GRIPE A

Primeira morte em São Bento

Vigilância Epidemiológica Estadual divulga novo boletim e número de vítimas chega a 52 em Santa Catarina

São Bento do Sul, no Planalto Norte, teve confirmada ontem a primeira morte por gripe A. O número de mortes na região Norte sobe para sete. Em São Bento, foi uma mulher de 98 anos, que estava internada no Hospital e Maternidade Sagrada Família no final de agosto. Ela morreu no dia 5, de falência múltipla dos órgãos. Ela teve pneumonia, que causou infecção generalizada. Havia a suspeita de que outras três mortes tivessem sido causadas pelo vírus H1N1. Mas todas foram descartadas.

Ontem, a unidade de triagem que funcionava no Centro de São Bento do Sul há quase um mês, foi desativada. A Prefeitura pretende acatar, a partir de segunda-feira, a norma do Estado, que pediu a suspensão de medidas preventivas, como o afastamento de mulheres grávidas do trabalho.

A gerente de Vigilância Epidemiológica, Cristiane Jantsch Sestren, diz que a confirmação da primeira morte por gripe A é motivo de alarme. “Os resultados têm demorado muito”, afirma. Segundo ela, a procura de doentes diminuiu nas últimas semanas. “Desde o dia 3 não notificávamos casos suspeitos. Apenas hoje surgiu um doente grave, que já está bem”.

Em Joinville, o número de casos confirmados subiu de 35 para 37. Apenas uma morte foi registrada. A Vigilância publica, na segunda, portaria suspendendo ações preventivas.

Além do retorno das grávidas ao trabalho e a permissão para eventos, os hospitais voltam a fazer cirurgias eletivas e os postos de saúde funcionam em horário normal. O posto de saúde do Fátima abrirá até as 19 horas; e do Bohermerwaldt, até as 17 horas.

 

 

SAÚDE

Pouco sangue, menos cirurgias

Na tentativa de fazer os estoques de sangue voltarem ao normal em Santa Catarina, o Hemosc da Capital vai abrir em caráter especial hoje pela manhã. Por causa da queda de 50% das bolsas de determinados tipos sanguíneos, cirurgias eletivas estão suspensas no Estado e não há previsão de retorno.

O frio e a chuva desta semana reduziram as doações, mas o problema é antigo: desde o início do ano, dirigentes do Hemosc registram queda de cerca de 150 atendimentos por dia em toda Santa Catarina. Só no centro de coleta de Florianópolis, a média de bolsas doadas em junho diariamente era de 100. Neste mês, caiu pela metade, enquanto o ideal seria coletar sangue de 120 pessoas a cada 24 horas no local. Em toda a rede, a ideia é captar 500 bolsas diárias.

Como a situação se repete nos outros cinco hemocentros e nas três unidades de coleta distribuídos por todas as regiões de Santa Catarina, na última quinta-feira a solução encontrada foi cancelar as cirurgias chamadas eletivas, aquelas que não são de urgência. Pacientes que possuem sangue tipo A negativo, B negativo, AB Negativo e O Negativo e Positivo, terão de esperar o estoque voltar ao normal. Os demais tipos sanguíneos estão com 70% do estoque.

O curioso é que, de 1988 até o ano passado, as doações estavam crescendo. Este ano, de acordo com o Hemosc, a pandemia de gripe A pode ter contribuído para a redução: em agosto, foram registradas 2 mil doações a menos do que no mesmo período de 2008, quando ocorreram 9, 5 mil doações no Estado.

– Essa baixa está ocorrendo em todo Brasil, por isso relacionamos à doença. Além do medo das pessoas de estarem em locais públicos, elas também se vacinaram mais contra a gripe, o que impede a pessoa de doar durante 30 dias após a aplicação do medicamento – avalia a assistente social do Hemosc, Leatrice Kowalski.

A profissional chama a atenção para uma contradição: o número de doações começou a cair em 2009, período em que a instituição voltou a investir em campanhas publicitárias.


Campanhas para aumentar

doadores não surtem efeito

Em julho, o Hemosc chegou a distribuir guarda-chuvas para os doadores de repetição, aqueles que doam pelo menos duas vezes ao ano.

– Não bastasse a gripe A, cada vez menos as pessoas têm tempo. A maioria dos nossos doadores está na faixa de maior atividade profissional, entre 18 e 45 anos. Sem contar que alguns desconhecem a realidade ou enxergam o problema como não sendo seu – observa Bianca Schmidt, gerente administrativa do Hemosc.

O Hemosc não informou o número atual de bolsas no estoque estadual.

MARIANA ORTIGA

 

Ato de solidariedade pela vida

Thiago Ironi Vieira, 23 anos, recebeu um telefonema do Hemosc às 13h da última quinta-feira. Em menos de duas horas ele estava no local para doar sangue. Esta foi a terceira vez este ano que ele praticou o ato de solidariedade.

A mãe e os quatro irmãos de Thiago também são doadores conecidos no Hemosc. Foi com eles que o fiscal de vigilância pegou o hábito de doar sangue. A família teve como incentivo um problema grave. Uma irmã dele precisou fazer uma cirurgia no coração aos 10 anos de idade.

– Ela enfrentou quatro operações desde o aparecimento da doença, e, passados 28 anos da primeira, está bem. Doar não é para os outros. O bem vem de volta – comenta Thiago.

Uma cirurgia cardíaca pode utilizar de oito a 10 bolsas de sangue. Diante da demanda e da falta de doadores, o estoque de Florianópolis está com 400 bolsas e deveria estar com 800. O Hemosc abastece 90% das instituições que precisam de sangue no Estado e é responsável pela realização de 12 mil transfusões por mês.

A técnica em enfermagem Adelir Souza, que atua no Hemosc, destaca que o mais comum é faltar sangue O Negativo porque só 9% da população possui este tipo. Mas há um apelo para que sejam feitas mais doações de A e O positivo. Como os dois tipos são os mais comuns, a oferta precisa ser tão grande quanto a procura.

 

GRIPE A

Sobe para 52 o número de mortos em SC

Boletim da Vigilância mostra que Estado tem 456 casos da doença

Subiu para 52 o número de pessoas que morreram por causa da gripe A em Santa Catarina, segundo boletim divulgado ontem pela Vigilância Epidemiológica Estadual.

Na lista de ontem, constam as últimas quatro mortes (detalhes no box). As vítimas faziam parte do chamado grupo de risco.

De acordo com o boletim, no Estado há 456 pessoas com gripe A. Estão internados, com doenças respiratórias agudas graves, 320 pacientes. Desse total, 15 são gestantes.

As mortes confirmadas ontem são de exames feitos na Fiocruz, no Rio de Janeiro, para onde eram enviados os testes de Santa Catarina até a semana passada. Desde terça-feira, as análises do Estado estão sendo feitas no Laboratório Central, na Capital.

Para Luis Antônio Silva, diretor da Vigilância Epidemiológica, os casos de gripe A estão em declínio, mas a população deve cuidar com a higiene para continuar o combate à doença.

Nos centros de triagem, a procura por atendimento caiu a ponto de, em algumas cidades, serem fechados. É o caso de Chapecó, Concórdia e Joaçaba. Em São José, na Grande Florianópolis, o posto atendia em média 400 pessoas por dia quando abriu, há um mês. Agora atende cem ao dia.

Ontem, o Ministério Público do Trabalho determinou que, na próxima segunda-feira, as gestante que trabalham no serviço público e setor privado que estavam em casa por causa da gripe A voltem ao trabalho. A mesma determinação foi dada na quinta-feira pela Vigilância Epidemiológica. Grávidas foram liberadas ou trocaram de setor em agosto