Está nascendo a vacina verde-e-amarela

Desde abril, quando o vírus da gripe A (H1N1) começou a se espalhar pelo mundo, os cientistas se dedicam a uma corrida para criar uma vacina. E conseguiram. A imunização já está em teste nos Estados Unidos e na Europa e deve chegar à população ainda este ano. Em outubro, o Brasil se tornará o único país da América Latina a figurar na lista dos produtores das doses.

O Instituto Butantan, de São Paulo, investiu R$ 100 milhões em uma moderna fábrica. No início, o objetivo era se preparar contra uma possível epidemia de gripe aviária. Falta apenas a autorização do Sanofi Pasteur, laboratório responsável pela transferência de tecnologia, para iniciar os trabalhos.

São 10 mil metros quadrados divididos em três áreas, além da divisão onde o material é finalizado e colocado nos frascos, que fica em outro prédio próximo. No total, devem trabalhar mais de cem profissionais.

O Butantan poderá produzir qualquer imunização contra a influenza. Isso deixará o Brasil ainda mais independente, já que a maior parte das doses continua sendo desenvolvida por americanos e europeus. Mas somente um tipo da vacina pode ser produzido de cada vez.

FLORIANÓPOLIS
PERGUNTAS E RESPOSTAS
Quando a primeira dose ficará pronta?
Em março ou abril.
Como será a imunização?
Ainda não se sabe.
Quantas doses serão produzidas?
Trinta milhões de doses, no ano que vem. O governo federal deve importar outros 17 milhões de doses.
Quem será vacinado?
Provavelmente, as primeiras doses serão dadas a profissionais da saúde, gestantes e integrantes de outros grupos de risco.

 

 

 

 

Sobre a saúde

O aumento da população idosa remete a maior pressão sobre o sistema de saúde. De cada 100 pessoas com mais de 60 anos de idade na cidade, apenas 23 têm plano de saúde privado. No restante da população, a relação é de 37 por 100.

Claro que a disparidade é motivada pelos planos das empresas, que atendem principalmente quem está na ativa. A Prefeitura tem um serviço de teleassistência para idosos, mas a cobertura é pequena.

 


 

 

 

ARTIGOS

Gripe A e automedicação por RICARDO MARTINS *

Não bastassem todas as dificuldades pelas quais passa nosso sistema de saúde, o inverno trouxe para nós brasileiros motivos para mais preocupações: a pandemia de gripe A H1N1. Em pouco tempo, a já abarrotada agenda da Saúde Pública tornou-se quase inviável. Logo foram adotadas medidas para prevenir que a infecção se alastrasse. A população foi orientada a lavar as mãos com frequência, a fazer o asseio do nariz com lenços de papel descartáveis, a evitar frequentar locais de pouca ventilação e de grande aglomeração, a permanecer em casa em caso de sintomas gripais, etc. Recomendou-se, também, evitar a automedicação. O esforço para que as pessoas deixem de se medicar através de velhas práticas familiares ou pela recomendação de curiosos é antigo. Entretanto, pesquisas mostram que é cada vez maior o número de pessoas internadas nos hospitais por efeitos colaterais do emprego de medicamentos, muitas vezes decorrentes de seu mau uso. Ao decidir-se por um tratamento medicamentoso, corre-se um grau de risco variável de se atingir danos não previstos.

Em situação de pandemia tal como nos encontramos agora, surgem várias dificuldades, entre as quais o acesso rápido aos cuidados da rede de saúde. Isso vale tanto para a rede pública quanto para a rede privada. A saída não está em recorrer à automedicação. Essa opção de buscar o tratamento sem a supervisão de um médico pode ter terríveis consequências. Não se pode descartar o fato de que estamos diante de um vírus com potencial para gerar sérias complicações. O uso indiscriminado de medicações pode mascarar sinais de alerta e adiar decisões de grande importância para deter em tempo hábil o curso dessa doença. Para a gripe A existem, no momento, apenas dois medicamentos eficazes, um dos quais com seu uso controlado pelas autoridades governamentais, e o outro ainda inexistente no mercado brasileiro. Louve-se a decisão da Anvisa em proibir a veiculação na imprensa de propagandas versando sobre medicamentos ditos antigripais.



* Médico, especialista da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia

 

Geral

GRIPE A

Como se faz uma vacina

Instituto Butantan, em São Paulo, começará a fabricar doses contra a doença no mês que vem para o país

Desde o mês de abril, quando o vírus H1N1 começou a se espalhar rapidamente pelo mundo, os cientistas se dedicam a uma corrida veloz para criar uma vacina capaz de frear o contágio. Conseguiram. A imunização já está em teste nos Estados Unidos e na Europa e, em outubro, o Brasil se tornará o único país da América Latina a figurar na lista dos produtores das doses. O feito se deve à boa estrutura do Instituto Butantan, de São Paulo.

A entidade investiu R$ 100 milhões em uma moderna fábrica. No início, o objetivo era se preparar contra uma possível epidemia de gripe aviária, mas os planos mudaram com a nova pandemia do vírus que eclodiu no México. Falta apenas a autorização do Sanofi Pasteur, laboratório responsável pela transferência de tecnologia, para iniciar os trabalhos. São 10 mil metros quadrados divididos em três áreas, além da divisão onde o material é finalizado e colocado nos frascos, que fica em outro prédio próximo. No total, devem trabalhar mais de cem profissionais.

O Butantan poderá produzir qualquer imunização contra a influenza, como a comum, por exemplo. Isso deixará o Brasil ainda mais independente, já que a maior parte das doses continua sendo desenvolvida por americanos e europeus. Mas somente um tipo da vacina pode ser produzido de cada vez.

O processo requer cargas de milhares de ovos vindas de granjas que criam galinhas sem o uso de antibióticos e com ração especial. Para cada ovo, podem ser feitas de uma a quatro doses. Os ovos são chocados em incubadoras, por 11 dias.

Ao completar esse período, é a vez de o aparelho ovoscópio entrar em ação. Graças ao equipamento, os cientistas conseguem analisar o estado do embrião.

– Seguem no processo as unidades boas, com o embrião desenvolvido e vivo. Se houver algum problema, como embrião morto ou ovo não fertilizado, é descartado – explica Cosue Miyaki, bióloga do Butantan.

A etapa seguinte é a inoculação: introduzir o vírus H1N1 nos ovos. O micro-organismo fica em um líquido produzido pelo embrião chamado alantoico. Depois o líquido é recolhido, clarificado e purificado em centrífugas. Nas últimas etapas, “quebra-se” o vírus em partes. Como ainda pode conter alguns vírus inteiros, é inativado com formol. O produto é filtrado, diluído e distribuído em frascos.

– Fazemos a vacina com o vírus inativo, mas com as proteínas necessárias para estimular o sistema imunológico a criar anticorpos para defender o organismo – diz Cosue.


Testes mostram que uma dose resulta em proteção

Nos Estados Unidos, os últimos testes clínicos da vacina contra a gripe A provaram que um adulto necessitará somente de uma dose para se tornar imune à doença, 10 dias após sua administração.

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas, que patrocina os testes clínicos nos EUA, assegura que as mostras de sangue extraídas de adultos entre oito e 10 dias depois da administração da vacina refletiram uma “robusta resposta imune”. Segundo ele, a vacina é segura e não houve registro de efeitos colaterais perigosos, além de dores de cabeça ou braços doloridos.

A produção no Brasil

Quando começa a produção?

Em outubro.

Quando a primeira dose ficará pronta?

Em março ou abril de 2010. Em janeiro, as primeiras doses feitas a partir de vacinas parciais (importadas) já estarão prontas.

Como será a imunização?

Ainda não se sabe se será necessário imunizar as pessoas com uma ou duas doses da vacina.

Quantas doses serão produzidas?

No Instituto Butantan, a previsão é de produzir 30 milhões de doses no ano que vem. Além disso, o governo federal deve importar mais 17 milhões de doses.

Quem será vacinado?

Provavelmente, as primeiras doses serão dadas a profissionais da saúde e gestantes.

Quem não poderá ser imunizado?

Pessoas alérgicas à proteína do ovo.

Por que vacinas são feitas a partir de ovos

- O vírus influenza também é encontrado nas aves. Pode ser colocado no embrião do ovo sem matá-lo

- O embrião se desenvolve rapidamente. Em 11 dias, já está pronto para receber o vírus e, em até 72 horas depois, o líquido alantoico, excretado pelo embrião, pode ser retirado com o vírus replicado (multiplicado)

-  A técnica é amplamente conhecida e implementada no mundo, o que facilita a aquisição da matéria-prima e dos equipamentos

- Outra técnica deve estar mais acessível em alguns anos. Cientistas conseguem produzir vacinas a partir da gordura de células de animais.

 

SAÚDE

Vacina contra paralisia inicia segunda-feira

Todas as crianças de até cinco anos de idade devem tomar a gotinha

A partir desta segunda-feira, todas as crianças com menos de cinco anos de idade poderão tomar a segunda dose da vacina da poliomielite, ou paralisia infantil, nos postos de saúde de todo o Estado.

O Dia D da campanha nacional será no sábado que vem, 19 de setembro.

– Às vezes, os pais trabalham no sábado ou por qualquer outro motivo não podem levar as crianças no dia, então a ideia é começar a vacinação já na segunda-feira – explica o diretor da Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, Luis Antonio Silva.

Inicialmente, a segunda fase da imunização estava marcada para 22 de agosto, mas a preocupação com a pandemia de gripe A fez com que o Ministério da Saúde adiasse a campanha. Na primeira etapa, a Secretaria de Estado da Saúde registrou a imunização de 433.847 crianças até cinco anos de idade, ultrapassando a meta de imunizar 95% da população nessa faixa etária.

A campanha nacional foi criada para impedir que o vírus causador da paralisia infantil volte a circular no Brasil, mantendo o continente americano livre da doença. A vacina é gratuita.