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Reportagem Especial
SC SAÚDE
Atendimento ainda não chega a 100%

Um mês depois da implantação do novo plano do governo para os servidores públicos, levantamento feito pelo Diário Catarinense revela que dos 2.787 credenciados contatados, somente 75,8% estão atendendo os conveniados
Santa Catarina completa amanhã um mês de uma mudança que está dando o que falar. O SC Saúde, plano que substitui o da Unimed e abrange 180 mil servidores estaduais e seus dependentes, ainda gera reclamações e dúvidas.

Onde procurar atendimento? Quantos hospitais, clínicas, laboratórios e consultórios estão à disposição? E por que muitos conveniados não atendem? Estas são as perguntas mais frequentes dos conveniados.

Para saber como anda o funcionamento do SC Saúde em seus primeiros 30 dias de existência, o Diário Catarinense realizou um levantamento com o maior número possível de estabelecimentos que têm a obrigação contratual de atender pelo novo plano de saúde. O resultado é bom, mas poderia ser melhor: até ontem à noite, 75,8% dos conveniados atendiam aos servidores.

Para chegar a este número, a reportagem do DC consultou no site do SC Saúde todas as 293 cidades catarinenses, mas os conveniados foram encontrados em 195, ou 66,5% do total de municípios. Ou seja, 98 cidades estão sem a cobertura do plano. Todos pequenos como Alto Bela Vista, Frei Rogério, Ouro Verde e Urupema, cujas populações não chegam aos 3 mil habitantes. Já nas 195 cidades que contam com pelo menos um conveniado, a lista varia de uma a mais de mil opções médicas, como é o caso de Florianópolis.

Nestes lugares, a relação disponibilizada no site do SC Saúde indica 3.371 hospitais, clínicas, laboratórios e consultórios credenciados a prestar atendimento. Sem se identificar, a reportagem conseguiu contato com 2.787, ou 82,7% do total.

Os demais 584 não atenderam ao telefone, não tinham o número divulgado no site ou estão entre os 78 das 20 cidades que o DC não consultou. São elas: Paulo Lopes, Pouso Redondo, Presidente Getúlio, Rio do Oeste, Rio dos Cedros, Rio Fortuna, Sangão, Santa Rosa de Lima, Santa Rosa do Sul, São João Batista, Siderópolis, Sombrio, Taió, Timbé do Sul, Timbó, Treze Tílias, Trombudo Central, Turvo, Urussanga e Vidal Ramos. Só em Florianópolis, dos 894 conveniados, a reportagem não conseguiu contato com 371, ou 41,5% do total.

Dos 2.787 contatados, 2.112 disseram que atendem pelo plano, o equivalente a 75,8%. Só que, como nem todos os 3.371 foram consultados, é possível que este percentual varie para mais ou para menos. Mas supondo que todos os 584 que faltaram dissessem só que atendem ou só que não, pode-se afirmar que os atendimentos abrangem entre 62,6% e 80% dos conveniados.

As justificativas dos que não atendem são as mais diversas, e todas apontam o governo do Estado como culpado. Estes 675 conveniados que deveriam atender dizem que não receberam uma suposta senha, não foram devidamente treinados, o sistema online do novo plano de saúde é falho ou, na maioria dos casos, que os contratos assinados com o governo ainda não foram devolvidos.

Muitos dizem que passarão a atender nos próximos dias, outros não têm previsão e uma minoria disse, ainda, não ter mais interesse no convênio.
Alguns poucos, como ocorreu em Florianópolis, chegaram a afirmar que não atendem pelo SC Saúde, mas oferecem descontos especiais aos servidores estaduais.

SAÚDE
Quando precisa, não tem

Você prefere pagar para evitar filas e ter prioridade, mas quando precisa, não encontra quem resolva o seu problema e descobre que seria mais fácil ter esperado para receber de graça. Foi o que aconteceu com o policial militar rodoviário Elias José Blomer, de Lages.

Ele paga R$ 400 por mês pelo SC Saúde para a família. Na manhã do dia 17, o filho dele, Elias Júnior, 13 anos, sofreu uma torção no tornozelo durante uma aula de Educação Física na escola. Levado ao Hospital Infantil Seara do Bem, o menino foi atendido por um clínico geral, que atestou não haver fratura. Mesmo assim, o garoto precisava de um ortopedista para engessar o tornozelo, e foi aí que começou o drama.

O pai entrou em contato com o plano e foi informado de que quatro ortopedistas são conveniados em Lages, dos quais, três já credenciados e um em fase de credenciamento. Mas nos quatro profissionais a resposta era de que nenhum deles ainda atendia pelo novo plano. Assim, Elias Júnior só conseguiu atendimento cinco dias após se machucar, pelo Sistema Único de Saúde.

– Não quero escolher médico. Mas quero ter um quando precisar e ser atendido para resolver o meu problema. Existe o plano, a gente paga, mas atendimento não tem – diz o pai.

Ontem, 10 dias após o acidente na escola, a reportagem do DC ligou para os ortopedistas procurados por Elias, e os três já atendem pelo novo plano.

Edison Linhares Júnior é subtenente da PM e diretor da Associação dos Subtenentes e Sargentos de SC (Aberssesc). Assim como Elias Júnior, Edison também precisou de um ortopedista no último dia 17. Morador de Florianópolis, ele telefonou para o SC Saúde e obteve a lista de profissionais credenciados, mas não conseguiu consulta com nenhum deles. Por isso, precisou recorrer ao Hospital da PM, onde foi atendido, mas não pelo convênio.

– Consegui porque sou militar, mas quem é civil encontra dificuldades. Já há colegas questionando se a associação vai se mobilizar judicialmente.

Outro que sofreu com a falta de atendimento por parte de credenciados pelo SC Saúde foi Varnanci Marcelinho de Jesus, morador de Jaraguá do Sul e funcionário do Deinfra desde 1977. Desde o dia 1º de fevereiro, quando o plano entrou em vigor, ele tentou marcar consulta com um ortopedista para a mulher, mas só conseguiu um profissional em Rio do Sul, distante 130 quilômetros.

A Associação dos Subtenentes e Sargentos e o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Estadual de SC (Sintespe) alegam que recebem reclamações de servidores que não são atendidos por credenciados pelo SC Saúde em várias cidades do Estado.


Geral
SUPERBACTÉRIA NO CELSO RAMOS
Estado intensifica cuidados no hospital

Pacientes infectados com a KPC estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), isolados dos outros internos, e são atendidos por funcionários exclusivos

Pacientes infectados pela bactéria KPC, no Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, foram isolados dos demais e estão com funcionários exclusivos para acompanhá-los. A decisão aconteceu depois de casos de infecção pela superbactéria resistente a medicamentos. Até ontem, havia o registro de sete casos de infecção e 12 casos de colonização, todos portadores de doençaspré-existentes graves. Dos sete pacientes com infecção, três morreram. Oficialmente o surto está sob controle.

Ontem pela manhã, informações repassadas para a imprensa pela coordenadora estadual de combate à infecção de Santa Catarina, Ida Zoz, causou preocupação. Segundo ela, uma área de isolamento não havia sido criada até aquele momento no Hospital Celso Ramos por falta de pessoal treinado para lidar com o protocolo necessário.

Ida admitiu ainda pela manhã que muitos foram contratados há pouco tempo e ainda não receberam treinamento para situações em que o risco de contágio faz com que o isolamento dos pacientes contaminados seja necessário. A coordenadora falou ainda que ao invés de estarem isolados, os pacientes estavam na unidade de tratamento intensivo e semi-intensivo, junto com outros pacientes.

Ainda ontem, a Secretaria de Saúde chegou a anunciar uma entrevista coletiva para esclarecer sobre o caso. Mas foi por meio da assessoria de imprensa divulgou um nota, onde afirma que todos os procedimentos de isolamento necessários já haviam sido colocados em prática.

Procurada pela reportagem, Ida Zoz confirmou o isolamento dos pacientes um uma das sala de UTI, conforme o indicado. As outras áreas de UTI estão sendo utilizadas normalmente, e sem risco, por pacientes não infectados.

Popularizada de superbactéria, a KPC preocupa quem tem familiares ou amigos hospitalizados. Apesar da situação ser considerada controlada pela Coordenação Estadual de Combate à Infecção de SC, sem risco de uma epidemia, a população se questiona sobre a chance de infecção fora do ambiente hospitalar.

O médico Osvaldo Vitorino Oliveira, especialista na área de infectologia e epidemiologia, esclarece que a bactéria se restringe apenas hospitais e em pessoas com quebra de barreira imunológica.

– Esta bactéria só atinge pacientes fragilizados e internados em hospitais, principalmente em Unidades de Terapia Intensiva.


Amostras estão em análise
Amostras de pacientes com KPC estão sendo analisadas pelo Laboratório Central de Santa Catarina (Lacen) e também são enviadas para o Laboratório Central, de Florianópolis, para exames no Instituto Oswaldo Cruz (IOC).


A chefe do Laboratório de Pesquisas em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Marise Dutra, e a pesquisadora do mesmo laboratório, Ana Paula Assef, apontam as ações de vigilância epidemiológica e a adoção de políticas adequadas no uso de antibióticos em hospitais como pontos centrais para a prevenção.

Ana Paula explica que além de estar presente no intestino humano, a Klebsiella pneumoniae pode ser encontrada também no ambiente em geral e no ambiente hospitalar. Ela é uma importante causadora de infecção hospitalar e possui capacidade de trocar informação genética com outras bactérias.

– E ao longo dos anos, com a utilização de antibióticos, surgiram novos mecanismos de resistência.

Há apenas três opções de antibióticos podem ser utilizadas e nenhum deles é a primeira opção.

– Mas são medicamentos antigos, que normalmente são mais tóxicos, não são utilizados contra todos os tipos de infecção e são mais caros – explica Marise.

Busca por novos remédios é uma das prioridades

– Por isso, é preciso estar sempre à frente, buscando desenvolver medicamentos cada vez mais potentes, capazes de agir sobre as bactérias multirresistentes. O desenvolvimento de novos recursos terapêuticos é importante, mas a prevenção é certamente a melhor forma de ação, prevenindo o surgimento de formas resistentes – diz a chefe.

Ana Paula explica que ão necessárias várias medidas para que não ocorra a disseminação:

– São três fatores básicos: medidas de controle da infecção no ambiente hospitalar, o que inclui o uso de equipamentos de proteção individual, luvas e capotes pela equipe clínica; a manutenção de medidas rigorosas de vigilância para um diagnóstico rápido; e a adoção de uma política de utilização adequadas de antibióticos. Estes três elementos têm que estar aliados. Se algum falhar, há maior chance do desenvolvimento de um surto.

Para estas bactérias, é recomendado fazer o isolamento do paciente, com sinalização clara que informe a condição daquele paciente em especial para a equipe do hospital. Com esta medida, as precauções de contato são aplicadas com todo rigor. Também é fundamental realizar a busca da bactéria em pacientes que não apresentam sintomas mas podem estar infectados.

– Ainda que infectados de forma assintomática, também devem permanecer isolados – alerta Marise.

O uso indiscriminado de antibióticos pela população no tratamento de infecções bacterianas, inclusive em casos de automedicação, ajudou a agravar o problema, afirma Marise:

– Mas a resistência, no caso da KPC, não é causada só por este fator. Existe um somatório de fatores, envolvendo o excesso no emprego de antibióticos de uso hospitalar, a liberação de antibióticos no esgoto, além utilizados na agricultura.


Geral
NOVO DOCUMENTO
Cartão do SUS começa a valer amanhã

A partir de amanhã os brasileiros deverão ter o Cartão Nacional de Saúde (CNS) para poderem ser atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A medida é uma determinação do Ministério da Saúde. De acordo com a portaria de julho de 2011, até mesmo quem tem plano de saúde ou habitualmente faz consultas e outros serviços de forma particular deve ter o cartão. Para ser atendido em estabelecimentos de saúde, o usuário terá de informar o número do seu Cartão Nacional do SUS.

O cadastramento para fazer o cartão é feito pelas prefeituras e remetido ao governo federal. O CNS tem o formato de um cartão de crédito e contém uma etiqueta com dados pessoais do usuário e o número nacional. Cada número é único e exclusivo para cada cidadão, válido em todo o Brasil. O histórico de atendimento do usuário poderá ser acompanhado em qualquer unidade de saúde em todo o país. As pessoas que não tiverem o Cartão de Saúde não serão impedidas de receber atendimento em estabelecimento público de saúde.


Política
SAÚDE DOS SERVIDORES
Governo quer ampliar atendimento

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão pretende ampliar para 150, até o fim deste ano, o número de unidades que atendem os servidores públicos nos estados e municípios para perícia médica, promoção da saúde e outros serviços de interesse da categoria.

Isso será feito com a expansão do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor (Siass), que está sendo desenvolvido pela Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social (Dataprev).

De acordo com o chefe do Departamento de Saúde, Previdência e Benefícios do ministério, Sérgio Carneiro, a melhora no atendimento e o melhor conhecimento do servidor a respeito de seus direitos funcionais resolveriam com mais facilidade problemas críticos registrados atualmente, como os casos de afastamento do trabalho. Esses centros, que já existem em alguns estados, deverão permitir uma melhor gestão das políticas de governo no sentido de melhorar a qualidade de vida do trabalhador, facilitando também a vigilância dos processos de trabalho.

Carneiro disse que é necessário melhorar a gestão da readaptação do servidor ao trabalho depois de ausência por motivo de saúde, bem como dos remanejamentos. Ele apresentou o tema, ontem, na reunião do Conselho Nacional dos Dirigentes de Regimes Próprios de Previdência Social (Conaprev), que segue hoje em Brasília. De acordo com Carneiro, “existe muita hipocrisia no serviço público quando se fala de readaptação. Acontece de alguns pensarem que ela envolve uma punição ao servidor, mas, ao contrário, visa ao seu melhor aproveitamento, à sua própria valorização e à defesa da União”.

Aposentadoria a servidores em condições de trabalho

No entanto, segundo ele, acontece com frequência a aposentadoria de servidores que têm potencialidade para continuar trabalhando em outro setor e interferências indevidas no ambiente de trabalho sobre esse rito. Segundo Carneiro, o remanejamento é constitucional:

– O fato de um servidor ser deslocado para outra área não significa uma nova investidura no serviço público.

A expansão da rede do Siass permitirá que os órgãos públicos conheçam melhor a vida funcional do servidor, podendo, assim, fazer com que seja mais fácil zelar pela sua saúde e segurança, segundo o chefe do Departamento de Saúde, Previdência e Benefícios. Atualmente, as unidades do Siass que estão funcionando em vários estados cobrem até 60% do contingente de servidores públicos em todo o país.

BRASÍLIA


 

Joinville | PARANAGUAMIRIM
Posto de saúde terá turno duplo
Interdição no Estevão de Matos leva moradores à unidade no Jardim Edilene

A interdição do posto de saúde Estevão de Matos, no bairro Paranaguamirim, anunciada pela Vigilância Sanitária de Joinville e pelo Centro de Referência da Saúde do Trabalhador (Cerest) na segunda-feira, pegou de surpresa a população ontem. Desde cedo, dezenas de moradores do loteamento da zona Sul que buscaram consultas e medicamentos no posto deram de cara com as portas fechadas e o adesivo que avisava da interdição.

O fechamento por problemas estruturais no prédio contribuiu para aumentar a procura no posto mais próximo, o do loteamento Jardim Edilene. A unidade fica a quase dois quilômetros do posto interditado. Segundo a Saúde municipal, o atendimento de moradores no zoneamento do Estevão de Matos ocorrerá das 13 às 19 horas. Os moradores do Jardim Edilene serão atendidos das 7 às 13 horas.

A auxiliar de produção Natalina Arruda Rodrigues, 40 anos, foi ontem, como faz todos os meses, buscar três remédios contra hipertensão no posto do Estevão de Matos. Saiu de casa com a receita na mão, mas voltou sem os medicamentos. “Vou ter que comprar na farmácia, né”, lamentou.

A Secretaria Municipal da Saúde informou que o atendimento em dois turnos no Jardim Edilene será provisório. O imóvel que receberá o posto do Estevão de Matos, na rua João de Souza com a Antônio Leit, já foi escolhido e passa por reformas para receber os equipamentos de saúde.

A mudança ainda não tem data marcada, mas a Saúde garante que está entre as prioridades da enfermeira Antônia Grigol, que assume hoje a pasta. Entre os principais problemas do imóvel onde funcionava o posto no Estevão de Matos, segundo a Vigilância e o Cerest, estão rachaduras no piso e nas paredes, além da falta de acessibilidade para cadeirantes.

Mesmo que provisório, o turno dobrado no posto do Jardim Edilene pode trazer filas ao atendimento. Uma atendente da unidade reconheceu a preocupação com a demanda e a quantidade de pessoas que circularão por ali diariamente. Hoje, são mais de 150 atendimentos por dia. Agora, a redução do horário deixará a espera mais longa. Ontem, mais de 30 pessoas aguardavam por atendimento. “Normalmente o posto já é lotado”, destaca a servidora, que preferiu não se identificar.


Estado | SC SAÚDE
Cobertura está maior no Norte
76,1% das 402 clínicas conveniadas já atendem na região ao plano do governo para servidores estaduais, mostra levantamento. Em SC, a média é pouco mais baixa: 75,8% de 2.787 estabelecimentos consultados

Santa Catarina completa amanhã um mês de uma mudança que está dando o que falar. O SC Saúde, plano que substitui o da Unimed e abrange 180 mil servidores estaduais, ainda gera reclamações, elogios e dúvidas. Onde procurar atendimento? Quantos hospitais, clínicas, laboratórios e consultórios estão à disposição? E por que muitos conveniados não atendem?

Para saber como anda o funcionamento do SC Saúde em seus primeiros 30 dias de existência, o Grupo RBS realizou uma pesquisa com o maior número possível de estabelecimentos que têm a obrigação contratual de atender pelo novo plano de saúde. O resultado é bom, mas poderia ser melhor: até ontem à noite, 75,8% dos conveniados atendiam aos servidores.

Na região Norte do Estado, 76,1% dos estabelecimentos credenciados estão atendendo pelo Plano SC Saúde, segundo levantamento. Ou seja, dos 402 credenciados, 306 estão atendendo pelo convênio. Apenas em Joinville, este índice é de 76,8%, o que corresponde a 185 das 241 clínicas e profissionais cadastrados. Número que deve aumentar nas próximas semanas. Isso porque a maioria das clínicas que ainda não está atendendo pelo plano afirmou que está em processo de credenciamento.

A cidade onde a adesão está baixa é Jaraguá do Sul, onde apenas 52% dos estabelecimentos credenciados estão atendendo pelo plano. Das dez maiores cidades de Santa Catarina, Jaraguá ficou na última colocação. Em primeiro lugar ficou Criciúma, na região Sul, com 83,3%.

Foram encontrados conveniados em 195 cidades, ou 66,5% do total de 293 municípios catarinenses. Ou seja, 98 estão sem cobertura do plano.

Todos pequenos, cujas populações não chegam aos 3 mil habitantes. Já nas 195 cidades que contam com pelo menos um conveniado, a lista varia de uma a mais de mil opções, como é o caso de Florianópolis.

Nestes lugares, a relação disponibilizada para qualquer pessoa no site do SC Saúde, indica 3.371 hospitais, clínicas, laboratórios e consultórios credenciados a prestar atendimento. Sem se identificar e dizendo-se cliente, a reportagem conseguiu contato com 2.787, ou 82,7% do total.

Os demais 584 não atenderam ao telefone, não tinham o número divulgado no site ou estão entre os 78 credeciados das 20 cidades que não se conseguiu pesquisar devido ao horário.

Assim, dos 2.787 pesquisados, 2.112 disseram que atendem pelo plano, o equivalente a 75,8%. Só que como nem todos os 3.371 foram consultados, é possível que este percentual varie para mais ou para menos. Mas supondo que todos os 584 que faltaram dissessem só que atendem ou só que não, pode-se afirmar que os atendimentos abrangem entre 62,6% e 80% dos conveniados.

As justificativas dos que não atendem são as mais diversas e todas apontam o governo do Estado como responsável.


Estado | SC SAÚDE
Dificuldades no atendimento
Você prefere pagar para evitar filas e ter prioridade, mas quando precisa, não encontra quem resolva o seu problema e descobre que seria mais fácil ter esperado para receber de graça. Foi o que aconteceu com o policial militar rodoviário Elias José Blomer, morador de Lages.

Ele paga R$ 400 por mês pelo plano para a família. Na manhã do dia 17, o filho dele, Elias Júnior, de 13 anos, sofreu uma torção no tornozelo durante a educação física na escola. Levado ao Hospital Infantil Seara do Bem, foi atendido por um clínico geral, que atestou não haver fratura. Mas mesmo assim o garoto precisava de um ortopedista para engessar o tornozelo e foi aí que começou o drama.

O pai entrou em contato com o SC Saúde e foi informado de que quatro ortopedistas são conveniados em Lages, dos quais, três já credenciados e um em fase de credenciamento. Mas nos quatro profissionais a resposta era de que nenhum deles ainda atendia pelo novo plano.

Assim, o garoto só conseguiu atendimento na quarta-feira, cinco dias após se machucar, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Não quero escolher médico. Mas quero ter um quando precisar e ser bem atendido para resolver o meu problema. Existe o plano, a gente paga, mas atendimento, que é bom, não tem”, diz o pai.

Ontem, 11 dias após o acidente na escola, a reportagem ligou para os ortopedistas procurados por Elias, e os três já atendem pelo novo plano.

Edison Linhares Júnior é subtenente da Polícia Militar e diretor da Associação dos Subtenentes e Sargentos de SC (Aberssesc). Assim como Elias Júnior, Edison também precisou de um ortopedista no último dia 17.

Morador de Florianópolis, ele telefonou para o SC Saúde e obteve a lista de profissionais credenciados pelo plano, mas não conseguiu consulta com nenhum. Por isso, precisou recorrer ao Hospital da Polícia Militar, onde foi atendido, mas não pelo convênio. “Consegui porque sou militar, mas quem é civil encontra ainda mais dificuldades. Já há colegas questionando se a associação vai se mobilizar judicialmente.”

Outro que sofreu com a falta de atendimento por parte de credenciados pelo SC Saúde foi Varnanci Marcelinho de Jesus, morador de Jaraguá do Sul e funcionário do Deinfra. Desde o dia 1º de fevereiro, quando o plano entrou em vigor, ele tentou marcar consulta com um ortopedista para a mulher, que precisa fazer uma cirurgia, mas só conseguiu um profissional em Rio do Sul, distante 130 quilômetros.

A Associação dos Subtenentes e Sargentos e o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Estadual de Santa Catarina (Sintespe) alegam que recebem diariamente reclamações de servidores que não são atendidos por credenciados pelo SC Saúde em várias cidades do Estado.


Jaraguá | ARTIGO
Que a saúde se difunda sobre a Terra
As frases “não estou nada bem”, “ai, que dor” ou “que mal-estar” expressam que algo não vai bem no nosso organismo. Problemas de saúde, simples ou graves, podem ser encarados com mais tranquilidade, se o cidadão tiver a segurança de saber que encontrará, na rede pública de saúde, o atendimento, a assistência e o acompanhamento para suas necessidades.

É com esta preocupação que a Igreja Católica lançou na Quarta-feira de Cinzas a Campanha da Fraternidade deste ano, com o tema “Fraternidade e saúde pública” e o lema “Que a saúde se difunda sobre a Terra”.

O objetivo geral dessa campanha é promover ampla discussão sobre a realidade da saúde no Brasil e das políticas públicas para esta área. Além de contribuir com a qualificação, fortalecimento e consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), que tem atuação direta na melhoria da qualidade de vida da população.

De fato, todos nós já convivemos com algum ente querido que nos ensinou o valor da saúde depois de tê-la perdido. Não são raros os casos de pessoas que gastaram o que tinham para recuperá-la. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a nossa Constituição Federal, a saúde é um dos direitos fundamentais do ser humano, sendo, inclusive, um dever do Estado. E é aqui que as coisas não vão bem. O relatório “Estatísticas de Saúde Mundiais 2011”, divulgado pela OMS, mostra que o governo brasileiro está entre os 24 países que destinam uma das menores proporções de seu orçamento à saúde, inferior inclusive à média africana.

Para se ter uma ideia, em 2008, 6% do orçamento nacional foram para a saúde. Nos países ricos, essa taxa chega a 16,7%. Os dados ainda revelam outra realidade: o custo médio da saúde ao bolso de um brasileiro é superior à média mundial. Mais ainda: 56% dos gastos com a saúde no Brasil vêm de poupanças e rendas da população.

Apesar de estar longe do ideal, é preciso reconhecer que a saúde vem se organizando no Brasil. O SUS é considerado o mais amplo sistema público de saúde do mundo, com políticas claras e estabelecidas. Este sistema atende hoje a cerca de 80% da população do País, com cerca de 60 mil unidades ambulatoriais, seis mil hospitais e 440 mil leitos hospitalares espalhados pelo País.

Parece muito, mas pode ser melhor. O Brasil, com seus 5.565 municípios, conta com falta de médicos em cerca de mil deles. É preciso fazer mais, e a Campanha da Fraternidade 2012 se propõe a promover uma reflexão nacional para que grupos, instituições e a população em geral indiquem soluções e melhorias que beneficiem a todos.

Em suma, a Campanha da Fraternidade deseja chamar a atenção para o cuidado com o doente, a prática de hábitos de vida saudáveis, estimular e fortalecer a mobilização popular em defesa do SUS e promover a participação popular nos espaços de controle, fiscalização e deliberação das políticas públicas de saúde. Assim sendo, para você e para todos nós, saúde!

*Missionário da Comunidade Canção Nova
RONALDO DA SILVA*


Jaraguá | GUARAMIRIM
Uma tarde sem luz no hospital
Abastecimento foi suspenso para a instalação de um novo transformador


A demora no atendimento no pronto-socorro do Hospital Padre Mathias Maria Stein, em Guaramirim, provocou reclamações de pacientes no começo da tarde de ontem. Cerca de 30 pacientes que chegaram de manhã ainda aguardavam na fila quando a energia foi suspensa, por volta das 13 horas, para a instalação de um transformador mais potente, ligado ao gerador. Eles tiveram de fazer cadastro novamente porque não era possível acessar os dados nos computadores.

O aumento da potência da rede suprirá o centro cirúrgico, que deve ficar pronto no fim do mês que vem. O local começou a ser reformado em abril de 2010 para se adequar as exigências da Vigilância Sanitária Estadual.

O pai de Daugmar Kraus, 12 anos, Altair Kraus, 37, procurou a unidade depois de o filho reclamar de dores em uma cirurgia de apêndice, feita há uma semana. Ele chegou no pronto-socorro às 12h45 e quando a reportagem deixou o local, por volta das 14h30, ainda não tinha sido atendido. “Primeiro pegaram os nossos dados. Depois de 40 minutos, perguntei o que tinha acontecido. Só então fui informado que o sistema tinha caído por causa da falta de energia e tiveram de pegar os dados a mão de novo”, reclama. Altair disse que não sabia que o abastecimento seria suspenso para obras.

Além do médico, um enfermeiro e quatro técnicos de enfermagem, mesmo no escuro, estavam trabalhando no prontosocorro ontem. O gerente de serviços de enfermagem Gilmar Rabat disse que o atendimento no setor estava normal. “A orientação era de que a população evitasse procurar a unidade. Mas quem veio até aqui não vamos deixar de atender”, garantiu Rabat.

Sobre a demora nos atendimentos, o gerente ressaltou que os pacientes não tiveram de aguardar muito. “O tempo de espera estava sendo de 30 a 40 minutos, o que é considerado normal em um pronto-socorro”, afirmou.

Com relação aos cadastros, o Rabat disse que foi necessário registrar novamente apenas os nomes dos pacientes para organizar os atendimentos. A previsão era de que a energia fosse restabelecida até as 19 horas.

 

Toma posse nesta quarta-feira (29) o novo secretário de saúde de Florianópolis
O novo secretário é farmacêutico bioquímico, mestre em saúde pública e funcionário efetivo da secretaria de Estado da saúde


Depois de passar seis anos respondendo como secretário de saúde de Florianópolis, João José Cândido da Silva, deixa a pasta para assumir nesta quinta-feira, 1º de março, o cargo de secretário de Estado de Assistência Social, Trabalho e Renda. No lugar de Cândido toma posse na manhã desta quarta-feira (29) Clécio Espezim que durante os últimos seis anos foi adjunto da Saúde em Florianópolis.

O novo secretário é farmacêutico bioquímico, mestre em saúde pública e funcionário efetivo da secretaria de Estado da Saúde. “A intenção é dar continuidade aos trabalhos que foram feitos nos últimos seis anos, dando prioridade para a prevenção e promoção da saúde”, destacou Clécio, que também quer manter índices importantes dentro da pasta, como o de mortandade de 8,4 bebês entre zero e um ano em 1000 nascimentos. “Essa é uma conquista importante, visto que em capitais do Norte e Nordeste esse número chega a 23 crianças em 1000”, lembrou.

Durante este ano em que permanecerá como secretário municipal de Saúde, Clécio também pretende inaugurar a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Continente, uma estrutura de 2.000 m² que terá 135 profissionais aptos para atender a região continental, além de acidentes nas rodovias da Grande Florianópolis.

“Certamente foram os anos mais felizes da minha vida”, resumiu Cândido que aceitou um convite pessoal do governador Raimundo Colombo para atuar na assistência social de Santa Catarina. “Há muito que se fazer na área, ainda mais porque em nosso Estado 10% dos municípios atuam como SUAS (Sistema Único de Assistência Social)”, observou Cândido, que pretende levar para a pasta sua experiência como secretário de Saúde durante seis anos, além dos 34 como professor na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Para Cândido, a Assistência Social, Trabalho e Renda é uma secretaria importante porque mexe com os sonhos das pessoas. “Sei que tenho a responsabilidade de transformar vontades em desejos possíveis. Por isso preciso investir em oportunidades de emprego, qualificação profissional e criação de novas moradias”, concluiu.



UPA 24 Horas de Biguaçu começou a funcionar sem a sala de raio-x
Data da inauguração do local foi antecipada, mas equipamento precisa passar por testes


Quem precisar de exames de raio-x e procurar a UPA 24 Horas de Biguaçu terá que aguardar até dia 5 de março para ser atendido. Somente nessa data o equipamento estará funcionando, apesar da UPA ter iniciado suas atividades dia 17 de fevereiro. A explicação, segundo o médico Heron Pereira, é a necessidade de ajustes para garantir a segurança dos operadores do equipamento e também dos pacientes.

A data da inauguração da UPA foi antecipada para atender urgências e emergências desencadeadas pelo grande número de pessoas que visitaram a cidade durante o feriadão do Carnaval. Com isso, a instalação da sala de exames radiológicos dentro das normas não pode ser concluída. Durante esta semana, técnicos do equipamento de raio-x e um físico estarão fazendo testes referentes à radiação que é emitida no momento do disparo do aparelho.

“As paredes são revestidas com um elemento químico, mas um físico precisa fazer um cálculo de blindagem para saber se a radiação não está vazando”, esclarece Pereira. O secretário de Saúde de Biguaçu, Leandro de Barros, ressalta que assim que os testes terminarem a sala será aberta ao público.

Vários pacientes se surpreenderam ao procurar o serviço ainda indisponível, apesar da publicidade em contrário. Foi o que ocorreu com o pai da pequena Júlia, 3, Geovane de Souza, 27, que se revoltou ao procurar a UPA no último dia 24. A menina caiu, bateu a cabeça e o braço. Ele a levou à UPA, não pode fazer raio-x e o médico informou que a criança estava bem. No dia seguinte, com muitas dores, Souza levou Júlia ao Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, e lá foi comprovado que a criança havia quebrado o braço.

Investimento de R$ 2,2 milhões
A nova UPA Arlindo Corrêa 24 horas está localizada na rua Quintino Bocaiúva, no bairro Fundos, em Biguaçu. Para a construção, foram necessários R$ 2,2 milhões em recursos próprios do município, com o apoio do Governo Federal.

Em plantões de 12 horas, dois enfermeiros, quatro técnicos de enfermagem, dois médicos (sendo um clínico geral e um pediatra), um técnico em radiologia, uma recepcionista, um vigilante, um auxiliar serviços gerais, um motorista, uma assistente técnica e uma diretora se revezam para atender aos pacientes.

Na UPA, o paciente poderá realizar exames como raio-x e ultrassonografia. A estrutura, com 1.054 metros quadrados, é composta por quatro consultórios médicos e um odontológico, sala de enfermagem, três sala de observação, sala de inalação, área de exames de imagem e setor administrativo.

 

Falou na Rádio Record
Situação está sob controle


Sem registrar nenhum novo caso de infecção de pacientes pela superbactéria KPC na última semana, a situação está controlada no Hospital Celso Ramos, que entre janeiro e fevereiro contou 11 pessoas infectadas. A garantia é da coordenadora de Controle de Infecção da Secretaria de Estado da Saúde, Ida Zoz, em entrevista ao jornalista Carlos Damião, no programa A Cidade na Record, ontem de manhã, tranqüilizou a população. “Não há motivo para pânico. A situação está controlada”. Afirmou Ida.

Mesmo com a situação sob controle, ela assinala que o hospital continua tomando cuidados extras, como a restrição de visitas a pacientes, entrada de estagiários e suspensão de parte das cirurgias eletivas. A enfermeira lembra que alguns cuidados simples de higiene são fundamentais para evitar novos casos. “Quem for visitar um paciente deve ir de banho tomado, com roupas limpas, higienizar as mãos com álcool antes de tocar no paciente e evitar sentar à cama do internado”, afirma Zoz