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EM FLORIANÓPOLIS
Postos ficam sem médicos

Os postos de saúde de Florianópolis estarão sem médicos hoje à tarde. Eles protestam contra o desconto que é feito numa gratificação salarial.

A suspensão está prevista somente para hoje, mas a decisão dos médicos sobre novas paralisações depende do desfecho de uma reunião entre a prefeitura e representantes do sindicato da categoria, hoje, às 15h.

A Secretaria Municipal de Saúde afirma que a população não será prejudicada porque as consultas foram transferidas com antecedência. Enfermeiros e técnicos das unidades de saúde farão o atendimento e casos de emergência serão encaminhados para as unidades de pronto atendimento (UPA) Norte e Sul.

Os médicos não concordam com o desconto da gratificação recebida pelo Programa de Saúde da Família (PSF). O secretário da pasta, João José Cândido da Silva, não foi localizado para comentar o assunto.

 

EDITORIAIS
FOCO NA SAÚDE PÚBLICA

O alerta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que escolheu a saúde pública como tema da Campanha da Fraternidade de 2012, merece a atenção dos governantes, de líderes políticos, de candidatos às eleições municipais e, principalmente, dos cidadãos brasileiros que se utilizam dos serviços públicos nessa área. Mais do que a pressão pelo cumprimento dos repasses orçamentários previstos pela Constituição, cabe à população fiscalizar efetivamente a oferta de serviços pela rede pública, intensificando o uso de todas as ferramentas disponíveis para denunciar irregularidades e cobrar qualidade e boa gestão.

Reiterada sempre como prioridade nos discursos de governantes e de candidatos políticos, a saúde pública, normalmente, acaba desfavorecida na hora da tomada de decisões objetivas que influem no cotidiano de milhões de brasileiros. A mais recente delas é a decisão do governo federal de, mesmo renovando o compromisso com programas sociais, ter determinado justamente nessa área um contingenciamento de R$ 5,473 bilhões, de um total de R$ 55 bilhões nos montantes previstos no Orçamento da União para este ano. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, garantiu que não irá ficar esperando os recursos “virem do céu”. A escolha do tema “Que a saúde se difunda sobre a terra” pela CNBB pode contribuir para reforçar as receitas do setor com o dinheiro dos impostos dos brasileiros se a pressão contribuir para os resultados esperados.

Uma das justificativas do governo federal é de que o corte nas verbas adicionais da saúde é estratégico para as contas públicas. Pela Emenda 29, que define o percentual mínimo de investimento de cada instância da federação nessa área, o piso nacional do setor é calculado com base no gasto do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB). Um acréscimo nos investimentos, portanto, teria impacto expressivo nas contas públicas, mas quem acaba perdendo, mais uma vez, são os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Em contrapartida, o Planalto garante que, mesmo com o contingenciamento nas verbas infladas por parlamentares, a saúde pública terá neste ano o maior aumento nas receitas em mais de uma década. A alegação demonstra que um financiamento em níveis adequados do setor não depende, necessariamente, da criação de um imposto específico, mas, acima de tudo, de maior atenção para evitar fraudes e desperdícios nesta que é uma das áreas mais visadas pela corrupção.

Os usuários do SUS precisam pressionar por mais verbas, mas também por uma melhor gestão, que assegure mais qualidade no atendimento. A universalização dos serviços foi uma conquista dos brasileiros que só irá garantir os resultados pretendidos se cada instância da federação se comprometer efetivamente em assumir suas responsabilidades específicas, zelando para que nenhum centavo seja desperdiçado.

 

Joinville | SAÚDE PÚBLICA
Faltam 22 remédios gratuitos
Laboratório sem matéria-prima e burocracia provocam baixa em estoque


Os estoques da Central de Abastecimento Farmacêutico, administrado pela Secretaria Municipal de Saúde, estão menores desde o dia 14 de fevereiro.

Problemas burocráticos e a falta de matéria-prima são os motivos que provocaram a falta de 22 dos 128 medicamentos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Joinville nos postos (confira a lista ao lado).

A maioria dos medicamentos ainda não foi entregue, segundo a secretaria, porque parte das empresas pediu a impugnação do pregão 205, realizado no fim do ano passado.

Alguns fornecedores não aceitaram o pedido do setor de compras da secretaria de entregar um documento que comprova a autorização do laboratório para distribuir os remédios.

Por causa da impugnação, 12 medicamentos estão em falta na central. A previsão é de que até meados de março sejam entregues, após ser resolvido o problema no pregão e assinada a ordem de remessa dos produtos. A partir disso, a empresa vencedora tem no máximo dez dias para enviar os medicamentos.

Matéria-prima

O problema que acarretou, a entrega da Sinvastatina, remédio usado no combate ao alto nível de colesterol, é a falta de matéria-prima no laboratório. A empresa fornecedora teria vencido os três últimos pregões e alegado, nos três casos, que o laboratório não tinha como fazer o medicamento. Por causa disso, a secretaria fez uma compra emergencial do remédio de 20 mg, que voltou a faltar em meados deste mês na central de abastecimento.

Um dos remédios, o carbonato de cálcio + Vitamina D 500 mg/200UI, não teve interessados no fornecimento. Já os estrógenos conjugados não serão mais fabricados pelos laboratórios.

A Secretaria de Saúde faz questão de ressaltar que a compra os remédios é feita de quatro a seis meses antes do término na Central de Abastecimento Farmacêutico.

A Prefeitura ainda não recebeu reclamações de falta de medicamentos nos postos de saúde.

 

ENTREVISTA
“Queremos aliar saúde do corpo e da alma”
Dom Irineu

Lançada na quarta, a Campanha da Fraternidade, cujo tema é “Fraternidade e Saúde”, tem como objetivo fazer com que a população e as autoridades reflitam sobre os desafios que o País enfrenta no setor. Em entrevista ao “AN”, o bispo de Joinville, dom Irineu Roque Scherer, afirma que o tema é uma “chamada de atenção” para a situação da saúde e que é preciso maior diálogo entre os órgão para que os pacientes tenham atendimentos dignos.

A Notícia – Por que escolher a saúde pública como tema para a campanha deste ano?

Dom Irineu – A Igreja sempre foi uma referência na questão do enfermo. Se analisarmos a história da Igreja, vamos encontrar essa presença constate. Diante da atual situação dos hospitais públicos, queremos aliar saúde do corpo e da alma. Não queremos fazer esta reflexão apenas na Igreja, mas nas escolas, na Câmara de Vereadores e na Prefeitura.

AN – O Ministério Público fez visitas aos estabelecimentos de saúde pública de Joinville e chegou à conclusão de que a situação é “caótica”. O senhor tem conhecimento disso?

Dom Irineu – Sim. Principalmente no Hospital São José. Sabemos que há uma fila de leitos e que as pessoas não recebem um atendimento digno. Inclusive, recebi reclamações de padres que não conseguiram fazer visitas aos pacientes. Ou seja, além da falta de atendimento médico, eles não recebem um remédio para a alma.

AN – O que pode ser feito para mudar esta situação?

Dom Irineu – Não é papel da Igreja resolver os problemas, mas sim conscientizar. Acho que é necessário fazer um check-up. Analisar onde estão os problemas e, por meio de diálogos entre os órgãos competentes, encontrar soluções. Acho que é o que está faltando. Se a função dos hospitais é diminuir o sofrimento do ser humano, acho que vale todo o empenho.

 

Jaraguá
BEBÊ PREMATURA


Uma menina que nasceu de seis meses de gestação no pronto-socorro da Enseada, em São Francisco do Sul, foi transferida ontem para o Hospital e Maternidade Jaraguá. Ela chegou a ser levada de ambulância para o Hospital Materno Infantil, em Joinville, mas como não tinha vaga na UTI, a menina voltou para Jaraguá onde está na UTI em estado grave.

 

Hospital Regional de São José completa 25 anos de fundação

Inaugurado há 25 anos, o Hospital Regional Homero de Miranda Gomes, em São José, terá programação de aniversário no próximo fim de semana. A programação inicia nesta quinta-feira (23) com a abertura do 2º Congresso do Hospital, que segue até o dia 24 no Centro Multiuso, na avenida Beira-mar de São José. No Congresso serão discutidos temas voltados para a humanização hospitalar.

No sábado (25) haverá a caminhada “Sou Mais Saúde”, das 7 às 19h, com concentração em frente ao Cati (Centro de Atenção à Terceira Idade). A partir das 20h está programada a noite festiva no Centro Multiuso para encerrar as comemorações de aniversário.

O Hospital Regional, que possui 300 leitos, é referência nas áreas de Ortopedia/Traumatologia; Oftalmologia; UTI; Neonatologia e UTI Neonatal; Cirurgia Geral; Cirurgia Bariátrica, Emergência Geral e Pediátrica. No local são registradas em média 1,2 mil internações mensais, além de 580 cirurgias e cinco mil consultas ambulatoriais.

Na Emergência Geral, onde são atendidas pessoas vindas de todo o estado, são realizados cerca de 23 mil consultas por mês.

 


Médicos param na tarde de hoje
Florianópolis. Desconto provoca movimento

Os médicos da Prefeitura de Florianópolis prometem suspender o atendimento nos mais de 50 postos, hoje à tarde, quando estarão reunidos em frente à prefeitura. Eles vão apoiar os representantes da categoria que tentam evitar o desconto que ocorre na gratificação do Programa Saúde da Família (PSF).

Os profissionais consideram a esse desconto ilegal. “As unidades de saúde não estarão fechadas. Somente os médicos não atenderão. Nas UPAs Norte e Sul, o atendimento será normal”, garantiu o diretor clínico da secretaria municipal de Saúde, Renato Figueiredo.

A reunião na prefeitura, a partir das 14h30, será com os representantes do Simesc, secretário de governo, Gean Loureiro, secretário de Saúde, João Cândido da Silva, secretário da Administração, Sandro Ricardo Fernandes e diretoria clínica da saúde municipal.

Além da suspensão do desconto, os médicos cobram o aumento de 15% na gratificação do PSF, pedido que já foi acatado pelo secretário de Saúde, retroativo a janeiro. “Desde maio do ano passado tentamos negociar com a secretaria da Saúde do município a suspensão desse desconto, que pode ser um dos responsáveis pela evasão de médicos do serviço municipal”, afirmou César Ferraresi, secretário geral do Simesc.

 

Transmissão de HIV e Aids aumenta no carnaval
Mais 12 pessoas poderão ter sido infectadas pelo vírus da Aids neste mês em Lages. A estimativa é da Secretaria Municipal da Saúde. Fora deste período, sete novos casos, aproximadamente, são detectados por mês.

O período de maior transmissão do vírus HIV (Human Immunodeficincy Virus) é no carnaval. Atualmente há 633 pacientes nos 18 municípios da Serra Catarinense. Desses, há 472 pacientes em Lages, 231 são homens e 222 são mulheres.

Desde 1984, em Santa Catarina, já foram notificados 26.901 casos de Aids, sendo 25.970 em adultos e 931 em crianças. Em 2011, a incidência de Aids em adultos foi de 25 casos para cada 100 mil/habitantes. Mais de 87% dos municípios do Estado já notificaram pelo menos um caso da doença.

A coordenadora do programa DST/HIV/Aids, Graziele de Oliveira, diz que normalmente as mulheres que mais são vítimas da transmissão do vírus HIV, em períodos fora do carnaval, são as donas de casa, pois confiam em seus parceiros e não utilizam métodos contraceptivos. “Não podemos confiar em ninguém. É importante se proteger sempre”, alerta.

Já no Carnaval, a incidência de transmissão está presente em todos os perfis, desde homens, mulheres, homossexuais, mais velhos ou mais novos. “O carnaval é um período de euforia. As pessoas exibem muito a sexualidade e não pensam antes de fazer as coisas. Hoje, por saberem que o tratamento da Aids está avançado, preferem não se proteger. Usar camisinha é apenas um detalhe, mas que vai fazer toda a diferença pelo resto da vida”, comenta Graziele.

É por isso que as campanhas de prevenção são intensificadas nessa época. Inicialmente, as equipes estiveram no carnaval de rua do bairro Habitação e durante três dias visitaram bares e casas noturnas da cidade. A equipe entregou material informativo como leques e copos de chope, bem como preservativos.

Além disso, disponibiliza os materiais em todas as unidades de saúde e orientação do uso correto de preservativos masculinos e femininos.

HIV e Aids não são a mesma coisa
O HIV é o vírus que causa a Aids. Em alguns casos a pessoa pode ter apenas o HIV e não manifestar a Aids. Ela é HIV-positivo ou soropositiva, pois não teve o sistema imunológico comprometido, algo que pode demorar alguns meses ou alguns anos para acontecer.

O período de manifestação depende de cada organismo humano. Em Lages, há mais mulheres com a doença já manifestada. Mas, alguns pacientes podem conviver com o HIV por anos e nunca saber, pois somente quando a doença se manifesta é que o corpo sente os efeitos.

Para detectar o quanto antes se a pessoa tem o HIV ou se já está com a doença deve fazer o exame de sangue. É fácil e gratuito. São detectados quatro tipo de componentes: HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C.

Se o resultado for positivo o tratamento requer acompanhamento médico e uma dosagem diária de remédio. Com o avanço da medicina, atualmente não há mais necessidade de se tomar um coquetel. Em média, são três comprimidos por dia. Se o paciente é somente soropositivo o acompanhamento é feito através de exames com diferença de quatro meses.

 

Prevenção de câncer é fundamental
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se que em 2012 mais de 150 mil novos casos de câncer da pele do tipo menos agressivo, o não melanoma, acometam brasileiros de ambos os sexos. O tipo mais raro desse tumor, o melanoma, chegou a causar cerca de 1.400 mortes em 2009.

Em Santa Catarina, é possível traçar um perfil dos pacientes atendidos no ambulatório de câncer da pele do Hospital Nereu Ramos, da Secretaria de Estado da Saúde (SES), segundo pesquisa coordenada pelo médico dermatologista Daniel Holthausen Nunes.

Confira a entrevista:

O câncer de pele corresponde a 25% dos tumores malignos registrados no Brasil? A que se deve isso?
Os tumores da pele são os mais comuns devido à facilidade de diagnóstico. As lesões aparecem em áreas expostas e por isso são mais rapidamente percebidas pelo paciente. Em função disso, também o câncer da pele pode chegar a uma taxa de 80% a 90% de cura.

A quais sinais devemos estar atentos?
No caso de câncer da pele melanoma, o mais grave, é possível identificar o aparecimento ou modificação de alguma pinta. Elas têm características bem específicas que os médicos costumam denominar de “ABCD”, ou seja, são pintas assimétricas, com borda irregular, várias cores e diâmetro maior do que 0,6cm. No tumor não melanoma as lesões são elevadas, da mesma cor da pele, porém são brilhantes, de um aspecto perolado. Nesses casos, pode ou não haver ulceração (ferida) e crosta, a famosa casquinha.

Quais são as principais causas de tumores da pele?
São três basicamente: radiação, alteração genética e infecções virais por HPV. Além dos raios ultravioletas, qualquer radiação ionizante pode gerar quadros de câncer, como por exemplo, raios-X e radioterapia. Por isso, os profissionais dessa área devem usar proteção. O bronzeamento artificial também é outro fator de risco. As infecções virais (HPV) estão relacionadas ao surgimento de tumores principalmente nos genitais e mucosas (boca, ânus).

Qual é o perfil de paciente que apresenta esse tipo de tumor?
Na maioria dos casos, principalmente dos melanomas, o paciente já tem mais de 40 anos. Uma pesquisa realizada no ambulatório de câncer da pele do Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis, apontou que 75% dos pacientes têm mais de 30 anos de exposição, e 77% não usam protetor solar. De forma geral, é mais comum em pessoas de pele clara, chegando a 89% dos casos analisados. A pesquisa mostrou também que 72% dos pacientes exercem alguma atividade com exposição solar, sendo que 52% são agricultores.

Qual a diferença clínica entre os tipos de tumor melanoma e não melanoma?
Os tumores da pele, que é o maior órgão do corpo humano, são diferenciados pela linhagem das células. O tipo melanoma é mais raro e acomete as células pigmentadas. Esse tipo entra nas estatísticas por ser mais agressivo e tem metástase (espalhamento) rápida. O não melanoma é originário da parte estrutural das células; atinge principalmente a região do rosto e pode causar desfiguramento. Os sinais têm normalmente a cor da pele, porém, são mais brilhantes, pode fazer casca e feridas que não cicatrizam.

Que tratamento se dá aos pacientes com câncer da pele?
O tratamento se dá em duas fases: a primeira é a detecção precoce, depois o procedimento cirúrgico. Este é composto de duas etapas, que são a retirada do tumor e a reconstituição do lugar afetado.Para a reconstituição podem ser aplicadas duas técnicas. Uma delas é conhecida como “técnica dos retalhos”, utilizando parte da própria pele do paciente próxima à area do tumor. Outra é feita a partir de enxertos. A quimioterapia é aplicada somente em casos de melanomas em estágios avançados. Já a radioterapia é utilizada em quadros de metástase localizada.

Fique atento às dicas de prevenção ao câncer de pele

As dicas básicas não mudam, especialmente para as crianças e quem trabalha ao ar livre:

•Evitar exposição prolongada, principalmente entre 10h e 16h;

•Usar e reaplicar sempre o protetor solar compatível com o tom de pele, mesmo aqueles à prova d’água;

•Procurar lugares à sombra, pois mesmo debaixo do guarda sol o reflexo da radiação chega a 35%;

•Tecidos fechados têm um fator de proteção solar entre 20 a 30, mas não dispensam o uso de protetor;

•Usar óculos escuros, chapéus, camisa de manga longa e calça comprida;

•O mormaço queima, pois as nuvens filtram muito mais o calor do que a radiação ultravioleta. Por isso é importante usar protetor mesmo em dias nublados.

O Dr. Daniel Holthausen Nunes é dermatologista, faz Doutorado em Câncer da Pele na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e atende no Hospital Nereu Ramos e Hospital Universitário de Florianópolis.