SAÚDE

Casamata pronta em 2010

Esta foi a promessa feita durante a assinatura da ordem de serviço para construir o espaço no Hospital São José

Na manhã de ontem, uma área que serve de estacionamento nos fundos do setor de oncologia do Hospital São José reuniu mais gente que um chão de cimento escurecido parecia capaz de atrair.

A assinatura da ordem de serviço e do contrato com uma empreiteira de Blumenau marcou o início da construção do abrigo antirradioativo para a instalação do acelerador linear, um aparelho mais moderno e menos agressivo para o tratamento de câncer.

A construtora deve preparar o canteiro de obras na quarta-feira. Se der certo, segundo as previsões da Prefeitura, a casamata será inaugurada em maio de 2010, dando fim a mais de um ano de idas e vindas e licitações fracassadas.

Quem discursou, usou um tom de alívio. Enquanto o prefeito Carlito Merss falava, a ordem de serviço recém-assinada, ainda nas mãos dele, alçou voo por causa de um pé de vento. Merss se abaixou para juntar os papéis do chão e fez uma brincadeira sobre o cuidado que o documento merece.

Das alterações no projeto original até a contratação da construtora, os técnicos da Prefeitura levaram sete meses. Participaram do trabalho cerca de dez técnicos, de duas secretarias e do Instituto do Planejamento Urbano (Ippuj).

As assinaturas foram no mesmo lugar em que, há um ano, a Prefeitura fez o mesmo evento. Uma empresa de Joinville havia ganhado a segunda licitação. Assinou contrato, mas desistiu da obra.Segundo o então secretário da Saúde, Armando Pereira, a construtora teve “medo” da complexidade da construção. Na época, a casamata estava orçada em R$ 500 mil. O valor da contratação de ontem foi de R$ 1,555 milhão, que virão de recursos federais entregues ao Fundo Municipal de Saúde.

Assim, duas licitações para a obra não deram certo no ano passado. A terceira licitação foi considerada fracassada no fim de julho. Mesmo assim, a atual gestão afirma que a “novela” da casamata só está, possivelmente, nos episódios finais, por mérito da comissão de licitação.

JOINVILLE

 

SAÚDE

Equipe terá de receber capacitação

O radioterapeuta-chefe do São José, Ricardo Polli, lembra que será preciso capacitar a equipe de radioterapia para ela que consiga operar o acelerador linear.

Não há data para o início do treinamento. O aparelho similar ao do São José mais próximo de Joinville está no hospital Erasto Gaertner, em Curitiba. O de Jaraguá do Sul é diferente.

“Até fim de janeiro esperamos ter esse treinamento já pronto”, diz Polli. A equipe terá de revezar para não deixar de lado os 60 pacientes em tratamento na bomba de cobalto. Devem ser treinados: o corpo médico e os sete técnicos de radioterapia. Também o técnico responsável pela manutenção da parte elétrica e eletrônica dos equipamentos do hospital. E o próprio Polli. “É um tipo de equipamento que não dispomos aqui e a experiência que tenho em outros centros não é suficiente.”

SAÚDE

Área para construção aumentou

Secretário municipal da Saúde no ano passado, quando a Prefeitura lançou as duas primeiras licitações da construção da casamata (que deram errado), Armando Pereira defende a forma com que a gestão passada lidou com o assunto. “Fizemos de tudo para licitar a casamata, mas não deu, as empresas não aceitaram o valor.”

De acordo com ele – hoje diretor da Darcy Vargas – o governo anterior tinha menos recursos que o atual. Em relação ao projeto original, a área da casamata aumentou de 170m² para 270m². “Eles tiveram tempo para fazer isso. No fim de governo tínhamos de fechar as contas”, diz Pereira, que foi secretário em 2008. A verba de um convênio com o governo estadual, mais a contrapartida da Prefeitura, somavam R$ 500 mil. A Prefeitura teve de devolver este ano duas parcelas do convênio (R$ 204 mil) por conta do prazo estourado.

OPINIÃO

Cobrança e esperança

Suzana Klein, editora executiva

A demora na construção da casamata para Joinville passar a oferecer um tratamento mais moderno e menos agressivo aos seus doentes de câncer vem sendo acompanhada e cobrada de perto por “A Notícia”. Só neste ano, o assunto foi abordado em mais de 30 edições do jornal, em forma de reportagens e notas.

Depois de dez anos de espera da comunidade, três licitações fracassadas e acelerador linear encaixotado à espera do abrigo para ser instalado e começar a funcionar, finalmente vem a ordem de serviço e a previsão de início das obras. Está marcado para quarta-feira que vem. A outra promessa é de que o serviço comece a funcionar a partir de maio de 2010. “AN” vai continuar acompanhando de perto o cumprimento desses prazos e a concretização do serviço. A urgência de quem precisa é o que move o imperativo da obra e a causa que “AN” resolveu abraçar para ajudar os joinvilenses a ter um tratamento de câncer mais humanizado e com menos efeitos colaterais.

 

 

 

 

 

 

  • Pastilha

    A pastilha da bomba de cobalto – único aparelho de radioterapia do Hospital São José – será trocada neste ano. É a pastilha que irradia os feixes radioativos que matam células de câncer. Tem de ser trocada a cada dez anos.

  • Substituição

    A licitação para a compra está para sair – a pastilha terá de ser importada do Canadá por até 110 mil dólares.

    Segundo o radioterapeuta Ricardo Polli, a bomba de cobalto será colocada em segundo plano aos poucos, assim que o acelerador linear começar a funcionar, no próximo ano.

Transplantes

O Hospital São José de Joinville atingiu ontem a marca de 75 transplantes, superando o desempenho de todo o ano passado. Ontem, foram dois transplantes de fígados e outros dois de rins.

 

 

 

 

Visor

Bom apetite

Os ingressos esgotaram, já que a causa é nobre. Mais de 700 pessoas se reúnem, hoje à noite, para um jantar, no Clube 1º de Junho, e o dinheiro arrecadado vai direto para a construção do primeiro hospital de câncer infantil no Estado. O objetivo é iniciar as obras ainda em 2010, em São José. Serão necessários R$ 30 milhões para toda a estrutura. Cerca de 200 crianças são vítimas da doença, por ano, em SC

 

 

ARTIGOS

Pirataria na saúde por Aurimar José Pinto*

O avanço da pirataria em todos os setores da economia assusta. No setor de saúde, o risco é ainda maior, pois estamos falando em reflexo direto sobre nosso bem maior, que é a vida. De acordo a Organização Mundial da Saúde, a pirataria na área de produtos para a saúde cresce numa proporção de 15% ao ano. Considerando que o crescimento econômico mundial está longe de alcançar esta cifra, é imperativo que o trabalho de combate aos falsificadores e contrabandistas seja intensificado para que o mercado legítimo não seja contaminado, a exemplo de outros segmentos. Vários são os motivos que acreditamos levar a esta prática, entre eles a pressão do setor por menores preços. Com a intenção de estancar essa tendência, extremamente preocupante, a Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed) se uniu a uma força-tarefa coordenada pela Câmara Americana de Comércio, e também integrada por outras associações, e elaborou uma proposta de cooperação técnica de combate à pirataria, acrescida de um procedimento operacional padrão. O documento está em fase de análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O combate à pirataria no setor deve ir além dos medicamentos falsificados. Os demais produtos para saúde, conhecidos como correlatos, têm uma cadeia de comercialização ainda mais complexa, se comparada com a dos medicamentos, dificultando ainda mais o trabalho das autoridades fiscalizadoras. A Anvisa já tem assinado acordos de cooperação com o Ministério da Justiça e a Polícia Rodoviária Federal, com resultados positivos visíveis: apreensão de mais de 170 toneladas de medicamentos falsificados em 2009. O mesmo caminho precisa ser seguido na área de produtos para a saúde. A nossa luta é para minimizar os riscos para a população, e salvar vidas humanas, sem dizer também dos riscos que esta prática traz para os detentores legítimos dos registros de tais produtos.



* Presidente da Abimed

 

 

 

 

 

Opinião

 

Editorial

Novo alerta contra gripe

 

A Secretaria Estadual de Saúde confirmou, no começo desta semana, que 91 catarinenses morreram vítimas da Gripe A. Há ainda 904 casos confirmados e 4,2 mil pessoas suspeitas de terem contraído a doença estão sob a avaliação do Lacen. No geral, o número de casos caiu no estado. Mas o quadro ainda requer cuidados das autoridades sanitárias do estado e dos municípios e também da população. Observa-se um relaxamento natural, após o fim do inverno e o pico do surto da doença.

É possível que a maioria das vítimas da gripe A tinha outras doenças associadas, o que tornou o quadro fatal. Só na terça-feira, mais oito casos de óbito foram confirmados em Santa Catarina, e seis pessoas apresentavam a chamada co-morbidade, isto é, doenças associadas à infecção pelo vírus H1N1.

As condições do tempo, com chuvas e tornados, mesmo com a chegada da primavera, impõem a todos um novo alerta. Autoridades públicas e a população precisam manter o nível de vigilância elevada para impedir que um novo surto atinja o estado.

Os cuidados com a higiene e a saúde pessoal deveriam ser hábitos do cotidiano. Afinal, não é apenas a transmissão do vírus da Gripe A que deve ser combatida. Outras doenças virais também serão cada vez mais evitadas se a população incorporar ao seu dia a dia o gesto salutar de lavar e secar as mãos, tossir ou espirrar sempre sob proteção de lenços e manter os ambientes com circulação de público arejados.

As autoridades alertam que os grupos de risco devem redobrar a prevenção. São gestantes, pessoas internadas em unidade de terapia intensiva, portadoras de doença respiratória aguda grave ou com o sistema imunológico comprometido.

Estado

Gripe A. Número de casos conformados já diminuiu, mas a prevenção deve continuar rigorosa

Vírus H1N1 ainda ameaça

O número de casos confirmados de gripe A em Santa Catarina caiu, mas ainda não há motivo para descuidar da prevenção, alerta a Vigilância Epidemiológica do estado. Mais de 4 mi caos suspeitos ainda estão sob avaliação do Lacen. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, até a última terça-feira tinham sido confirmadas 91 mortes em decorrência do vírus H1N1. Outros 72 casos de óbito com suspeita de ter relação com a gripe A foram descartados. O total de registros da doença em Santa Catarina desde o início no verão passado é de 904.