Sistema hospitalar privilegia grandes centros
Unidades de municípios de pequeno porte não conseguem manter nem os serviços básicos
FLORIANÓPOLIS
- O grande problema no sistema hospitalar de Santa Catarina não é
a falta de leitos, que é de 2,5 para cada mil habitantes e está
acima da média de 2,3 recomendada pela Organização Mundial
da Saúde (OMS). O sistema não funciona como deveria porque os
12,9 mil leitos estão mal distribuídos. Essa é a constatação
da coordenadora de serviços de saúde da Secretaria da
Saúde de Santa Catarina, Rosina Moritz dos Santos Silveira.
"O problema não é a falta de leitos ou de médicos,
mas, sim, a organização do sistema", disse Rosina. Existe
uma grande concentração de hospitais, principalmente aqueles especializados
e de alta complexidade, nos grandes centros. Enquanto na Capital, em Joinville
e em cidades de maior porte as unidades vivem cheias, no interior, a taxa de
ocupação média e de 20%. A coordenadora de saúde
não vê como resolver essa situação a curto prazo.
Segundo ela, esse tipo de problema seria solucionado com a descentralização
dos serviços de alta complexidade e com a abertura de novas faculdades
de medicina no interior.
Outro problema apontado é o fato de boa parte dos hospitais de menor
porte não estar conseguindo manter as clínicas básicas.
São 27 unidades credenciadas pelo Sistema Único de Saúde
(SUS) que não oferecem um desses serviços básicos: pediatria,
ginecologia e obstetrícia, clínica médica e clínica
cirúrgica.
A SES afirma que o tratamento nos hospitais de pequeno porte
é deficiente e isso sobrecarrega os hospitais maiores. Rosina exemplifica
com um hipotético paciente com pneumonia que é internado e não
fica completamente curado, então, se dirige para outro hospital. "Há
o agravante, neste caso, de um só doente com uma só patologia
gerar duas guias de internação", explicou.
Uma proposta para solucionar esse problema deverá estar pronta dentro
de 60 dias. Técnicos da Secretaria da Saúde e
representantes dos hospitais com capacidade para menos de 30 pacientes internos
se reuniram em Florianópolis para discutir alternativas e buscar uma
solução para a baixa resolutividade dessas unidades. O valor pago
pelo SUS para internações varia de R$ 197,16 a R$ 2.625,22. É
a média histórica do hospital que determina a quantia repassada
pelo Ministério da Saúde.
SUS
A presidente
da Associação dos Hospitais do Estado de Santa Catarina (Ahesc),
Sandra Judite Roares, afirmou que os problemas verificados nos hospitais catarinenses
têm como causas o baixo valor da tabela do SUS e o alto número
de autorizações de internação hospitalar (AIHs)
represadas, já que o Estado estabeleceu um teto no número de atendimentos
por mês.
"O que acontece é que a quantidade de pacientes é sempre
maior que a de autorizações, e o valor repassado é muito
inferior ao custo do atendimento", disse a presidente.
A associação alega que mesmo com um número limitado de
autorizações para internação, os 127 hospitais que
fazem parte da Ahesc são obrigados a atender os pacientes. O valor por
essas internações além da cota não é pago
imediatamente. Entre 1999 e fevereiro de 2003, haviam cerca de 50 mil laudos
sem pagamento em Santa Catarina, totalizando R$ 17 milhões. "Metade
deste valor foi quitado, mas novos laudos já foram emitidos. É
um círculo vicioso", disse o diretor-executivo da entidade, Braz
Vieira.
O diretor da Ahesc informa ainda que em 1996 os valores entregues pelo SUS para
os hospitais era baseado em cálculos que levavam em consideração
11% dos habitantes da região atendida pela unidade. Hoje, o percentual
utilizado para o repasse é de 7,5%, mesmo com o aumento da população.
A conseqüência da escassez de recursos é a falta de medicamentos
e o sucateamento dos equipamentos. "O repasse feito pelo SUS é sempre
insuficiente", concluiu Vieira.
São Bento do Sul sem recursos para UTI
SÃO
BENTO DO SUL - Com 116 leitos, o Hospital e Maternidade Sagrada Família,
único de São Bento do Sul, enfrenta dificuldade para manter sua
UTI em funcionamento. O custo médio mensal de manutenção
é de R$ 72 mil, mas o hospital tem assegurados apenas R$ 48 mil mensais,
através de recursos do SUS e Prefeitura. Segundo a direção
do hospital, a UTI, inaugurada há dois anos, acumula déficit de
R$ 230 mil. Do governo do Estado, o hospital recebeu R$ 100 mil, no ano passado.
A direção do hospital queixa-se da falta de cooperação
dos municípios vizinhos para manter a UTI. "No início, houve
o apoio das prefeituras vizinhas, mas, atualmente, algumas não contribuem
mais com a unidade", explica a diretora, irmã Maria de Lourdes Ribeiro.
"Não podemos mandar essas pessoas de volta. Ninguém vai morrer
na porta do hospital por falta de atendimento", destacou a diretora.
A Prefeitura de São Bento do Sul acaba de firmar novo convênio
com o hospital. O documento garante o repasse mensal de mais R$ 10 mil, destinados
ao atendimento de pacientes encaminhados pelo SUS. Em parceria com a Prefeitura,
o hospital vai construir uma nova ala para abrigar um pronto-atendimento 24
horas. O hospital cede o espaço físico e o município gerencia
o PA. O investimento previsto é de R$ 300 mil e o projeto depende de
aprovação da Vigilância Sanitária do Estado.
Dívida ameaça funcionamento de unidade
em São Joaquim
SÃO
JOAQUIM - Com um total superior a R$ 4,4 milhões em dívidas, o
Hospital de Caridade Coração de Jesus, em São Joaquim,
vive sob o constante risco de suspender o atendimento. Em março, seus
90 funcionários chegaram a fazer uma manifestação, paralisando
as atividades por uma tarde, para alertar sobre a gravidade da situação.
Depois da manifestação, a Secretaria de Estado da Saúde
enviou recursos, mas o dinheiro só foi suficiente para colocar em dia
a folha salarial, que é de cerca de R$ 40 mil.
O hospital atende cerca de 50 mil pessoas dos municípios de São
Joaquim, Bom Jardim da Serra, Urupema, Urubici e Rio Rufino. De acordo com a
direção Associação Beneficente Bento Cavalheiro,
que mantém a unidade, os débitos somados já ultrapassam
R$ 4,44 milhões e, nos últimos meses, a receita bruta não
é capaz de sequer arcar com as despesas com a folha de pagamento. As
dívidas se acumulam desde 1967, e os maiores débitos são
com o INSS - o instituto cobra R$ 2,7 milhões porque o hospital não
conseguiu comprovar sua situação de entidade filantrópica
- e com a Celesc - R$ 891 mil. Segundo a auxiliar administrativa do hospital
Agna Mara de Oliveira, devido à inadimplência os fornecedores de
medicamentos só aceitam pagamento à vista. "Compramos apenas
o necessário para se passar uma semana, e isso deixa os custos mais altos",
diz Agna. Sem o pagamento das dívidas, a unidade não consegue
certidões negativas de débito e sem essa documentação
não pode receber dinheiro do governo do Estado.
Reforma exige redução de leitos em Blumenau
BLUMENAU
- O Hospital Santo Antônio, no Médio Vale, reduziu o número
de vagas na unidade de tratamento intensivo (UTI) de 15 para 12 - são
quatro na geral e oito na neonatal. A medida foi tomada porque o Santo Antônio
está sendo reformado. No entanto, embora esteja em obras, o hospital
vive em eterna crise, pois atende pacientes de toda a região da Associação
dos Municípios do Médio Vale do Itajaí (Ammvi). No ano
passado, foram 500 atendimentos na UTI e 95% desse total foram através
do SUS.
O número de leitos na UTI passará para 20 depois da reforma. O
dinheiro arrecadado na conta de energia elétrica e a doação
de material de construção tornaram possíveis reformas em
diferentes setores. Ao todo, Blumenau dispõe de 47 leitos para UTIs.
Todos os atendimentos mais complexos, através do SUS, são feitos
no Santo Antônio.
Outro hospital que vive em série crise é o de Benedito Novo. O
diretor da unidade, médico Ernani Olinger, diz que a esperança
para este ano é a liberação de R$ 133 mil referentes a
AIHs represadas. O hospital pagou até o momento apenas 50% do salário
de maio. Olinger afirma que, de vez em quando, a Prefeitura repassa verba para
hospital. Todos os meses são necessárias cerca de 90 AIHs, mas
o município só tem direito a 62. Este ano, o hospital conta também
com R$ 63 mil do Fórum Parlamentar Catarinense. A verba é insuficiente
para manter a unidade, que tem um gasto mensal de R$ 12 mil.
Déficit mensal compromete pagamento de salários
SOMBRIO
/ JACINTO MACHADO - Desde o início do ano, a diretoria do Hospital Dom
Joaquim, de Sombrio, no Extremo-sul, vem alertando para as dificuldades de manter
o atendimento pelo SUS. Segundo o hospital, há um déficit mensal
de R$ 70 mil, o que está colocando em risco a folha de pagamento dos
funcionários. A crise do Dom Joaquim chegou ao seu auge no final do último
mês quando a diretoria decidiu suspender o atendimento pelo SUS. A decisão
do hospital foi contestada pelo ministério publico, que conseguiu com
liminar obrigar a unidade a retomar o atendimento no dia seguinte. O hospital
recorreu da decisão. Segundo o diretor Sergio Schiefferdecer, todas as
negociações para aumentar o repasse de verba para o hospital foram
sem sucesso.
A crise também rondou o Hospital São Roque, em Jacinto Machado,
no Extremo-sul do Estado. A direção teve de apelar para a solidariedade
da população para não ter de fechar as portas. "Era
isso ou fechar as portas", lembra o diretor Vanir Zanata. A campanha deu
resultado e a unidade já conseguiu equilibrar as contas.
O diretor ressalta que até pequenas reformas já estão sendo
feitas graças à parceria com a população. "Os
moradores se uniram e em pequenos grupos e estão ajudando na reforma.
Também estamos recebendo, dinheiro, alimentos e produtos de limpeza",
afirma o Zanata, que precisa pagar dívidas que somam mais de R$ 80 mil.
Acordo mantém atendimento
SÃO
MIGUEL DO OESTE - O ministério público fechou um acordo com a
direção do Hospital São Miguel para que a unidade continue
atendendo os pacientes conveniados pelo SUS. Pelo acordo, o atendimento não
será suspenso até que seja concluído um estudo feito pela
perícia da Secretaria Estadual da Saúde nos três
hospitais da cidade. No início de maio, a direção do São
Miguel protocolou o pedido de descredenciamento do SUS porque o sistema não
reajusta a tabela de pagamento há mais de oito anos.
Segundo o promotor de justiça Fernando Comin, se o São Miguel
levar adiante a disposição de interromper os atendimentos pelo
SUS, a situação da saúde na região ficará
crítica, uma vez que os outros dois estabelecimentos da cidade - o Hospital
e Maternidade Vitória Míssen e o Hospital Cristo Redentor - não
terão estrutura para absorver a demanda. "O Estado precisa tomar
uma providência", destaca.
O Hospital São Miguel é o maior e mais bem equipado do Extremo-oeste
com 72 leitos e 18 especialidades médicas. A unidade atende, em média,
350 pacientes por mês - 60% desse número pelo SUS - de 25 municípios.
Parte desses pacientes, 37%, são da zona rural. O São Miguel é
credenciado pelo SUS há 37 anos e, somente no ano passado, 52,5% das
1.582 cirurgias feitas no hospital foram pelo sistema.
O administrador do estabelecimento, Napoleão Sbravatti Netto, diz que
aguarda uma definição por parte do governo do Estado, mas o hospital
continua com a disposição de se descredenciar assim que expirar
o acordo fechado com o ministério público. Segundo ele, o custo
com manutenção de pessoal atinge 127% do total de despesas. Sbravatti
observa que os demais convênios do São Miguel com planos de saúde,
empresas e entidades não serão prejudicados.
Mesma cidade, dramas distintos
JARAGUÁ
DO SUL - Os dois hospitais de Jaraguá do Sul enfrentam problemas distintos.
A diretoria do São José, que consegue equilibrar suas contas no
final de cada mês, destaca que o problema principal é a falta de
leitos. Atualmente, com média de 700 internações mensais,
a unidade conta com 100 leitos, nove deles destinados à UTI. O ideal
seria 130, segundo a diretora-geral, irmã Jacira Maria dos Santos. Já
o Hospital Jaraguá, com uma defasagem de 25% de receitas em relação
às suas despesas, aponta o governo federal como responsável no
atraso do credenciamento da unidade para atender casos de emergência e
urgência. O credenciamento melhoraria a arrecadação.
A diretora do São José observa que mesmo conseguindo equilibrar
as contas a situação da unidade é grave. O agravante, de
acordo com ela, são os gastos com medicação, o aumento
nos preços da água e a taxa de esgoto, que corresponde mensalmente
a 80% do que é gasto com água. Isso eleva a conta em mais R$ 1.200,00/mês
sobre o gasto médio mensal de R$ 3.200,00 com a conta de água.
A receita mensal do São José gira em torno de R$ 700 mil. Desse
valor, R$ 270 mil são repasses do SUS. O restante vem de convênios
e atendimentos particulares. "Geralmente conseguimos gastar só o
que arrecadamos. Mas é um equilíbrio perigoso", considera
a diretora. Os gasto com a folha de salários e encargos não foram
fornecidos.
O assessor de imprensa do Hospital Jaraguá, Osmar Pinheiro, informa que
a diferença de 25% entre o que se arrecada e o que se gasta na unidade
é referente ao repasse do SUS. Nos gastos relativos a convênios
particulares, não há defasagem, e o hospital, com 230 leitos,
consegue equilibrar a conta. O assessor não informou qual o valor da
receita atual, nem dos repasses específicos do SUS ou a folha de pagamento
dos 220 funcionários porque não teria sido autorizado pela direção.
A decisão
do deputado Fernando Coruja (PPS) de concorrer à Prefeitura de Lages
constituiu o novo fato político das eleições municipais
nesta reta final das convenções. Novo e surpreendente, eis que
nenhuma informação vazou nos últimos dias de que o ex-secretário
da Saúde estivesse pensando em mudar de idéia.
A revogação da desistência teve o dedo do governador Luiz
Henrique, que fez um esforço extraordinário para viabilizar a
candidatura de Coruja quando este ainda ocupava o primeiro escalão do
governo. Primeiro, convidando Sérgio Godinho (PTB), que era candidato
em Lages, a assumir a Secretaria do Desenvolvimento. Com isto, promoveu a ida
para a Assembléia do suplente Cezar Cimm, garantindo a presença
do PDT na grande aliança do PT com o PMDB em Blumenau e a adesão
dos trabalhistas no planalto. E, finalmente, quando convocou Dado Cherem
para a Secretaria da Saúde, permitindo a posse de Francisco
Küster (PSDB) na Assembléia.
Fernando Coruja desistiu, o que criou problemas para o governador e para os
partidos que integram o governo de coalizão. Múltiplos foram os
comentários sobre os motivos da decisão de Coruja. Uma especulação
feita por adversários estava prejudicando sua imagem. "Quanto custou?",
eram as questões. Dono de uma biografia irretocável, Fernando
Coruja voltou atrás para eliminar qualquer dúvida sobre sua ação
política. E sob nova realidade, em função da participação
do PSDB na aliança, com a determinada presença do deputado Francisco
Küster, até então aliado de Raimundo Colombo. A intervenção
anunciada pelo diretório estadual pode deixar Küster mau na foto,
mas vai garantir uma ampla aliança com dez partidos.
Colombo continua favorito, mas com Coruja fica mais difícil.
RODRIGO
STÜPP (Especial para o AN Cidade) - Você sabe como agir em uma situação
de emergência? O que faria se fosse o primeiro a chegar a um local onde
acaba de ocorrer um grave acidente de trânsito? E se alguém ao
seu lado sofresse uma parada cardíaca? Essas e outras dúvidas,
agora, serão esclarecidas para os moradores de Barra Velha. Nesta segunda-feira,
o Corpo de Bombeiros Voluntários (CBV) do município inicia um
importante treinamento de primeiros socorros. Além dos 32 socorristas
da corporação, haverá 20 vagas gratuitas para a comunidade.
O curso será dividido em aulas teóricas e práticas. Entre
os assuntos estarão a abordagem da vítima e o estancamento de
hemorragias. Os alunos conhecerão também os equipamentos utilizados
pelos bombeiros. O Policial Militar joinvillense Piaz, com especialização
em acidente com múltiplas vítimas e produtos perigosos, também
participará. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) ministrará
80 horas/aula sobre atendimentos emergenciais em rodovias. O treinamento terá
ainda uma inovação: 8 horas/aula sobre relações
humanas. Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo
fone (47) 446 0000.
Oftalmologistas fizeram mutirão para avaliar a visão de 176 crianças da Capital, sábado, entre elas Larissa Vidal, 7 anos (foto). A ação faz parte da campanha Pequenos Olhares, um projeto voluntário da Confederação Brasileira de Oftalmologia (CBO) que visa examinar gratuitamente alunos do ensino fundamental da rede pública.
Antes de serem atendidos, os estudantes passam por uma triagem feita pelos professores em aula. Os educadores foram treinados para perceber possíveis deficiências nos alunos, através de uma parceria entre a CBO e a Frente Parlamentar da Saúde. "É importante que estas crianças passem pelo pré-exame. Se for identificado algum problema, será solucionado", afirma o oftalmologistas Ernani Garcia. Os que precisarem de óculos vão recebê-los gratuitamente.
VISOR - Limpeza
Pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica
(Fipe) traçou um panorama do mercado dos produtos de limpeza no país,
e constatou que 42% da água sanitária e 31% dos detergentes e
desinfetantes comercializados não possuem o obrigatório registro
na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Coisas
da "economia subterrânea".
O consumo desses produtos fabricados fora dos padrões sanitários pode causar sérios danos à saúde, como queimaduras, problemas respiratórios, irritações e intoxicações graves.
JULIANA
WOSGRAUS - Foco
Os médicos oftalmologistas do Hospital Celso Ramos, coordenados por Ernani
Garcia, organizaram no sábado um mutirão de atendimento da rede
pública de ensino do município de Florianópolis. As crianças
que foram triadas pelas professoras nas escolas, e as que apresentaram deficiência
na visão agora vão ganhar óculos do Conselho Brasileiro
de Oftalmologia.
A idéia dos doutores é repetir a ação, exemplar, anualmente.
O primeiro resultado do acordo é que o presidente dos cardiologistas europeus, Jean Pièrre Bassan, virá ao Rio de Janeiro para o 59ª Congresso da SBC, acompanhado de vários médicos para um simpósio sobre os mais recentes avanços da cardiologia. Em contrapartida, os médicos brasileiros vão participar do Congresso europeu, onde apresentarão as pesquisas, tratamentos e trabalhos pioneiros desenvolvidos no Brasil.
SÃO LUÍS - A Polícia Federal abriu inquérito para apurar a denúncia sobre fraudes de diplomas médicos que estariam ocorrendo desde o mês de março na Universidade Federal do Maranhão. O caso foi descoberto no último mês de março, depois que os Conselhos Regionais de Medicina dos Estados do Pará, Goiás, Ceará e Paraná suspeitaram da veracidade de diplomas que haviam sido revalidados pela instituição maranhense. A fraude foi denunciada pelo presidente do Conselho Regional de Medicina, o médico Abdon Murad. De acordo com ele, cinco médicos brasileiros falsificaram carimbos e assinaturas de professores da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), para obterem a Carteira de Médico.
Campanha
alerta sobre esclerose múltipla
BLUMENAU - Informar a população sobre a esclerose múltipla, doença pouco conhecida e que atinge 2 milhões de pessoas em todo o mundo é o principal objetivo da campanha de esclarecimento. Ela começou dia 21 simultaneamente em Itajaí, Camboriú, Blumenau, Navegantes, Brusque, Penha, Itapema, Governador Celso Ramos e Tijucas. Informações: 0800-113319.
Cuidados femininos
Sobrecarregadas com o trabalho dentro e fora do lar, muitas vezes as mulheres
deixam a própria saúde em segundo plano
Apesar de todas as transformações ocorridas na sociedade nas últimas décadas, a responsabilidade de cuidar da família e mantê-la sempre saudável geralmente cai no colo das mulheres. Sobrecarregadas com o trabalho dentro e fora do lar, para desempenhar bem esse zelo, muitas vezes elas acabam deixando a própria saúde em segundo plano, salienta a psicóloga Marlene Strey.
O diagnóstico precoce de doenças impede que elas tenham manifestações crônicas, reforça o ginecologista e obstetra Fernando Freitas. Com os avanços da medicina, diferentes tipos de câncer, como o de colo de útero, podem ser curados se detectados cedo.
Veja na tabela quais exames são recomendados pelos especialistas para cada faixa etária. E lembre-se: além da bateria de exames, atividades físicas e alimentação saudável são dois grandes aliados para prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida.
Coração
Ao contrário do que se pensa, mulheres também são vítimas freqüentes de enfartes e derrames. No Brasil, o cardiologista Euler Menanti estima que 300 mil tenham perdido a vida devido aos ataques cardíacos e aos acidentes vasculares cerebrais (AVCs) no mesmo período.
Após a menopausa, preocupadas com problemas como a artrite ou a osteoporose, muitas mulheres costumam esquecer os cuidados com o sistema cardiovascular. Acontece que, a partir dessa fase de vida, elas têm as mesmas chances de um homem da mesma idade de serem acometidos por enfarte e derrame.
A boa notícia é que a adoção de comportamentos saudáveis pode afastar muitos desses riscos. Um programa de exercícios, uma alimentação balanceada que não inclua alimentos ricos em gordura saturada e colesterol e o combate aos fatores de risco são essenciais à prevenção.
Check
up da mulher
Além de realizar os exames, mulheres devem relatar aos médicos
mudanças nos padrões de funcionamento do corpo, pois podem ser
sinais de distúrbios:
Dos 16 aos 40 anos Anualmente
- Exame de câncer de colo de útero e de HPV (papiloma vírus)
- Exame clínico das mamas
- Medição da pressão arterial
A cada cinco anos
- Exame dos níveis de colesterol e suas frações, triglicerídios,
glicose, proteína C reativa
- Hemograma e creatinina
Fique atenta:
- Se os caracteres secundários da puberdade (pêlos pubianos e crescimento
das mamas) não tiverem começado a aparecer até os 14 anos
ou se aos 16 anos a adolescente não tiver menstruado ainda, deverá
procurar o médico
- Nos primeiros anos após a primeira menstruação, é
normal os ciclos serem desregulados
- Cólicas menstruais são normais, mas se forem muito intensas
podem ser sinal de distúrbio
- Esteja atenta quando o corrimento vier acompanhado de coceira, ardência
ou cheiro forte
Dos 40 aos 50 anos Anualmente
- Além dos exigidos na fase anterior, a partir dos 45 anos deve ser feito
exame dos níveis de colesterol e suas frações, triglicerídios,
glicose, proteína C reativa, e hemograma e creatinina
A cada dois anos
- A partir dos 45 anos, densitometria óssea
- Mamografia e ecografia mamária
A partir dos 50 anos Anualmente
- Além dos exigidos anualmente na fase anterior, exame de vulva, ovário
e endométrio
- Mamografia e ecografia mamária
- Ecografia transvaginal e abdominal
A cada dois anos
- Densitometria óssea
- Eletrocardiograma
A cada três anos
- Colonoscopia (exame de investigação de patologias no aparelho
digestivo)
Fique atenta:
- Apesar de não representar perigo na maioria dos casos, sangramentos
após a menopausa podem ser um sintomas do câncer do endométrio
(do corpo de útero)
- Durante o climatério, os ciclos menstruais podem ser desregulados,
e a mulher experimentar calorões, suores, mudança de humor, secura
vaginal ou dor no sexo pela falta de lubrificação
- Fezes pretas podem ser sinal de úlceras gástricas ou duodenais
Antes de engravidar
- Exame de HIV, hepatite B, diabetes, anemia, infecção urinária
Fontes: Ginecologistas e obstetras Gustavo Py Gomes da Silveira e Fernando
Freitas, cardiologista Euler Manenti e clínico geral João Luiz
Prates Pereira
Longe de ser um problema apenas estético, as varizes podem incomodar e, se não forem tratadas, se transformarem em lesões complicadas e mais difíceis de serem tratadas. Este é o alerta dos especialistas para quem acha o desejo de pôr fim aos desenhos doloridos e semelhantes a teias de aranha nas pernas são um capricho do paciente.
As varizes aparecem quando as paredes das veias encarregadas de levar o sangue em circulação de volta ao coração perdem força. Fatores hereditários, auxiliados por mudanças hormonais, acabam por provocar alterações nas paredes dessas veias, e as válvulas encarregadas de empurrar o sangue para cima - e não deixá-lo retornar - deixam de funcionar bem. Por isso, o sangue acaba retornando pela veia e se acumulando, causando as indesejadas marcas.
O tratamento consiste basicamente em secar ou eliminar essas veias afetadas por meio da escleroterapia ou da remoção dos vasos doentes. Diferentemente do que se possa pensar, interromper a circulação do sangue por esses trajetos não causa nenhum prejuízo ao organismo. "Essas varizes superficiais estão sobrando, não têm uma função no corpo. Com a retirada, deve até haver uma melhora na circulação venosa", explica o cirurgião vascular Pedro Pablo Komlós.
O tratamento deve ser buscado o quando antes. Segundo os especialistas, isso evitará o agravamento das varizes (veja quadro), passará por um procedimento mais simples e obterá resultados mais satisfatórios. Depois do procedimento, a variz não volta. O que ocorre é que, por ser uma doença essencialmente hereditária, novas varizes aparecem e têm de ser tratadas. "O tratamento não evita novas varizes, mas previne complicações e quadros mais graves, mais difíceis de serem tratados", explica o cirurgião vascular Antonio Carlos Reichelt.
Saiba
mais
O que são?
As varizes ocorrem quando há uma dilatação anormal das
veias que fazem o sangue bombeado retornar para o coração. Elas
podem se apresentar desde ramificações finas e vermelhas semelhantes
a teias de aranha espalhadas pelas pernas até veias dilatadas e tortuosas
que sobressaem nas pernas. Os sintomas são dor, cansaço, inchaço,
sensação de ardência e peso nas pernas
Por que elas ocorrem?
As varizes se formam quando as veias que deveriam levar o sangue de volta ao
coração não conseguem mais fazê-lo. Isso ocorre quando
as paredes dessas veias enfraquecem e quando as válvulas responsáveis
por empurrar o sangue para cima perdem força, permitindo que o sangue
volte para baixo e pare no caminho, acumulando-se nas veias
Quais as causas?
A causa das varizes é principalmente a hereditariedade. Filhos de pessoas
com varizes têm chances maiores de desenvolver o problema. Além
disso, alterações hormonais ajudam a desencadear as varizes. Por
isso, as mulheres, que têm mais variações hormonais em função
da menstruação, tendem a ter mais varizes do que os homens até
certa idade. A gestação e a menopausa são momentos favoráveis
à ocorrência do problema
Há como prevenir?
Como a causa é hereditária, a prevenção é
mais difícil. Algumas dicas ajudam a manter a saúde das pernas,
retardando o surgimento do problema:
Fazer alguma atividade física: ajuda a fortalecer a musculatura das pernas,
melhorando a circulação sangüínea, como caminhar,
andar de bicicleta ou nadar
Dormir com as pernas levemente elevadas: ajuda o sangue a circular livremente
Usar meias elásticas: ajudam na circulação sangüínea,
contribuindo para o retorno do sangue
Tratar as varizes assim que aparecerem para evitar o agravamento do problema
Quais são os tratamentos?
O tratamento das varizes consiste em retirar a veia afetada ou secá-la.
Isso impedirá que o sangue volte a se acumular naquele ponto. Esse procedimento
não interfere na circulação sangüínea: a veia
seca não fará falta ao sistema, e o sangue encontrará um
outro caminho para seguir. Veja as técnicas:
Escleroterapia: é a mais conhecida. Por meio de uma seringa, uma substância
(que pode ser glicose, um produto secante ou uma espuma especial) são
injetados na veia. Ali, causam uma irritação na sua parede, fazendo
com que se feche e que o sangue deixe de passar por ali
Retirada cirúrgica: por meio de uma operação, retira-se
todo o segmento de veia afetado. O trecho retirado não fará falta
ao corpo
Laser: o feixe de luz do laser também é usado hoje para o tratamento
de varizes de duas formas. Ele pode ser usado internamente em veias safena da
perna para tratar as partes doentes. Inserido dentro da safena por um pequeno
corte, a luz disparada faz a parede da veia reagir ao calor, fechando-a e tornando
desnecessária a remoção. O laser também é
usado de forma transcutânea para secar pequenas varizes, que seriam difíceis
de alcançar com uma agulha. Por cima da pele, a luz atinge a altura da
variz para provocar sua contração. O uso do laser, em qualquer
dos casos, deve ser feito por um profissional bem treinado porque exige cuidados
para evitar a possibilidade de queimaduras
Por que é importante tratar?
O tratamento das varizes é indicado para evitar que o problema se agrave,
e não apenas por uma questão estética. As varizes, em casos
graves, podem causar:
Deformação da pele
Manchas na pele, a chamada dermatite ocre
Coceira e descamação da pele
Úlceras varicosas: lesão na pele pela má drenagem do sangue
Trombose venosa
Embolia pulmonar
Por isso, os especialistas aconselham procurar ajuda quando surgirem os primeiros
sintomas
INFORME
- Saúde
Dois horários de visitação foram definidos para o Hospital
e Maternidade Marieta Konder Bornhausen. Além do período da tarde,
das 13h30min às 14h30min, os visitantes poderão entrar na unidade
hospitalar das 20h30min às 21h.
Segundo
o vereador Carlos César dos Santos (PDT), autor da proposta aprovada
no Legislativo, a presença de familiares contribui para a melhora dos
doentes
Na semana
passada, os pais de 176 estudantes da primeira série do ensino fundamental,
de 17 escolas municipais de Florianópolis, receberam um recado diferente
das professoras. “Estava escrito que eu deveria trazer meu menino pra
fazer um exame porque ele tem um probleminha de visão”, disse Valdeci
Nilza Martins, mãe de Jorge José Martins, uma das crianças,
entre cinco e oito anos de idade, que passaram por exames oftalmológicos
específicos no sábado, na Policlínica de Florianópolis,
pela campanha “Pequenos Olhares”.
“Às vezes um olho não está enxergando bem e se o
problema for identificado até os oito anos, a reversão é
possível”, afirma o Ernani Garcia, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia
(CBO), que pelo terceiro ano realiza campanha em parceria com a Secretaria de
Educação de Florianópolis. Ao todo, 951 crianças
foram submetidas a testes básicos de visão durante a semana e,
as que apresentarem deficiência, terão os óculos cedidos
pelo conselho. O tratamento, segundo Garcia, dura cerca de seis meses e evita
a ambliologia, deficiência num dos olhos pela falta de correção.
Na Grande Florianópolis, os exames pelo Sistema Único de Saúde
são realizados regularmente na Policlínica Infantil do Hospital
Infantil Joana de Gusmão, no Hospital Universitário e na Maternidade
Governador Celso Ramos.