22 outubro de 2003


Jornal A Notícia:



Mais uma família autoriza doação de órgãos em SC

BRUSQUE - A dor do casal Moacir e Carin Rescarolli, de Brusque, ao perder o filho Jonathas, 20 anos, vítima de acidente de trânsito na sexta-feira passada, foi amenizada com a possibilidade de dar uma nova vida a outras pessoas. Jonathas teve hemorragia da membrana que envolve o cérebro, mas suas córneas e a válvula do coração puderam ser transplantadas para pacientes que estavam na fila de espera dos bancos de órgãos.

Quando o Hospital Santa Isabel, em Blumenau, chamou a família, confirmando a suspeita de que ele havia falecido, uma voluntária conversou com os pais, perguntando se ele poderia dar a luz para alguém. "Pedi ajuda para o Espírito Santo. Ele foi uma pessoa tão boa para os pais e amigos. Queria que o meu filho ficasse na Terra para iluminar alguém e fazer o bem", contou o pai, emocionado, lembrando do momento em que concordou com a doação dos órgãos.

Jonathas, chamado de "Joca" pelos amigos e família, trabalhava na fábrica de conservas dos pais desde os 12 anos, e estudava no Centro Universitário de Brusque, onde cursava tecnologia em processos industriais - eletromecânica, e deveria se formar no próximo ano, após estágio. Nos finais de semana, costumava sair com os amigos em bares e boates da região, como a maioria dos jovens da sua idade.

Na tarde de sábado, 11 de outubro, ele avisou a mãe que iria para a rua 15 de Novembro, em Blumenau, de carona com os amigos. Quando saíam de Blumenau, Jonathas e dois colegas, sofreram o acidente. O motorista perdeu o controle da direção próximo ao Hospital Santo Antônio, bateu numa boca de lobo e num poste. Jonathas, que estava sentado no banco de trás, teve traumatismo craniano, e vários coágulos no cérebro, e ficou na unidade de tratamento intensivo até a sexta-feira. O motorista e o passageiro da frente tiveram ferimentos leves. O motorista negou-se a fazer o teste do bafômetro, mas os laudos do acidente
indicam que ele estava em visível estado de embriaguez.

"Eu sempre dizia para ele cuidar com a bebida. Não sei em que condições ele embarcou no carro. Isso ninguém sabe. Mas fico me perguntando: por que meu filho entrou naquele carro?", indaga a mãe. Quanto ao motorista, os pais apenas disseram que não o conhecem. "Os amigos dele dizem que, se fosse o Jonathas que estivesse dirigindo, isso não teria acontecido. Ele era muito cuidadoso. Se sabia que iria dirigir, não bebia", fala a mãe.

"Jonathas era um menino alegre, brincalhão, mas sempre o ensinamos a ter caráter. A cada dia, as pessoas nos contam coisas dele quando estava fora de casa. Não sabíamos que ele tinha tantos amigos. As manifestações que temos recebido nos servem de consolo", finaliza o pai.

Fórum reúne adolescentes na Capital

FLORIANÓPOLIS - Adolescentes ligados às áreas de Educação, Saúde e a organizações não-governamentais de atuação específica participam desde ontem do 2º Fórum Catarinense da Adolescência e Juventude, em Florianópolis. O encontro, que termina hoje, é organizado pela Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com entidades da sociedade civil que trabalham com a questão. Temas como a participação juvenil nas políticas públicas, violência e gravidez precoce estão na pauta de discussão. O fórum está sendo realizado na sede da Associação Catarinense de Medicina (ACM), em Florianópolis.

A mesa-redonda realizada ontem, coordenada pelos próprios adolescentes, discutiu a participação dos jovens nas políticas públicas de saúde. O debate contou com a participação de representantes brasileiros do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Organização Panamericana de Saúde (Opas) e Ministério da Saúde.

De acordo com a psicóloga Vânia Lins, coordenadora do encontro, um dos objetivos é levar os adolescentes a serem protagonistas, participando da solução de seus próprios problemas. "Outro objetivo é discutir a criação de um fórum permanente no Estado, um espaço que possa fazer a interface entre todos os órgãos e entidades que trabalham com adolescentes e jovens, permitindo ações conjuntas", explica.

Hoje, as discussões vão abordar a prevenção às drogas e a gravidez na adolescência. Outra proposta a ser colocada em debate é a criação de fóruns regionais.


Municípios ganham recursos para a saúde

SÃO FRANCISCO DO SUL l - Oito municípios da região Norte do Estado receberam, ontem, durante a quinta reunião do Conselho de Desenvolvimento Regional (CDR), recursos que totalizam cerca de R$ 800 mil. O município de Joinville foi o que recebeu o maior volume de recursos: R$ 380 mil.

O repasse ocorreu no último 15, durante a entrega da obra ampliação da ala de observação e o Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) do Hospital Municipal São José. R$ 300 mil foram para custear estas obras e R$ 80 mil foram destinados ao Núcleo de Pesquisa e Reabilitação dos Fissurados Lábio-palatal, conhecido por Centrinho.

Com a Prefeitura de Barra Velha foi assinado o convênio no valor de R$ 30 mil, recursos que serão utilizados para a reforma e ampliação do Hospital Fundação Hospitalar Filantrópica. Araquari, Garuva e São João do Itaperiú receberam cada uma R$ 75 mil, totalizando R$ 225 mil, para aquisição de veículos para transportes de pacientes. Para Itapoá foram destinados R$ 80 mil para a reforma do posto de saúde.

Balneário Barra do Sul recebeu R$ 40 mil para a aquisição de uma ambulância. Para a compra de um gerador de energia elétrica para o Hospital da Caridade, de São Francisco do Sul, foi assinado convênio no valor de R$ 40 mil. Ogovernador Luiz Henrique da Silveira confirmou ainda que está sendo implantado um sistema de comunicação entre as repartições do governo, através da Internet, que vai provocar economia de R$ 4 milhões somente na conta do telefone.



Agências deverão ter banheiros

BLUMENAU - As instituições bancárias instaladas em Blumenau têm 90 dias para instalarem sanitários masculinos e femininos e bebedouros destinados aos clientes em suas agências em Blumenau. A obrigatoriedade é prevista na Lei Municipal 5.131 sancionada em 2001 e já está sendo comunicada aos bancos pela Superintendência de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde. O descumprimento da lei acarretará em multa às instituições a partir de janeiro de 2004. As agências que não forem dotadas de sanitários e bebedouros para uso dos clientes serão multadas em 500 UFIRs (Unidades Fiscais de Referência), sanção que será aplicada em dobro no caso de reincidência.



Transgênicos 1

Técnicos do governo do Paraná nos 29 postos fixos na divisa com SP, MS e SC estão barrando todos os caminhões carregados de soja que não tenha documentação explicitando se o produto é transgênico ou não. Nos dois principais postos, o de Melo Peixoto, em Jacarezinho, na divisa com São Paulo, e o de Guaíra, na divisa com Mato Grosso do Sul, apenas cinco caminhões haviam conseguido passar até a tarde de hoje.



Transgênicos 2

Motoristas revoltados ameaçavam descarregar a soja nos postos de fiscalização ou entrar no Estado em comboio. Anteriormente, a fiscalização era feita por amostragem. Mas até a tarde de ontem não fora registrado nenhum incidente. Os cinco caminhões que apresentaram documentação de soja convencional passaram pelo posto Melo Peixoto em direção ao porto de São Francisco do Sul.



Banheiro e bebedouro nos bancos

Os bancos de Blumenau têm 90 dias para instalarem sanitários masculinos e femininos e bebedouros aos clientes nas agências. A obrigatoriedade é prevista na lei municipal 5.131 sancionada em 2001 e já está sendo comunicada aos bancos pela superintendência de Vigilância Sanitária da secretaria municipal de Saúde. O descumprimento da lei acarretará em multa às instituições a partir de janeiro de 2004.

As agências que não forem dotadas de sanitários e bebedouros para uso dos clientes serão multadas em 500 Ufirs, sanção que será aplicada em dobro no caso de reincidência. "O comunicado encaminhado às direções dos bancos informa que o prazo de 90 dias passa a contar a partir do dia 20 de outubro. Portanto, a partir de dia 20 de janeiro a Vigilância Sanitária passará a fiscalizar o cumprimento da lei", informa Jessoni Schmitt Pitz, superintendente de Vigilância Epidemiológica e Saúde do Trabalhador. A maioria das agências bancárias de Blumenau não possui banheiros masculinos e femininos e bebedouros para seus clientes.

Esta não é a primeira lei municipal direcionada para as agências bancárias. Encontra-se em grau de recurso suspenso no Tribunal de Justiça uma liminar concedida à Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) pedindo a suspensão da lei municipal nº 5414/2000 que determina que os clientes não sejam submetidos mais do que 15 minutos em fila de espera nos caixas. A Lei esteve em vigor por 90 dias, mas a Febraban ganhou uma liminar, a Prefeitura recorreu e a representação bancária retornou com um pedido junto ao Tribunal de Justiça.

Conforme Roberto Pedroso da Luz, coordenador do Procon de Blumenau, foram notificadas 50 agências bancárias. A lei prevê advertência, multa de 300 Ufir no caso de reincidência, suspensão do alvará de funcionamento por seis meses e até mesmo cassação do alvará.



Sentinela

O Hospital Santa Isabel, de Blumenau, foi escolhido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como colaborador no Projeto Sentinela no Brasil. Este projeto é desenvolvido em parceria com os maiores hospitais brasileiros com o objetivo de ampliar e sistematizar a vigilância de produtos utilizados em serviços de saúde e assim, garantir melhores produtos no mercado com segurança e qualidade para pacientes e profissionais de saúde. De acordo com o diretor técnico do HSI, Roberto Benvenutti, a escolha do hospital como colaborador deste projeto, foi sem dúvida, a garantia de sermos um hospital de referência e de qualidade a todos os que nos procuram.



Adoção de medidas humaniza atendimento a vítimas

Protocolo deve garantir direitos de quem sofre violência sexual

GENARA RIGOTTI - Humanizar o atendimento das crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência sexual, adotando um protocolo no município. É isso que uma comissão de representantes do governo estadual e municipal e entidades está discutindo há dois meses. Na verdade, essa discussão já é bastante antiga, mas esse conjunto de procedimentos nunca chegou a ser implantado, devido às dificuldades financeiras e à falta de entendimento dos órgãos e entidades.

Hoje, as crianças, jovens e mulheres vítimas de violência sexual, como o estupro, por exemplo, são encaminhadas diretamente para a Delegacia da Mulher para registrar um boletim de ocorrência. "Só depois é que elas são encaminhadas ao IML - para fazer o exame de corpo de delito -, à uma unidade de saúde - para receber o coquetel contra Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis -, e a um atendimento psicológico", explica a assistente social Denise Vitali, da 23ª Gerência de Saúde, uma das integrantes da comissão que estuda o assunto.

Segundo Denise, a intenção é evitar a "revitimização" dessas pessoas, que muitas vezes passam por situações constrangedoras e vexatórias antes mesmo de serem atendidas. "Embora esse tipo de violência seja um fenômeno social, é a área de saúde que atende as conseqüências do problema", ressalta. A grande mudança é encaminhar essas vítimas diretamente para uma unidade de saúde, que deve ser definida pela Secretaria de Saúde do município. Nesse ambiente, elas seriam acolhidas e receberiam os primeiros atendimentos. Depois, seria acionada a delegacia, o IML e o Conselho Tutelar, em caso de crianças e adolescentes.

"Só o fato da mulher não precisar ir até uma delegacia prestar depoimento, e fazer o exame de corpo de delito, é um grande avanço", acredita Denise. No caso da mulher, mesmo que ela não queira registrar um boletim de ocorrência, vai receber o atendimento voltado à prevenção da sua saúde. Conforme uma norma técnica do Ministério da Saúde, assim que for comprovada a violência sexual, a vítima tem o direito de receber um coquetel contra a Aids; fazer uma série de exames para detectar doenças sexualmente transmissíveis e receber medicação contra sífilis e hepatite, por exemplo; tomar a pílula do dia seguinte, para evitar uma gravidez indesejada, entre outras garantias que vão constar no protocolo.


Florianópolis cria rede de serviços

Conforme Denise Vitali, os recursos que a comissão reivindica vão assegurar o cumprimento do protocolo. "A partir do momento que ele for implantado, a vítima tem que ter a garantia de receber remédios e de ter o atendimento definido pelo protocolo. Por isso, para a próxima reunião, estamos convidando a secretária de Saúde, que é a pessoa que pode falar sobre recursos disponíveis", salienta. Em Florianópolis, o protocolo já foi implantado e só está dando certo porque existe uma parceria entre os serviços públicos. Foi criada uma verdadeira rede de atendimento, sem a necessidade de criação de novos órgãos de atendimento - houve apenas uma integração dos serviços já existentes focando o direito da vítima que precisa ser protegida e defendida.

A violência contra a mulher é uma questão de saúde pública, que vem cobrando um preço alto, em vidas, lesões e incapacitações. A grande preocupação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que a violência contra a mulher compromete também o desenvolvimento infantil, pois já está comprovado que as crianças que presenciam abusos ou que são vítimas têm uma saúde precária e geralmente apresentam problemas de comportamento durante a vida toda.

A comissão que estuda a adoção do protocolo é formada por representantes da 23ª Gerência de Saúde, Maternidade Darci Vargas, Secretaria Municipal de Saúde, Instituto Médico Legal (IML), Delegacia de Proteção a Mulher, Fórum pelo Fim da Violência e Exploração Sexual Infanto-juvenil, Casa Abrigo e Centro de Apoio a Mulher Vítima de Violência, Centro de Atendimento à Vítimas do Crime (Cevic) e Conselho Tutelar. (GR)



Saúde entrega mais três postos PSF

A Prefeitura de Joinville entrega esta semana mais três postos do Programa de Saúde da Família (PSF). Hoje, às 19 horas, será inaugurado o posto de PSF da estrada Anaburgo, no bairro Vila Nova. Amanhã, às 18h30, será entregue o PSF da Ilha, no bairro Espinheiros. No dia seguinte, a unidade que já atendia a região do Espinheiros como posto convencional também passa a funcionar como PSF.

A Secretaria da Saúde já implantou seis equipes de PSF em 2003, o que representa atendimento a seis mil famílias. Até o final do ano, deve criar mais 10, nas localidades do Morro do Meio, São Marcos, Rio do Ferro, Dom Gregório, Jardim Edilene, Itinga, Canela e Boa Vista. Cada turma tem como meta atender mil famílias.

Para entregar os novos postos, a Prefeitura investiu R$ 153.153,00 em reforma e adequação do local, mobília e material médico. Cada equipe será composta por um médico, um enfermeiro, dois auxiliares de enfermagem, seis agentes comunitários de saúde e um agente de saúde pública.

De acordo com a chefe da divisão de assistência à Saúde, Sílvia Cavalheiro, os postos do PSF dão mais qualidade ao serviço, pois garantem maior aproximação com os moradores. "Em um posto convencional, não há monitoramento, nem acompanhamento da comunidade pela equipe de saúde e os profissionais não conhecem a realidade de cada paciente, afinal, não trabalham sempre na mesma unidade", diz. Nos postos de PSF, ao contrário, a mesma equipe é responsável por determinada comunidade. "Além de trabalhar a prevenção, com visitas e grupos de estudo, a equipe está sempre em contato, acompanhando a evolução dos quadros dos pacientes", ressalta. As equipes fazem visitas domiciliares regulares às famílias para orientar e prestar atendimento médico. Com as inaugurações, Joinville passa a contar com 27 unidades do programa, com um total de 36 equipes.

O PSF da estrada Anaburgo fica na rua Arnoldo Frederico Matia de Liermann, 93, no bairro Vila Nova. O posto da Ilha fica na rua Nicolau José de Souza, 276, no bairro Espinheiros.


Confusão em posto de saúde acaba na delegacia

SILVÉRIO MORAIS - Discussões, seguidas de agressões físicas, levaram uma usuária do posto de saúde de Barra Velha e uma funcionária para a delegacia de polícia. Viviane Pereira, 21 anos, acusa a atendente Ana Maria Hergert de mau atendimento e de tê-la agredido no início desta semana, quando foi marcar consulta para o pai. Segundo a moça, o médico plantonista se envolveu na confusão e também teria sido violento com ela. "Ele começou a me xingar e veio dando de dedo em mim", acusa.

A Polícia Militar foi acionada e acabou com a confusão. As envolvidas foram levadas para a delegacia de Barra Velha, onde assinaram termo circunstanciado, e se submeteram a exame de corpo de delito em Itajaí.

A atendente contraria a acusação de Viviane e diz que foi a moça quem iniciou a briga. Segundo a funcionária do PA, que também está ferida, a jovem chegou no posto e logo partiu para a agressão. O médico Eduardo Gomes confirmou a versão da funcionária. Segundo ele, a jovem chegou revoltada no posto porque não tinha sido informada sobre o nome do plantonista por telefone. "Não damos esse tipo de informação porque tem gente que quer escolher o médico", diz. De acordo com Gomes, ele foi apenas defender a colega de trabalho, que estaria apanhando de Viviane.

O inquérito policial foi encaminhado para o Fórum de Barra Velha e uma audiência entre os envolvidos foi marcada para dezembro.

Em Joinville, o dia foi tumultuado no pronto-socorro do Hospital Hans Dieter Schmidt. Pacientes ficaram mais de três horas à espera do atendimento médico.Uma das pacientes, Maria Salete Kelly Antônio, que tem problemas renais, chegou a pedir a intervenção da direção do hospital. Segundo ela, na triagem, um enfermeiro questionou outros pacientes para saber se ela estava mesmo com algum problema.

"Como se alguém gostasse de perder tempo num hospital. Se fui até lá, é porque estava precisando", disse, logo após fazer uma queixa administrativa junto à diretoria. Maria Salete tem cálculos renais.

O diretor do Regional, Hercílio Rorhbacher, não respondeu às críticas da paciente. No hospital, os funcionários do pronto-socorro trataram o dia como "mais um período de procura intensa pelo atendimento". (Com a colaboração de Leandro S. Junges)



Saúde escolhe novo local para centro

Município não quer perder recursos do governo federal

MARCOS DE OLIVEIRA - Ainda resta uma esperança para que Joinville ganhe um centro de controle de zoonoses e um laboratório de entomologia. Preocupado com a possibilidade de ter que devolver os recursos, R$ 350 mil, oriundos da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), órgão do Ministério da Saúde, o prefeito Marco Tebaldi solicitou à secretária da Saúde, Tânia Eberhardt, que se empenhe na busca de uma solução. Duas medidas foram adotadas em caráter de emergência: solicitar a intervenção da Secretaria Estadual da Saúde na Funasa para prorrogar o prazo da prestação de contas e do início imediato da obra; e encontrar outra área que seja adequada ao projeto.

A secretária espera definir o local até esta sexta-feira, uma vez que o prazo fixado pelo Ministério da Saúde vai 31 de outubro. "Mas já estamos verificando duas áreas compatíveis com o projeto. Vamos agora conversar com a comunidade para explicar detalhadamente o que é o centro, como funcionará e os benefícios que oferecerá à região", explicou Tânia Eberhardt. É que o Banco Mundial, que financia os recursos, exige que obras complementares sejam realizadas na região do centro, que deve receber a visita de técnicos estrangeiros.

O importante neste momento, relata a secretária, é iniciar a obra para facilitar a prorrogação do prazo de prestação de contas do dinheiro já liberado pelo Ministério da Saúde e investido na compra dos equipamentos. A estimativa é que o valor final da obra seja de R$ 800 mil, com a contrapartida da Prefeitura de R$ 550 mil.

Tânia destacou que o centro é uma unidade de saúde, que pode ajudar na prevenção de doenças, como a leptospirose, um mal letal transmitido pelo rato. Em Joinville, foram registrados 50 casos da doença em 2002. Cinco pessoas contaminadas morreram. O centro também vai fazer pesquisas relacionadas a animais peçonhentos, como cobras, aranhas, escorpiões lagartas, entre outros.

Ontem, a Secretaria Municipal da Saúde enviou uma correspondência aos moradores do Parque Guarani, no bairro Boehmerwald, oficializando a não-construção do centro naquele bairro, como foi solicitado em uma reunião.

Para Tânia Eberhardt, faltou uma boa comunicação entre a Prefeitura e os moradores a respeito do funcionamento da centro de zoonoses. "A comunidade foi mal-informada sobre o centro que acabou sendo apontado como um canil", lamentou a secretária. O que também prejudicou o início da construção foi o a data da liberação dos recursos. O Ministério da Saúde liberou a verba antes das eleições do ano passado, mas o governo do Estado somente fez o repasse no dia 18 de dezembro, data muito próxima do prazo para a prestação de contas em 31 de dezembro. O dinheiro foi devolvido e liberado novamente somente em junho de 2003.



Criança precisa de cirurgia

Thais Alves, seis anos, é uma das crianças que freqüenta o Centro Recanto dos Querubins. A menina sofre de um problema que pode deixá-la sem os movimentos das pernas e braços. A doença, antrogripose múltipla congênita, afeta as articulações e pode atingir a coluna. No caso de Thais, a ressonância magnética deve controlar a necrose no fêmur e apenas uma cirurgia no quadril pode diminuir as dores. Somente a terapia ocupacional pode devolver o movimento das mãos.

O pai da menina, Gilberto Alves, afirma que uma cirugia havia sido marcada para o início deste mês. O ortopedista Amilton Camargo Ribas Filho, médico que acompanha Thais desde que ela nasceu, não confirma essa informação e diz que a cirurgia ainda não foi feita por falta de vaga nos hospitais. A menina provavelmente será operada no Hospital Regional pelo SUS.

Inteligente e esperta, Thais participa de todas as atividades. Quem quiser ajudá-la, pode depositar qualquer quantia na conta que o recanto abriu para a menina, no Banco do Brasil, agência 0828-1, C/C 13.037-0).(SP)



Transgênicos

Entre políticos, engenheiros agrônomos, prefeitos, vereadores, representantes do ministério público e da Secretaria da Agricultura, sindicalistas, estudantes e agricultores, reunidos na Escola Agrotécnica Federal de Rio do Sul, no último final de semana, para discutir a polêmica questão dos produtos transgênicos e agrotóxicos, a presença mais respeitável, pelo seu grau de conhecimento, foi a do professor e cientista catarinense Rubens Nodari, representante do Ministério do Meio Ambiente. "Não se assustem se vocês observarem o surgimento de galinhas ou porcos com características humanas", alertou, deixando claro que ainda há muitas dúvidas e divergências entre médicos e cientistas sobre os riscos da transgenia para a saúde humana.



Saúde faz conferência

Cerca de mil pessoas, entre usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), profissionais da área, prestadores de serviço e gestores, participam a partir do dia 24 da 4a Conferência Estadual de Saúde, que será realizada até domingo na Astel, em Florianópolis. O evento vai discutir e buscar soluções direcionadas ao controle social do SUS, reavaliar o papel dos gestores e da política estadual e apresentar as propostas de ações em saúde para Santa Catarina que serão levadas à 12a Conferência Nacional de Saúde, marcada para 7 a 11 de dezembro, em Brasília (DF).

"Todos os participantes terão direito a voz, mas somente os delegados, que são os representantes do governo, os prestadores de serviço público e privado, os usuários do SUS e os profissionais da saúde escolhidos durante as conferências municipais realizadas em agosto, setembro e início de outubro terão direito a voto em plenária", explica o coordenador executivo da conferência, Flávio Magajewski, diretor de planejamento e coordenação da Secretaria de Estado da Saúde.

A abertura da conferência será feita pelo secretário Fernando Coruja Agustini, que falará sobre o direito à saúde. Os demais debates ficarão por conta de profissionais do Ministério da Saúde e professores universitários. "Cada tema não está classificado de acordo com uma posição hierárquica. Todos são importantes, tendo sempre o controle social do SUS como eixo central", observa Coruja.

Durante a conferência haverá uma programação cultural com o tema "Saúde: um direito de todos e dever do Estado - a saúde que temos, o SUS que queremos". Crianças e adolescentes irão apresentar danças folclóricas como boi-de-mamão, capoeira e uma peça teatral do Instituto Arco-Íris. Interessados em participar do evento podem fazer as inscrições através do site da Secretaria da Saúde (www.saude.sc.gov.br) ou no local da conferência.



Jornal Diário Catarinense:


Estado não barra transporte de transgênicos


DARCI DEBONA/ CHAPECÓ - Santa Catarina não vai fechar as fronteiras ao transporte de soja transgênica a exemplo do Paraná. O secretário de Agricultura de Santa Catarina disse que não há nenhum acordo firmado com o Estado vizinho nesse sentido. "Eles mandam lá, nós mandamos aqui e o Lula manda em todos nós", brincou o secretário.

Sopelsa disse que a lei estadual aprovada em janeiro de 2001 e que trata do assunto, proíbe o plantio e a comercialização sem rotulagem, mas não impede o transporte. O secretário disse que os portos catarinense vão receber soja modificada geneticamente. "Uma das principais fontes de renda da Cidasc é análise da soja nos portos", emendou Sopelsa. Ele afirmou que o Porto de São Francisco recebe grãos inclusive do Paraguai. Sopelsa questionou até a autonomia do Paraná em impedir a passagem de soja do Paraguai para os portos brasileiros por rodovias federais.

A única restrição do Estado será em relação à entrada de semente de soja transgênica. As 39 barreiras da Companhia Integrada para o Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) com o Paraná, Rio Grande do Sul e Argentina verificam as cargas tanto de produtos de origem animal quanto vegetal que entram no Estado. E semente de soja transgênica não passa.

O Estado também descarta momentaneamente a solicitação de uma área livre de transgênicos. Sopelsa disse que SC está procurando cumprir o que diz a lei e considera que uma decisão agora pode ser precipitada, em virtude das emendas que vem recebendo no Congresso a Medida Provisória 131, que liberou os transgênicos. Sopelsa disse que, caso haja liberdade para os estados legislarem, pode tomar essa medida. Caso contrário a decisão estadual pode perder a validade.

Mas enquanto a votação não sai, Sopelsa disse que tem um parecer do Ministério Público indicando que vale a lei estadual, impedindo o plantio. Sopelsa disse que os produtores não devem plantar clandestinamente pois podem ser punidos duas vezes, uma pela legislação estadual e outra pela legislação federal.

Mulheres

Hoje, a bióloga Mírian Ulysséa, dá palestra no auditório da farmácia Dermus, na Capital, sobre "Hormônios Vegetais - Uma opção feminina". Serão debatidos temas como o climatério (fase da vida da mulher em que os ovários começam a diminuir a produção dos hormônios), período em que elas passam por sintomas como ondas de calor, suores noturnos, insônia, ressecamento vaginal. Inscrições: (48) 225-1002. Basta doar um quilo de alimento não-perecível ou material de higiene pessoal, para doação a carentes.




Compromisso

Candidatíssimo à prefeitura de Lages, o secretário Fernando Coruja Agustini desembarca hoje, em Brasília, para participar da Assembléia Geral dos Secretários de Saúde, que vai tratar do orçamento do ministério para 2004.

Coruja continua sendo alvo de críticas de seus adversários por causa da transferência do Hospital Maternidade Tereza Ramos, que voltará ao controle do Estado. Uma entidade que está dando certo desde que foi municipalizada, em 1991. Qual a razão da mudança?



Diretas

Drogaria Catarinense lançou o programa Receita de Saúde para Florianópolis e região. São entrevistas com especialistas para orientar sobre qualidade de vida, às 6h45min, pela rádio Guararema.




Jornal de Santa Catarina:



Médico negocia atestado falso


Documento é emitido em nome do ministro da Saúde


JOSÉ LUÍS COSTA E LÚCIA PIRES/ Agência RBS /
PORTO ALEGRE - Em um consultório no Centro de Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), é possível comprar atestado médico. Dois repórteres da Agência RBS adquiriram o documento por R$ 30,00. Para fazer o negócio, nem é preciso estar presente: a equipe comprou também um atestado em nome de Humberto Sérgio Costa Lima, o ministro da Saúde.

Além de desembolsar a quantia, bastou a cada repórter ir ao consultório, na Rua Noruega, 91, retirar uma ficha e aguardar numa ante-sala, entre outros supostos doentes. O próprio médico, Luis Carlos Dias Alves, 61 anos, chama o cliente, pelo número, e pergunta o que deseja.

Ontem às 11h50min, a repórter Lúcia Pires explicou: "Tenho parentes no Interior e quero fazer uma viagem. Não me dão folga". "Tu quer adoecer para ir lá?", perguntou o Dr. Luis Carlos, como se anuncia na fachada do prédio.

Ao fim da consulta, o médico cobrou R$ 40,00, mas aceitou um desconto em razão de uma venda casada: a repórter pediu um atestado também para um suposto noivo, ausente na sala. Os dois documentos saíram por R$ 60,00.

Também na sexta-feira passada, ele havia feito negócio semelhante com o repórter José Luís Costa. O "beneficiado" ausente era Humberto Sérgio Costa Lima - sem perceber, o clínico-geral estava concedendo um atestado em nome do médico e psiquiatra paulista que trabalha como ministro da Saúde em Brasília.

Clínico também fornece receituário

Segundo os atestados, o repórter e o ministro estão impossibilitados para o trabalho entre os dias 17 e 24 de outubro devido a tratamento médico. No atestado do jornalista consta o código da doença M54.2 relativo a cervicalgia (dor no pescoço). No do ministro, a enfermidade é do tipo M54.3 (dor no nervo ciático).

Além da dispensa, o clínico-geral forneceu receituário com a recomendação de que deveria ser apresentado no emprego para "comprovar" o tratamento. Para o repórter, o médico prescreveu uma injeção de Citoneurin e Beserol. Para o ministro, Voltaren e Scaflan gel.

Colaborou Humberto Trezzi


Contraponto

Em entrevista a Agência RBS por telefone, o clínico-geral Luis Carlos Dias Alves falou sobre a concessão de atestados em seu consultório. Os principais trechos da entrevista:

Agência RBS: Fomos alertados por empresários de que funcionários estariam justificando a falta ao serviço com atestados médicos falsos que seriam emitidos e vendidos pelo senhor.
Luis Carlos Dias Alves: Não é verdade. Os pacientes que levam atestados são aqueles que estão doentes e que realmente precisam.

Agência RBS: Um colega foi até o seu consultório e, com R$ 30,00, comprou o atestado para oito dias assinado e carimbado pelo senhor.
Luis Carlos: Não existe. A minha consulta é R$ 40,00.

Agência RBS: Mas ele pechinchou, e o senhor fez por R$ 30,00 para ele.
Luis Carlos: Ah, tu te colocas numa situação de pobre, diz que não tens condição de pagar os R$ 40,00 que cobro, (...) eu digo "O sr. vai ficar me devendo".

Agência RBS: Inclusive esse colega comprou um atestado para ele e para uma outra pessoa.
Luis Carlos: A outra pessoa estava junto com ele, uma senhora.

Agência RBS: Não. Estava sozinha.
Luis Carlos: Então não foi comigo. Foi com outro médico.

Agência RBS: Foi com o senhor. Uma moça foi ai ao seu consultório hoje pela manhã e comprou...
Luis Carlos: Meu amigo, se usam má-fé, não posso fazer nada. Entram, consultam, eu tenho um guarda. O guarda pergunta o que o senhor deseja (...) se vão lá para mentir e, se entram lá para me iludir, o que eu vou fazer?

Agência RBS: Um dos atestados que o colega comprou está em nome de Humberto Sérgio Costa Lima, ou seja, o ministro da Saúde.
Luis Carlos: Como é que eu vou saber isso? Eu tenho um cara que tem o meu nome igualzinho em Pelotas.


Santa Isabel escolhido para projeto da Anvisa

BLUMENAU - O Hospital Santa Isabel foi escolhido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como colaborador no Projeto Sentinela no Brasil, que estimula a vigilância sobre produtos utilizados em serviços de saúde. Conforme o diretor-técnico do hospital, Roberto Benvenutti, a escolha se deve à qualidade dos serviços. Foi dada prioridade a entidades com histórico na formação de profissionais.



Relator diz que fará esforço para assegurar verba para saúde

BRASÍLIA - O relator geral do Orçamento da União de 2004, deputado Jorge Bittar (PT), antecipou-se ontem a uma eventual decisão judicial e anunciou que fará "um grande esforço" com o objetivo de garantir mais verbas para a saúde em 2004, buscando recursos até mesmo com o corte das despesas de outras áreas. Bittar assegurou, entretanto, que não será prejudicado o programa de transferência de renda Bolsa Família - contemplado com R$ 5,5 bilhões da arrecadação da CPMF.



Câncer de mama

LUIZ CARLOS LINS/ Médico - A incidência do câncer de mama está em ascensão em todas as partes do mundo. No Brasil, estudos do Instituto Nacional do Câncer revelaram, em 2000, uma incidência de 31.214 novos casos e de 6,5 mil casos de morte. No Sul do país é a principal causa de morte dos processos neoplásicos da mulher. Tem-se notado também que, nos últimos anos, a faixa etária atingida tem sido mais precoce, isto é, já esta se manifestando antes dos 40 anos.

A incidência é 100 vezes maior na mulher do que no homem, mostrando claramente uma relação entre esta neoplasia e os hormônios sexuais femininos. Com respeito a fatores de risco, tais como ter a mãe ou irmã portadora desta patologia, menarca precoce, menopausa tardia, dieta rica em gorduras saturadas e primiparidade tardia devem ser consideradas. Porém, 70% das pacientes não se enquadram em nenhum dos fatores, evidenciando claramente a importância de uma política para a detecção precoce, pois não existe prevenção.

Além da educação, o auto-exame é um recurso que deve ser incentivado em nosso meio. Embora tenha suas restrições, é plenamente válido em país pobre como o nosso, onde o sistema de saúde deixa muito a desejar. Em 70% a 80% dos casos, o diagnóstico é feito em fase tardia, quando os recursos terapêuticos têm pouca valia. Infelizmente, nos últimos 10 anos não houve avanços na terapia desta patologia, como ocorreu nos casos de câncer cervico uterino. Infelizmente, não existe o papanicolau para a mama.

O diagnóstico precoce só pode ser realizado através do "screening" mamográfico. O ideal seria - acompanhando orientação da Sociedade Brasileira de Mastologia - a realização de uma mamografia de base entre os 35 e 40 anos, bianual dos 40 aos 50 anos e anual após os 50 anos. Porém, no Brasil, é impossível fazermos esta macro prevenção. Mesmo nos países mais desenvolvidos não se consegue esta conduta. Só para citar, nos EUA, das 20 milhões de mulheres que deveriam ser submetidas por encontrarem-se nesta faixa, somente 10% a realizam.

A ultra-sonografia tem seu valor para a avaliação de mamas densas, principalmente em jovens, e para diferenciar lesões sólidas de císticas. É um bom complemento para a mamografia. Porém, não serve para "screening". Talvez, para o futuro, a ressonância magnética traga subsídios. Nos últimos anos, através dos programas de detecção, tem se diagnosticado um número bastante grande de formas iniciais, que através de tratamentos adequados leva a um índice de cura próximo a 100%.

Vale lembrar que nem todos os tumores de mama devem ser tratados com cirurgia mutiladora, isto é, mastectomias radicais. Dependendo do estágio, a tendência nos dias atuais são cirurgias conservadoras e, quando necessário, reconstrução imediata ou tardia. Além do ato cirúrgico, existem os tratamentos com radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia. Importante: quando diagnosticado precocemente, é curável.