Fim do bronzeamento artificial

Anvisa proibiu ontem a venda e o uso de equipamentos, como as câmaras para bronzear, em todo o País

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu ontem, em todo o Brasil, a venda e o uso de equipamentos para bronzeamento artificial. A medida, que tem validade imediata, ocorre três meses depois de a Agência Internacional de Pesquisas em Câncer (Iarc, na sigla em inglês) alertar que raios ultravioleta das câmaras podem causar câncer.

No Brasil, onde o câncer de pele é o mais frequente na população, a Sociedade Brasileira de Dermatologia pedia oficialmente a proibição dos equipamentos há pelo menos três anos, informou o presidente da entidade, Omar Lupi. Ficam autorizados só equipamentos chamados câmaras Puva, usados para tratar três tipos de doença de pele: vitiligo (que causa alterações na pigmentação da pele), psoríase (mal que gera descamação) e micose fungoide. Os tratamentos, porém, associam a exposição aos raios ultravioleta a uma medicação oral, além de exigir rigoroso controle médico por causa dos riscos de câncer e danos hepáticos.

Lupi ressaltou ontem que essas câmaras estão disponíveis principalmente em hospitais universitários e têm diferenças das utilizadas com finalidades estéticas. As empregadas no tratamento de doenças de pele são verticais e o paciente tem de ficar em pé, no centro do aparelho, durante a exposição. Já as estéticas são horizontais e irradiam apenas um dos lados. Segundo a Anvisa, não há evidências de benefícios que compensem os riscos do uso estético das câmaras. O diretor-presidente do órgão, Dirceu Barbano, estimou ontem que existam no Brasil cerca de 5 mil equipamentos em funcionamento.

SAÚDE

Consulta foi feita antes da decisão

Em reunião da OMS prevista para os dias 15 e 16, em Genebra, o Brasil deverá relatar sua experiência. A OMS estuda adotar uma postura mais rigorosa sobre o assunto e o caso brasileiro poderá ser usado como parâmetro.

Antes de tomar a decisão, a Anvisa realizou uma consulta pública e duas audiências. De acordo com o diretor-presidente do órgão, Dirceu Barbano, nesse processo foram constatados outros problemas, que agravam ainda mais o risco para clientes. “Houve relatos de falhas na manutenção de equipamentos e de exposição à radiação em período maior do que o indicado.”

 

 

 

 

 

 

 

Impasse na Saúde. AL quer diálogo entre governo e grevistas



             Uma reunião extraordinária da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, coordenada pela vice-presidente, deputada Professora Odete de Jesus (PRB), decidiu, ontem, criar um comitê especial para intermediar o conflito entre o Governo Estadual e os servidores estaduais de Saúde, em greve há nove dias, mesmo após a liminar do Tribunal de Justiça ordenando o fim das paralisações. 

             Fazem parte desse comitê, além de Odete de Jesus, os deputados Kennedy Nunes (PP), que propôs a reunião extraordinária, Ana Paula Lima (PT) e Antônio Aguiar (PMDB). “Hoje mesmo estaremos fazendo contato com a secretária de Estado da Saúde em exercício, Carmem Zanotto, e com os representantes do Sindsaúde para agendar um encontro, ainda nessa semana,” garante Odete. Kennedy Nunes afirma que a situação, como esta, não pode continuar. Outros parlamentares poderão aderir ao movimento.

                Segundo Odete, a intenção do grupo é somar esforços para tentar resolver o impasse. “A população está sendo bastante prejudicada,” lembra. “Cada lado vai ter que ceder um pouco para evitar que a crise piore ainda mais”, argumenta. A categoria quer reajuste salarial de 31,33%, sendo 16,76% de imediato, aumento do vale-alimentação em 80,65% e adicional de insalubridade de 20, 30 e 40% sobre o piso salarial, entre outras reivindicações.Em Lages a greve afeta parte dos funcionários do Hospital Tereza Ramos, onde a direção garante que o atendimento não foi prejudicado.

 

 

GREVE NA SAÚDE

MP abre investigação

O Ministério Público (MP) de Santa Catarina instaurou inquérito civil para apurar a greve nas unidades de saúde estaduais. A intenção é investigar se a prestação de serviço está totalmente interrompida e se há pessoas prejudicadas com a paralisação, que já dura 10 dias.O promotor de Justiça Ricardo Paladino disse que a Secretaria da Saúde e o sindicato dos trabalhadores, o SindSaúde, têm até segunda-feira para entregar documentos sobre a greve:

– O inquérito pode resultar em ações civis e criminais contra quem desrespeitar a ordem judicial vigente.

Ontem, o SindSaúde recorreu da decisão do Tribunal de Justiça que declarou ilegal a paralisação e determinou multa diária de R$ 20 mil desde segunda-feira. A secretária de Saúde em exercício, Carmem Zanotto, reafirmou que só volta a negociar com a categoria depois que ela voltar ao trabalho. Os servidores da saúde, que reivindicam reajuste salarial de 16,76%, permanecem em greve.

Nesta página, o DC conta casos de quem procurou atendimento ontem no Hospital Regional, o maior da rede estadual na Grande Florianópolis.

NANDA GOBBI E MAURÍCIO FRIGHETTO  | São José

 

Grávida à espera de consulta

 

 

A doméstica Kelin Cristiane da Silva, 31 anos, grávida de sete meses, esperava, por volta das 7h, para fazer uma consulta de rotina. Na segunda-feira, ela disse não ter sido atendida. Ontem, estava na expectativa.

– Na segunda-feira me disseram que eu precisava esperar a greve acabar para remarcar a consulta. Hoje (ontem), vim tentar novamente. Perguntaram se eu não sabia da greve. Lá no sítio onde moro, em Palhoça, não pega as notícias do Estado, só notícias da parabólica – disse.

Ontem, fez nova tentativa. Foi informada para ligar na segunda-feira.

– Eu peguei o ônibus às 5h e demorei quase uma hora para chegar aqui. Ainda gasto R$ 10 para ir e voltar. Minhas pernas estão inchadas, tudo é muito longe – disse .

 

GREVE NA SAÚDE

Ricardo cansou de esperar

Vítima de um acidente de trabalho há seis meses, o pedreiro Ricardo Stocco, 24 anos, procurou atendimento ontem, mas desistiu. Decidiu voltar para casa, em Nova Trento, de táxi. A mulher, Rosineia, foi quem ligou dizendo quanto custaria a corrida: R$ 160.

Ricardo saiu de casa às 5h30min, com um veículo da prefeitura. Não aguentou esperar, sem saber se seria atendido.

– Ontem (terça-feira) ligamos para o hospital e fomos informados de que eu podia vir porque o meu caso era grave. Para cá eu não volto mais – afirmou ele.

O pedreiro foi atingido por uma laje. Ele quebrou a coluna. Por isso não consegue mexer os pés e usa botas especiais .

 

Bronzeamento artificial no país é proibido

A utilização de equipamentos emissores de radiação ultravioleta (UV) para bronzeamento artificial com finalidade estética está proibida em todo o território nacional por haver evidências de que pode causar câncer.

A proibição consta de resolução da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, publicada na edição de ontem do Diário Oficial da União.

A proibição inclui importação, recebimento em doação, aluguel, comercialização e uso dos equipamentos. O texto especifica que a medida não se aplica aos equipamentos com emissão de radiação ultravioleta, registrados ou cadastrados na Anvisa destinados a tratamento médico ou odontológico. A resolução leva em conta a reavaliação do uso desses aparelhos feita em julho de 2009 pela International Agency for Research on Câncer (Iarc).

Na reavaliação, a Iarc considerou, que exposição aos raios ultravioletas possui evidências suficientes para considerá-la carcinogênica

 

 

 

 

 

 

Estado

 

Greve. Ministério Público de Santa Catarina instaura inquérito civil para verificar prestação de serviço

Dor e indignação

 

“Nem sorte resolve o problema da saúde no Brasil”, disse o zelador Samuel Quadros, 23, enquanto aguardava, por mais de duas horas, atendimento na emergência do Hospital Universitário (HU) ontem à tarde. O zelador aposentado Francisco de Paula Machado ferreira, 73, quase não se mexia de tanta dor, sentado em uma cadeira de rodas, na emergência do HU. “Estou apavorada. Ele contribuiu 45 anos com o Instituto Nacional de Previdência Social para esperar 16 horas para ser atendido?”, disse Beatriz Santana, 50, indignada.

Francisco sofre do Mal de Parkinson, está com infecção urinária e com suspeita de tuberculose. Na última segunda-feira, ficou das 11h às 3 da madrugada sem comer, esperando ser internado no HU. “A saúde sempre foi uma vergonha, mesmo sem greve”, disse Beatriz, ao lado do pai e da irmã Cátia Regina.

A emergência do Hospital Infantil Joana de Gusmão estava tranqüila ontem, às 17h, e as pessoas eram rapidamente atendidas.

Inquérito

 

O Ministério público de Santa Catarina instaurou ontem inquérito civil para apurar a manutenção dos serviços nas unidades de saúde estaduais, em razão da paralisação dos servidores instaurado pelos promotores de Justiça Ricardo Paladino e Analú Librelato Longo, a apuração também objetiva a adoção das medidas que se fizerem necessárias para a preservação dos interesses sociais e públicos.

A instauração do inquérito é decorrente das reuniões realizadas pelos promotores de Justiça na terça-feira, com representantes da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e representantes do movimento grevista. Os promotores requisitaram À SES e ao presidente do SindSaúde, num prazo de 48 horas, a remessa da nominata e quantitativo dos servidores com adesão à greve. Ao SindSaúde, o MP requereu, para o prazo de 48 horas, informações a respeito do cumprimento ou não, por parte do movimento grevista, da liminar.

Governo só negocia com volta ao trabalho

 

A greve dos servidores da saúde completa dez dias hoje com movimentação na 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça, onde o SindSaúde entrou com contestação da liminar que declarou a greve ilegal, e com petição da Procuradoria Geral do Estado, que pediu a majoração da multa de R$ 20 mil e a intimação do sindicato.

A secretária em exercício Carmen Zanotto foi taxativa: não haverá negociação enquanto os servidores não voltarem ao trabalho. A greve da Saúde prejudicou principalmente o atendimento hospitalar e a coleta de sangue. A SES informa que, antes do início da greve, ofereceu 16,76% de aumento sob forma de abono progressivo, com a metade a ser paga em janeiro de 2010 e a outra metade em agosto do mesmo ano. O abono representaria de R$ 127 a R$ 435 – dependendo da posição de cada servidor na tabela de vencimentos.

Na entrevista, a secretaria manifesta a preocupação com o atendimento.

ND – A greve entra no décimo dia. Qual foi até agora o reflexo disso?

Carmen Zanotto – Nossa preocupação é com o não cumprimento da liminar da Justiça que decretou a ilegalidade da greve. Nossa preocupação é com a redução da coleta de sangue no Hemosc e nos cinco hemocentros do estado. Somos responsáveis por 95% da coleta. Preocupação também com o atendimento ambulatorial nos hospitais Carmela Dutra , que está fechado, e no Infantil e São José, unidades que retomaram o serviço com número reduzido.

ND – Quais os setores mais afetados com a greve?

Carmen – A área hospitalar onde se concentra a maioria dos serviços de saúde.

ND – Assim que foi deflagrada a greve, qual foi a orientação do governo para a SES?

Carmen – Só negociar com o respeito dos grevistas a decisão da Justiça.

ND – Grevistas que retornarem ao trabalho terão os dias descontados?

Carmen – Sim, mas ao contrário do que disse o sindicato, o estado pagará todas as horas normais, plantão e sobreaviso de quem trabalhou. Vamos descontar dos que não trabalharam.

ND – Quantos servidores estão em greve?

Carmen – Sem registro de freqüência temos 6% dos 11 mil efetivos. O SindSaúde informa 70% de adesão. Já pedimos uma auditoria da freqüência. Ela será feita pelas secretarias da Administração e Fazenda.

ND – Qual foi a última greve na Saúde?

Carmen - Desde 2003 não temos greve. Tivemos apenas uma paralisação do Hemosc e Cepon, mas por conta do modelo de gestão que alegavam eles que estava sendo privatizado.

ND – E o que preocupa nessa greve?

Carmen – Nos preocupa a situação do atendimento dos pacientes internados. A ordem é manter o atendimento dos pacientes nos hospitais públicos e de urgência.

ND – Quando a SES vai negociar com os grevistas?

Carmen – Só quando eles cumprirem a decisão judicial.