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Referência no estado, o Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina (LACEN-SC) comemora em julho 70 anos de existência com recordes e uma série de atividades para marcar a data.

Imagens: Maurício Vieira-SECOM

Criado no dia 24 de julho de 1951 por meio da Lei Estadual nº. 503, o Lacen é parte integrante do Sistema Nacional de Laboratório de Saúde Pública como Laboratório de referência estadual. Nos anos de 2020 e 2021, os servidores passaram pelo maior desafio de toda a história da unidade: a pandemia do novo coronavírus.

Atuando no diagnóstico de COVID-19 para todo o estado como um prestador de serviço de saúde no âmbito do Sistema Único de Saude (SUS), a unidade realizou mais de 850 mil exames desde a implantação da técnica no laboratório de Biologia Molecular em 12/03/2020, um recorde em se tratando de um único tipo de procedimento. Desde então, o LACEN trabalha ininterruptamente em três turnos diários, inclusive finais de semana e feriados. A rede recebe mais de 3000 amostras por dia.

“Nunca antes o LACEN teve uma demanda tão intensa de um único exame. Todos os colaboradores de nossa unidade, além de inúmeros voluntários e instituições parceiras estão atuando na recepção e processamento dos exames. É um trabalho conjunto no combate à pandemia”, destaca a diretora Marlei Pickler Debiasi.

Para marcar a semana em que completa sete décadas de existência, o LACEN vai promover uma série de lives durante toda a semana. Os debates serão transmitidos pelo canal do Youtube da Secretaria de Estado da Saúde. A programação completa pode ser acessada aqui. Na sexta, dia 24, será inaugurado o novo almoxarifado do Laboratório Central.

Toda área foi redimensionada e readequada com a finalidade de melhoria nas áreas de gestão de materiais , com a reforma das áreas consideradas incompatíveis, respeitando a legislação e a segurança como: áreas de armazenamento de diferentes classes de reagentes químicos, área de vidraria e área administrativa dos setores de aquisição, recebimento e distribuição de materiais. Além de instalação de câmara de refrigeração de 28 m² aumentando a capacidade de armazenamento de insumos reagentes que necessitam desta condição ambiental.

Além de realizar os exames de RTqPCR para COVID-19, o LACEN produz e distribui os kits de coleta de secreções naso e orofaríngeas para realização do exame, composto por swab e meio de transporte viral, para todos os municípios e estabelecimentos de saúde, totalizando até o momento 950 mil kits distribuídos. O LACEN/SC como um dos poucos laboratórios nacionais a realizar análises de vírus em água também inicia a detecção do SARS CoV-2 em efluentes (esgoto).

Outra importante atribuição do LACEN é possibilitar a Vigilância Genômica dos vírus respiratórios. As amostras com resultado positivo de diferentes regiões do estado para Influenza ou COVID-19, são enviadas para o Laboratório de Referência Nacional de Sequenciamento de Vírus Respiratórios na FIOCRUZ/RJ. Com o apoio da Coordenação Geral de Laboratórios (CGLAB), unidade da Secretaria de Vigilância em Saúde/MS, está prevista a implantação desta metodologia no LACEN, ainda este ano, com a doação de um Sequenciador de DNA de Nova Geração (Next Generation Sequencing – NGS) e realização de treinamento da equipe técnica. O sequenciamento permite acompanhar as linhagens e mutações genéticas virais, entendendo a evolução molecular e os padrões epidemiológicos dos vírus, contribuindo para um melhor preparo de todo o país em termos de diagnósticos mais precisos, terapias e vacinas eficazes.

O LACEN possui cinco Laboratórios Regionais distribuídos no Estado, além da unidade central, incluindo o laboratório de São Miguel do Oeste como Laboratório de Fronteira, constituindo a REDE LACEN no Estado de Santa Catarina.
A produção anual é de, aproximadamente, 780.000 ensaios e exames, entre as áreas de Biologia Médica e Análise de Produtos e Meio Ambiente.

Biologia Médica

Na área de Biologia Médica, entre outros, são realizados os exames como o diagnóstico da infecção pelo HIV e exames de monitoramento aos portadores como a Carga viral do HIV e contagem de linfócitos T CD4 CD8, diagnóstico das hepatites virais (A, B e C), bem como o monitoramento de tratamento da Hepatite B e C, além de meningites bacterianas, coqueluche, leptospirose, brucelose, sífilis, doenças bacterianas e virais de transmissão hídrica e alimentar, participa de rede analítica de resistência microbiana em serviços de saúde, pesquisa de doenças causadas por fungos (micoses) e doenças parasitárias como: doença de Chagas, malária, leishmanioses humana e canina e ainda a toxoplasmose, realiza a vigilância laboratorial do sarampo e rubéola, das arboviroses como: dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Coordena a rede de laboratórios públicos que realiza diagnóstico e monitoramento de tuberculose, hanseníase e malária, entre outros. Desde 1999, realiza a vigilância dos vírus respiratórios como: Influenza A (incluindo o H1N1 na pandemia 2009), Influenza B, vírus sincicial respiratório, parainfluenza e mais recentemente a detecção do novo coronavírus, o SARS CoV-2, agente etiológico da COVID-19.

Área de Produtos e Meio Ambiente

Na área de Produtos e Meio Ambiente são realizadas análises de água para consumo humano (água tratadas e não tratadas), pesquisa de resíduos de agrotóxicos, pesquisa de vírus (norovírus e hepatite A), verificação da presença de vírus entéricos na água de rios, praias e lagoas da capital e avaliação da qualidade da água utilizada em clínicas de hemodiálise com ensaios microbiológicos, físico-químicos.
Também são realizadas análises de monitoramento da qualidade dos alimentos, medicamentos e outros produtos de interesse da saúde pública. Nestas áreas, entre outros ensaios, destacam-se a pesquisa de metais pesados, determinação de sódio, proteínas, carboidratos, fibra total, determinação de glúten, pesquisa de parasitas em pescado, pesquisa de formol em leite, pesquisa de matéria estranha (sujidades, insetos, pelos de roedores), verificação de fraudes em alimentos e verificação da qualidade dos cosméticos e saneantes comercializados em todo território nacional, em especial no Estado de Santa Catarina.

Atuações históricas

Nestes 70 anos, o LACEN teve atuação importante, realizando análises/ensaios em diversas ocorrências como: enchentes ocorridas em nosso Estado (leptospirose, doenças de transmissão hídrica e alimentar), na suspeita de ataque biológico pelo Bacillus anthracis (2001), no surto de Doença de Chagas (2005), pandemia de Influenza A H1N1 (2009), casos de Botulismo ( 2011),surto de Dengue em Itajaí e Balneário Camboriú (2015) surto de Zika Vírus (2016), Operação Carne fraca (2017), primeiro caso de Febre Amarela em SC (2019), surto de Dengue no litoral de SC (2021) e permanece trabalhando em favor da Saúde Pública do povo catarinense.

“Ao longo dos anos, com a atuação de equipe técnica qualificada o LACEN conquistou o respeito pelo serviço prestado à saúde pública catarinense”, afirma Marlei. “Vislumbramos para o futuro um laboratório com maior aporte tecnológico para ampliar os ensaios de determinação de resíduos de agrotóxicos em água para 40 parâmetros e implantar a pesquisa de agrotóxicos em alimentos, pesquisa de medicamentos veterinários em alimentos, ampliar a pesquisa de vírus em água para consumo humano e realizar o monitoramento do SARS CoV-2 em esgoto. Temos o compromisso de permanecer na vigilância de surtos de infecções transmitidas por água e alimentos, bem como das doenças emergentes e reemergentes que representam risco à população”.

A diretora revelou que a unidade está adquirindo um equipamento utilizado na identificação de micro-organismos causadores de doenças infecciosas por espectrometria de massa, uma tecnologia que apresenta recursos de realização de análises de grande sensibilidade e precisão. Além disso, novos equipamentos de biologia molecular vão possibilitar a ampliação da detecção de vírus de transmissão respiratória para mais de 16 diferentes tipos, assim como o diagnóstico de bactérias causadoras de meningites e, principalmente, de zoonoses. Pretendemos implantar as metodologias de biologia molecular para detecção de vírus de transmissão respiratória para outros Laboratórios Regionais da Rede LACEN.

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Mais informações para a imprensa:
Fabrício Escandiuzzi
Assessoria de Comunicação
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