10 Junho de 2004


Jornal A Notícia:



Vacinação contra pólio ainda não atingiu meta

FLORIANÓPOLIS - O mais recente levantamento da Secretaria da Saúde de Santa Catarina mostrou que 191 municípios (65% do total catarinense) ainda não haviam atingido a cobertura vacinal mínima contra a poliomielite. A meta a ser tentada até sábado é de se chegar a 95% de vacinação de crianças menores de cinco anos em, no mínimo, 80% das cidades, percentual que corresponde a 234 municípios. Estes números foram estabelecidos como meta pelas autoridades estaduais de saúde. O balanço final da Campanha Nacional de Combate à Paralisia Infantil será divulgado na quarta-feira.

A média de vacinação em Santa Catarina até às 18 horas do último dia 5 foi de 87,15%, com a aplicação de 415.152 doses. No mesmo período do ano passado, este percentual era quatro pontos menor. A partir da intensificação das ações nos municípios com baixa cobertura, se conseguiu chegar aos 100% de vacinação. Este ano, cerca de 20 mil pessoas, dispostas em 5 mil postos, trabalharam na campanha em todo o Estado, que começou em 31 de maio com a vacinação das crianças das áreas rurais e de locais de difícil acesso.

"A expectativa é de que este ano também consigamos chegar à totalidade das crianças vacinadas", disse a gerente de Vigilância de Doenças Imuno-preveníveis e Imunização da Secretaria Estadual da Saúde, Leonor Proença. Além das vacinas de rotina, aplicadas aos 2, 4, 6 e 15 meses, é importante que os pais levem seus filhos para as campanhas nacionais realizadas duas vezes por ano. Desde 1989 não existe a confirmação de casos de paralisia causados pelo poliovírus. A primeira campanha de vacinação em Santa Catarina foi realizada em 1980, ano em que foram registrados 111 casos no Estado.


Cirurgias do coração podem ganhar fila única

CRICIÚMA - O alto número de pacientes aguardando na fila por cirurgias cardíacas no Sul do Estado - hoje são 250 - tem preocupado os técnicos da Secretaria de Estado da Saúde. Ontem, o assunto voltou a ser discutido durante ma reunião entre representantes dos hospitais São João e São José, de Criciúma, a Gerência Regional de Saúde e secretários de todos os municípios da região carbonífera. Entre as alternativas, que devem ser encaminhadas na próxima semana para a comissão intergestora bipartite, está a criação de uma fila única em todo o Estado. "Isso facilitaria o processo e faria com que os pacientes fossem atendidos independente de sua região. A idéia surgiu porque existem regiões credenciadas que não usam todo o teto, como Joinville, por exemplo", explica a gerente regional de Saúde Gladis Kastering.

Segundo ela, desde o credenciamento dos hospitais para a realização dos procedimentos cardíacos, o grande impasse tem sido a falta de recursos, que impede que todos os pacientes sejam atendidos. "Os hospitais alegam que os recursos são insuficientes, tanto que no São João Batista existe uma fila com 170 pacientes, e no São José, são 80 pessoas aguardando atendimento", afirma.

Cobrança

O secretário de Saúde de Criciúma, Orasil Pina, explica que o encontro também serviu para que o governo cobrasse dos hospitais o cumprimento do número mínimo de consultas para procedimentos cardíacos, que estava abaixo da média. "O Hospital São José não estava realizando todas as consultas necessárias, mas se comprometeu a fazer isso. Agora teremos cerca de 720 consultas por mês, o que deve, por hora, suprir a demanda", comenta.


Joaçaba pede exame junto ao SUS

JOAÇABA ­ O município de Joaçaba encaminhou à Secretaria Estadual de Saúde o pedido de credenciamento junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) do aparelho de ressonância magnética do Hospital São Miguel de Joaçaba, que hoje só realiza exames através de convênios ou particular. Segundo o secretário de Saúde de Joaçaba, Marcos Weiss, a direção do hospital autorizou a secretaria municipal a fazer o pedido.

Conforme o secretário, hoje apenas o Hospital Regional de São José presta este exame através do SUS em todo o Estado, e tem exames agendados até o ano de 2011. "Os demais hospitais que possuem este equipamento, cerca de seis em todo o Estado, só atendem particular ou através de convênios, o que justifica a fila de espera, já que a maioria de pessoas não tem dinheiro para pagar", alega. Segundo Weiss, só nos municípios de Joaçaba e Herval do Oeste são cerca de 200 pacientes à espera do exame.


Concórdia fará esquema especial nesta quinta

CONCÓRDIA - A Secretaria Municipal da Saúde vai manter amanhã um esquema especial de vacinação para melhorar os números da campanha contra a poliomielite em Concórdia. Até ontem, de acordo com dados da secretaria, foram vacinadas 4.450 crianças, 84,42% da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. Para facilitar o acesso à vacina, equipes volantes da secretaria vão passar o dia em frente aos principais supermercados da cidade. A vacina contra a pólio também estará disponível nos postos de saúde.

Concórdia vive uma situação curiosa em relação às campanhas de multivacinação. Até 2002, o município sempre ultrapassava a meta do Ministério da Saúde. Na época, a explicação era a de que a população atraída pela construção das barragens de Itá e Machadinho provocava a distorção para mais. Nas últimas campanhas, Concórdia tem ficado abaixo do número estabelecido.


Máfia agia em outros ministérios

Quatro novas empresas foram descobertas pela polícia

BRASÍLIA ­ As investigações feitas pela Polícia Federal (PF) concluíram que a máfia do sangue não fraudava apenas licitações no Ministério da Saúde. Teve atuação em pelo menos outros quatro ministérios. A Operação Vampiro, que levou 17 acusados para a prisão, será desmembrada em outros seis inquéritos que deverão ser abertos na próxima semana pela PF. Ontem, investigadores que trabalham no caso descobriram quatro novas empresas do grupo no exterior. Delas, duas seriam ligadas ao empresário Jaisler Jabour de Alvarenga, que usava as filhas como laranjas nas transações financeiras feitas com firmas no Brasil.

O principal foco da investigação está agora nas transações financeiras do grupo, principalmente, em torno dos empresários Lourenço Rommel Ponte Peixoto, Laerte de Arruda Corrêa Júnior e de Alvarenga, considerados os principais cabeças do esquema de fraudes em licitações.

Alvarenga, por exemplo, é ligado a duas empresas off-shore no Uruguai. A primeira delas, a Fargin, que tem sede em Montevidéu, teria também uma espécie de filial no Brasil, que tem como principal acionista Kelly Jabour, filha do empresário. A outra firma é a Southwestrade, em que o empresário aparece por meio da ITC Lab Participações e investimentos, que tem em sociedade Peixoto e Ellen Jabour, filha de Alvarenga.

Mas a grande revelação da análise feitas nos documentos apreendidos foi a de que os integrantes da máfia do sangue também agiam fora do Ministério da Saúde. Os investigadores guardam sigilo sobre os órgãos que serão alvo de Operação Vampiro, mas pelo menos quatro deles estão monitorados. Os analistas cruzam documentos para saber os tipos de fraudes que eram executadas pelo grupo.


Arrombamento não afetou arquivos

Os arquivos existentes na sala do Ministério da Saúde arrombada na noite de sexta-feira estão intactos. Depois de uma vistoria feita em 220 caixas, auditores constataram que não houve desvio de nenhum documento ou projeto contido nos arquivos. Isso afasta a hipótese de que o arrombamento tenha alguma conexão com a Operação Vampiro, que investiga corrupção no ministério para fraudar licitações de medicamentos e heomoderivados. Ontem, integrantes do ministério acreditavam que o episódio tratava-se, na verdade, de um furto.

O arrombamento foi constatado por volta das 20h30 de sexta-feira. A vigilância constatou que a porta da sala, onde ficam arquivados documentos referentes a licitações anteriores a 2000 e projetos do ministério, estava aberta, com a luz acesa. Material dos funcionários, habitualmente instalado sobre as mesas, estava espalhado pelo chão. Em uma das gavetas foi notada a falta de R$ 170,00. Segunda-feira, a Polícia Federal fez uma perícia no local. Terça e quarta, auditores do ministério verificaram se algum documento dos arquivos havia sido extraviado. O ministério informou que, depois do episódio de sexta, a segurança do prédio será reforçada, de forma permanente.

O ministro da Saúde, Humberto Costa, pela manhã, disse que era provável que a invasão da sala do arquivo central do ministério não foi uma "ação criminosa com objetivo de sumir provas" do esquema fraudulento desbaratado pela Polícia Federal na chamada Operação Vampiro. No final da tarde, os resultados das investigações confirmaram o que ele previra anteriormente.


APONTAMENTOS - Dependentes químicos

A Clínica de Recuperação de Dependentes Químicos São Francisco, de Videira, reverteu seu estatuto social retornando ao modelo original e não será mais reconhecida como de utilidade pública e de caráter filantrópico. A razão é o temor de não conseguir se manter somente com o credenciamento ao SUS, já que os recursos alocados pela Secretaria Regional de Desenvolvimento de Videira, no ano passado, não puderam ser repassados exatamente porque a clínica ainda não possuia o caráter filantrópico, processo que começou a tramitar somente este ano. Com esta nova personalidade jurídica, a entidade poderá, além do credenciamento ao SUS, receber doações de empresas e de pessoas físicas.


ALÇA DE MIRA - Farmácias populares

A implantação de farmácias populares no Brasil levou o deputado Francisco de Assis a ocupar a tribuna. "Santa Catarina perdeu a oportunidade de ser o primeiro Estado da Federação a implementar as farmácias populares", observou o deputado Francisco de Assis Nunes (PT), na sessão plenária da Assembléia Legislativa. O parlamentar explanou sobre a inauguração de farmácias populares no País e relembrou aos parlamentares que, durante dois anos, defendeu um projeto similar, de sua autoria, para o Estado. Contudo, o projeto permanece no papel até hoje, queixou-se. Vale registrar que no Estado de Pernambuco, principalmente em Recife, há muito tempo já funcionam as farmácias populares.


RAUL SARTORI - Banco de DNA

O banco de germoplasma que começou a funcionar em São Francisco do Sul na semana passada, com o armazenamento, numa primeira etapa, do DNA de 236 exemplares de pau-brasil, é o primeiro do Brasil no gênero. Portanto, não é correta a informação divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente atribuindo tal primazia ao banco do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, inaugurado ontem pela ministra Marina Silva. Se o que conta é a data de inauguração, o catarinense é o pioneiro. Como isso vai para a história, que se faça história correta.


RAUL SARTORI - Idéia copiada

A concepção da farmácia popular, cujas primeiras unidades foram inauguradas por Lula nesta semana, é praticamente igual à de projeto do deputado estadual catarinense Francisco de Assis Nunes (PT), aprovado pela Assembléia Legislativa em março deste ano e vetado pelo governador Luiz Henrique. No retorno ao Legislativo, o veto foi mantido.


Ortodontista alerta para diagnóstico

Problemas identificados precocemente melhoram qualidade de vida de quem tem a síndrome de down

ROSANE FELTHAUS - O diagnóstico precoce de problemas ortodônticos pode melhorar, e muito, a qualidade de vida de crianças portadoras de síndrome de down. O alerta é dado pelo ortodontista Márcio Augusto Bortolozo. Atuando na área há 14 anos, ele lembra que a síndrome de down provoca, entre outros problema, a hipotonia muscular (sensível redução da tonicidade dos músculos da face). O relaxamento da musculatura, aliado a postura inadequada de alguns pacientes (boca aberta), volume lingual alterado, pode resultar em uma série de problemas funcionais, entre os quais a alteração da arcada dentária (o que influencia também a mordida) e no crescimento irregular da face.

O que poucos sabem é que esses e outros problemas, quando tratados ainda no início, podem ser corrigidos. "Se a alteração é tratada ainda no início, o paciente pode ser poupado de uma série de transtornos futuros, entre os quais uma cirurgia", observa o especialista. O ideal, segundo ele, é que a criança que tem a síndrome de down seja submetida a primeira avaliação ortodôntica entre três e quatro anos, idade em que a arcada dentária está completa. "O trabalho do ortodontista, aliado ao de outros profissionais, entre os quais a fonoaudióloga, pode impedir uma série de problemas", reforça.

O acompanhamento do crescimento ortofacial facilita a correção da forma ainda cedo. O ortodontista pode, por exemplo, promover a expansão da maxila através da implantação de um aparelho, facilitando a acomodação da língua na boca. A criança pode utilizar o aparelho aos seis ou sete anos e corrigir problemas que, aos 12 anos, serão ainda mais visíveis e que vão exigir um tratamento ainda mais rígido e complexo. "Hoje, infelizmente, muitos pais procuram o ortodontista quando o problema da criança é totalmente visível", observa.

A sugestão para os pais que não podem pagar pela consulta é procurar pelos postos de saúde e agendar uma consulta. A Associação dos Deficientes Educáveis e Síndrome de Down também pode dar algum tipo de assistência aos pacientes. Mais informações pelo telefone (47) 422-9374 ou pelo e-mail mabortzo@terra.com.br.


Comissão unifica ações preventivas a infecções hospitalares

Joinville é a primeira cidade do Estado a contar com uma comissão municipal para tratar da prevenção e controle das infecções hospitalares. Os integrantes desta comissão tomaram posse ontem pela manhã no gabinete do prefeito Marco Tebaldi. O presidente será o médico Luiz Henrique Melo, chefe do departamento científico da Associação Catarinense de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar.

"Esta comissão não foi criada para resolver problemas. Foi criada para uma troca de informações, para uma uniformização de procedimentos e para se evitar problemas", destacou Luiz Henrique Melo.

Cada unidade hospitalar instalada em Joinville conta com sua comissão interna nesta área. A intenção neste novo trabalho, segundo Luiz Henrique, é criar uma central de dados e trabalhá-los epidemiologicamente.

A secretária municipal de Saúde, Ana Sílvia Zanon, disse que os dados nesta área em Joinville estão dentro dos padrões normais. "Mas queremos melhorar, oferecendo mais um benefício à população", observou.

A indicação dos integrantes foi realizada pelas próprias unidades de saúde da cidade. Entre os núcleos estão os hospitais Dona Helena, Regional Hans Dieter Schimidt, Municipal São José, Bethesda, Maternidade Darci Vargas, Centro Hospitalar Unimed e Secretaria da Saúde.

O mandato será de um ano, renovável por igual período. "As atividades da equipe serão coordenar as ações de prevenção e controle de infecção hospitalar da rede de hospitais do município; prestar apoio técnico às comissões dos hospitais e informar os indicadores de infecção à coordenação", explica Ana Silvia Zanon.

Os integrantes da comissão pelo Hospital Municipal São José: Luiz Henrique Melo (titular) e Flávia Rodrigues Fonseca (suplente); Secretaria da Saúde: Manoel Martins de Araújo (titular), Douglas Machado (suplente); Hospital e Maternidade Bethesda: Beatriz Papes Burger (titular), Liege Huller (suplente); Hospital Dona Helena: Patrícia Laura Chaves (titular), Elisa Hofmann (suplente); Centro Hospitalar Unimed: Álvaro Koenig (titular), Renata Paralta Fujiwara (suplente); Hospital Regional Hans Dieter Schmidt: Tarcísio Crocomo (titular), Sandra Maciel Notolini (suplente); Maternidade Darcy Vargas: Miriam do Rocio Bonilha (titular), Álvaro Koenig (suplente).


Prefeitura recebe pedidos de moradores de Itoupava-açu

Bairro volta a defender anexação a Schroeder

MARCOS DE OLIVEIRA - Moradores do bairro Itoupava-açu que dizem estar insatisfeitos com os serviços prestados pelo poder público foram recebidos ontem na Prefeitura por representantes do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Joinville (Ippuj), das secretarias da Saúde e Regional do Vila Nova.

Durante a reunião, os moradores apresentaram os problemas do bairro distante 80 quilômetros do centro. As principais questões discutidas foram a saúde, a educação e o transporte. A localidade tem apenas um posto de saúde, que recebe a visita semanal de um médico, a escola Rui Barbosa oferece ensino só até a 4ª série e não há linhas de ônibus para servir os moradores. Os representantes das secretarias pediram prazo de 30 dias para analisar a situação. Uma nova reunião está prevista para o dia 10 de julho.

Os moradores defendem a anexação do bairro a Schroeder, cuja distância da sede é de seis quilômetros. Para isso, é preciso que 300 eleitores mudem seus títulos para Joinville e assim participarem de um plebiscito. Dos cerca de 450 eleitores que moram em Itoupava-açu 150 votam em Joinville. "É necessário que a decisão seja da maioria e, para isso, todos têm de ter domicílio eleitoral em Joinville", explicou o presidente da associação de moradores, Círio Schmidt.

O deputado estadual Vilson Vieira (PT) participou de uma reunião no bairro e se comprometeu de verificar a possibilidade de reabrir o processo da consulta popular feita em 1995. Se o prefeito de Joinville, Marco Tebaldi, aceitar abrir mão de Itoupava-açu e o prefeito de Schroeder, Osvaldo Jurk, aceitar a anexação, tudo bem. Caso contrário, o plebiscito não será realizado, porque não obterá o respaldo da Assembléia Legislativa, que homologa a decisão.

O prefeito Marco Antônio Tebaldi é contra o desmembramento. A situação de Itoupava-açu não é diferente de outros bairros, onde muito já foi feito, mas sabemos que ainda temos por fazer, disse. Em algumas áreas, o prefeito defende como alternativa a assinatura de convênios com Schroeder.

No ano passado, Tebaldi participou de uma reunião com moradores. "Eles fizeram reivindicações que, na medida do possível, estamos atendendo", afirmou. Com relação ao atendimento médico e odontológico no posto de saúde, o prefeito afirmou que vai estudar o caso.

Marco Tebaldi disse que está achando estranho essa movimentação às vésperas das eleições e com a participação de políticos oposicionistas. "Por que esse interesse agora, onde estavam há dois, três anos?", questionou.(Com a colaboração de Manoel Francisco)


Academias de ginástica são vistoriadas

Mais da metade dos locais fiscalizados tem problemas

POLIANA SANTOS - O Conselho Regional de Educação Física (CREF) e a Vigilância Sanitária interditaram mais duas academias na manhã de ontem. Os problemas encontrados foram a falta de professor de educação física com registro no conselho e de alvará sanitário. Os estabelecimentos só poderão reabrir após regularizar a situação com os dois órgãos.

Há mais de dez dias os agentes de orientação e fiscalização do CREF Glaucinei Marcos Trevisol e Fabiano Braun de Moraes estão fazendo blitze em Joinville. Dos 80 locais vistoriados - entre eles, os que funcionam em clubes, escolas, hotéis e associações -, pelo menos na metade deles havia irregularidades.

Segundo Trevisol, todo local que oferece atividade física aberta ao público deve ter um supervisor credenciado que fique no local durante o funcionamento. O agente Moraes explicou que o objetivo do trabalho é mostrar que a atividade física mal-orientada pode causar riscos à saúde.

O fiscal sanitarista Silvio Graciano informou que a equipe checa se há bebedouro, vestiário adequado, ventilação, equipamentos seguros e atestado médico autorizando os alunos a praticar atividade física. O trabalho continua na semana que vem. Quem tem alguma denúncia deve enviá-la por escrito para o e-mail crefsc@crefsc.org.br ou pelo fax (48) 348-7007.

Uma das academias interditadas foi a Fitness & Wellness, no bairro Floresta. Três pessoas se exercitavam sem receber orientação profissional. O proprietário Silvio Guimarães acha estranho a exigência de um profissional formado, porque as faculdades não oferecem a disciplina para atuação em academia. "Não tenho como pagar R$ 1 mil para um profissional que não saiba atuar", reclamou.

Para Guimarães, a falta de um profissional não prejudica os clientes, porque ele tem experiência na área. "Estudei na Itália, mas o curso não é reconhecido no País. Sou da Federação de Musculação de Fitness e tentei fazer um curso de nível técnico, mas o conselho boicotou", revelou. Enquanto a academia era interditada, ele garantiu que vai contratar um advogado para se defender.

Segundo o agente Fabiano de Moraes, o curso que Guimarães queria ministrar era irregular. "E ele não é habilitado no conselho como provisionado porque não entregou alguns documentos", explicou. "Nas três vezes que estive no local não havia ninguém habilitado orientando os freqüentadores."

O fiscal Silvio Graciano lacrou o local e avisou que o proprietário tem 15 dias para apresentar a defesa. Só depois o processo será instaurado e aplicada multa, que pode variar de 1 a 80 Unidades Padrão Municipal (UPMs), que ontem estava em R$ 180,00. O conselho aplicou multa de R$ 720,00.


É obrigatório alvará para vender suplemento alimentar

Na Academia Cultura Física, no Boa Vista, quatro pessoas faziam atividades na hora da interdição. No local, o fiscal Graciano encontrou suplemento alimentar em uma prateleira. A proprietária Ignes Wrobleski explicou que um conhecido que tem loja em outro bairro deixou os potes para ela comercializar. "É preciso o alvará da pessoa que vende ou manter os produtos em local que não fique visível ao público", avisou um dos agentes.

Moraes também disse que já foi ao local seis vezes e em nenhuma das visitas encontrou um profissional. A proprietária informou que as duas profissionais que ela contratou abandonaram o serviço e garantiu que estava procurando outra pessoa. "É injusto fechar. E os cursos que fiz, não valeram nada? Como vou sobreviver se levar um mês para eu achar um profissional?", questionou. O conselho aplicou multa de R$ 360,00. A Vigilância abriu inquérito e aguarda a defesa da proprietária.

Na terça-feira, a academia do Prinz Hotel, do mesmo proprietário da Fitness & Wellness, e a Associação Yoko-Hama, no Aventureiro, tiveram as atividades suspensas. Mas depois da visita dos órgãos fiscalizadores, os profissionais responsáveis chegaram aos locais e as atividades foram retomadas. (PS)

 

Mortalidade infantil tem queda na Capital

Índice é de 7,78 para cada mil nascidos vivos até maio.

CELSO MARTINS - A telefonista Ana Lúcia Azevedo, 24 anos, descobriu quase por acaso, há quatro anos, que estava grávida do primeiro filho, Guilherme. "Eu me senti meio estranha, com dores, quando resolvi ir até o Centro de Saúde do Sapé fazer exames. O médico me enviou a um hospital e lá descobri que estava com infecção urinária e grávida", conta.

Com essas informações ela retornou ao Centro de Saúde do bairro onde mora e comunicou a gravidez. A partir daquele momento ela passou a receber acompanhamento permanente da unidade, o que acontece até hoje. A atenção que Ana Lúcia ganhou dos profissionais no Sapé faz parte de uma rotina que se repete com todas as mulheres grávidas da Capital, o que levou a uma redução drástica no percentual de mortalidade infantil.

Hoje, de cada mil crianças que nascem vivas, 9,75 delas morrem até completar um ano de idade. Em 1996, esse índice era de 21,6 mortes por mil crianças nascidas com vida, o que situa Florianópolis como a única capital brasileira onde esse indicador está na casa de apenas um dígito.

"Quando assumidos em 1997 tivemos que redirecionar a orientação de saúde no município, estabelecendo parcerias com diversas instituições e implantando um completo sistema de informações", explica o secretário municipal de Saúde, Manoel Américo de Barros Filho. "O passo seguinte foi implantar um programa docente assistencial, com a capacitação dos servidores que atuam nessa área", complementa o secretário.

O sistema montado desde então em Florianópolis levou a uma redução significativa do índice de mortalidade infantil, que vinha crescendo: 15,70 em 1991, 19,30 em 1992, 18,10 em 1993, 19,50 em 1994, 19,10 em 1995 e 21,60 no ano seguinte. "Depois de 1998, com o programa Capital Criança em execução, o número de mortes infantis diminuiu até chegarmos ao índice de 9,75", destaca Manoel Américo. De janeiro até maio deste ano esse índice caiu para 7,78.

"O meu filho é saudável, ativo e recebe toda a assistência da Prefeitura", garante a telefonista Ana Lucia, presente ontem no Centro de Convenções Centrosul, onde aconteceu o sexto Encontro de Gestantes de Florianópolis. O evento foi aberto pela prefeita Angela Amin, com a presença do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Lúcio Botelho, dirigentes hospitalares e secretários municipais, além de dezenas de mulheres grávidas, como Ana Lúcia, que está no terceiro mês de gravidez do segundo filho.

Saiba mais

- Grupo de atenção: crianças de zero a 6 anos, gestantes e mulheres que acabaram de ter filhos (puérperas)

- Visitas diárias das agentes educadoras em saúde às maternidades, com a entrega de kits de primeiros cuidados do recém-nascido e agendamento das consultas

- Consultas no sétimo e décimo dia de vida do recém-nascido e da puérpera, agendadas ainda na maternidade para o centro de saúde de sua área de abrangência, com dia e hora marcados

- Atenção pré-natal com agendamento mínimo de seis consultas

- Garantia de um exame ultrassonográfico por volta da 20ª semana de gestação

- Consulta pediátrica pré-natal realizada na 34ª semana

- Atenção nutricional para gestantes e crianças de zero a 6 anos de idade

- Também faz parte do Programa Capital criança o Protocolo de Atenção às Vítimas de Violência Sexual

- Criação da Caderneta de Saúde, onde são feitos os registros da pessoa desde o seu nascimento até os 19 anos de idade


Profissionais que atuam no programa recebem medalhas

O encontro de ontem começou com uma apresentação da poetiza e atriz Elisa Lucinda, da Rede Globo, que declamou poemas e foi bastante aplaudida pelas pessoas que lotaram um dos auditórios do Centrosul. Na seqüência, o secretário Manoel Américo de Barros Filho coordenou a entrega de diplomas e medalhas a diversos profissionais de saúde que atuam no programa Capital Criança.

Entre as mães presentes no evento esteve Ana Maria Moraes, 30 anos, também residente no bairro Sapé, no Continente, no nono mês de gravidez. "Pelos cálculos dos médicos a criança deve nascer no domingo", disse, aparando a barriga com as mãos. Ela morava na Trindade quando confirmou a gravidez após exames no Hospital Universitário.

Tendo se mudado para o Sapé, ela procurou ajuda do Centro de Saúde local e não se arrepende. "Fiz todos os exames de pré-natal, ultrassonografia, e recebo orientações sobre cuidados e alimentação", conta. A única dúvida que ela tem é quanto ao nome da menina que vai nascer, dividindo-se entre Maria Eduarda, Mérilim ou Laíza. "Tem uma amiga minha que está ajudando na escolha", destaca.

Essas mulheres são atendidas nos centros de saúde por profissionais como a enfermeira Monich Melo Cardoso. "Elas participam das atividades do grupo de gestantes, onde recebem as orientações para enfrentar a gravidez e, quando necessário, recebem uma cesta nutricional balanceada para garantir a saúde delas e das futuras crianças", explica.

Outro detalhe importante do programa é a realização de um estudo completo das condições da morte de cada criança com menos de um ano de idade. "Mesmo que a família tenha se mudado de endereço ou trocado de cidade, vamos atrás para investigar as causas do problema", explica Manoel Américo. Essas informações servem para corrigir procedimentos e tomar providências para que esses tipos de óbitos não tornem a ocorrer. Outro fator importante para a redução da mortalidade é a distribuição de leite em pó. (CM)


Mães acompanham palestras

A parte principal do sexto Encontro de Gestantes de Florianópolis começou às 13 horas, onde foram desenvolvidos cursos e oficinas envolvendo centenas de mulheres grávidas e profissionais de saúde. Os cursos incluíram temas sobre cuidados com os bebês e as mães: "Tornar-se mãe - uma arte", "Fisioterapia no parto - a arte de nascer" e "A fala do seu bebê".

As oficinas foram quase todas voltadas para as gestantes adolescentes, com temas como "Adolescência, gravidez e sexualidade" e "Gravidez na adolescência - a transformação, o medo, a coragem e a descoberta". Outras oficinas trabalharam com os profissionais que atuam com grupos de gestantes, abordando a gravidez na adolescência e orientações e aconselhamentos em aleitamento materno.

Entre as autoridades que participaram dessas atividades estiveram a médica Elizabeth Meloni Vieira, professora de medicina social de Ribeirão Preto (SP) e doutora em estudos populacionais pela Universidade de Exeter (Inglaterra) e a doutora em enfermagem Evanguelita Kotizias Atherino dos Santos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). (CM)


Casan vai vistoriar mangue do Itacorubi

Objetivo é identificar origem do mau cheiro

A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) vai vistoriar a área de entorno do manguezal do Itacorubi para identificar a origem do mau cheiro exalado no local, que aumentou consideravelmente nos últimos meses. A inspeção será executada atendendo a solicitação do Ministério Público Federal (MPF). Além da possibilidade de existir ligações clandestinas de esgoto desembocando no ecossistema, há a possibilidade de o odor ser provocado pela variação da maré do próprio manguezal.

A vistoria no Itacorubi fará parte do trabalho de fiscalização das redes de saneamento da Capital, que tem melhorado as condições de saneamento em diversos bairros de Florianópolis, mesmo com o crescimento da cidade.

Desenvolvido em conjunto com a Vigilância Sanitária, o trabalho começou na Lagoa da Conceição, onde já foram vistoriados 1.224 imóveis. A partir dos próximos meses deve ser concluída a fiscalização nos bairros do Continente. Os bairros de Coqueiros, Itaguaçu, Abraão e Bom Abrigo já tiveram 2.279 imóveis visitados, com resultados significativos: os mais recentes boletins de balneabilidade emitidos pela Fatma mostram melhoria nas condições daquelas praias.

Nesta nova frente de trabalho serão vistoriados os bairros da Trindade, Santa Mônica, Pantanal e Carvoeira, onde são contabilizadas 2,8 mil ligações de esgoto sanitário, em busca de irregularidades. Entretanto, os técnicos alertam que o mau cheiro no manguezal do Itacorubi pode ter origem naqueles bairros que ainda não são beneficiados com rede de coleta da Casan, como é o caso do João Paulo, ou até mesmo de imóveis localizados nos bairros Pantanal e Carvoeira, onde apenas 20% da rede prevista está instalada.

O trabalho dos técnicos consiste em fiscalizar os imóveis de uma região pré-determinada, identificando os imóveis que não conectaram o sistema interno na rede coletora pública. Os proprietários têm 15 dias para providenciar a regularização das instalações, caso contrário a Vigilância Sanitária emite o auto de infração. O teste consiste em colocar azul de metileno em vasos sanitários, pias e ralos. O produto colorido aparece nas redes de esgoto e pluvial, denunciando as ligações irregulares. As irregularidades mais encontradas incluem conexões de esgotos sanitários na rede pluvial, que deveria escoar apenas a água da chuva, e ausência de caixa de gordura.


AGENDA - Medicina

Estão abertas as inscrições para o 3o Congresso Sul-brasileiro de Medicina Tradicional Chinesa, que acontece, nos dias 10 e 11 de julho, em Florianópolis, tendo como tema central "A medicina tradicional chinesa e suas interfaces: oriente/ocidente e passado/presente." As inscrições podem ser feitas no Centro de Estudos e Pesquisas do Homem (Cieph) pelo telefone (48) 245-6178 ou ana@cieph.com.br. Mais informações no site www.cieph.com.





Jornal Diário Catarinense:



Gestantes viram mães antes da hora

Programa Capital Criança reúne 800 grávidas e antecipa a elas como será cuidar de um bebê

O 6° Encontro de Gestantes de Florianópolis reuniu ontem cerca de 800 mulheres no CentroSul, na Capital, com o objetivo de instruir as futuras mães sobre os cuidados com a saúde do bebê. Durante toda a tarde, as gestantes acompanharam debates e participaram de oficinas para discutir a gravidez.

Na primeira atividade do encontro, às 14h, a atriz Elisa Lucinda falou ao público de mães e esposos sobre relacionamento. Ela recitou poesias e cantou por mais de uma hora. O público reagiu com gargalhadas e aplausos à apresentação da atriz. Ela abordou temas como sexo e a relação homem e mulher.

Após a apresentação, as gestantes dividiram-se para participar de 10 oficinas. Os encontros tiveram temas variados de acordo com o interesse de cada mãe. Foram abordados assuntos como a fala do bebê, adolescência e sexualidade e aleitamento materno. As oficinas de cuidados com crianças foram as que receberam mais inscrições.

Oficinas para alívio da dor

Ao todo, 615 vagas estiveram à disposição para a participação de gestantes nas oficinas. Foram ensinadas também técnicas de fisioterapia para alívio de dores no parto, além de massagens e técnicas de respiração para alívio da tensão. As salas do CentroSul foram equipadas com colchões e equipamentos para a fisioterapia para a instrução com as massagens.

As oficinas foram ministradas por 23 monitores, entre fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, médicos e enfermeiras. O encontro foi promovido pela Prefeitura de Florianópolis e é parte das atividades do Projeto Capital Criança, da Secretaria de Saúde.



Um exemplo na mortalidade infantil

Florianópolis registra menos de uma morte anual para cada cem nascimentos, e no Brasil são três

SALVADOR GOMES - A mortalidade infantil em Florianópolis alcançou índices três vezes menores que a média nacional. Enquanto no Brasil morrem três crianças em cada cem nascimentos ao ano, a Capital registra menos de uma morte anual para o mesmo número de nascidos.

Desde 2000, Florianópolis tem o índice de mortalidade infantil abaixo de 10. O indicador é feito computando o número de óbitos em bebês com menos de um ano em relação ao grupo de mil nascidos. O melhor resultado da Capital foi há quatro anos, quando morreram 8,8 crianças em cada grupo de mil.

O índice tem variado desde então, mas não superou a escala de 10. A previsão da Secretaria Municipal de Saúde é que o número fique este ano em 8,18 e 7,78. Para o secretário Manoel Américo Barros Filho, a queda na mortalidade está associada à integração de hospitais, postos de saúde e secretaria no atendimento infantil.

O Projeto Capital Criança, que reuniu as entidades, conta com 600 agentes no acompanhamento dos bebês mesmo antes do nascimento. Os agentes monitoram áreas da Capital questionando prováveis mães. Quando identificadas, recebem acompanhamento pré-natal.

As mães são encaminhadas a palestras sobre gravidez e trato com os filhos. Depois, recebem ajuda alimentar até que a criança complete seis anos. Após o parto, as mães ganham um kit com utensílios médicos e uma foto do bebê na hora do nascimento.

Os exames pré-natais na rede pública de saúde ajudaram Vanessa Gouveia, 16 anos, a cuidar do bebê. Ela esteve em cinco dos seis atendimentos obrigatórios e fará ainda mais dois antes do nascimento do primeiro filho.

Grávida de oito meses, Vanessa participou do curso sobre gravidez na adolescência. Ela está entre as mães da Capital que têm menos de 18 anos e que são 20% do total de gestantes em Florianópolis.

Os números

21 em cada mil crianças nascidas na Capital morriam antes de completar um ano, em 1996
21,6 era o índice de mortalidade infantil na época. O número significa os óbitos para o conjunto de mil nascimentos
8,8 foi o índice do ano 2000. Foi a primeira vez que as mortes foram menores de uma criança para cada conjunto de 100 nascimentos
9 em cada mil crianças nascidas em Florianópolis no ano passado morreram antes de completar um ano de idade
30 mortes em cada grupo de mil crianças são registradas anualmente em todo o Brasil


PT informa nome de farmacêuticas

A direção nacional do PT divulgou ontem a lista de empresas farmacêuticas e químicas que fizeram doações para a campanha que elegeu Lula em 2002. No total, o partido afirma ter arrecadado R$ 1,567 milhão desses segmentos.

As doações são de 15 empresas. O maior repasse, de R$ 480 mil, foi feito pela OPP Química S/A. O secretário de Finanças do partido, Delúbio Soares, será convidado a depor na Polícia Federal, dentro das investigações da Operação Vampiro.



SERVIÇO - Nutrição esportiva

O médico Joel Steinman, especialista em medicina do esporte, dá uma palestra amanhã sobre nutrição esportiva - Os Suplementos de Proteínas, no auditório do Tao Instituto de Acupuntura e Medicina do Esporte, em Florianópolis. A abertura será feita às 19h30min. A entrada é um quilo de alimento não-perecível. Esta será a segunda de um ciclo de oito palestras que estão programadas até o fim do ano e as vagas são limitadas a 30 participantes com reserva. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (48) 228-9898.


Jornal de Santa Catarina:


Campanha contra a pólio vai até amanhã

BLUMENAU - A vacina contra a paralisia infantil continua disponível nos postos de saúde de toda a região até amanhã. Esta é a 1ª Etapa da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite. Portanto, todas as famílias que tenham crianças menores de cinco anos devem procurar o posto de saúde para dar a gotinha da saúde a seus filhos. O horário de funcionamento dos postos é das 8h às 17h. Até sábado, dia 5 de junho, foram vacinadas 37.670 crianças - 85,29% da meta de doses previstas para a região. De acordo com a gerente regional de Saúde, Maria Regina de Souza, a meta desta 1ª etapa é vacinar 44.167 crianças nos municípios de Blumenau, Timbó, Pomerode, Indaial, Gaspar, Rio dos Cedros, Doutor Pedrinho, Benedito Novo e Rodeio.




Jornal O Estado:


Florianópolis mantém estatística positiva em mortalidade infantil

MARIANA ORTIGA - Pelo quarto ano consecutivo Florianópolis é a única capital do Brasil com índice de mortalidade infantil abaixo de 10 - entre 7 e 8 - entre mil crianças nascidas. A estatística é da Secretaria Municipal de Saúde, que divulgou o balanço 2004 do programa Capital Criança, na quarta-feira pela manhã no Centro de Convenções-CentroSul. Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 8,18 mortes a cada mil nascimentos. Já nos primeiros cinco meses de 2004, o número caiu para 7.78 óbitos.

Atendimento médico, odontológico e nutricional às gestantes e aos recém-nascidos e monitoramento dos nascimentos são as prioridades do Capital Criança, criado em 1997 com o objetivo de diminuir a mortalidade infantil. "O programa veio dar visibilidade às necessidades do bebê e da mãe, fazendo com que as taxas de mortalidade de crianças com idade até seis anos atingissem números de países desenvolvidos", disse o secretário de saúde de Florianópolis, Manoel Américo Barros Filho. Cerca de 300 crianças a mais teriam morrido por problemas de saúde desde 1996, caso os índices continuassem de 21 mortes para mil nascimentos. À tarde foi realizado o 6º Encontro de Gestantes de Florianópolis. Oito oficinas, entre elas duas dedicadas às gestantes adolescentes, foram oferecidas para o grupo de 800 mulheres presentes no encontro.




Irmã pede tratamento para doente

Zulma Dutra de Mello, 49 anos, sofre de esquizofrenia e não aceita que a família cuide dela e dos dois filhos menores, com 15 e 16 anos. Os adolescentes também têm distúrbios mentais. Zulma e os filhos já passaram por tratamento no Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina (IPQ). A última vez que a doente esteve internada foi no perído de 27 de abril a 1º de junho.

Segundo a irmã da doente, Diná de Mello, 52 anos, Zulma teve uma crise antes de ser internada da última vez. “Ela tem reações violentas, agressivas, quebrou toda a casa.” Diná conta que Zulma não toma os remédios prescritos pelo IPQ quando tem alta. Quanto aos sobrinhos, ela afirma que desenvolveram a doença pelo convívio com a mãe. Diná sofre de problemas cardíacos e diz não ter condições de tomar conta da irmã e dos sobrinhos. “Deve haver uma instituição que possa atender minha irmã e os meninos, porque sou doente e ainda cuido da nossa mãe, que tem pressão alta e diabete.”

ARTIGO - Antropofagia moderna

ADILSON LUIZ GONÇALVES - ENGENHEIRO, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO E ARTICULISTA - A CPI do tráfico de órgãos humanos e a mídia colecionam dados estarrecedores sobre o tema!Nos primórdios dos transplantes de órgãos, nos anos 1960, o imaginário dos autores de ficção científica já previa este quadro, e não faltam filmes, livros e fóruns de discussão ética do assunto. Mas, como sempre, enquanto alguns lutam para esclarecer situações, outros vivem da clandestinidade, mantendo uma fachada respeitável, com o único objetivo de obter lucro! São indivíduos da mesma linhagem dos que, antes, viviam da escravidão humana, tirando dela trabalho e prazer. Só que hoje tiram, literalmente, pedaços, numa nova e ainda mais perversa modalidade de selvageria antropofágica.

Mesmo atos aparentemente humanitários, como a adoção de pessoas carentes com deficiência mental, estariam abastecendo esse mercado tão sinistro quanto rentável.

E qual será o próximo alvo? A população carcerária? Os hospitais psiquiátricos públicos? Cidadãos comuns e sãos, com baixo índice de rejeição orgânica para um receptor nacional ou estrangeiro bem abonado?

O poder econômico aliado ao desespero de uma doença crônica ou morte iminente fornecem os clientes e fornecedores desse mercado. A falta de escrúpulos arregimenta criminosos sádicos, inclusive cirurgiões especialistas, apóstatas. O sigilo profissional, o descaso das autoridades com as populações carentes e a ignorância destas quanto aos seus direitos favorecem e complementam esse organograma diabólico, base de esquemas internacionais que envolvem desde a venda consentida até crimes como: seqüestro, eutanásia e assassinatos.

Para eles, a vida pode não ter preço, mas um órgão é muito bem cotado, em dólar ou euro!

Será que merecem ser tratados como seres humanos?

Quem será o juiz desse processo?

O fato é que estão transformando o que deveria ser uma demonstração voluntária de amor ao próximo num negócio em que o doador pode não ter poder de decisão: Pode ser, tão somente, selecionado!

Parece que o nível de desenvolvimento tecnológico e econômico atingido pela civilização pode conduzi-la, paradoxalmente, ao retrocesso de uma nova forma de "seleção natural", onde seres humanos descartáveis - meros repositórios de órgãos e tecidos - serão destinados a assegurar a longevidade e poder de uma elite de magnatas anciãos, alguns "notáveis" e seus eleitos. Considerando que nem todas as pesquisas científicas são divulgadas e sempre há pessoas dispostas a financiá-las - da mesma forma que fomentam furtos de obras de arte para coleções particulares e secretas -, isso já pode estar ocorrendo...

Existem alternativas a esse quadro dantesco?

É certo que a discussão da clonagem terapêutica, a partir de células-tronco - defendida por uns e abominada por outros, com igual fervor - envolve aspectos éticos, jurídicos e religiosos graves, mas talvez ela seja uma alternativa menos dramática e mais realista à escalada do tráfico de órgãos, que já atinge níveis alarmantes, descontrolados e humanamente inaceitáveis!

O problema é se o custo desse processo, que será definido pelos interesses financeiros dos investidores das mega-indústrias do setor - bem menos éticos que os cientistas e pesquisadores - não diminuirá mais ainda o valor da vida humana, incrementado esse mercado negro, sangrento e antropofágico em vez de baní-lo!