ARTIGO

4 mil anos de cirurgia plástica, por Claudio Mokross*

Tudo na vida tem uma história e com a cirurgia plástica não é diferente. Como no começo das civilizações não existiam especialidades médicas, tudo era entendido como cirurgia geral. Dos povos antigos, os maiores conhecedores eram o chinês, o babilônio, o hindu e o egípcio. O rei Hamurabi, da Babilônia, em 1700 a.C., criou o código de leis mais antigo de que se tem notícia, e nele, a pena de talião, que dizia “olho por olho, dente por dente”. Nela, havia um regulamento para a atividade médica, com castigos que variavam desde lesões corporais até a morte do cirurgião, quando este falhava.

Durante a Idade Média, todo o conhecimento científico ficou estagnado porque a Igreja Católica achava que só a vontade divina podia exercer direitos sobre os homens. Com o Renascimento, no século 16, autorizados pela Igreja, os estudos da anatomia têm em Leonardo da Vinci e Andreas Vesalius seus grandes pesquisadores. É deste último a obra “De Humani Corporis Fabrica”, de 1543, marco inicial da anatomia moderna. Ainda no século 16, Ambroise Parré (1543) propõe nova forma de tratamento de ferimentos praticando a ligadura das artérias; e Gaspare Tagliacozzi (1597) descreve a reconstrução nasal, auricular e labial. A necessidade de reparações aumenta com o uso e a evolução das armas de fogo.

A cirurgia plástica só passou a receber este nome a partir de 1838, quando o belga Edward Zeis escreveu seu livro “Handbuch der Plastichen Chirurgie”. Em seguida, a medicina dá o maior passo da sua história com a descoberta da anestesia geral, em 1846, por Willian T.G. Morton, e da antissepsia, por Lister, em 1865. A anestesia aumenta a possibilidade e a antissepsia, a margem do êxito. Logo no início do século 20, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) com armas jamais utilizadas na história da humanidade deixa um saldo inusitado de 10 milhões de mortos e o triplo de feridos, entre estes, muitos mutilados faciais. A partir daí é que a especialidade ganha independência de ensino e prática, com a formação de cirurgiões plásticos. Sir Harold Gillies, neozelandês, fez muito pela cirurgia plástica, trabalhando com mutilados da guerra na Inglaterra.

Os primeiros trabalhos acadêmicos sobre cirurgia plástica no Brasil datam de 1842. Em abril de 1930, surgirá a primeira clínica específica em cirurgia plástica, criada por José Rebello Netto na Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo. Ele criou o que é considerado o marco inicial do nascimento da especialidade no Brasil, porque começou a propiciar a formação dos primeiros especialistas na área, dentro do País, além de promover sua difusão. Ivo Pitanguy, em 1949, a partir da criação do serviço de cirurgia da Santa Casa, no Rio, contribuiria para a projeção internacional e difusão da especialidade e criaria uma das maiores escolas de cirurgiões plásticos brasileiros, tendo discípulos distribuídos em vários países, além do Brasil.

A existência de especialistas, a necessidade crescente, a técnica dominada e o sucesso consolidado somam-se às mudanças sociais pós-guerra, com a posição mais independente da mulher e a maior exposição corporal. Os concursos de misses ditam o padrão de beleza. A cirurgia estética avança a passos largos, incorporando-se à sociedade como recurso dos mais utilizados para obtenção de uma das finalidades da medicina: o bem-estar do ser humano. Estes são alguns dos fatos e nomes que tornaram a cirurgia plástica um bem presente e cada vez mais acessível, e a que é praticada no Brasil, a mais conceituada no mundo.

camokross@gmail.com

*Cirurgião plástico

 

 

DIA MUNDIAL DO DIABETES

Prevenção ao “doce veneno”

Joinville tem uma série de atividades para barrar o avanço da doença, que atinge 20 mil pessoas na cidade

Uma doença silenciosa, mas que pode desencadear uma série de outros males e é considerada um sério fator de risco para problemas cardíacos, está em debate esta semana. Hoje é o Dia Mundial do Diabetes, data para reforçar a prevenção da doença, caracterizada pelo aumento da taxa de glicose no organismo, devido à deficiência na produção de uma substância chamada insulina.

E há motivo para alarde, sim. Estima-se que a doença atinja em média 4% da população, o que significa que há, em Joinville, pelo menos 20 mil doentes. “Calcula-se que 8 mil pessoas não sabem e, dos 12 mil diagnosticados, seis mil não estão fazendo o tratamento adequado”, alerta o endocrinologista Luiz Antônio de Araújo.

O risco de complicações é ainda maior por causa da falta de tratamento. Entre os casos não diagnosticados, destaca-se o das pessoas com diabetes hereditário, conhecido como “tipo dois”, que corresponde a 90% dos casos de diabetes e atinge principalmente homens e mulheres acima dos 40 anos. Os outros 10% são vítimas do diabetes de tipo um, decorrente de uma infecção no pâncreas.

Beno Willy Schaknies, de 68 anos, estava entre os oito mil pacientes de Joinville que têm diabetes e não sabia. “Sentia câimbras nas pernas à noite e nas mãos, mas não sabia o que era”, conta. Até que o mal-estar o levou ao posto de saúde. O nível de glicose no sangue estava três vezes acima do normal. Desde então, toma as medicações (aplicações diárias de insulina) e o mais importante: passou por uma mudança de hábitos para controlar a doença. Hoje, é exemplo.

“O mais difícil foi largar a cervejinha”, brinca. O segredo, segundo Beno, é manter uma alimentação equilibrada, cortar doces, evitar até mesmo as frutas muito doces e alimentos ricos em amido, como o aipim e a batata. De vez enquanto, abre uma exceção. “Quando sei que vou percorrer mais quilômetros de bicicleta, como uma fruta bem doce”, diz. Aliás, é assim que Beno vive desde que descobriu, há quatro anos, que estava com diabetes: como se estivesse em uma balança, buscando o equilíbrio e medindo, pelo menos uma vez ao dia, a taxa de glicose.

mariana.pereira@an.com.br

MARIANA PEREIRA  | JOINVILLE
ESCOLHA DA DATA
Dia 14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes. A data foi escolhida por ser o dia do nascimento de Frederick Banting. Ele e Charles Best foram os responsáveis pela descoberta da insulina.
AJUDA DA TECNOLOGIA
A tecnologia tem levado ao avanço no tratamento e melhoria da qualidade de vida dos pacientes. A bomba de insulina é um exemplo disso: atualiza a cada cinco minutos os índices de glicose e ministra automaticamente as doses de insulina.

 

DIA MUNDIAL DO DIABETES

Corrida e exames de graça em Joinville

Em Joinville, a programação para marcar o Dia Mundial do Diabetes inclui uma série de atividades ligadas à prevenção e ao tratamento da doença neste sábado, no Sesc, na rua Itaiópolis. Das 8h30 às 12h30, haverá exames de taxa de glicose (não precisa estar em jejum) e aferição de pressão arterial, orientação e exposição sobre o tratamento, oficinas de nutrição, distribuição de material educativo, massagem, atividades físicas, distribuição de camisetas, água e frutas, sorteio de glicosímetros (medidores de glicose) e apresentação cultural.

Já no domingo, o encontro está marcado para as 8h30, em frente ao Centreventos Cau Hansen, onde será dada a largada, às 9h, para a corrida e caminhada “Todos pelo Diabetes”. O trajeto percorrido será de aproximadamente dois quilômetros. Serão distribuídos fôlderes de conscientização e orientação sobre o diabetes.

Ontem, as ações preventivas começaram no Centro Hospitalar da Unimed. Quem passou por lá, seja funcionários, pacientes ou visitantes, fez gratuitamente exames de glicose, aferição de pressão arterial e recebeu material educativo sobre o diabetes.

O tema proposto pela Federação Internacional do Diabetes (IDF, pela sigla em inglês) para a campanha deste ano é “Educação e prevenção do diabetes”, que norteará as atividades do Instituto de Diabetes de Joinville (IDJ), em conjunto com o Instituto de Endocrinologia de Joinville (Ieje/CAD), Sesc Joinville, Secretaria Municipal de Saúde e Unimed. A campanha quer chamar a atenção de quem está envolvido nos cuidados com o diabetes. É um alerta para implantar estratégias e políticas de prevenção e monitoramento da doença.

DADOS ALARMANTES
- Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 3,2 milhões de mortes no mundo são atribuídas todos os anos ao diabetes.
- Sobre os casos de diabetes tipo 1, a IDF prevê que a incidência global aumente 3% ao ano.
- Sobre o diabetes tipo 2, 80% dos casos poderiam ser evitados com a troca de estilo de vida.

 

SERVIDORES DA SAÚDE

Greve é suspensa até quarta

Os servidores da Saúde resolveram ontem, em assembleia, suspender a greve até quarta-feira, depois que o governo do Estado afirmou que só negociaria se a categoria voltasse ao trabalho.

Agora, o comando de greve aguarda uma posição da Secretaria de Estado da Saúde e, se nenhuma proposta for apresentada até as 7 horas de quarta-feira, a categoria pode voltar à paralisação.

A reunião durou quase três horas e lotou o auditório da Assembleia Legislativa com servidores de várias partes do Estado. A proposta foi aprovada por quase todos, aos gritos de que “a luta continua”. Segundo o presidente do SindSaúde, Pedro Paulo das Chagas, os servidores voltariam imediatamente ao trabalho, já cumprindo o turno da noite de ontem.

“A secretaria, a partir do momento em que os servidores retornarem às suas funções e os serviços passarem a ser oferecidos de forma integral, não vai se opor a retomar o diálogo”, declarou a secretaria Carmen Zanotto, em nota.

 

 

 

 

Nenhum médico

Não há nenhuma inscrição para as vagas de médico angiologista, cardiologista especializado em ecocardiografia e pneumologista. Tudo bem que havia uma única vaga disponível para a cardiologia. As outras duas eram reserva técnica, o que significa que a contratação só ocorreria em caso de substituições. O salário, para as três opções, é o mesmo: R$ 2.587,52. A falta de interesse pelas vagas não surpreende. Não é de hoje que há dificuldades para contratar médicos. Tanto que o déficit atual é de 17 profissionais.

 

 

 

 

 

Agradecido

Retomando as atividades após o acidente no palanque em Campos Novos, o presidente da Assembleia Legislativa, Jorginho Mello (PSDB), fez questão de almoçar com o infectologista Valter Rotolo de Araújo (E), por quem foi atendido no Hospital Celso Ramos.

O filho do deputado, o dentista Bruno Mello, também estava presente. Pelo Twitter, Jorginho agradeceu a todos do Celso Ramos e do Hospital de Caridade.

 

 

 

 

ARTIGOS

A psicanálise e o idoso, por maria Aparecida Nicoletti *

Como a psicanálise pode contribuir para diminuir a infelicidade e o sofrimento que, por vezes, afetam a condição humana na terceira idade? Freud, ao discutir o problema de saber por que é tão difícil para o homem ser feliz, indicou três fontes de sofrimento: O poder superior da natureza, a fragilidade de nossos corpos e a inadequação das regras que procuram ajustar os relacionamentos mútuos dos seres humanos na família, no Estado e na sociedade. O poder superior da natureza se apodera, na velhice, do pressentir humano, como se fosse uma sombra que paira. É o relógio biológico que marca, imperturbável, a marcha do tempo. A psicanálise pode ajudar muito as pessoas idosas que se vejam envoltas pela angústia do enfrentamento do poder da natureza. Ela pode levar o idoso a continuar evoluindo em sua vida.

A fragilidade do corpo é outra fonte de angústias. A percepção de não mais poder praticar esportes ou, mesmo, trabalhar ou, ainda, não conseguir andar com o mesmo vigor de antes, perturba muito a maior parte das pessoas. No entanto, a fragilidade do corpo não é nada frente à fragilidade psíquica, que pode tomar conta de uma pessoa que envelhece mal.

Depoimentos de pessoas muito idosas, que envelhecem bem, têm a marca constante da vivacidade da mente, mesmo que esta “more” em um corpo frágil. Observa-se nesses idosos a marca da personalidade forte, que define a atitude de protagonista da própria vida. Manter-se ativamente conectado com o mundo externo, dominar o medo da morte e manter atitude narcísica saudável são algumas das estratégias utilizadas por eles, quando alcançam os 85 ou 90 anos de idade. Fazê-lo, no entanto, requer a construção de novos espaços de ação e de crescimento pessoal; uma abordagem de adaptação, na qual, ao invés de o indivíduo se adaptar ao ambiente, este é organizado (pela família, com a ajuda da psicanálise) de maneira a que a realidade, socialmente construída, contemple as necessidades de ressignificação do idoso e, com isso, o ajude a reconstruir sua subjetividade.

*

Geral

 

Greve está suspensa até quarta-feira

Servidores voltam ao trabalho, mas aguardam proposta do governo

 

Os servidores da Saúde resolveram, em assembleia, suspender a greve até quarta-feira da semana que vem. A decisão foi tomada a partir da afirmação do governo do Estado de que só negociaria se a categoria voltasse ao trabalho.

Agora, o comando de greve aguarda uma posição da Secretaria de Estado da Saúde. Se nenhuma proposta for apresentada até as 7h de quarta-feira, a categoria pode voltar à paralisação.

A reunião durou quase três horas e lotou o auditório da Assembleia Legislativa com servidores de várias partes do Estado. Os trabalhadores fizeram uma avaliação do movimento e, ao final, foi votado o retorno às atividades. A proposta foi aprovada por quase todos os funcionários, aos gritos de “a luta continua”.

Segundo o presidente do SindSaúde, Pedro Paulo das Chagas, os servidores voltariam imediatamente ao trabalho, já cumprindo o turno da noite de ontem.

– Acreditamos nas palavras da secretária em exercício (da Saúde), Carmen Zanotto, que afirmou que era para a gente avançar nas negociações e suspender a greve. Voltamos ao trabalho e agora esperamos uma proposta do governo – disse.

Ao final da assembleia, o comando de greve foi até a Secretaria da Saúde para protocolar um ofício comunicando que os servidores estavam suspendendo a paralisação e pedindo a volta das negociações. Chagas frisou que a mobilização continua e que o sindicato esperará quarta-feira.

– Se não houver nenhuma proposta do governo até quarta, a culpa não é nossa. A responsabilidade passa a ser do Estado. Neste caso, a categoria está unida e determinada a não voltar mais para os hospitais – acrescentou.

Segundo Chagas, o sindicato mantém a pauta de reivindicações da categoria, que inclui reajuste salarial de 16,76%, e do vale alimentação, e revisão dos casos de insalubridade nos hospitais. Antes do início da greve, a Secretaria da Saúde propôs o reajuste na forma de abono progressivo: 50% em janeiro de 2010 e o restante em agosto. A categoria afirma que aceita a proposta de abono, mas exige a definição de uma data para a incorporação do valor aos salários.

– A secretaria, a partir do momento em que os servidores retornarem às suas funções e os serviços passarem a ser oferecidos de forma integral, não vai se opor a retomar o diálogo com o sindicato – declarou Carmen Zanotto, em nota.


"Se não houver nenhuma proposta do governo até quarta, a culpa não é nossa. A responsabilidade passa a ser do Estado. Neste caso, a categoria está unida e determinada a não voltar mais para os hospitais."
Pedro paulo das chagas, sindicalista

NATÁLIA

 

SAÚDE

Mundo se reúne na luta contra a diabete

Ações previstas no Norte e Vale

A fachada de um dos mais conhecidos prédios da Capital vai mudar hoje. O Imperial Hospital de Caridade será iluminado de azul como parte da programação do dia mundial contra a diabetes, doença que tem como símbolo um círculo azul. Ações também estão previstas para Joinville e Blumenau.

Além da iluminação, todos os funcionários do Caridade estarão vestidos com roupas azuis. Um estande para teste glicêmico foi montado, além da distribuição de folderes explicativos. Ontem à tarde, pacientes e funcionários soltaram mais de 300 balões azuis.

O dia foi criado pela International Diabetes Federation (IDF), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1991. A data foi escolhida em homenagem ao nascimento do cientista canadense Frederick Bantin, um dos responsáveis pela descoberta da insulina.

Em Joinville, ações de prevenção e orientação sobre a doença estarão sendo realizadas na manhã de hoje, entre as 8h30min e 12h30min, no Sesc da Rua Beira-Rio. Amanhã vai ter uma caminhada, partindo do Centreventos Cau Hansen, às 8h30min. Em Blumenau, a prefeitura será iluminada.

Segundo o endocrinologista Paulo César Alves da Silva, muitos brasileiros são diabéticos e não sabem. Excesso de urina, cansaço, emagrecimento rápido e visão turva são alguns dos sintomas.


Ladrões agem em hospital

Dois rapazes invadem espaço para exposição na garagem do Infantil

 

Dois jovens, um deles armado, provocaram pânico em um dos setores do Hospital Infantil Joana de Gusmão, na Capital, por volta das 10h de ontem. Os bandidos entraram na salão do Diretório de Apoio e Integração (DAI), que fica na garagem do hospital, e renderam uma mulher que usa o local para vender acessórios femininos.

A associação dos funcionários, que gerencia o espaço, aluga a área para expositores, todos os meses.

– Mesmo quem não presenciou o assalto ficou muito assustado. Fica um clima tenso depois de uma coisa dessas. Tanto que nem funcionou exposição nenhuma lá hoje (ontem) – disse uma servidora.

Enquanto os assaltantes roubavam a bolsa da vítima, que estava com todos os produtos que seriam colocados à venda, outro expositor chegou ao salão. Ele também foi surpreendido pela dupla, que ordenou para que não reagisse.

A cancela de acesso ao hospital estava fechada. Mesmo assim, os ladrões conseguiram fugir, de moto, pelo espaço que não fica obstruído pelo equipamento. A ação, que durou cerca de cinco minutos, foi flagrada por câmeras do circuito interno de vigilância da instituição. As imagens foram cedidas à Polícia Civil e serão usadas para identificar os suspeitos. A equipe que investiga o caso não adiantou detalhes do inquérito.

A dupla já teria sido vista no hospital no dia anterior. Servidores que estavam em greve contaram que os jovens circularam no pátio e na garagem do hospital, por volta das 17h de quinta-feira.

Os dois teriam observado a movimentação dos expositores, inclusive da mulher que teve seus artigos roubados, mas não compraram nada, nem tentaram assaltar ninguém.

– O pessoal acabou marcando o rosto deles, mas é difícil imaginar que estavam estudando o local para depois assaltar – afirmou uma funcionária que não quis se identificar

 

 

MOACIR PEREIRAGreves abusivas

O saldo da greve dos servidores da Saúde, finalmente encerrada, é uma lástima para o conjunto do funcionalismo e para os serviços públicos essenciais. Os grevistas só acumularam desgastes na população. A foto de um hospital público (do povo?) fechado com corrente e cadeado é o retrato acabado do radicalismo político e da irresponsabilidade funcional. Não há qualquer outro movimento reivindicatório que registre tanta insensibilidade ou que justifique tamanha brutalidade. Esta paralisação serviu para aumentar na consciência popular a ideia de que os servidores públicos trabalham contra a população e que estes abusos não se registram na iniciativa privada. Isto vale para saúde, educação, segurança, etc.

Desde os primeiros comunicados distribuídos pelo Sindicato da Saúde à população, através do rádio e da TV, ficou evidenciada a tentativa de manipulação, ao sustentar que “o governo era culpado pela greve porque não pagava 114% de aumento”. Não há no Brasil, atualmente, com o controle inflacionário, uma única categoria profissional, na iniciativa privada ou na administração pública, que tenha tido sequer a coragem de anunciar esta reivindicação. Ela é despropositada, ilusória.

A primeira resposta oficial da Secretaria da Saúde quebrou uma das pernas do movimento, quando revelou que um acordo salarial estava em vigor e que a última parcela do reajuste acertado estará sendo paga agora no mês de dezembro. Finalmente, ficou claro que os grevistas – como tem ocorrido em relação a outros serviços públicos essenciais – não esgotaram todas as negociações.

As reações
Os líderes sindicais e alguns grevistas tentaram atribuir à imprensa parte da culpa pelo fracasso do movimento. Se fossem bons estrategistas e tivessem o pé na realidade, teriam levado em consideração a multiplicidade de meios de informação de que dispõe hoje a população e que estava disponível para os pacientes prejudicados, seus familiares e seus amigos. O próprio presidente da Aprasc, deputado Amauri Soares, que esteve nas duas assembleias gerais dos servidores, advertiu para os riscos de insucesso. Ela fez uma avaliação mais política, ao criticar o rigorismo com que o governo Luiz Henrique tem tratado as greves. Mas o alerta também referia-se aos novos tempos.

Não há, na face da Terra, uma única pessoa com tanta frieza e desumanidade que venha a concordar que um doente, em situação de emergência, talvez com risco de morte, possa ter negada a assistência médico-hospitalar.

Até nos confrontos bélicos mais sangrentos, os inimigos têm direito a atendimento médico. A TV não precisou opinar sobre nada. Bastou mostrar as imagens desesperadas dos doentes.

O equívoco final veio com o desrespeito à Justiça. O Sindicato dos Servidores comemorou a negativa da liminar pleiteada pelo governo para decretar a ilegalidade da greve. Sentiu-se fortalecido, respaldado pela Justiça, e com ela pretendia elevar a taxa de pressão. Mas ignorou esta mesma Justiça quando veio a sentença da ilegalidade. E a afrontou quando da segunda decisão. E quando alguma corporação parte para a ilegalidade, a única resposta é o uso da força. A greve acabou, mas suas causas permanecem. Cumpre agora, ao governo, avaliar criteriosamente os pleitos dos grevistas e promover as correções.

Em especial, aquelas que serão investigadas pelo Ministério Público sobre precariedades consideradas alarmantes em vários hospitais estaduais



 

Colunista- Cacau Menezes

Saúde

Fica difícil, sinceramente, ser contra uma greve da Saúde quando nos lembramos do carinho e da dedicação com que a absoluta maioria do servidores nos trata quando deles precisamos.

Porque na hora mais difícil eles estão lá, de braços abertos e sorrisos nos lábios, para nos receber, ajudar, nos cuidar e nos curar. Vou ser contra como

 

 

 

Samu receberá medalha durante sessã solene

O Samu ( Serviço de Atendimento Móvel de Urgência da Santa Catarina) recebgerá nesta segunda -fe3ira, na Assembléia Legislativa, a Comenda do Legislativo. A sessão solene para outorga da homenagem será às 19 horas, no plenário Osni Régis. Além do Samu, outras 45 pessoas ou instituições também foram indicadas pelos parlamentares para receberem a medalha.

" Esta indicação nos deixa muito felizes, porque é um reconmhencimento pelos 800 mil atendimentos que já realizamos nestes quatro anos de atuação no Estado", avaliou com entusiasmo a coordenadora estadual do Samu, Cristina Pires.

 

Servidores suspendem greve

A greve dos servidores da Saúde foi suspensa até quarta-feira, dia 18, e os serviços nas 14 unidades estaduais voltariam a ser oferecidos integralmente à população, a partir desta sexta-feira à noite, segundo a assessoria de impresa do SindSaúde , ( dindicato dos Servdores da Saúde de Santa Catarina. A decisão foi tomada em assembleia por mais de 80% dos cercas de 50 servidores que lotaram, ontem o auditório Antonieta de Barros, na Assembléia Legislativa.

Segundo a assessoria dos servidores continuam em estado de greve. A paralisação foi suspensa até as 7 horas desta quarta-feira, com a expectativa de que a secretária em exercício da Saúde, Carmen Zanotto, cumpra a promessa de abrir novamente a mesa de negociação, se a greve fosse interrompida

Caso a Secretaria não se manifeste ou nãqo cumpra o que prometeu, informou a assessoria o movimento começa novamente.

Segundo Nota divulgada ontem pela secretária Carmen Zanotto, " a Secretaria de Estado da Sáude, a partir sdo momento em que os servidores retornarem às suas funções me os servidores passarem a ser oferecidos de forma integral, não vai se opor a retornar o diálogo com o Sindicato".