SAÚDE
Pouco sangue, menos cirurgias
Na tentativa de fazer os estoques de sangue voltarem ao normal em Santa Catarina, o Hemosc da Capital vai abrir em caráter especial hoje pela manhã. Por causa da queda de 50% das bolsas de determinados tipos sanguíneos, cirurgias eletivas estão suspensas no Estado e não há previsão de retorno.
O frio e a chuva desta semana reduziram as doações, mas o problema é antigo: desde o início do ano, dirigentes do Hemosc registram queda de cerca de 150 atendimentos por dia em toda Santa Catarina. Só no centro de coleta de Florianópolis, a média de bolsas doadas em junho diariamente era de 100. Neste mês, caiu pela metade, enquanto o ideal seria coletar sangue de 120 pessoas a cada 24 horas no local. Em toda a rede, a ideia é captar 500 bolsas diárias.
Como a situação se repete nos outros cinco hemocentros e nas três unidades de coleta distribuídos por todas as regiões de Santa Catarina, na última quinta-feira a solução encontrada foi cancelar as cirurgias chamadas eletivas, aquelas que não são de urgência. Pacientes que possuem sangue tipo A negativo, B negativo, AB Negativo e O Negativo e Positivo, terão de esperar o estoque voltar ao normal. Os demais tipos sanguíneos estão com 70% do estoque.
O curioso é que, de 1988 até o ano passado, as doações estavam crescendo. Este ano, de acordo com o Hemosc, a pandemia de gripe A pode ter contribuído para a redução: em agosto, foram registradas 2 mil doações a menos do que no mesmo período de 2008, quando ocorreram 9, 5 mil doações no Estado.
– Essa baixa está ocorrendo em todo Brasil, por isso relacionamos à doença. Além do medo das pessoas de estarem em locais públicos, elas também se vacinaram mais contra a gripe, o que impede a pessoa de doar durante 30 dias após a aplicação do medicamento – avalia a assistente social do Hemosc, Leatrice Kowalski.
A profissional chama a atenção para uma contradição: o número de doações começou a cair em 2009, período em que a instituição voltou a investir em campanhas publicitárias.
Campanhas para aumentar
doadores não surtem efeito
Em julho, o Hemosc chegou a distribuir guarda-chuvas para os doadores de repetição, aqueles que doam pelo menos duas vezes ao ano.
– Não bastasse a gripe A, cada vez menos as pessoas têm tempo. A maioria dos nossos doadores está na faixa de maior atividade profissional, entre 18 e 45 anos. Sem contar que alguns desconhecem a realidade ou enxergam o problema como não sendo seu – observa Bianca Schmidt, gerente administrativa do Hemosc.
O Hemosc não informou o número atual de bolsas no estoque estadual.
MARIANA ORTIGA
Ato de solidariedade pela vida
Thiago Ironi Vieira, 23 anos, recebeu um telefonema do Hemosc às 13h da última quinta-feira. Em menos de duas horas ele estava no local para doar sangue. Esta foi a terceira vez este ano que ele praticou o ato de solidariedade.
A mãe e os quatro irmãos de Thiago também são doadores conecidos no Hemosc. Foi com eles que o fiscal de vigilância pegou o hábito de doar sangue. A família teve como incentivo um problema grave. Uma irmã dele precisou fazer uma cirurgia no coração aos 10 anos de idade.
– Ela enfrentou quatro operações desde o aparecimento da doença, e, passados 28 anos da primeira, está bem. Doar não é para os outros. O bem vem de volta – comenta Thiago.
Uma cirurgia cardíaca pode utilizar de oito a 10 bolsas de sangue. Diante da demanda e da falta de doadores, o estoque de Florianópolis está com 400 bolsas e deveria estar com 800. O Hemosc abastece 90% das instituições que precisam de sangue no Estado e é responsável pela realização de 12 mil transfusões por mês.
A técnica em enfermagem Adelir Souza, que atua no Hemosc, destaca que o mais comum é faltar sangue O Negativo porque só 9% da população possui este tipo. Mas há um apelo para que sejam feitas mais doações de A e O positivo. Como os dois tipos são os mais comuns, a oferta precisa ser tão grande quanto a procura.
GRIPE A
Sobe para 52 o número de mortos em SC
Boletim da Vigilância mostra que Estado tem 456 casos da doença
Subiu para 52 o número de pessoas que morreram por causa da gripe A em Santa Catarina, segundo boletim divulgado ontem pela Vigilância Epidemiológica Estadual.
Na lista de ontem, constam as últimas quatro mortes (detalhes no box). As vítimas faziam parte do chamado grupo de risco.
De acordo com o boletim, no Estado há 456 pessoas com gripe A. Estão internados, com doenças respiratórias agudas graves, 320 pacientes. Desse total, 15 são gestantes.
As mortes confirmadas ontem são de exames feitos na Fiocruz, no Rio de Janeiro, para onde eram enviados os testes de Santa Catarina até a semana passada. Desde terça-feira, as análises do Estado estão sendo feitas no Laboratório Central, na Capital.
Para Luis Antônio Silva, diretor da Vigilância Epidemiológica, os casos de gripe A estão em declínio, mas a população deve cuidar com a higiene para continuar o combate à doença.
Nos centros de triagem, a procura por atendimento caiu a ponto de, em algumas cidades, serem fechados. É o caso de Chapecó, Concórdia e Joaçaba. Em São José, na Grande Florianópolis, o posto atendia em média 400 pessoas por dia quando abriu, há um mês. Agora atende cem ao dia.
Ontem, o Ministério Público do Trabalho determinou que, na próxima segunda-feira, as gestante que trabalham no serviço público e setor privado que estavam em casa por causa da gripe A voltem ao trabalho. A mesma determinação foi dada na quinta-feira pela Vigilância Epidemiológica. Grávidas foram liberadas ou trocaram de setor em agosto
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