Greve na saúde! Emergências serão atendidas
Lages
Mesmo com a eminência de uma greve, funcionários e direção do Hospital Tereza Ramos garantem que atendimento não será prejudicado. Mas isso não deve valer para quem está com cirurgia eletiva agendada para novembro. A representante do Sindicato dos Servidores da Saúde (Sindsaúde/SC), em Lages, Rita Isabel Gonçalves, garante que os funcionários do Hospital Tereza Ramos estão avaliando a maneira de realizar a greve, programada para acontecer a partir do próximo dia 3, de forma a causar o menor impacto no atendimento ao público. "Montamos comissões para encontrar uma maneira de minimizar ao máximo os problemas no atendimento dos pacientes", garante Rita, lembrando que nos casos de urgência e emergência, nada será modificado, mesmo com a greve.
Ela explica que os servidores ainda torcem para que até o dia 3 a Secretaria de Estado da Saúde apresente uma proposta que evite o movimento de paralisação. "Embora seja nosso direito realizar greve, não queremos isso, mas também não podemos ficar acumulando prejuízos em nossos salários", conta Rita. Ela ressalta que a proposta feita pelo governo, além de não repor as perdas com a inflação, ser escalonada, não será incorporada aos salários, pois será em forma de abono salarial.
"Não queremos prejudicar a população, mas precisamos ser reconhecidos, pois realizamos o trabalho com dedicação", afirma Rita. Ela diz ainda que se a saúde está precária, a responsabilidade não é do servidor e sim dos governos que não dão a devida atenção ao setor. A representante do sindicato também destaca que os servidores da saúde não contam com auxílio transporte e que o de alimentação hoje é de R$ 136,00. "Em outras secretarias o auxílio alimentação chega a ser superior a R$ 500,00", denuncia a sindicalista. A proposta do governo prevê 16% de abono salarial, dividido em duas parcelas, uma em janeiro e outra em agosto.
Dos cerca de 800 trabalhadores do Hospital Tereza Ramos, entre contratados, efetivos, estagiários e terceirizados, Rita acredita que entre 50% e 60% deverão aderir ao movimento de paralisação. "Estamos unidos neste movimento", afirma Rita. Rita diz que os funcionários do hospital trabalham 12 horas por dia para atingir 60 horas semanais, por meio do regime de plantão. O horário é a única opção para garantir aumento de salário, mas os servidores reclamam que a hora-plantão não é um salário digno e pode ser cortada. Hoje o salário de um técnico em enfermagem em início de carreira, segundo a representante do sindicato, varia entre R$ 700 e R$ 800 e é o mesmo pago aos auxiliares de serviços gerais (ASGs), contratados para trabalhos na copa e na limpeza.
Já o diretor do hospital, Osmar Guzatti, lembra que a greve ainda não é um fato consumado, pois ainda existem negociações entre o Governo do Estado e os servidores da Saúde. Mas, ele adianta que caso o movimento venha a ocorrer, a princípio o cronograma de trabalho só deve sofrer alteração em relação às operações eletivas agendadas anteriormente. "Tenho certeza que vamos chegar a um acordo que possibilite a continuidade normal no atendimento dos pacientes internados e nos casos de urgência e emergência", comenta o diretor. "Vamos manter contatos com os servidores para encontrar a melhor solução".
Segundo Osmar Guzatti, o Hospital Tereza Ramos atende em média mais de 1.100 pessoas por dia e 100% de seus leitos estão constantemente ocupados. "A exceção fica por conta da UTI neonatal, que graças às ações de prevenção e pré-natais bem feitos, a demanda neste setor tem diminuído", ressalta o diretor que também é médico.
Prevenção Alerta: vem aí a segunda onda da “Gripe A”
Fabiana Nonjah | Lages
O número de casos da Gripe A H1N1 diminuiu significativamente, mas médico alerta que os cuidados preventivos devem ser mantidos, porque o Brasil pode sofrer com a segunda onda da doença.
O infectologista Luiz Marcatto explica que o vírus H1N1 tem um comportamento sazonal. Isso significa que tem incidência maior nas estações frias (outono e inverno), quando há mais aglomeração e confinamento de pessoas nos ambientes. Com a chegada do calor o vírus resiste menos aos ambientes. Só que a proximidade do verão no Brasil não representa que o país está livre da Gripe A, pois é exatamente nesse período que o inverno inicia nos países da Europa, Estados Unidos e Canadá.
Marcatto alerta que o intercâmbio entre brasileiros que vão passar férias nesses países e estrangeiros que vêm aproveitar o verão brasileiro é um alerta de que todas as medidas de precaução, como lavar as mãos e usar álcool em gel, não dividir copos e talheres, cobrir o rosto ao tossir ou espirrar, devem ser mantidas. “A preocupação agora é com uma nova onda, a segunda da Gripe A”, reforça o médico ao observar que o hemisfério norte deve sofrer com ela antes do Brasil.
A boa notícia, de acordo com o infectologista, é que o governo brasileiro já encomendou 73 milhões de doses da vacina contra a gripe, de laboratórios franceses, que serão aplicadas através do Ministério da Saúde, no outono e inverno do ano que vem.
A vacinação vai ser gratuita, mas será destinada a apenas alguns grupos da população, considerados de risco. Entre eles, crianças até dois anos de idade; idosos acima de 65 anos; pessoas com imunidade comprometida (HIV positivo, cardiopatas, pneumopatas) e profissionais da saúde. “Da mesma forma que hoje você toma a sazonal vai receber essa contra o H1N1, direcionada para esses grupos”, explica Marcatto, ao lembrar que a produção dessa vacina é mais trabalhosa que a contra a gripe comum, o que a torna mais cara.
O médico ainda esclarece que atualmente mais de 80% das síndromes gripais registradas no Brasil como um todo são H1N1. A tendência, segundo Marcatto, é de que esse tipo da gripe passe a ser o predominante. “Haverá uma substituição da gripe comum pela H1N1. O que vai acontecer é que as pessoas vão desenvolver imunidade ao vírus”, diz ele.
Existe também a chance de uma nova mutação do vírus, o que pode levar entre 20 e 40 anos para acontecer de forma significativa. Por enquanto ele reforça a necessidade de preservar os cuidados básicos: “Devem ser mantidos permanentemente. As pessoas gripadas não podem esquecer dos cuidados”.
Quadro em Lages
De 2/7/09 a 23/10/09
• Foram monitorados 500 casos suspeitos.
• Do total, 309 receberam a medicação “Tamiflu”.
• 100 passaram pela coleta de exames.
• 128 foram hospitalizadas.
• Os exames confirmaram 17 casos e deram negativos para outros 34. Os resultados dos outros 49 exames ainda não saíram.
• Apenas uma morte por Gripe A foi confirmada.
A Secretaria Estadual da Saúde divulgou no dia 22 o resultado de 32 óbitos que estavam em investigação. Nove deram positivos, o que levou à centésima morte no Estado.
Crise no Infantil! Hospital acumula dívida de R$ 300 mil
Deyse Pessoa | Lages
Com uma dívida em torno de R$ 300 mil e um déficit mensal de R$ 30 mil, o Hospital Infantil Seara do Bem irá reforçar a campanha da luz para ampliar a arrecadação de recursos. Para manter o hospital funcionando com toda a sua estrutura são gastos por mês cerca de R$ 400 mil. A arrecadação fica em torno de R$ 360 a 380 mil. Os dados são do diretor-presidente do Hospital, Gilberto Alves Duarte. Em 2008 o hospital atendeu 4008 internações, destas 26,94% eram municípios da Serra Catarinense. Entretanto, de acordo com o diretor, nenhum contribui com o hospital. Pela proximidade e por serem os maiores depois de Lages, Correia Pinto e Otacílio Costa são os que mais encaminham crianças para o Seara do Bem. O médico disse que por diversas vezes estes municípios foram procurados para que de alguma forma contribuíssem com o hospital. “A única resposta que temos é a queda de arrecadação”, reclama.
O prefeito de Otacílio Costa, Denilson Luiz Padilha, confirma o que foi dito pelo diretor. “Não há como ajudar, a prefeitura já desembolsa R$ 90 mil para manter o hospital Santa Clara, valor que também será reduzido”, diz. O prefeito de Correia Pinto, Vânio Forster, diz que também não há como ajudar, e que os procedimentos que podem ser feitos em Correia Pinto são realizados lá.
Além de atender esta demanda sem remuneração, o diretor destaca a desatualização da tabela do SUS há cerca de oito anos e os altos valores cobrados por radiologistas e anestesistas. “Eles não trabalham com a tabela do SUS e têm um custo muito alto para o hospital”, salienta. Os remédios e funcionários também têm aumento acima da inflação”, diz.
Do governo do Estado há um repasse de R$ 12 mil e do governo federal nada. A prefeitura de Lages nos repassa um valor de R$ 68 mil há três anos e os convênios representam apenas 20% dos atendimentos.
Por enquanto o hospital ainda não tomou nenhuma medida drástica no atendimento, mas segundo o médico há a necessidade de serviço cirúrgico durante 24 horas, entre outras coisas. Wallace Vitor Pimentel, de oito meses, já precisou por três vezes do atendimento do Hospital. Segundo a mãe, Vanessa Kelen Pimentel, ele sempre foi bem atendido. “Não tenho reclamações”, diz ela.
Para tentar amenizar a situação o presidente explica que nos próximos dias o Hospital irá reforçar a campanha da luz. “Ela já existe, mas será reforçada”, salienta. O valor mínimo para ser doado por pessoa física é R$ 1 e jurídica é R$ 5.
Em 2008 foram 4.008 internações. 26,94% de outros municípios, principalmente
Otacílio Costa e Correia Pinto
Denilson Padilha, prefeito de Otacílio Costa
Para mim é novidade saber que tantas crianças de Otacílio são encaminhadas para o Seara do Bem.”
Vânio Forster,
prefeito de Correia Pinto
Nunca fui informado do número de crianças atendidas”.
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