séria,
sem demagogia, os limites do orçamento. É educação,
inclusive. O orçamento participativo não permite que o político
faça demagogia. O cidadão vai saber que o orçamento é
esse, isso aqui é para pagar o pessoal, isso aqui é para pagar
o custeio, e vai sobrar tanto para investimento. Bom, desse tanto, nós
temos que atender a cidade toda. Onde tem mais necessidade? E aí você
faz esse levantamento.
AN
O que o joinvilense quer?
Carlito - Hoje, qualquer pesquisa coloca três questões: segurança,
saúde e emprego. Na segurança, vamos reforçar a guarda
municipal. Ela não vai fazer o papel das polícias militar e civil.
É preciso parar com essa demagogia. Isso eu não aceito mais. Eu
estou ouvindo muito disso nos debates. Se nós fizermos uma mudança
constitucional devem existir uns 300 projetos no Congresso propondo isso
, tudo bem. Mas hoje a guarda municipal tem papel relativizado, de cuidar
do trânsito, do patrimônio público. Mas se fizer bem isso,
você reduz a criminalidade, você permite que as polícias
civil e militar façam seu trabalho.
AN -
E a questão do emprego?
Carlito - Anos atrás, eu, como professor, alertava sobre a necessidade
de qualificação. Primeiro, nós temos que cobrar do Senai
o seu verdadeiro papel. O Senai se transformou hoje em uma escola particular.
Mas, durante muito tempo, foi o único espaço que o filho do trabalhador
tinha para se qualificar. Temos que recuperar o papel da Fundamas, que deve
deixar de ser um cabide de empregos; recuperar a Fundação 25 de
Julho, que também foi desmontada. Claro que a questão do emprego
é conjuntural. Mas a política econômica começa a
dar resultados. É preciso rediscutir outra coisa: se criou uma imagem
nos últimos seis ou sete anos de que a indústria não significa
mais nada em Joinville. Sempre discordei dessa tese, fazendo parte de uma minoria.
Hoje, graças a Deus, voltei a ser ouvido. A fundamentação
da nossa economia é a indústria e isso vai se manter assim durante
muitos anos. Ninguém questiona que o setor de serviços é
o futuro. Mas não se pode achar que num estalar de dedos você mude
um padrão que foi construído durante quase cem anos, desde o setor
têxtil, até chegar o metal-mecânico e o plástico.
Nós temos que ter a coragem de dizer que o saneamento vai levar dez,
quinze anos, mas tem que começar. O que não pode são essas
medidas eleitoreiras, tipo a flotagem: fazer a sujeira subir e depois recolher.
Depois a sujeira vem de novo. Isso é jogar dinheiro fora. Depois de sete
anos, o Governo Federal voltou a investir em saneamento, em uma decisão
política. Joinville terá R$ 15 milhões, lá para
o Jardim Paraíso.
AN
Mas de onde tirar dinheiro para o saneamento? Existe esse dinheiro?
Carlito Existe dinheiro para isso. Há na Caixa Econômica,
no BNDES e em instituições internacionais. O próprio prefeito
foi assinar um contrato no BID, de US$ 60 milhões. Mas tem que haver
decisão, porque saneamento não dá voto. Não estamos
interessados em fazer obras eleitoreiras, para tirar fotografia.
AN
Na saúde, o senhor bate na tecla da ausência de especialistas.
Essa é a lacuna da saúde?
Carlito É uma delas. O Governo Federal já está fazendo
a sua parte. Mas nós seguimos batendo na tecla de que saneamento e prevenção
são fundamentais para a saúde. Os números comprovam isso.
Se você não tiver valas a céu aberto, vai ter menos crianças
internadas por doenças causadas por veiculação hídrica.
Mas existem questões básicas. Uma delas é a recuperação
do Hospital São José. Entreguei o projeto, de R$ 9,2 milhões,
ao ministro da Saúde, que falou que vai ser possível ajudar com
alguma coisa. É preciso ampliar a rede de postos, mas contratar médicos.
É preciso acabar com essa vergonha da fila. Hoje têm mais de dez
mil pessoas na fila por uma consulta de oftalmologia. Desde 88, eu sempre repito
que não há vontade política de resolver.
AN -
O senhor acusa a prefeitura de empreguismo. Vai mudar isso?
Carlito Sem medo de errar, digo que com 300 cargos comissionados eu faço
o melhor secretariado que essa prefeitura já teve, valorizando o servidor
de carreira. Claro que preciso ter minhas pessoas de confiança, eu tenho
um partido, eu tenho uma frente. Ninguém é tolo. O que não
dá é para continuar humilhando os servidores de carreira - que
são as pessas que efetivamente trabalham - enquanto candidatos a vereadores
que não se elegeram acabam virando chefes deles. Isso não pode.
As regionais precisam funcionar. O cidadão que mora no Itaum não
pode ter que pegar um ônibus para resolver um problema com IPTU no centro.
Nossos funcionários, inclusive os cargos comissionados, terão
que se qualificar. Agora, botar um cara para virar cabo eleitoral de vereador?!?
Isso é errado.
AN -
As obras do atual prefeito serão concluídas?
Carlito - Eu vou terminar a Arena, vou terminar o Eixo de Acesso Sul e vou lutar
junto ao governador para terminar o Hospital Infantil. Todas as obras serão
terminadas. Essa é uma postura ideológica até do presidente
Lula. Poderia à época ter questionado, mas todas as obras serão
concluídas.
AN
E quais serão as obras novas?
Carlito O grosso da exigência da população são
os Ceris. Vamos terminar e ampliar os Ceris, acabar com o turno intermediário,
uma vergonha para uma cidade rica como Joinville. Salas de aulas, Ceris e asfalto.
Falei com o técnico de Blumenau: por que o asfalto em Blumenau não
é cobrado e aqui é cobrado? Vamos rediscutir isso. Por que nossa
usina de asfalto não funciona? Vamos ampliar os prazos de pagamento.
Não quero ser demagogo de dizer que vai ser graça, mesmo porque
a demanda é grande.
AN
É claro que o que senhor esperava o apoio do governador. Qual o papel
que o senhor espera dele na campanha?
Carlito Nós apoiamos Luiz Henrique em 2002 porque era fundamental,
historicamente, jogar um pá de cal nas oligarquias. Bornhausen, Amin,
isso tem que ser varrido da história política de Santa Catarina.
Não nos arrependemos. Em Joinville, essas oligarquias estão amarradas.
Tebaldi é do PSDB, mas sua origem é o PFL. O PFL está junto
no governo municipal. Aqui, há uma contradição. Eu entenderia
com naturalidade o apoio do governador a um candidato do PSDB, mas é
uma decisão política dele. O povo vai julgá-lo, não
sou eu.
Biguaçu
está trabalhando com uma nova estratégia de combate ao mosquito
transmissor da dengue. Tampas para caixas d'água estão sendo distribuídas
para os população. A entrega é feita pela Vigilância
Sanitária a todos os moradores que tiverem em suas casas coberturas dos
depósitos apresentando rachaduras ou empenadas.
Segundo o coordenador do Programa de Combate a Dengue do município, João
Batista Soares, o material foi enviado pelo Ministério da Saúde,
em maio. "No início houve muita procura. Agora, como a busca caiu
bastante, resolvemos fazer um novo trabalho de divulgação",
explica. As tampas são distribuídas aos moradores com caixas d'águas
que não estão fechadas adequadamente. Nesses casos, o perigo é
que os reservatórios se tornem criadouros para as larvas do Aedes Aegypti,
que transmite a doença. O diferencial das peças enviadas pelo
governo é que vêm com um kit para fixação na caixa
, evitando que sejam derrubadas pelo vento.
Em junho, um foco do mosquito foi localizado em Biguaçu, em uma transportadora
na região do Rio Caveira. Ele foi identificado a partir de uma armadilha
de pesquisa. Há 67 delas montadas em pontos estratégicos, como
postos de combustível, madereiras, lojas de material de construção,
transportadoras e empresas de ônibus, informa Fernandes. O objetivo é
evitar que algum inseto chegue ao município através de ônibus
ou caminhões. Já nos locais onde há possibilidade de acúmulo
de água, como cemitérios ou ferros-velhos, as equipes fazem uma
vistoria a cada 15 dias. "Quando um foco é identificado, fazemos
um trabalho de limpeza e dedetização em um raio de 300 metros
ao redor do local", completa o coordenador.
ORELHÃO - Estrogonofe 2
A iniciativa é dos grupos Voluntárias da Esperança e Fraternidade
Feminina, visando ajudar o Joana de Gusmão, setor do Hospital de Caridade
onde dezenas de voluntários atendem pacientes oncológicos do Sistema
Único de Saúde (SUS) vindos de todo Estado. Em geral pessoas humildes,
elas se deslocam a Florianópolis em busca de tratamento de quimioterapia
e radioterapia. Os voluntários tentam minorar sua dor e a de familiares
que os acompanham, providenciando acomodação, alimentação
e medicamentos, entre outras necessidades.
- Depois que os relatórios parciais começaram a chegar às nossas mãos eu passei a dizer que, no Brasil, saúde mental é coisa de louco - afirmou o presidente da CNDH, Edísio Simões Souto. O trabalho foi feito em parceria com a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CFP).
Segundo Edísio Souto, o quadro, em quase todos os manicômios visitados é de extrema preocupação. O relatório informa que foram encontrados pacientes nus em regiões frias, hospitais tratando doentes mentais como presidiários, em enfermarias fechadas com grades e cadeados, hospitais sem plantões médicos no fim de semana, alguns sem terapeutas ocupacionais e hospitais sem medicamentos indispensáveis aos tratamentos.
- Faz-se de conta que se trata, quando na verdade, sem esses profissionais e sem medicamentos não se está tratando ninguém - afirma Souto.
Maior problema é a falta de fiscalização
O relatório final será encaminhado ao Ministério da Saúde. De acordo com o presidente da comissão, o ministério sinalizou, em nota, que fará inspeção nas unidades psiquiátricas do país.
Ainda segundo Souto, diretores de hospitais psiquiátricos reclamam do pagamento do Sistema Único de Saude (SUS) pelas internações nessas unidades e isso também será discutido com o ministério.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB aponta como o maior problema a inexistência de fiscalização nessas unidades hospitalares. Sobre a possibilidade de o relatório fortalecer a luta contra essas instituições, Souto disse que a OAB não pode fazer uma avaliação técnica se é favorável ou não a essa luta.
- Mas manter pessoas do jeito que nós vimos aí, a OAB passa a ser contra.
Coletados
3 mil pneus para combater dengue
A campanha de prevenção à dengue, iniciada em julho pela Secretaria da Saúde de Joaçaba, resultou na coleta de aproximadamente 3 mil pneus usados. O material aproveitado será comercializado para um empresa de Videira. As sobras impróprias para reciclagem serão doadas para a indústria macieira de Fraiburgo. Ontem, os pneus foram colocados nas carretas que farão o transporte até aqueles municípios. A quantidade lotou quatro caminhões.
O dinheiro arrecadado com a venda dos pneus será repassado para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Joaçaba. De acordo com o secretário da Saúde, Marcos Weiss, o projeto retirou um dos principais focos de criação do mosquito Aedes aegypti, que é responsável pela transmissão da doença. Em Joaçaba, o Departamento de Combate à Dengue trabalha com 37 armadilhas que auxiliam no controle desse transmissor. De acordo com a Secretaria da Saúde, o município nunca registrou a doença.
SERVIÇO - Sport-Fitness e fisioterapia
Já estão abertas as inscrições para o 8º Meeting
- sport-fitness e fisioterapia - que acontece de 3 a 7 de setembro na Cefid/Udesc,
em Florianópolis. Com aulas práticas e teóricas, o evento
mostra as novas técnicas de exercícios. As inscrições
podem ser realizadas na Associação dos Profissionais de Educação
Física, no Bairro Kobrasol, em São José; no Cefid-Udesc,
em Coqueiros, ou na P2 Esportes, em Florianópolis. Informações
pelo site www.p2esporte.com.br
SERVIÇO - Programa para gestantes
As gestantes terão a partir deste semestre na Unesc, em Criciúma,
um serviço gratuito de orientação sobre todas as questões
ligadas à gestação. É o Programa de Atenção
Materno-Infantil e Familiar (Pamif), projeto que está sendo implantado
na Clínica de Psicologia. O programa inclui também atividades
como ioga, relaxamento e hidroginástica. Mais informações
pelo telefone (48) 431-2752 ou 431-2753.
SERVIÇO - Acupuntura
O Centro de Estudos e Pesquisa do Homem (Cieph), na Capital, está com
matrículas abertas no curso de pós-graduação lato
sensu em Acupuntura. O Cieph oferece turmas de fim de semana, que começa
dia 21, e durante a semana, com início previsto para hoje. Mais informações:
(48) 245-6178, www.cieph.com ou cieph@cieph.com.br
SERVIÇO - Saúde e lazer
Encerram-se amanhã as inscrições para o encontro Felicidade
não tem Idade, que acontecerá de 19 a 22 deste mês, no Hotel
Praiatur, na Capital. Durante quatro dias serão realizadas discussões
sobre a importância da educação para conquistar uma vida
mais saudável e repassadas aos participantes informações
de como conquistar mais felicidade e bem-estar após os 50 anos. Inscrições:
(48) 269-1292 - hotel@praiatur.com.br
Jornal
O Estado:
Relatório não aponta problemas graves no
Instituto de SJ
A Comissão
Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB) e Conselho Federal de Psicologia (CFP) divulgaram ontem o balanço
das vistorias realizadas no dia 22 do mês passado em 38 hospitais e clínicas
psiquiátricas em 15 estados e no Distrito Federal. No Instituto de Psiquiatria
de São José, antiga Colônia Santana, não foram relatados
problemas graves. No entanto, em outros estados, como Bahia e São Paulo,
foram encontrados pacientes nus, precárias condições de
higiene e maus tratos.
Segundo a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional
de Psicologia, Thaís Mendes dos Santos, que participou da visita, estavam
internados em São José, por ordem judicial, dois pacientes menores,
o que desrespeita o Estatuto da Criança e do Adolescente. Foi encontrado
um doente portador de HIV e, conforme o relatório, “sem que houvesse
qualquer cuidado específico para o que o caso exige.” Uma paciente
estrangeira também estava no instituto.
Eduardo Lebre, da Comissão de Direitos Humanos da OAB/ SC, que também
esteve na vistoria, afirma que “as condições básicas
de internação eram adequadas”. Lebre diz que a Ordem pretende
visitar todas as instituições de internato do estado. “Ontem
estivemos em dois locais para jovens infratores, sem problemas encontrados.”
BRASÍLIA - O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tomou ontem a decisão de apoiar a interrupção da gravidez de um feto anencefálico (sem cérebro), considerada pelo plenário como “histórica tanto para a OAB quanto para a sociedade". Ao explicar a posição defendida pela OAB, o conselheiro federal da Ordem, Arx Tourinho, afirmou que “isso significa respeito à dignidade da pessoa humana, à dignidade da gestante”. Para Tourinho, é inadmissível que, em pleno século 21, a sociedade brasileira ainda aceite que uma gestante continue a gravidez de um feto sem cérebro, quando a ciência afirma que, em 100% dos casos, não há sobrevida.
Congresso
Inscrições abertas para o 15º congresso da Associação
Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead). O evento, entre
os dias 2 e 4 de setembro, no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal
de Santa Catarina, tem como tema “A responsabilidade social e prevenção
ao uso de drogas: o papel da educação e da empresa”. Informações
pelo telefone (48) 248-5838.
O candidato
à prefeitura da Capital, Sérgio Grando, apresentou ontem o plano
Todos por Florianópolis - Uma Capital de Futuro. Publicado em formato
livro de bolso, Grando e seu vice, José Leandro Martins, defendem a ótica
de que os recursos públicos sejam usados para atender às demandas
sociais e que as grandes obras que a cidade tanto precisa sejam viabilizadas
em parcerias com a iniciativa privada.
"Neste plano estão soluções para todas as regiões
da cidade. Soluções comprometidas com o crescimento planejado,
com o respeito ao meio ambiente e com a geração de emprego e renda",
afirmou, durante apresentação das propostas à imprensa,
evento que reuniu mais de 100 pessoas.
Implantar a tarifa única no transporte coletivo, resolver o problema
das 5,8 mil famílias sem água e luz, ampliar o número de
creches e retornar o atendimento em período integral para as crianças
de zero a seis anos estão entre as propostas.
Também estão previstas a construção de unidades
de Pronto-Socorro 24 horas no Norte e Sul da Ilha e de uma maternidade no Continente.
Assembléia – Surpresa no parecer do relator do projeto sobre a
conta única, deputado Jorginho Mello (PSDB). Ao invés de um posicionamento
favorável ao governo, que pretendia lançar mão em 70% dos
R$ 360 milhões em depósitos judiciais sob a guarda do Tribunal
de Justiça, o tucano apresentou uma nova proposta que autoriza o saque
de 100% dos recursos, mas somente das ações em que o estado é
parte litigante, algo em torno de R$ 80 milhões.
Por outro lado, autoriza a retirada de mais R$ 18 milhões dos cerca de
R$ 260 milhões que vão restar na conta única. Com isso,
o governo conseguirá pagar à vista os atrasados com a defensoria
dativa.
Amanhã, o relatório será apresentado na Comissão
de Constituição e Justiça. Se aprovado segue para a Comissão
de Finanças. O projeto tem que ser votado em plenário até
o dia 31 de agosto.