FLORIANÓPOLIS
- O mais recente levantamento da Secretaria da Saúde de Santa
Catarina mostrou que 191 municípios (65% do total catarinense)
ainda não haviam atingido a cobertura vacinal mínima contra a
poliomielite. A meta a ser tentada até sábado é de se chegar
a 95% de vacinação de crianças menores de cinco anos em,
no mínimo, 80% das cidades, percentual que corresponde a 234 municípios.
Estes números foram estabelecidos como meta pelas autoridades estaduais
de saúde. O balanço final da Campanha Nacional de Combate à
Paralisia Infantil será divulgado na quarta-feira.
A média de vacinação em Santa Catarina até às
18 horas do último dia 5 foi de 87,15%, com a aplicação
de 415.152 doses. No mesmo período do ano passado, este percentual era
quatro pontos menor. A partir da intensificação das ações
nos municípios com baixa cobertura, se conseguiu chegar aos 100% de vacinação.
Este ano, cerca de 20 mil pessoas, dispostas em 5 mil postos, trabalharam na
campanha em todo o Estado, que começou em 31 de maio com a vacinação
das crianças das áreas rurais e de locais de difícil acesso.
"A expectativa é de que este ano também consigamos chegar
à totalidade das crianças vacinadas", disse a gerente de
Vigilância de Doenças Imuno-preveníveis e Imunização
da Secretaria Estadual da Saúde, Leonor Proença.
Além das vacinas de rotina, aplicadas aos 2, 4, 6 e 15 meses, é
importante que os pais levem seus filhos para as campanhas nacionais realizadas
duas vezes por ano. Desde 1989 não existe a confirmação
de casos de paralisia causados pelo poliovírus. A primeira campanha de
vacinação em Santa Catarina foi realizada em 1980, ano em que
foram registrados 111 casos no Estado.
Cirurgias do coração podem ganhar fila
única
CRICIÚMA
- O alto número de pacientes aguardando na fila por cirurgias cardíacas
no Sul do Estado - hoje são 250 - tem preocupado os técnicos da
Secretaria de Estado da Saúde. Ontem, o assunto voltou
a ser discutido durante ma reunião entre representantes dos hospitais
São João e São José, de Criciúma, a Gerência
Regional de Saúde e secretários de todos os municípios
da região carbonífera. Entre as alternativas, que devem ser encaminhadas
na próxima semana para a comissão intergestora bipartite, está
a criação de uma fila única em todo o Estado. "Isso
facilitaria o processo e faria com que os pacientes fossem atendidos independente
de sua região. A idéia surgiu porque existem regiões credenciadas
que não usam todo o teto, como Joinville, por exemplo", explica
a gerente regional de Saúde Gladis Kastering.
Segundo ela, desde o credenciamento dos hospitais para a realização
dos procedimentos cardíacos, o grande impasse tem sido a falta de recursos,
que impede que todos os pacientes sejam atendidos. "Os hospitais alegam
que os recursos são insuficientes, tanto que no São João
Batista existe uma fila com 170 pacientes, e no São José, são
80 pessoas aguardando atendimento", afirma.
Cobrança
O secretário de Saúde de Criciúma, Orasil Pina, explica que o encontro também serviu para que o governo cobrasse dos hospitais o cumprimento do número mínimo de consultas para procedimentos cardíacos, que estava abaixo da média. "O Hospital São José não estava realizando todas as consultas necessárias, mas se comprometeu a fazer isso. Agora teremos cerca de 720 consultas por mês, o que deve, por hora, suprir a demanda", comenta.
Joaçaba pede exame junto ao SUS
JOAÇABA
O município de Joaçaba encaminhou à Secretaria
Estadual de Saúde o pedido de credenciamento junto ao Sistema
Único de Saúde (SUS) do aparelho de ressonância magnética
do Hospital São Miguel de Joaçaba, que hoje só realiza
exames através de convênios ou particular. Segundo o secretário
de Saúde de Joaçaba, Marcos Weiss, a direção do
hospital autorizou a secretaria municipal a fazer o pedido.
Conforme o secretário, hoje apenas o Hospital Regional de São
José presta este exame através do SUS em todo o Estado, e tem
exames agendados até o ano de 2011. "Os demais hospitais que possuem
este equipamento, cerca de seis em todo o Estado, só atendem particular
ou através de convênios, o que justifica a fila de espera, já
que a maioria de pessoas não tem dinheiro para pagar", alega. Segundo
Weiss, só nos municípios de Joaçaba e Herval do Oeste são
cerca de 200 pacientes à espera do exame.
Concórdia fará esquema especial nesta quinta
CONCÓRDIA
- A Secretaria Municipal da Saúde vai manter amanhã um esquema
especial de vacinação para melhorar os números da campanha
contra a poliomielite em Concórdia. Até ontem, de acordo com dados
da secretaria, foram vacinadas 4.450 crianças, 84,42% da meta estabelecida
pelo Ministério da Saúde. Para facilitar o acesso à vacina,
equipes volantes da secretaria vão passar o dia em frente aos principais
supermercados da cidade. A vacina contra a pólio também estará
disponível nos postos de saúde.
Concórdia vive uma situação curiosa em relação
às campanhas de multivacinação. Até 2002, o município
sempre ultrapassava a meta do Ministério da Saúde. Na época,
a explicação era a de que a população atraída
pela construção das barragens de Itá e Machadinho provocava
a distorção para mais. Nas últimas campanhas, Concórdia
tem ficado abaixo do número estabelecido.
Máfia agia em outros ministérios
Quatro novas empresas foram descobertas pela polícia
BRASÍLIA
As investigações feitas pela Polícia Federal (PF)
concluíram que a máfia do sangue não fraudava apenas licitações
no Ministério da Saúde. Teve atuação em pelo menos
outros quatro ministérios. A Operação Vampiro, que levou
17 acusados para a prisão, será desmembrada em outros seis inquéritos
que deverão ser abertos na próxima semana pela PF. Ontem, investigadores
que trabalham no caso descobriram quatro novas empresas do grupo no exterior.
Delas, duas seriam ligadas ao empresário Jaisler Jabour de Alvarenga,
que usava as filhas como laranjas nas transações financeiras feitas
com firmas no Brasil.
O principal foco da investigação está agora nas transações
financeiras do grupo, principalmente, em torno dos empresários Lourenço
Rommel Ponte Peixoto, Laerte de Arruda Corrêa Júnior e de Alvarenga,
considerados os principais cabeças do esquema de fraudes em licitações.
Alvarenga, por exemplo, é ligado a duas empresas off-shore no Uruguai.
A primeira delas, a Fargin, que tem sede em Montevidéu, teria também
uma espécie de filial no Brasil, que tem como principal acionista Kelly
Jabour, filha do empresário. A outra firma é a Southwestrade,
em que o empresário aparece por meio da ITC Lab Participações
e investimentos, que tem em sociedade Peixoto e Ellen Jabour, filha de Alvarenga.
Mas a grande revelação da análise feitas nos documentos
apreendidos foi a de que os integrantes da máfia do sangue também
agiam fora do Ministério da Saúde. Os investigadores guardam sigilo
sobre os órgãos que serão alvo de Operação
Vampiro, mas pelo menos quatro deles estão monitorados. Os analistas
cruzam documentos para saber os tipos de fraudes que eram executadas pelo grupo.
Arrombamento não afetou arquivos
Os arquivos
existentes na sala do Ministério da Saúde arrombada na noite de
sexta-feira estão intactos. Depois de uma vistoria feita em 220 caixas,
auditores constataram que não houve desvio de nenhum documento ou projeto
contido nos arquivos. Isso afasta a hipótese de que o arrombamento tenha
alguma conexão com a Operação Vampiro, que investiga corrupção
no ministério para fraudar licitações de medicamentos e
heomoderivados. Ontem, integrantes do ministério acreditavam que o episódio
tratava-se, na verdade, de um furto.
O arrombamento foi constatado por volta das 20h30 de sexta-feira. A vigilância
constatou que a porta da sala, onde ficam arquivados documentos referentes a
licitações anteriores a 2000 e projetos do ministério,
estava aberta, com a luz acesa. Material dos funcionários, habitualmente
instalado sobre as mesas, estava espalhado pelo chão. Em uma das gavetas
foi notada a falta de R$ 170,00. Segunda-feira, a Polícia Federal fez
uma perícia no local. Terça e quarta, auditores do ministério
verificaram se algum documento dos arquivos havia sido extraviado. O ministério
informou que, depois do episódio de sexta, a segurança do prédio
será reforçada, de forma permanente.
O ministro da Saúde, Humberto Costa, pela manhã, disse que era
provável que a invasão da sala do arquivo central do ministério
não foi uma "ação criminosa com objetivo de sumir
provas" do esquema fraudulento desbaratado pela Polícia Federal
na chamada Operação Vampiro. No final da tarde, os resultados
das investigações confirmaram o que ele previra anteriormente.
Problemas identificados precocemente melhoram qualidade de vida de quem tem a síndrome de down
ROSANE FELTHAUS
- O diagnóstico precoce de problemas ortodônticos pode melhorar,
e muito, a qualidade de vida de crianças portadoras de síndrome
de down. O alerta é dado pelo ortodontista Márcio Augusto Bortolozo.
Atuando na área há 14 anos, ele lembra que a síndrome de
down provoca, entre outros problema, a hipotonia muscular (sensível redução
da tonicidade dos músculos da face). O relaxamento da musculatura, aliado
a postura inadequada de alguns pacientes (boca aberta), volume lingual alterado,
pode resultar em uma série de problemas funcionais, entre os quais a
alteração da arcada dentária (o que influencia também
a mordida) e no crescimento irregular da face.
O que poucos sabem é que esses e outros problemas, quando tratados ainda
no início, podem ser corrigidos. "Se a alteração é
tratada ainda no início, o paciente pode ser poupado de uma série
de transtornos futuros, entre os quais uma cirurgia", observa o especialista.
O ideal, segundo ele, é que a criança que tem a síndrome
de down seja submetida a primeira avaliação ortodôntica
entre três e quatro anos, idade em que a arcada dentária está
completa. "O trabalho do ortodontista, aliado ao de outros profissionais,
entre os quais a fonoaudióloga, pode impedir uma série de problemas",
reforça.
O acompanhamento do crescimento ortofacial facilita a correção
da forma ainda cedo. O ortodontista pode, por exemplo, promover a expansão
da maxila através da implantação de um aparelho, facilitando
a acomodação da língua na boca. A criança pode utilizar
o aparelho aos seis ou sete anos e corrigir problemas que, aos 12 anos, serão
ainda mais visíveis e que vão exigir um tratamento ainda mais
rígido e complexo. "Hoje, infelizmente, muitos pais procuram o ortodontista
quando o problema da criança é totalmente visível",
observa.
A sugestão para os pais que não podem pagar pela consulta é
procurar pelos postos de saúde e agendar uma consulta. A Associação
dos Deficientes Educáveis e Síndrome de Down também pode
dar algum tipo de assistência aos pacientes. Mais informações
pelo telefone (47) 422-9374 ou pelo e-mail mabortzo@terra.com.br.
Comissão unifica ações preventivas
a infecções hospitalares
Joinville
é a primeira cidade do Estado a contar com uma comissão municipal
para tratar da prevenção e controle das infecções
hospitalares. Os integrantes desta comissão tomaram posse ontem pela
manhã no gabinete do prefeito Marco Tebaldi. O presidente será
o médico Luiz Henrique Melo, chefe do departamento científico
da Associação Catarinense de Estudos e Controle de Infecção
Hospitalar.
"Esta comissão não foi criada para resolver problemas. Foi
criada para uma troca de informações, para uma uniformização
de procedimentos e para se evitar problemas", destacou Luiz Henrique Melo.
Cada unidade hospitalar instalada em Joinville conta com sua comissão
interna nesta área. A intenção neste novo trabalho, segundo
Luiz Henrique, é criar uma central de dados e trabalhá-los epidemiologicamente.
A secretária municipal de Saúde, Ana Sílvia Zanon, disse
que os dados nesta área em Joinville estão dentro dos padrões
normais. "Mas queremos melhorar, oferecendo mais um benefício à
população", observou.
A indicação dos integrantes foi realizada pelas próprias
unidades de saúde da cidade. Entre os núcleos estão os
hospitais Dona Helena, Regional Hans Dieter Schimidt, Municipal São José,
Bethesda, Maternidade Darci Vargas, Centro Hospitalar Unimed e Secretaria da
Saúde.
O mandato será de um ano, renovável por igual período.
"As atividades da equipe serão coordenar as ações
de prevenção e controle de infecção hospitalar da
rede de hospitais do município; prestar apoio técnico às
comissões dos hospitais e informar os indicadores de infecção
à coordenação", explica Ana Silvia Zanon.
Os integrantes da comissão pelo Hospital Municipal São José:
Luiz Henrique Melo (titular) e Flávia Rodrigues Fonseca (suplente); Secretaria
da Saúde: Manoel Martins de Araújo (titular), Douglas Machado
(suplente); Hospital e Maternidade Bethesda: Beatriz Papes Burger (titular),
Liege Huller (suplente); Hospital Dona Helena: Patrícia Laura Chaves
(titular), Elisa Hofmann (suplente); Centro Hospitalar Unimed: Álvaro
Koenig (titular), Renata Paralta Fujiwara (suplente); Hospital Regional Hans
Dieter Schmidt: Tarcísio Crocomo (titular), Sandra Maciel Notolini (suplente);
Maternidade Darcy Vargas: Miriam do Rocio Bonilha (titular), Álvaro Koenig
(suplente).
Bairro volta a defender anexação a Schroeder
MARCOS DE
OLIVEIRA - Moradores do bairro Itoupava-açu que dizem estar insatisfeitos
com os serviços prestados pelo poder público foram recebidos ontem
na Prefeitura por representantes do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano
de Joinville (Ippuj), das secretarias da Saúde e Regional do Vila Nova.
Durante a reunião, os moradores apresentaram os problemas do bairro distante
80 quilômetros do centro. As principais questões discutidas foram
a saúde, a educação e o transporte. A localidade tem apenas
um posto de saúde, que recebe a visita semanal de um médico, a
escola Rui Barbosa oferece ensino só até a 4ª série
e não há linhas de ônibus para servir os moradores. Os representantes
das secretarias pediram prazo de 30 dias para analisar a situação.
Uma nova reunião está prevista para o dia 10 de julho.
Os moradores defendem a anexação do bairro a Schroeder, cuja distância
da sede é de seis quilômetros. Para isso, é preciso que
300 eleitores mudem seus títulos para Joinville e assim participarem
de um plebiscito. Dos cerca de 450 eleitores que moram em Itoupava-açu
150 votam em Joinville. "É necessário que a decisão
seja da maioria e, para isso, todos têm de ter domicílio eleitoral
em Joinville", explicou o presidente da associação de moradores,
Círio Schmidt.
O deputado estadual Vilson Vieira (PT) participou de uma reunião no bairro
e se comprometeu de verificar a possibilidade de reabrir o processo da consulta
popular feita em 1995. Se o prefeito de Joinville, Marco Tebaldi, aceitar abrir
mão de Itoupava-açu e o prefeito de Schroeder, Osvaldo Jurk, aceitar
a anexação, tudo bem. Caso contrário, o plebiscito não
será realizado, porque não obterá o respaldo da Assembléia
Legislativa, que homologa a decisão.
O prefeito Marco Antônio Tebaldi é contra o desmembramento. A situação
de Itoupava-açu não é diferente de outros bairros, onde
muito já foi feito, mas sabemos que ainda temos por fazer, disse. Em
algumas áreas, o prefeito defende como alternativa a assinatura de convênios
com Schroeder.
No ano passado, Tebaldi participou de uma reunião com moradores. "Eles
fizeram reivindicações que, na medida do possível, estamos
atendendo", afirmou. Com relação ao atendimento médico
e odontológico no posto de saúde, o prefeito afirmou que vai estudar
o caso.
Marco Tebaldi disse que está achando estranho essa movimentação
às vésperas das eleições e com a participação
de políticos oposicionistas. "Por que esse interesse agora, onde
estavam há dois, três anos?", questionou.(Com a colaboração
de Manoel Francisco)
Mais da metade dos locais fiscalizados tem problemas
POLIANA
SANTOS - O Conselho Regional de Educação Física (CREF)
e a Vigilância Sanitária interditaram mais duas academias na manhã
de ontem. Os problemas encontrados foram a falta de professor de educação
física com registro no conselho e de alvará sanitário.
Os estabelecimentos só poderão reabrir após regularizar
a situação com os dois órgãos.
Há mais de dez dias os agentes de orientação e fiscalização
do CREF Glaucinei Marcos Trevisol e Fabiano Braun de Moraes estão fazendo
blitze em Joinville. Dos 80 locais vistoriados - entre eles, os que funcionam
em clubes, escolas, hotéis e associações -, pelo menos
na metade deles havia irregularidades.
Segundo Trevisol, todo local que oferece atividade física aberta ao público
deve ter um supervisor credenciado que fique no local durante o funcionamento.
O agente Moraes explicou que o objetivo do trabalho é mostrar que a atividade
física mal-orientada pode causar riscos à saúde.
O fiscal sanitarista Silvio Graciano informou que a equipe checa se há
bebedouro, vestiário adequado, ventilação, equipamentos
seguros e atestado médico autorizando os alunos a praticar atividade
física. O trabalho continua na semana que vem. Quem tem alguma denúncia
deve enviá-la por escrito para o e-mail crefsc@crefsc.org.br ou pelo
fax (48) 348-7007.
Uma das academias interditadas foi a Fitness & Wellness, no bairro Floresta.
Três pessoas se exercitavam sem receber orientação profissional.
O proprietário Silvio Guimarães acha estranho a exigência
de um profissional formado, porque as faculdades não oferecem a disciplina
para atuação em academia. "Não tenho como pagar R$
1 mil para um profissional que não saiba atuar", reclamou.
Para Guimarães, a falta de um profissional não prejudica os clientes,
porque ele tem experiência na área. "Estudei na Itália,
mas o curso não é reconhecido no País. Sou da Federação
de Musculação de Fitness e tentei fazer um curso de nível
técnico, mas o conselho boicotou", revelou. Enquanto a academia
era interditada, ele garantiu que vai contratar um advogado para se defender.
Segundo o agente Fabiano de Moraes, o curso que Guimarães queria ministrar
era irregular. "E ele não é habilitado no conselho como provisionado
porque não entregou alguns documentos", explicou. "Nas três
vezes que estive no local não havia ninguém habilitado orientando
os freqüentadores."
O fiscal Silvio Graciano lacrou o local e avisou que o proprietário tem
15 dias para apresentar a defesa. Só depois o processo será instaurado
e aplicada multa, que pode variar de 1 a 80 Unidades Padrão Municipal
(UPMs), que ontem estava em R$ 180,00. O conselho aplicou multa de R$ 720,00.
É obrigatório alvará para vender
suplemento alimentar
Na Academia
Cultura Física, no Boa Vista, quatro pessoas faziam atividades na hora
da interdição. No local, o fiscal Graciano encontrou suplemento
alimentar em uma prateleira. A proprietária Ignes Wrobleski explicou
que um conhecido que tem loja em outro bairro deixou os potes para ela comercializar.
"É preciso o alvará da pessoa que vende ou manter os produtos
em local que não fique visível ao público", avisou
um dos agentes.
Moraes também disse que já foi ao local seis vezes e em nenhuma
das visitas encontrou um profissional. A proprietária informou que as
duas profissionais que ela contratou abandonaram o serviço e garantiu
que estava procurando outra pessoa. "É injusto fechar. E os cursos
que fiz, não valeram nada? Como vou sobreviver se levar um mês
para eu achar um profissional?", questionou. O conselho aplicou multa de
R$ 360,00. A Vigilância abriu inquérito e aguarda a defesa da proprietária.
Na terça-feira, a academia do Prinz Hotel, do mesmo proprietário
da Fitness & Wellness, e a Associação Yoko-Hama, no Aventureiro,
tiveram as atividades suspensas. Mas depois da visita dos órgãos
fiscalizadores, os profissionais responsáveis chegaram aos locais e as
atividades foram retomadas. (PS)
Mortalidade
infantil tem queda na Capital
Índice é de 7,78 para cada mil nascidos vivos até maio.
CELSO MARTINS
- A telefonista Ana Lúcia Azevedo, 24 anos, descobriu quase por acaso,
há quatro anos, que estava grávida do primeiro filho, Guilherme.
"Eu me senti meio estranha, com dores, quando resolvi ir até o Centro
de Saúde do Sapé fazer exames. O médico me enviou a um
hospital e lá descobri que estava com infecção urinária
e grávida", conta.
Com essas informações ela retornou ao Centro de Saúde do
bairro onde mora e comunicou a gravidez. A partir daquele momento ela passou
a receber acompanhamento permanente da unidade, o que acontece até hoje.
A atenção que Ana Lúcia ganhou dos profissionais no Sapé
faz parte de uma rotina que se repete com todas as mulheres grávidas
da Capital, o que levou a uma redução drástica no percentual
de mortalidade infantil.
Hoje, de cada mil crianças que nascem vivas, 9,75 delas morrem até
completar um ano de idade. Em 1996, esse índice era de 21,6 mortes por
mil crianças nascidas com vida, o que situa Florianópolis como
a única capital brasileira onde esse indicador está na casa de
apenas um dígito.
"Quando assumidos em 1997 tivemos que redirecionar a orientação
de saúde no município, estabelecendo parcerias com diversas instituições
e implantando um completo sistema de informações", explica
o secretário municipal de Saúde, Manoel Américo de Barros
Filho. "O passo seguinte foi implantar um programa docente assistencial,
com a capacitação dos servidores que atuam nessa área",
complementa o secretário.
O sistema montado desde então em Florianópolis levou a uma redução
significativa do índice de mortalidade infantil, que vinha crescendo:
15,70 em 1991, 19,30 em 1992, 18,10 em 1993, 19,50 em 1994, 19,10 em 1995 e
21,60 no ano seguinte. "Depois de 1998, com o programa Capital Criança
em execução, o número de mortes infantis diminuiu até
chegarmos ao índice de 9,75", destaca Manoel Américo. De
janeiro até maio deste ano esse índice caiu para 7,78.
"O meu filho é saudável, ativo e recebe toda a assistência
da Prefeitura", garante a telefonista Ana Lucia, presente ontem no Centro
de Convenções Centrosul, onde aconteceu o sexto Encontro de Gestantes
de Florianópolis. O evento foi aberto pela prefeita Angela Amin, com
a presença do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC),
Lúcio Botelho, dirigentes hospitalares e secretários municipais,
além de dezenas de mulheres grávidas, como Ana Lúcia, que
está no terceiro mês de gravidez do segundo filho.
Saiba mais
- Grupo
de atenção: crianças de zero a 6 anos, gestantes e mulheres
que acabaram de ter filhos (puérperas)
- Visitas diárias das agentes educadoras em saúde às maternidades,
com a entrega de kits de primeiros cuidados do recém-nascido e agendamento
das consultas
- Consultas no sétimo e décimo dia de vida do recém-nascido
e da puérpera, agendadas ainda na maternidade para o centro de saúde
de sua área de abrangência, com dia e hora marcados
- Atenção pré-natal com agendamento mínimo de seis
consultas
- Garantia de um exame ultrassonográfico por volta da 20ª semana
de gestação
- Consulta pediátrica pré-natal realizada na 34ª semana
- Atenção nutricional para gestantes e crianças de zero
a 6 anos de idade
- Também faz parte do Programa Capital criança o Protocolo de
Atenção às Vítimas de Violência Sexual
- Criação da Caderneta de Saúde, onde são feitos
os registros da pessoa desde o seu nascimento até os 19 anos de idade
Profissionais que atuam no programa recebem medalhas
O encontro
de ontem começou com uma apresentação da poetiza e atriz
Elisa Lucinda, da Rede Globo, que declamou poemas e foi bastante aplaudida pelas
pessoas que lotaram um dos auditórios do Centrosul. Na seqüência,
o secretário Manoel Américo de Barros Filho coordenou a entrega
de diplomas e medalhas a diversos profissionais de saúde que atuam no
programa Capital Criança.
Entre as mães presentes no evento esteve Ana Maria Moraes, 30 anos, também
residente no bairro Sapé, no Continente, no nono mês de gravidez.
"Pelos cálculos dos médicos a criança deve nascer
no domingo", disse, aparando a barriga com as mãos. Ela morava na
Trindade quando confirmou a gravidez após exames no Hospital Universitário.
Tendo se mudado para o Sapé, ela procurou ajuda do Centro de Saúde
local e não se arrepende. "Fiz todos os exames de pré-natal,
ultrassonografia, e recebo orientações sobre cuidados e alimentação",
conta. A única dúvida que ela tem é quanto ao nome da menina
que vai nascer, dividindo-se entre Maria Eduarda, Mérilim ou Laíza.
"Tem uma amiga minha que está ajudando na escolha", destaca.
Essas mulheres são atendidas nos centros de saúde por profissionais
como a enfermeira Monich Melo Cardoso. "Elas participam das atividades
do grupo de gestantes, onde recebem as orientações para enfrentar
a gravidez e, quando necessário, recebem uma cesta nutricional balanceada
para garantir a saúde delas e das futuras crianças", explica.
Outro detalhe importante do programa é a realização de
um estudo completo das condições da morte de cada criança
com menos de um ano de idade. "Mesmo que a família tenha se mudado
de endereço ou trocado de cidade, vamos atrás para investigar
as causas do problema", explica Manoel Américo. Essas informações
servem para corrigir procedimentos e tomar providências para que esses
tipos de óbitos não tornem a ocorrer. Outro fator importante para
a redução da mortalidade é a distribuição
de leite em pó. (CM)
Mães acompanham palestras
A parte
principal do sexto Encontro de Gestantes de Florianópolis começou
às 13 horas, onde foram desenvolvidos cursos e oficinas envolvendo centenas
de mulheres grávidas e profissionais de saúde. Os cursos incluíram
temas sobre cuidados com os bebês e as mães: "Tornar-se mãe
- uma arte", "Fisioterapia no parto - a arte de nascer" e "A
fala do seu bebê".
As oficinas foram quase todas voltadas para as gestantes adolescentes, com temas
como "Adolescência, gravidez e sexualidade" e "Gravidez
na adolescência - a transformação, o medo, a coragem e a
descoberta". Outras oficinas trabalharam com os profissionais que atuam
com grupos de gestantes, abordando a gravidez na adolescência e orientações
e aconselhamentos em aleitamento materno.
Entre as autoridades que participaram dessas atividades estiveram a médica
Elizabeth Meloni Vieira, professora de medicina social de Ribeirão Preto
(SP) e doutora em estudos populacionais pela Universidade de Exeter (Inglaterra)
e a doutora em enfermagem Evanguelita Kotizias Atherino dos Santos, da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC). (CM)
Objetivo é identificar origem do mau cheiro
A Companhia
Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) vai vistoriar a área
de entorno do manguezal do Itacorubi para identificar a origem do mau cheiro
exalado no local, que aumentou consideravelmente nos últimos meses. A
inspeção será executada atendendo a solicitação
do Ministério Público Federal (MPF). Além da possibilidade
de existir ligações clandestinas de esgoto desembocando no ecossistema,
há a possibilidade de o odor ser provocado pela variação
da maré do próprio manguezal.
A vistoria no Itacorubi fará parte do trabalho de fiscalização
das redes de saneamento da Capital, que tem melhorado as condições
de saneamento em diversos bairros de Florianópolis, mesmo com o crescimento
da cidade.
Desenvolvido em conjunto com a Vigilância Sanitária, o trabalho
começou na Lagoa da Conceição, onde já foram vistoriados
1.224 imóveis. A partir dos próximos meses deve ser concluída
a fiscalização nos bairros do Continente. Os bairros de Coqueiros,
Itaguaçu, Abraão e Bom Abrigo já tiveram 2.279 imóveis
visitados, com resultados significativos: os mais recentes boletins de balneabilidade
emitidos pela Fatma mostram melhoria nas condições daquelas praias.
Nesta nova frente de trabalho serão vistoriados os bairros da Trindade,
Santa Mônica, Pantanal e Carvoeira, onde são contabilizadas 2,8
mil ligações de esgoto sanitário, em busca de irregularidades.
Entretanto, os técnicos alertam que o mau cheiro no manguezal do Itacorubi
pode ter origem naqueles bairros que ainda não são beneficiados
com rede de coleta da Casan, como é o caso do João Paulo, ou até
mesmo de imóveis localizados nos bairros Pantanal e Carvoeira, onde apenas
20% da rede prevista está instalada.
O trabalho dos técnicos consiste em fiscalizar os imóveis de uma
região pré-determinada, identificando os imóveis que não
conectaram o sistema interno na rede coletora pública. Os proprietários
têm 15 dias para providenciar a regularização das instalações,
caso contrário a Vigilância Sanitária emite o auto de infração.
O teste consiste em colocar azul de metileno em vasos sanitários, pias
e ralos. O produto colorido aparece nas redes de esgoto e pluvial, denunciando
as ligações irregulares. As irregularidades mais encontradas incluem
conexões de esgotos sanitários na rede pluvial, que deveria escoar
apenas a água da chuva, e ausência de caixa de gordura.
AGENDA - Medicina
Estão abertas as inscrições para o 3o Congresso Sul-brasileiro
de Medicina Tradicional Chinesa, que acontece, nos dias 10 e 11 de julho,
em Florianópolis, tendo como tema central "A medicina tradicional
chinesa e suas interfaces: oriente/ocidente e passado/presente." As inscrições
podem ser feitas no Centro de Estudos e Pesquisas do Homem (Cieph) pelo telefone
(48) 245-6178 ou ana@cieph.com.br. Mais informações no site
www.cieph.com.
Jornal Diário Catarinense:
Gestantes viram mães antes da hora
Programa Capital Criança reúne 800 grávidas e antecipa
a elas como será cuidar de um bebê
O 6° Encontro de Gestantes de Florianópolis reuniu ontem cerca de 800 mulheres no CentroSul, na Capital, com o objetivo de instruir as futuras mães sobre os cuidados com a saúde do bebê. Durante toda a tarde, as gestantes acompanharam debates e participaram de oficinas para discutir a gravidez.
Na primeira atividade do encontro, às 14h, a atriz Elisa Lucinda falou ao público de mães e esposos sobre relacionamento. Ela recitou poesias e cantou por mais de uma hora. O público reagiu com gargalhadas e aplausos à apresentação da atriz. Ela abordou temas como sexo e a relação homem e mulher.
Após a apresentação, as gestantes dividiram-se para participar de 10 oficinas. Os encontros tiveram temas variados de acordo com o interesse de cada mãe. Foram abordados assuntos como a fala do bebê, adolescência e sexualidade e aleitamento materno. As oficinas de cuidados com crianças foram as que receberam mais inscrições.
Oficinas para alívio da dor
Ao todo, 615 vagas estiveram à disposição para a participação de gestantes nas oficinas. Foram ensinadas também técnicas de fisioterapia para alívio de dores no parto, além de massagens e técnicas de respiração para alívio da tensão. As salas do CentroSul foram equipadas com colchões e equipamentos para a fisioterapia para a instrução com as massagens.
As oficinas foram ministradas por 23 monitores, entre fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, médicos e enfermeiras. O encontro foi promovido pela Prefeitura de Florianópolis e é parte das atividades do Projeto Capital Criança, da Secretaria de Saúde.
Um exemplo na mortalidade infantil
Florianópolis registra menos de uma morte anual para cada cem nascimentos,
e no Brasil são três
SALVADOR GOMES - A mortalidade infantil em Florianópolis alcançou
índices três vezes menores que a média nacional. Enquanto
no Brasil morrem três crianças em cada cem nascimentos ao ano,
a Capital registra menos de uma morte anual para o mesmo número de
nascidos.
Desde 2000, Florianópolis tem o índice de mortalidade infantil abaixo de 10. O indicador é feito computando o número de óbitos em bebês com menos de um ano em relação ao grupo de mil nascidos. O melhor resultado da Capital foi há quatro anos, quando morreram 8,8 crianças em cada grupo de mil.
O índice tem variado desde então, mas não superou a escala de 10. A previsão da Secretaria Municipal de Saúde é que o número fique este ano em 8,18 e 7,78. Para o secretário Manoel Américo Barros Filho, a queda na mortalidade está associada à integração de hospitais, postos de saúde e secretaria no atendimento infantil.
O Projeto Capital Criança, que reuniu as entidades, conta com 600 agentes no acompanhamento dos bebês mesmo antes do nascimento. Os agentes monitoram áreas da Capital questionando prováveis mães. Quando identificadas, recebem acompanhamento pré-natal.
As mães são encaminhadas a palestras sobre gravidez e trato com os filhos. Depois, recebem ajuda alimentar até que a criança complete seis anos. Após o parto, as mães ganham um kit com utensílios médicos e uma foto do bebê na hora do nascimento.
Os exames pré-natais na rede pública de saúde ajudaram Vanessa Gouveia, 16 anos, a cuidar do bebê. Ela esteve em cinco dos seis atendimentos obrigatórios e fará ainda mais dois antes do nascimento do primeiro filho.
Grávida de oito meses, Vanessa participou do curso sobre gravidez na adolescência. Ela está entre as mães da Capital que têm menos de 18 anos e que são 20% do total de gestantes em Florianópolis.
Os números
21 em cada mil crianças nascidas na Capital morriam antes de completar
um ano, em 1996
21,6 era o índice de mortalidade infantil na época. O número
significa os óbitos para o conjunto de mil nascimentos
8,8 foi o índice do ano 2000. Foi a primeira vez que as mortes foram
menores de uma criança para cada conjunto de 100 nascimentos
9 em cada mil crianças nascidas em Florianópolis no ano passado
morreram antes de completar um ano de idade
30 mortes em cada grupo de mil crianças são registradas anualmente
em todo o Brasil
PT informa nome de farmacêuticas
A direção nacional do PT divulgou ontem a lista de empresas farmacêuticas e químicas que fizeram doações para a campanha que elegeu Lula em 2002. No total, o partido afirma ter arrecadado R$ 1,567 milhão desses segmentos.
As doações são de 15 empresas. O maior repasse, de R$ 480 mil, foi feito pela OPP Química S/A. O secretário de Finanças do partido, Delúbio Soares, será convidado a depor na Polícia Federal, dentro das investigações da Operação Vampiro.
SERVIÇO - Nutrição esportiva
O médico Joel Steinman, especialista em medicina do esporte, dá
uma palestra amanhã sobre nutrição esportiva - Os Suplementos
de Proteínas, no auditório do Tao Instituto de Acupuntura e
Medicina do Esporte, em Florianópolis. A abertura será feita
às 19h30min. A entrada é um quilo de alimento não-perecível.
Esta será a segunda de um ciclo de oito palestras que estão
programadas até o fim do ano e as vagas são limitadas a 30 participantes
com reserva. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone
(48) 228-9898.
Jornal
de Santa Catarina:
Campanha contra a pólio vai até amanhã
BLUMENAU - A vacina contra a paralisia infantil continua disponível nos postos de saúde de toda a região até amanhã. Esta é a 1ª Etapa da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite. Portanto, todas as famílias que tenham crianças menores de cinco anos devem procurar o posto de saúde para dar a gotinha da saúde a seus filhos. O horário de funcionamento dos postos é das 8h às 17h. Até sábado, dia 5 de junho, foram vacinadas 37.670 crianças - 85,29% da meta de doses previstas para a região. De acordo com a gerente regional de Saúde, Maria Regina de Souza, a meta desta 1ª etapa é vacinar 44.167 crianças nos municípios de Blumenau, Timbó, Pomerode, Indaial, Gaspar, Rio dos Cedros, Doutor Pedrinho, Benedito Novo e Rodeio.
Jornal O Estado:
Florianópolis mantém estatística
positiva em mortalidade infantil
MARIANA ORTIGA - Pelo
quarto ano consecutivo Florianópolis é a única capital
do Brasil com índice de mortalidade infantil abaixo de 10 - entre 7
e 8 - entre mil crianças nascidas. A estatística é da
Secretaria Municipal de Saúde, que divulgou o balanço 2004 do
programa Capital Criança, na quarta-feira pela manhã no Centro
de Convenções-CentroSul. Nos últimos 12 meses, o índice
ficou em 8,18 mortes a cada mil nascimentos. Já nos primeiros cinco
meses de 2004, o número caiu para 7.78 óbitos.
Atendimento médico, odontológico e nutricional às gestantes
e aos recém-nascidos e monitoramento dos nascimentos são as
prioridades do Capital Criança, criado em 1997 com o objetivo de diminuir
a mortalidade infantil. "O programa veio dar visibilidade às necessidades
do bebê e da mãe, fazendo com que as taxas de mortalidade de
crianças com idade até seis anos atingissem números de
países desenvolvidos", disse o secretário de saúde
de Florianópolis, Manoel Américo Barros Filho. Cerca de 300
crianças a mais teriam morrido por problemas de saúde desde
1996, caso os índices continuassem de 21 mortes para mil nascimentos.
À tarde foi realizado o 6º Encontro de Gestantes de Florianópolis.
Oito oficinas, entre elas duas dedicadas às gestantes adolescentes,
foram oferecidas para o grupo de 800 mulheres presentes no encontro.
Irmã pede tratamento para doente
Zulma Dutra de Mello,
49 anos, sofre de esquizofrenia e não aceita que a família cuide
dela e dos dois filhos menores, com 15 e 16 anos. Os adolescentes também
têm distúrbios mentais. Zulma e os filhos já passaram
por tratamento no Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina (IPQ). A última
vez que a doente esteve internada foi no perído de 27 de abril a 1º
de junho.
Segundo a irmã da doente, Diná de Mello, 52 anos, Zulma teve
uma crise antes de ser internada da última vez. “Ela tem reações
violentas, agressivas, quebrou toda a casa.” Diná conta que Zulma
não toma os remédios prescritos pelo IPQ quando tem alta. Quanto
aos sobrinhos, ela afirma que desenvolveram a doença pelo convívio
com a mãe. Diná sofre de problemas cardíacos e diz não
ter condições de tomar conta da irmã e dos sobrinhos.
“Deve haver uma instituição que possa atender minha irmã
e os meninos, porque sou doente e ainda cuido da nossa mãe, que tem
pressão alta e diabete.”
ADILSON LUIZ GONÇALVES
- ENGENHEIRO, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO E ARTICULISTA - A CPI do tráfico
de órgãos humanos e a mídia colecionam dados estarrecedores
sobre o tema!Nos primórdios dos transplantes de órgãos,
nos anos 1960, o imaginário dos autores de ficção científica
já previa este quadro, e não faltam filmes, livros e fóruns
de discussão ética do assunto. Mas, como sempre, enquanto alguns
lutam para esclarecer situações, outros vivem da clandestinidade,
mantendo uma fachada respeitável, com o único objetivo de obter
lucro! São indivíduos da mesma linhagem dos que, antes, viviam
da escravidão humana, tirando dela trabalho e prazer. Só que
hoje tiram, literalmente, pedaços, numa nova e ainda mais perversa
modalidade de selvageria antropofágica.
Mesmo atos aparentemente humanitários, como a adoção
de pessoas carentes com deficiência mental, estariam abastecendo esse
mercado tão sinistro quanto rentável.
E qual será o próximo alvo? A população carcerária?
Os hospitais psiquiátricos públicos? Cidadãos comuns
e sãos, com baixo índice de rejeição orgânica
para um receptor nacional ou estrangeiro bem abonado?
O poder econômico aliado ao desespero de uma doença crônica
ou morte iminente fornecem os clientes e fornecedores desse mercado. A falta
de escrúpulos arregimenta criminosos sádicos, inclusive cirurgiões
especialistas, apóstatas. O sigilo profissional, o descaso das autoridades
com as populações carentes e a ignorância destas quanto
aos seus direitos favorecem e complementam esse organograma diabólico,
base de esquemas internacionais que envolvem desde a venda consentida até
crimes como: seqüestro, eutanásia e assassinatos.
Para eles, a vida pode não ter preço, mas um órgão
é muito bem cotado, em dólar ou euro!
Será que merecem ser tratados como seres humanos?
Quem será o juiz desse processo?
O fato é que estão transformando o que deveria ser uma demonstração
voluntária de amor ao próximo num negócio em que o doador
pode não ter poder de decisão: Pode ser, tão somente,
selecionado!
Parece que o nível de desenvolvimento tecnológico e econômico
atingido pela civilização pode conduzi-la, paradoxalmente, ao
retrocesso de uma nova forma de "seleção natural",
onde seres humanos descartáveis - meros repositórios de órgãos
e tecidos - serão destinados a assegurar a longevidade e poder de uma
elite de magnatas anciãos, alguns "notáveis" e seus
eleitos. Considerando que nem todas as pesquisas científicas são
divulgadas e sempre há pessoas dispostas a financiá-las - da
mesma forma que fomentam furtos de obras de arte para coleções
particulares e secretas -, isso já pode estar ocorrendo...
Existem alternativas a esse quadro dantesco?
É certo que a discussão da clonagem terapêutica, a partir
de células-tronco - defendida por uns e abominada por outros, com igual
fervor - envolve aspectos éticos, jurídicos e religiosos graves,
mas talvez ela seja uma alternativa menos dramática e mais realista
à escalada do tráfico de órgãos, que já
atinge níveis alarmantes, descontrolados e humanamente inaceitáveis!
O problema é se o custo desse processo, que será definido pelos
interesses financeiros dos investidores das mega-indústrias do setor
- bem menos éticos que os cientistas e pesquisadores - não diminuirá
mais ainda o valor da vida humana, incrementado esse mercado negro, sangrento
e antropofágico em vez de baní-lo!