BRUSQUE
- A dor do casal Moacir e Carin Rescarolli, de Brusque, ao perder o filho Jonathas,
20 anos, vítima de acidente de trânsito na sexta-feira passada,
foi amenizada com a possibilidade de dar uma nova vida a outras pessoas. Jonathas
teve hemorragia da membrana que envolve o cérebro, mas suas córneas
e a válvula do coração puderam ser transplantadas para
pacientes que estavam na fila de espera dos bancos de órgãos.
Quando o Hospital Santa Isabel, em Blumenau, chamou a família, confirmando
a suspeita de que ele havia falecido, uma voluntária conversou com os
pais, perguntando se ele poderia dar a luz para alguém. "Pedi ajuda
para o Espírito Santo. Ele foi uma pessoa tão boa para os pais
e amigos. Queria que o meu filho ficasse na Terra para iluminar alguém
e fazer o bem", contou o pai, emocionado, lembrando do momento em que concordou
com a doação dos órgãos.
Jonathas, chamado de "Joca" pelos amigos e família, trabalhava
na fábrica de conservas dos pais desde os 12 anos, e estudava no Centro
Universitário de Brusque, onde cursava tecnologia em processos industriais
- eletromecânica, e deveria se formar no próximo ano, após
estágio. Nos finais de semana, costumava sair com os amigos em bares
e boates da região, como a maioria dos jovens da sua idade.
Na tarde de sábado, 11 de outubro, ele avisou a mãe que iria para
a rua 15 de Novembro, em Blumenau, de carona com os amigos. Quando saíam
de Blumenau, Jonathas e dois colegas, sofreram o acidente. O motorista perdeu
o controle da direção próximo ao Hospital Santo Antônio,
bateu numa boca de lobo e num poste. Jonathas, que estava sentado no banco de
trás, teve traumatismo craniano, e vários coágulos no cérebro,
e ficou na unidade de tratamento intensivo até a sexta-feira. O motorista
e o passageiro da frente tiveram ferimentos leves. O motorista negou-se a fazer
o teste do bafômetro, mas os laudos do acidente
indicam que ele estava em visível estado de embriaguez.
"Eu sempre dizia para ele cuidar com a bebida. Não sei em que condições
ele embarcou no carro. Isso ninguém sabe. Mas fico me perguntando: por
que meu filho entrou naquele carro?", indaga a mãe. Quanto ao motorista,
os pais apenas disseram que não o conhecem. "Os amigos dele dizem
que, se fosse o Jonathas que estivesse dirigindo, isso não teria acontecido.
Ele era muito cuidadoso. Se sabia que iria dirigir, não bebia",
fala a mãe.
"Jonathas era um menino alegre, brincalhão, mas sempre o ensinamos
a ter caráter. A cada dia, as pessoas nos contam coisas dele quando estava
fora de casa. Não sabíamos que ele tinha tantos amigos. As manifestações
que temos recebido nos servem de consolo", finaliza o pai.
Fórum reúne adolescentes na Capital
FLORIANÓPOLIS
- Adolescentes ligados às áreas de Educação, Saúde
e a organizações não-governamentais de atuação
específica participam desde ontem do 2º Fórum Catarinense
da Adolescência e Juventude, em Florianópolis. O encontro, que
termina hoje, é organizado pela Secretaria de Estado da Saúde,
em parceria com entidades da sociedade civil que trabalham com a questão.
Temas como a participação juvenil nas políticas públicas,
violência e gravidez precoce estão na pauta de discussão.
O fórum está sendo realizado na sede da Associação
Catarinense de Medicina (ACM), em Florianópolis.
A mesa-redonda realizada ontem, coordenada pelos próprios adolescentes,
discutiu a participação dos jovens nas políticas públicas
de saúde. O debate contou com a participação de representantes
brasileiros do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef),
Organização Panamericana de Saúde (Opas) e Ministério
da Saúde.
De acordo com a psicóloga Vânia Lins, coordenadora do encontro,
um dos objetivos é levar os adolescentes a serem protagonistas, participando
da solução de seus próprios problemas. "Outro objetivo
é discutir a criação de um fórum permanente no Estado,
um espaço que possa fazer a interface entre todos os órgãos
e entidades que trabalham com adolescentes e jovens, permitindo ações
conjuntas", explica.
Hoje, as discussões vão abordar a prevenção às
drogas e a gravidez na adolescência. Outra proposta a ser colocada em
debate é a criação de fóruns regionais.
Municípios ganham recursos para a saúde
SÃO
FRANCISCO DO SUL l - Oito municípios da região Norte do Estado
receberam, ontem, durante a quinta reunião do Conselho de Desenvolvimento
Regional (CDR), recursos que totalizam cerca de R$ 800 mil. O município
de Joinville foi o que recebeu o maior volume de recursos: R$ 380 mil.
O repasse ocorreu no último 15, durante a entrega da obra ampliação
da ala de observação e o Centro de Diagnóstico por Imagem
(CDI) do Hospital Municipal São José. R$ 300 mil foram para custear
estas obras e R$ 80 mil foram destinados ao Núcleo de Pesquisa e Reabilitação
dos Fissurados Lábio-palatal, conhecido por Centrinho.
Com a Prefeitura de Barra Velha foi assinado o convênio no valor de R$
30 mil, recursos que serão utilizados para a reforma e ampliação
do Hospital Fundação Hospitalar Filantrópica. Araquari,
Garuva e São João do Itaperiú receberam cada uma R$ 75
mil, totalizando R$ 225 mil, para aquisição de veículos
para transportes de pacientes. Para Itapoá foram destinados R$ 80 mil
para a reforma do posto de saúde.
Balneário Barra do Sul recebeu R$ 40 mil para a aquisição
de uma ambulância. Para a compra de um gerador de energia elétrica
para o Hospital da Caridade, de São Francisco do Sul, foi assinado convênio
no valor de R$ 40 mil. Ogovernador Luiz Henrique da Silveira confirmou ainda
que está sendo implantado um sistema de comunicação entre
as repartições do governo, através da Internet, que vai
provocar economia de R$ 4 milhões somente na conta do telefone.
Transgênicos 2
Motoristas revoltados ameaçavam descarregar a soja nos postos de fiscalização
ou entrar no Estado em comboio. Anteriormente, a fiscalização
era feita por amostragem. Mas até a tarde de ontem não fora registrado
nenhum incidente. Os cinco caminhões que apresentaram documentação
de soja convencional passaram pelo posto Melo Peixoto em direção
ao porto de São Francisco do Sul.
Os bancos de Blumenau têm 90 dias para
instalarem sanitários masculinos e femininos e bebedouros aos clientes
nas agências. A obrigatoriedade é prevista na lei municipal 5.131
sancionada em 2001 e já está sendo comunicada aos bancos pela
superintendência de Vigilância Sanitária da secretaria municipal
de Saúde. O descumprimento da lei acarretará em multa às
instituições a partir de janeiro de 2004.
As agências que não forem dotadas de sanitários e bebedouros
para uso dos clientes serão multadas em 500 Ufirs, sanção
que será aplicada em dobro no caso de reincidência. "O comunicado
encaminhado às direções dos bancos informa que o prazo
de 90 dias passa a contar a partir do dia 20 de outubro. Portanto, a partir
de dia 20 de janeiro a Vigilância Sanitária passará a fiscalizar
o cumprimento da lei", informa Jessoni Schmitt Pitz, superintendente de
Vigilância Epidemiológica e Saúde do Trabalhador. A maioria
das agências bancárias de Blumenau não possui banheiros
masculinos e femininos e bebedouros para seus clientes.
Esta não é a primeira lei municipal direcionada para as agências
bancárias. Encontra-se em grau de recurso suspenso no Tribunal de Justiça
uma liminar concedida à Federação Brasileira dos Bancos
(Febraban) pedindo a suspensão da lei municipal nº 5414/2000 que
determina que os clientes não sejam submetidos mais do que 15 minutos
em fila de espera nos caixas. A Lei esteve em vigor por 90 dias, mas a Febraban
ganhou uma liminar, a Prefeitura recorreu e a representação bancária
retornou com um pedido junto ao Tribunal de Justiça.
Conforme Roberto Pedroso da Luz, coordenador do Procon de Blumenau, foram notificadas
50 agências bancárias. A lei prevê advertência, multa
de 300 Ufir no caso de reincidência, suspensão do alvará
de funcionamento por seis meses e até mesmo cassação do
alvará.
Sentinela
O Hospital Santa Isabel, de Blumenau, foi escolhido pela Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) como colaborador no Projeto Sentinela
no Brasil. Este projeto é desenvolvido em parceria com os maiores hospitais
brasileiros com o objetivo de ampliar e sistematizar a vigilância de produtos
utilizados em serviços de saúde e assim, garantir melhores produtos
no mercado com segurança e qualidade para pacientes e profissionais de
saúde. De acordo com o diretor técnico do HSI, Roberto Benvenutti,
a escolha do hospital como colaborador deste projeto, foi sem dúvida,
a garantia de sermos um hospital de referência e de qualidade a todos
os que nos procuram.
Protocolo deve garantir direitos de quem sofre violência sexual
GENARA RIGOTTI
- Humanizar o atendimento das crianças, adolescentes e mulheres vítimas
de violência sexual, adotando um protocolo no município. É
isso que uma comissão de representantes do governo estadual e municipal
e entidades está discutindo há dois meses. Na verdade, essa discussão
já é bastante antiga, mas esse conjunto de procedimentos nunca
chegou a ser implantado, devido às dificuldades financeiras e à
falta de entendimento dos órgãos e entidades.
Hoje, as crianças, jovens e mulheres vítimas de violência
sexual, como o estupro, por exemplo, são encaminhadas diretamente para
a Delegacia da Mulher para registrar um boletim de ocorrência. "Só
depois é que elas são encaminhadas ao IML - para fazer o exame
de corpo de delito -, à uma unidade de saúde - para receber o
coquetel contra Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis
-, e a um atendimento psicológico", explica a assistente social
Denise Vitali, da 23ª Gerência de Saúde, uma das integrantes
da comissão que estuda o assunto.
Segundo Denise, a intenção é evitar a "revitimização"
dessas pessoas, que muitas vezes passam por situações constrangedoras
e vexatórias antes mesmo de serem atendidas. "Embora esse tipo de
violência seja um fenômeno social, é a área de saúde
que atende as conseqüências do problema", ressalta. A grande
mudança é encaminhar essas vítimas diretamente para uma
unidade de saúde, que deve ser definida pela Secretaria de Saúde
do município. Nesse ambiente, elas seriam acolhidas e receberiam os primeiros
atendimentos. Depois, seria acionada a delegacia, o IML e o Conselho Tutelar,
em caso de crianças e adolescentes.
"Só o fato da mulher não precisar ir até uma delegacia
prestar depoimento, e fazer o exame de corpo de delito, é um grande avanço",
acredita Denise. No caso da mulher, mesmo que ela não queira registrar
um boletim de ocorrência, vai receber o atendimento voltado à prevenção
da sua saúde. Conforme uma norma técnica do Ministério
da Saúde, assim que for comprovada a violência sexual, a vítima
tem o direito de receber um coquetel contra a Aids; fazer uma série de
exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e receber
medicação contra sífilis e hepatite, por exemplo; tomar
a pílula do dia seguinte, para evitar uma gravidez indesejada, entre
outras garantias que vão constar no protocolo.
Florianópolis cria rede de serviços
Conforme
Denise Vitali, os recursos que a comissão reivindica vão assegurar
o cumprimento do protocolo. "A partir do momento que ele for implantado,
a vítima tem que ter a garantia de receber remédios e de ter o
atendimento definido pelo protocolo. Por isso, para a próxima reunião,
estamos convidando a secretária de Saúde, que é a pessoa
que pode falar sobre recursos disponíveis", salienta. Em Florianópolis,
o protocolo já foi implantado e só está dando certo porque
existe uma parceria entre os serviços públicos. Foi criada uma
verdadeira rede de atendimento, sem a necessidade de criação de
novos órgãos de atendimento - houve apenas uma integração
dos serviços já existentes focando o direito da vítima
que precisa ser protegida e defendida.
A violência contra a mulher é uma questão de saúde
pública, que vem cobrando um preço alto, em vidas, lesões
e incapacitações. A grande preocupação da Organização
Mundial de Saúde (OMS) é que a violência contra a mulher
compromete também o desenvolvimento infantil, pois já está
comprovado que as crianças que presenciam abusos ou que são vítimas
têm uma saúde precária e geralmente apresentam problemas
de comportamento durante a vida toda.
A comissão que estuda a adoção do protocolo é formada
por representantes da 23ª Gerência de Saúde, Maternidade Darci
Vargas, Secretaria Municipal de Saúde, Instituto Médico Legal
(IML), Delegacia de Proteção a Mulher, Fórum pelo Fim da
Violência e Exploração Sexual Infanto-juvenil, Casa Abrigo
e Centro de Apoio a Mulher Vítima de Violência, Centro de Atendimento
à Vítimas do Crime (Cevic) e Conselho Tutelar. (GR)
Saúde entrega mais três postos PSF
A Prefeitura
de Joinville entrega esta semana mais três postos do Programa de Saúde
da Família (PSF). Hoje, às 19 horas, será inaugurado o
posto de PSF da estrada Anaburgo, no bairro Vila Nova. Amanhã, às
18h30, será entregue o PSF da Ilha, no bairro Espinheiros. No dia seguinte,
a unidade que já atendia a região do Espinheiros como posto convencional
também passa a funcionar como PSF.
A Secretaria da Saúde já implantou seis equipes de PSF em 2003,
o que representa atendimento a seis mil famílias. Até o final
do ano, deve criar mais 10, nas localidades do Morro do Meio, São Marcos,
Rio do Ferro, Dom Gregório, Jardim Edilene, Itinga, Canela e Boa Vista.
Cada turma tem como meta atender mil famílias.
Para entregar os novos postos, a Prefeitura investiu R$ 153.153,00 em reforma
e adequação do local, mobília e material médico.
Cada equipe será composta por um médico, um enfermeiro, dois auxiliares
de enfermagem, seis agentes comunitários de saúde e um agente
de saúde pública.
De acordo com a chefe da divisão de assistência à Saúde,
Sílvia Cavalheiro, os postos do PSF dão mais qualidade ao serviço,
pois garantem maior aproximação com os moradores. "Em um
posto convencional, não há monitoramento, nem acompanhamento da
comunidade pela equipe de saúde e os profissionais não conhecem
a realidade de cada paciente, afinal, não trabalham sempre na mesma unidade",
diz. Nos postos de PSF, ao contrário, a mesma equipe é responsável
por determinada comunidade. "Além de trabalhar a prevenção,
com visitas e grupos de estudo, a equipe está sempre em contato, acompanhando
a evolução dos quadros dos pacientes", ressalta. As equipes
fazem visitas domiciliares regulares às famílias para orientar
e prestar atendimento médico. Com as inaugurações, Joinville
passa a contar com 27 unidades do programa, com um total de 36 equipes.
O PSF da estrada Anaburgo fica na rua Arnoldo Frederico Matia de Liermann, 93,
no bairro Vila Nova. O posto da Ilha fica na rua Nicolau José de Souza,
276, no bairro Espinheiros.
SILVÉRIO
MORAIS - Discussões, seguidas de agressões físicas, levaram
uma usuária do posto de saúde de Barra Velha e uma funcionária
para a delegacia de polícia. Viviane Pereira, 21 anos, acusa a atendente
Ana Maria Hergert de mau atendimento e de tê-la agredido no início
desta semana, quando foi marcar consulta para o pai. Segundo a moça,
o médico plantonista se envolveu na confusão e também teria
sido violento com ela. "Ele começou a me xingar e veio dando de
dedo em mim", acusa.
A Polícia Militar foi acionada e acabou com a confusão. As envolvidas
foram levadas para a delegacia de Barra Velha, onde assinaram termo circunstanciado,
e se submeteram a exame de corpo de delito em Itajaí.
A atendente contraria a acusação de Viviane e diz que foi a moça
quem iniciou a briga. Segundo a funcionária do PA, que também
está ferida, a jovem chegou no posto e logo partiu para a agressão.
O médico Eduardo Gomes confirmou a versão da funcionária.
Segundo ele, a jovem chegou revoltada no posto porque não tinha sido
informada sobre o nome do plantonista por telefone. "Não damos esse
tipo de informação porque tem gente que quer escolher o médico",
diz. De acordo com Gomes, ele foi apenas defender a colega de trabalho, que
estaria apanhando de Viviane.
O inquérito policial foi encaminhado para o Fórum de Barra Velha
e uma audiência entre os envolvidos foi marcada para dezembro.
Em Joinville, o dia foi tumultuado no pronto-socorro do Hospital Hans Dieter
Schmidt. Pacientes ficaram mais de três horas à espera do atendimento
médico.Uma das pacientes, Maria Salete Kelly Antônio, que tem problemas
renais, chegou a pedir a intervenção da direção
do hospital. Segundo ela, na triagem, um enfermeiro questionou outros pacientes
para saber se ela estava mesmo com algum problema.
"Como se alguém gostasse de perder tempo num hospital. Se fui até
lá, é porque estava precisando", disse, logo após
fazer uma queixa administrativa junto à diretoria. Maria Salete tem cálculos
renais.
O diretor do Regional, Hercílio Rorhbacher, não respondeu às
críticas da paciente. No hospital, os funcionários do pronto-socorro
trataram o dia como "mais um período de procura intensa pelo atendimento".
(Com a colaboração de Leandro S. Junges)
Saúde escolhe novo local para centro
Município não quer perder recursos do governo federal
MARCOS DE
OLIVEIRA - Ainda resta uma esperança para que Joinville ganhe um centro
de controle de zoonoses e um laboratório de entomologia. Preocupado com
a possibilidade de ter que devolver os recursos, R$ 350 mil, oriundos da Fundação
Nacional da Saúde (Funasa), órgão do Ministério
da Saúde, o prefeito Marco Tebaldi solicitou à secretária
da Saúde, Tânia Eberhardt, que se empenhe na busca de uma solução.
Duas medidas foram adotadas em caráter de emergência: solicitar
a intervenção da Secretaria Estadual da Saúde
na Funasa para prorrogar o prazo da prestação de contas e do início
imediato da obra; e encontrar outra área que seja adequada ao projeto.
A secretária espera definir o local até esta sexta-feira, uma
vez que o prazo fixado pelo Ministério da Saúde vai 31 de outubro.
"Mas já estamos verificando duas áreas compatíveis
com o projeto. Vamos agora conversar com a comunidade para explicar detalhadamente
o que é o centro, como funcionará e os benefícios que oferecerá
à região", explicou Tânia Eberhardt. É que o
Banco Mundial, que financia os recursos, exige que obras complementares sejam
realizadas na região do centro, que deve receber a visita de técnicos
estrangeiros.
O importante neste momento, relata a secretária, é iniciar a obra
para facilitar a prorrogação do prazo de prestação
de contas do dinheiro já liberado pelo Ministério da Saúde
e investido na compra dos equipamentos. A estimativa é que o valor final
da obra seja de R$ 800 mil, com a contrapartida da Prefeitura de R$ 550 mil.
Tânia destacou que o centro é uma unidade de saúde, que
pode ajudar na prevenção de doenças, como a leptospirose,
um mal letal transmitido pelo rato. Em Joinville, foram registrados 50 casos
da doença em 2002. Cinco pessoas contaminadas morreram. O centro também
vai fazer pesquisas relacionadas a animais peçonhentos, como cobras,
aranhas, escorpiões lagartas, entre outros.
Ontem, a Secretaria Municipal da Saúde enviou uma correspondência
aos moradores do Parque Guarani, no bairro Boehmerwald, oficializando a não-construção
do centro naquele bairro, como foi solicitado em uma reunião.
Para Tânia Eberhardt, faltou uma boa comunicação entre a
Prefeitura e os moradores a respeito do funcionamento da centro de zoonoses.
"A comunidade foi mal-informada sobre o centro que acabou sendo apontado
como um canil", lamentou a secretária. O que também prejudicou
o início da construção foi o a data da liberação
dos recursos. O Ministério da Saúde liberou a verba antes das
eleições do ano passado, mas o governo do Estado somente fez o
repasse no dia 18 de dezembro, data muito próxima do prazo para a prestação
de contas em 31 de dezembro. O dinheiro foi devolvido e liberado novamente somente
em junho de 2003.
Thais Alves,
seis anos, é uma das crianças que freqüenta o Centro Recanto
dos Querubins. A menina sofre de um problema que pode deixá-la sem os
movimentos das pernas e braços. A doença, antrogripose múltipla
congênita, afeta as articulações e pode atingir a coluna.
No caso de Thais, a ressonância magnética deve controlar a necrose
no fêmur e apenas uma cirurgia no quadril pode diminuir as dores. Somente
a terapia ocupacional pode devolver o movimento das mãos.
O pai da menina, Gilberto Alves, afirma que uma cirugia havia sido marcada para
o início deste mês. O ortopedista Amilton Camargo Ribas Filho,
médico que acompanha Thais desde que ela nasceu, não confirma
essa informação e diz que a cirurgia ainda não foi feita
por falta de vaga nos hospitais. A menina provavelmente será operada
no Hospital Regional pelo SUS.
Inteligente e esperta, Thais participa de todas as atividades. Quem quiser ajudá-la,
pode depositar qualquer quantia na conta que o recanto abriu para a menina,
no Banco do Brasil, agência 0828-1, C/C 13.037-0).(SP)
Cerca de
mil pessoas, entre usuários do Sistema Único de Saúde (SUS),
profissionais da área, prestadores de serviço e gestores, participam
a partir do dia 24 da 4a Conferência Estadual de Saúde, que será
realizada até domingo na Astel, em Florianópolis. O evento vai
discutir e buscar soluções direcionadas ao controle social do
SUS, reavaliar o papel dos gestores e da política estadual e apresentar
as propostas de ações em saúde para Santa Catarina que
serão levadas à 12a Conferência Nacional de Saúde,
marcada para 7 a 11 de dezembro, em Brasília (DF).
"Todos os participantes terão direito a voz, mas somente os delegados,
que são os representantes do governo, os prestadores de serviço
público e privado, os usuários do SUS e os profissionais da saúde
escolhidos durante as conferências municipais realizadas em agosto, setembro
e início de outubro terão direito a voto em plenária",
explica o coordenador executivo da conferência, Flávio Magajewski,
diretor de planejamento e coordenação da Secretaria de
Estado da Saúde.
A abertura da conferência será feita pelo secretário
Fernando Coruja Agustini, que falará sobre o direito à
saúde. Os demais debates ficarão por conta de profissionais do
Ministério da Saúde e professores universitários. "Cada
tema não está classificado de acordo com uma posição
hierárquica. Todos são importantes, tendo sempre o controle social
do SUS como eixo central", observa Coruja.
Durante a conferência haverá uma programação cultural
com o tema "Saúde: um direito de todos e dever do Estado - a saúde
que temos, o SUS que queremos". Crianças e adolescentes irão
apresentar danças folclóricas como boi-de-mamão, capoeira
e uma peça teatral do Instituto Arco-Íris. Interessados em participar
do evento podem fazer as inscrições através do site da
Secretaria da Saúde (www.saude.sc.gov.br) ou no local
da conferência.
Sopelsa disse que a lei estadual aprovada em janeiro de 2001 e que trata do assunto, proíbe o plantio e a comercialização sem rotulagem, mas não impede o transporte. O secretário disse que os portos catarinense vão receber soja modificada geneticamente. "Uma das principais fontes de renda da Cidasc é análise da soja nos portos", emendou Sopelsa. Ele afirmou que o Porto de São Francisco recebe grãos inclusive do Paraguai. Sopelsa questionou até a autonomia do Paraná em impedir a passagem de soja do Paraguai para os portos brasileiros por rodovias federais.
A única restrição do Estado será em relação à entrada de semente de soja transgênica. As 39 barreiras da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) com o Paraná, Rio Grande do Sul e Argentina verificam as cargas tanto de produtos de origem animal quanto vegetal que entram no Estado. E semente de soja transgênica não passa.
O Estado também descarta momentaneamente a solicitação de uma área livre de transgênicos. Sopelsa disse que SC está procurando cumprir o que diz a lei e considera que uma decisão agora pode ser precipitada, em virtude das emendas que vem recebendo no Congresso a Medida Provisória 131, que liberou os transgênicos. Sopelsa disse que, caso haja liberdade para os estados legislarem, pode tomar essa medida. Caso contrário a decisão estadual pode perder a validade.
Mas enquanto
a votação não sai, Sopelsa disse que tem um parecer do
Ministério Público indicando que vale a lei estadual, impedindo
o plantio. Sopelsa disse que os produtores não devem plantar clandestinamente
pois podem ser punidos duas vezes, uma pela legislação estadual
e outra pela legislação federal.
Compromisso
Candidatíssimo à prefeitura de Lages, o secretário
Fernando Coruja Agustini desembarca hoje, em Brasília, para
participar da Assembléia Geral dos Secretários de Saúde,
que vai tratar do orçamento do ministério para 2004.
Coruja continua sendo alvo de críticas de seus adversários por causa da transferência do Hospital Maternidade Tereza Ramos, que voltará ao controle do Estado. Uma entidade que está dando certo desde que foi municipalizada, em 1991. Qual a razão da mudança?
Diretas
Drogaria Catarinense lançou o programa Receita de Saúde para Florianópolis
e região. São entrevistas com especialistas para orientar sobre
qualidade de vida, às 6h45min, pela rádio Guararema.
Jornal de Santa Catarina:
Médico negocia atestado falso
Documento é emitido em nome do ministro da Saúde
JOSÉ LUÍS COSTA E LÚCIA PIRES/ Agência RBS /
PORTO ALEGRE - Em um consultório no Centro de Alvorada, na Região
Metropolitana de Porto Alegre (RS), é possível comprar atestado
médico. Dois repórteres da Agência RBS adquiriram o documento
por R$ 30,00. Para fazer o negócio, nem é preciso estar presente:
a equipe comprou também um atestado em nome de Humberto Sérgio
Costa Lima, o ministro da Saúde.
Além de desembolsar a quantia, bastou a cada repórter ir ao consultório, na Rua Noruega, 91, retirar uma ficha e aguardar numa ante-sala, entre outros supostos doentes. O próprio médico, Luis Carlos Dias Alves, 61 anos, chama o cliente, pelo número, e pergunta o que deseja.
Ontem às 11h50min, a repórter Lúcia Pires explicou: "Tenho parentes no Interior e quero fazer uma viagem. Não me dão folga". "Tu quer adoecer para ir lá?", perguntou o Dr. Luis Carlos, como se anuncia na fachada do prédio.
Ao fim da consulta, o médico cobrou R$ 40,00, mas aceitou um desconto em razão de uma venda casada: a repórter pediu um atestado também para um suposto noivo, ausente na sala. Os dois documentos saíram por R$ 60,00.
Também na sexta-feira passada, ele havia feito negócio semelhante com o repórter José Luís Costa. O "beneficiado" ausente era Humberto Sérgio Costa Lima - sem perceber, o clínico-geral estava concedendo um atestado em nome do médico e psiquiatra paulista que trabalha como ministro da Saúde em Brasília.
Clínico também fornece receituário
Segundo os atestados, o repórter e o ministro estão impossibilitados para o trabalho entre os dias 17 e 24 de outubro devido a tratamento médico. No atestado do jornalista consta o código da doença M54.2 relativo a cervicalgia (dor no pescoço). No do ministro, a enfermidade é do tipo M54.3 (dor no nervo ciático).
Além da dispensa, o clínico-geral forneceu receituário com a recomendação de que deveria ser apresentado no emprego para "comprovar" o tratamento. Para o repórter, o médico prescreveu uma injeção de Citoneurin e Beserol. Para o ministro, Voltaren e Scaflan gel.
Colaborou Humberto Trezzi
Contraponto
Em entrevista a Agência RBS por telefone, o clínico-geral Luis
Carlos Dias Alves falou sobre a concessão de atestados em seu consultório.
Os principais trechos da entrevista:
Agência RBS: Fomos alertados por empresários de que funcionários
estariam justificando a falta ao serviço com atestados médicos
falsos que seriam emitidos e vendidos pelo senhor.
Luis Carlos Dias Alves: Não é verdade. Os pacientes que levam
atestados são aqueles que estão doentes e que realmente precisam.
Agência RBS: Um colega foi até o seu consultório e, com
R$ 30,00, comprou o atestado para oito dias assinado e carimbado pelo senhor.
Luis Carlos: Não existe. A minha consulta é R$ 40,00.
Agência RBS: Mas ele pechinchou, e o senhor fez por R$ 30,00 para ele.
Luis Carlos: Ah, tu te colocas numa situação de pobre, diz que
não tens condição de pagar os R$ 40,00 que cobro, (...)
eu digo "O sr. vai ficar me devendo".
Agência RBS: Inclusive esse colega comprou um atestado para ele e para
uma outra pessoa.
Luis Carlos: A outra pessoa estava junto com ele, uma senhora.
Agência RBS: Não. Estava sozinha.
Luis Carlos: Então não foi comigo. Foi com outro médico.
Agência RBS: Foi com o senhor. Uma moça foi ai ao seu consultório
hoje pela manhã e comprou...
Luis Carlos: Meu amigo, se usam má-fé, não posso fazer
nada. Entram, consultam, eu tenho um guarda. O guarda pergunta o que o senhor
deseja (...) se vão lá para mentir e, se entram lá para
me iludir, o que eu vou fazer?
Agência RBS: Um dos atestados que o colega comprou está em nome
de Humberto Sérgio Costa Lima, ou seja, o ministro da Saúde.
Luis Carlos: Como é que eu vou saber isso? Eu tenho um cara que tem o
meu nome igualzinho em Pelotas.
BLUMENAU - O Hospital Santa Isabel foi escolhido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como colaborador no Projeto Sentinela no Brasil, que estimula a vigilância sobre produtos utilizados em serviços de saúde. Conforme o diretor-técnico do hospital, Roberto Benvenutti, a escolha se deve à qualidade dos serviços. Foi dada prioridade a entidades com histórico na formação de profissionais.
Relator diz que fará esforço para assegurar
verba para saúde
BRASÍLIA - O relator geral do Orçamento da União de 2004,
deputado Jorge Bittar (PT), antecipou-se ontem a uma eventual decisão
judicial e anunciou que fará "um grande esforço" com
o objetivo de garantir mais verbas para a saúde em 2004, buscando recursos
até mesmo com o corte das despesas de outras áreas. Bittar assegurou,
entretanto, que não será prejudicado o programa de transferência
de renda Bolsa Família - contemplado com R$ 5,5 bilhões da arrecadação
da CPMF.
Câncer de mama
LUIZ CARLOS LINS/ Médico - A incidência do câncer de mama
está em ascensão em todas as partes do mundo. No Brasil, estudos
do Instituto Nacional do Câncer revelaram, em 2000, uma incidência
de 31.214 novos casos e de 6,5 mil casos de morte. No Sul do país é
a principal causa de morte dos processos neoplásicos da mulher. Tem-se
notado também que, nos últimos anos, a faixa etária atingida
tem sido mais precoce, isto é, já esta se manifestando antes dos
40 anos.
A incidência é 100 vezes maior na mulher do que no homem, mostrando claramente uma relação entre esta neoplasia e os hormônios sexuais femininos. Com respeito a fatores de risco, tais como ter a mãe ou irmã portadora desta patologia, menarca precoce, menopausa tardia, dieta rica em gorduras saturadas e primiparidade tardia devem ser consideradas. Porém, 70% das pacientes não se enquadram em nenhum dos fatores, evidenciando claramente a importância de uma política para a detecção precoce, pois não existe prevenção.
Além da educação, o auto-exame é um recurso que deve ser incentivado em nosso meio. Embora tenha suas restrições, é plenamente válido em país pobre como o nosso, onde o sistema de saúde deixa muito a desejar. Em 70% a 80% dos casos, o diagnóstico é feito em fase tardia, quando os recursos terapêuticos têm pouca valia. Infelizmente, nos últimos 10 anos não houve avanços na terapia desta patologia, como ocorreu nos casos de câncer cervico uterino. Infelizmente, não existe o papanicolau para a mama.
O diagnóstico precoce só pode ser realizado através do "screening" mamográfico. O ideal seria - acompanhando orientação da Sociedade Brasileira de Mastologia - a realização de uma mamografia de base entre os 35 e 40 anos, bianual dos 40 aos 50 anos e anual após os 50 anos. Porém, no Brasil, é impossível fazermos esta macro prevenção. Mesmo nos países mais desenvolvidos não se consegue esta conduta. Só para citar, nos EUA, das 20 milhões de mulheres que deveriam ser submetidas por encontrarem-se nesta faixa, somente 10% a realizam.
A ultra-sonografia tem seu valor para a avaliação de mamas densas, principalmente em jovens, e para diferenciar lesões sólidas de císticas. É um bom complemento para a mamografia. Porém, não serve para "screening". Talvez, para o futuro, a ressonância magnética traga subsídios. Nos últimos anos, através dos programas de detecção, tem se diagnosticado um número bastante grande de formas iniciais, que através de tratamentos adequados leva a um índice de cura próximo a 100%.
Vale lembrar que nem todos os tumores de mama devem ser tratados com cirurgia mutiladora, isto é, mastectomias radicais. Dependendo do estágio, a tendência nos dias atuais são cirurgias conservadoras e, quando necessário, reconstrução imediata ou tardia. Além do ato cirúrgico, existem os tratamentos com radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia. Importante: quando diagnosticado precocemente, é curável.