SAMU

Ordem sob investigação

Saúde quer saber porque pequenos consertos em ambulâncias foram proibidos

O gerente administrativo da Secretaria Municipal de Saúde, Vilson Meyer, disse ontem que a ordem de suspender consertos de “pequeno porte” nas ambulâncias do Samu de Joinville durante o recesso de fim de ano não partiu da administração da secretaria. Segundo ele, o Samu dispõe de serviço mecânico o dia inteiro e os veículos só deixam de funcionar quando o conserto exige compra de peças.

Meyer disse desconhecer qualquer ordem para limitar manutenções. “Vou levantar o que houve”, afirma. Assim como no domingo, “AN” tentou conversar ontem com o chefe dos socorristas, Fábio da Luz, que assina o aviso pregado no mural da base do Samu, na rua Dona Francisca. Ele não atendeu ao celular. A assessoria de comunicação da secretaria também não.

O aviso comunica que, de 22 de dezembro a 4 de janeiro, só seriam autorizados consertos que “comprometam o bom funcionamento das ambulâncias”. O ofício é do dia 11. Para os socorristas, os reparos adiados colocam em risco a segurança durante os atendimentos. No dia 23, a ambulância de placas MEH-0688 ficou sem freios enquanto levava uma idosa de 91 anos ao Hospital Dona Helena. Não houve acidente, mas ontem e domingo o veículo ficou parado, à espera de conserto.

As cinco ambulâncias do Samu percorrem, na conta dos socorristas, cerca de 200 quilômetros diários cada.

JOINVILLE
R$ 50 MIL PARA REPARO
A manutenção da ambulâncias é dever de Estado e município. O custeio (pagamento de funcionários, compra de materiais e manutenção) é de R$ 50 mil mensais. A Prefeitura entra com contrapartida de até 50%.

 

 

SAÚDE PÚBLICA

Castração de cães começa no dia 4

Ônibus adaptado para cirurgias vai percorrer bairros de São Chico

A partir do dia 4 de janeiro, começa a circular um ônibus diferente pelas ruas de São Francisco do Sul. É uma unidade móvel de castração e esterilização canina, equipada para fazer controle da população de animais e de zoonoses. O veículo foi reformado para ter espaços de atendimento, cirurgia, sala de recuperação e local para os remédios.

Nesta semana, também começou a funcionar o Centro de Bem-estar Animal na cidade. Vai atender a um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público (MP-SC). O Centro tem capacidade para cem cães. Uma equipe com dois veterinários e três funcionários de apoio vai trabalhar no projeto.

“O objetivo principal dessas iniciativas é atender aos bichos abandonados e reduzir o crescimento populacional dos animais”, explica a secretária municipal de Saúde, Nadirinez Bolognini. A Prefeitura aposta numa parceria com a ONG Associação Amigos de São Francisco para promover feiras de adoção dos animais recolhidos. “Temos de ter cautela para não deixar acumular bichos”, diz a secretária.

O trabalho na rua contará com a ajuda dos agentes comunitários. Eles vão localizar animais abandonados e cadastrar famílias mais pobres para fazer a castração e esterilização dos animais. A Prefeitura investiu R$ 58 mil no projeto e espera que, com as duas ações, não seja necessário criar um centro de zoonoses.

SÃO FRANCISCO DO SUL
COMO SERÁ
- Os agentes de saúde fazem o cadastramento dos donos e dos animais deles.
- Em seguida, a unidade móvel se desloca para um dos bairros e atende aos cadastrados.
- Na chegada, o animal é examinado para a verificação das condições de saúde, idade e se possui algum ferimento.
- Estando tudo de acordo, passa para a fase pré-operatória.
- Será administrado antibiótico de forma preventiva, Os cães irão para as gaiolas na unidade móvel permanecendo até a recuperação da anestesia.
- Em seguida, serão devolvidos aos seus donos. Os animais de rua serão levados a este Centro de Bem estar Animal permanecendo até a recuperação

 

 

 

 

  • Só para equipamentos

    O Hospital Municipal São José de Joinville contratou empresa para cuidar de todos os equipamentos médicos da instituição. Além do conserto e manutenção, a empresa vai dar cursos de treinamento para os servidores.

  • Frequência

    Equipamentos médicos em hospitais públicos, como se sabe, costumam estragar com imensa facilidade. De vez em quando até são abertas sindicâncias para apurar porque determinados aparelhos estragam tanto.

 

 

 

 

 

ARTIGOS

Medicina é coisa séria, por Antonio Carlos Lopes*

É inadmissível pensar em voo cego quando o assunto é medicina. Mas, infelizmente, a realidade brasileira segue rota turbulenta e perigosa. Recentemente, uma avaliação realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo para verificar os conhecimentos dos futuros médicos teve resultado alarmante: 56% dos formandos foram reprovados logo na primeira fase, reforçando as evidências do péssimo nível do ensino médico no país. O resultado é indicativo de que os brasileiros correm elevado risco. Afinal, apenas voluntários participaram da prova, que, aliás, foi boicotada por muitos alunos com incentivo de faculdades deficientes. Se, em São Paulo, a situação é escandalosa, o que dizer de outras regiões do Brasil nas quais o ensino é ainda mais deficiente? Faz quase duas décadas que as entidades médicas alertam a sociedade sobre a abertura de escolas de medicina sem qualificação.

O Brasil tem 178 faculdades de medicina, que oferecem 17 mil novas vagas ao ano. Só que muitas delas não possuem hospital universitário próprio, além de contarem com corpo docente desqualificado. É um problema gravíssimo de saúde pública. Para solucioná-lo, é mister o estabelecimento imediato da obrigatoriedade da prova de habilitação para o exercício da Medicina. É fundamental que o exame tenha caráter reprovador, garantindo que profissionais mal preparados sejam afastados. Simultaneamente, é necessária a mobilização da sociedade para exigir medidas saneadoras urgentes. Além da obrigatoriedade da prova de habilitação, o Congresso Nacional precisa aprovar, com urgência, o Projeto de Lei 65/2003, estabelecendo parâmetros para o funcionamento dos cursos.

* Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica