27 de Setembro 2007



Jornal Diário Catarinense



Um adversário imprevisível
Atletas de fim de semana
ESTEPHANI ZAVARISE

As mortes de três homens que jogavam futebol, um em Florianópolis, terça-feira, e dois após uma mesma partida, segunda-feira, em Canoinhas, no Planalto Norte do Estado, acenderam uma luz vermelha para os chamados peladeiros, aqueles que costumam participar de um bate-bola entre amigos com alguma freqüência, por lazer.

Segundo o cardiologista Harry Correa Filho, diretor do Instituto de Cardiologia de Santa Catarina, a morte súbita entre os que não são atletas é uma situação muito mais comum do que se imagina, mas que pode ser prevenida por meio de avaliações médicas periódicas e da mudança de hábitos.

Na maioria dos casos, a morte súbita é provocada pela ruptura de uma placa existente em uma das artérias do coração. Essa ruptura forma um coágulo, que causa o entupimento da artéria, interrompe a circulação do sangue e termina por provocar um infarto agudo do miocárdio. A prática de um exercício intenso, como o futebol, pode precipitar a ruptura da placa. Para uma pessoa verificar a possibilidade de ter uma dessas placas, é importante que ela se submeta a exames antes de começar a praticar exercícios intensos.

- No futebol, é preciso um enorme esforço, ele não é adequado para quem tem doença cardiovascular diagnosticada - explica o cardiologista Antônio Sbissa.

Homens e mulheres devem

Homens e mulheres devem fazer check-ups periódicos

De acordo com a médica Loisiane Sbissa, quando casos de morte súbita são noticiados pelos veículos de comunicação, aumenta o movimento nas clínicas de cardiologia. O indicado, no entanto, é que os homens façam check-ups periódicos depois dos 35 anos, e as mulheres, após os 40. Mas essa medida, se isolada, não é suficiente, pois a existência de placas pode não ser detectada em estágio inicial.

Não são incomuns os casos em que alguém morre poucos meses depois de ter realizado um exame do coração que não havia apontado nenhum problema.

- Muita gente entre 30 e 60 anos vai no médico, o exame é bom e a pessoa continua fazendo tudo errado - afirma Harry Correa Filho.

Por isso a importância de se tratar pressão alta, diabetes e colesterol, controlar o peso, deixar de ter uma vida sedentária, parar de fumar e beber moderadamente.

- Se (as pessoas) passassem por esse processo, provavelmente muitas mortes seriam prevenidas - diz.

O cardiologista e médico do esporte Tales de Carvalho destaca a importância da prática regular de exercícios leves e moderados, como caminhar, andar de bicicleta e dançar, para a prevenção da morte súbita.

- O exercício é um fator terapêutico e reduz de forma importante a possibilidade de morte. O exercício leve e moderado é indicado, inclusive, para quem tem problema no coração - afirma ele.

Mitos e verdades
A atividade física intensa, como futebol, pode provocar a morte súbita.
Verdadeiro. Ela pode precipitar a ruptura de uma placa de gordura numa das artérias do coração, o que causa o entupimento da artéria, interrompendo a circulação do sangue e provocando um infarto.
Emoções fortes (como raiva ou susto), o frio intenso e o uso de drogas também podem provocar morte súbita.
Verdadeiro. Elas podem produzir o mesmo efeito de atividade física intensa.
Como o exercício intenso pode ser um gatilho para a morte súbita, o melhor é ficar sem praticar exercícios.
Mito. Exercícios regulares leves e moderados reduzem a chance de morte súbita e são obrigatórios no tratamento de doenças cardiovasculares e metabólicas.
Quem pratica esportes com regularidade está livre de sofrer morte súbita.
Mito. A prática regular de exercício reduz a possibilidade, mas ela pode ocorrer até com jovens esportistas, geralmente provocada por um problema congênito. Os exercícios devem vir aliados a cuidados com a pressão, diabetes, colesterol e controle do peso. E o fumo e o consumo excessivo de bedidas alcoólicas evitados



Ser aparentemente saudável não basta
MARIANA ORTIGA

Em 24 horas, três catarinenses morreram jogando futebol. Entre eles Juraci Celestino da Silva, 60 anos, que foi sepultado ontem, na Capital. Um infarto fulminante privou três filhos do convívio do pai, que não sentia dores e, além de jogar futebol, caminhava com freqüência. De acordo com parentes, o aposentado do Banco do Brasil nunca havia se queixado de dores. Por causa da idade, ele costumava cuidar da alimentação e controlar a pressão arterial. Ironicamente, Juraci havia feito exames nesta semana e costumava monitorar o coração, aumentado a surpresa da família.

- É difícil aceitar que alguém aparentemente tão saudável se vá assim - lamentou a nora Camila Coelho.

Nem sempre, no entanto, as doenças aparecem subitamente. Professor de educação física e administrador de empresas, Raul Ávila Neves, 57 anos, dá aulas há 35 e, até sentir uma forte tontura no futebol, participava das peladas com amigos cerca de quatro vezes por semana. Embora fizesse exames periódicos, que já haviam indicado um princípio de arritmia (aceleração do coração), antes de sentir-se mal em campo, ele restringia os cuidados a uma medicação.

Depois do episódio e de uma bateria de novos exames, o cardiologista de Raul percebeu que a arritmia tinha avançado e suspendeu as partidas de futebol. O professor também precisou passar por um procedimento cirúrgico chamado de ablação para que o coração voltasse ao ritmo de batimento normal.

- Hoje sinto-me bem, sem palpitação, e nem tomo mais remédio. Continuo, inclusive, dando aulas e caminhando - conta Raul.

"O pior é não poder bater uma bolinha"

Também privado das partidas de futebol por problemas cardíacos, o funcionário público Sérgio Farias, 49 anos, descobriu uma isquemia cardíaca (doença causada pela diminuição do fluxo sangüíneo nas artérias do coração) e que possuía as artérias mais finas do que o normal durante um exame de rotina em 2004.

- Sou safenado e estou de licença por causa da saúde. Depois da cirurgia, deixei de beber, de fumar, passei a controlar minha alimentação e tomo 14 comprimidos por dia, mas o pior de tudo é não poder bater uma bolinha com o pessoal - lamenta.

Hoje, Sérgio freqüenta o centro de reabilitação três vezes por semana e caminha outros dois dias.




Visor


Na média, os brasileiros com mais de 40 anos estão acima do peso, comem muito e mal, exageram nas gorduras e carboidratos, e consomem menos sais minerais e vitaminas que os necessários à saúde. O estudo da USP envolveu 2,5 mil pessoas em 150 cidades.

Autorizado na Europa um curativo para o tratamento do Mal de Alzheimer, produzido pelo laboratório Novartis. O medicamento permite que os princípios ativos contra a doença sejam transferidos através da pele e sangue do doente de maneira contínua.

 

Diário do Leitor

Saúde

Venho destacar a qualidade, personalização, competência e humanização do serviço de Transplante de Medula Óssea, ligado ao Hemosc/Cepon, e junto ao Hospital Celso Ramos. Submeti-me a este procedimento e fiquei admirado com o atendimento. Parabéns à equipe e, em especial, ao Dr. Marco Rotolo, diretor do Cepon.
Carlos Raul Borenstein - Professor da UFSC - Florianópolis

Saúde

Registro o meu agradecimento a todos os funcionários da Emergência do Hospital Infantil Joana de Gusmão (Florianópolis) envolvidos no atendimento à minha filha, Jéssica Andréia Medeiros, na noite do dia 25 do corrente. Ao vigilante, às atendentes do balcão e à doutora Clarissa Alberton Hass, os meus parabéns! Lamento não ter todos os nomes, pois são dignos de registro. É de profissionais como esses que precisamos no serviço público. Profissionais desta categoria devem ser valorizados, respeitados e mais bem remunerados.
Zalmir Medeiros - Carteiro - Palhoça

Saúde

No dia 18 de setembro ocorreu o falecimento de minha mãe, Angelina B. Florêncio, no Hospital São Marcos, de Nova Veneza, onde esteve internada por oito dias e teve um ótimo atendimento de todos os funcionários. Em nome da família, agradeço às irmãs de Caridade, enfermeiras e médicos que não mediram esforços para lhe dar conforto. Obrigado!
César Luiz Florêncio - Técnico mecânico - Joinville



Jornal Notícias do Dia




OUVIDOR SUS

A Secretaria de Saúde da Capital acaba de se integrar à rede OuvidorSUS, do Ministério da Saúde. A ferramenta vai permitir aos usuários dos serviços ofertados pelo município um contato mais ágil e direto para apresentar dúvidas e reclamações. O acesso é feito através do número 0800-61-1997. A grande novidade é que a partir de agora as perguntas referentes a Florianópolis vão ser repassadas em tempo real para o órgão municipal. O usuário conta ainda com o 156 e o 3251-6400, do PróCidadão.

SERVIDOR PÚBLICO ACENA COM GREVE

Se o Sistema de saúde do Estado já apresenta problemas, ele pode passar por situação ainda pior a partir de outubro, quando servidores estaduais da saúde ameaçam deixar seus postos de trabalho uma hora antes. O protesto é resultado do anúncio feito pelo governo estadual de que não tem condições de conceder reajustes aos mais de 120 mil trabalhadores públicos estaduais.

O secretário da Administração, Antônio Gavazzoni, afirmou que enquanto não houver aumento na receita estão suspensos quaisquer reajustes ou benefícios. Segundo ele, o governo gastou, só em agosto, R$345 milhões com a folha de pagamento, que não pode sofrer alterações, sob pena de ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Categorias que integram serviços essenciais como segurança, educação e saúde não aceitam esta posição e já constroem uma agenda de mobilizações com previsão de assembléia no dia 18 de outubro. “Muita água vai rolar até o final do ano. E a possibilidade de greve vai depender das negociações até outubro”, diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual de Santa Catarina, Mário Antônio da Silva.


SAÚDE E EDUCAÇÃO

Os educadores estaduais já estão em estado de greve e os servidores da saúde podem agravar a situação de um setor que já tem problemas. O Hospital Regional, em São José, será um dos mais afetados se os servidores resolverem mesmo trabalhar uma hora a menos. Ontem, o pescador Altair Oliveira, 55 anos, teve de deixar a emergência sem ser atendido.

Depois de esperart mais de uma hora por atendimento com sinais de infecção pulmonar, ele e a esposa Zulmira resolveram voltar para Governador Celso Ramos. “Se tiver algum tipo de paralisação, aí é que a emergência vai estourar”, diz Altair, que já deixou de ser atendido algumas vezes. “Tive que socorrer uma senhora que ficou horas na fila e teve falta de ar”, diz a aposentada Ângela Elizete, que esperou cerca de quatro horas por atendimento para a nora grávida.